Notas iniciais
Então... o ultimo capítulo. Boa leitura!

Pássaros

.

Escrito por Amanur e Noel Blue

.

Capítulo 29

Sakura recobrou a consciência com uma forte luz jogada em seus olhos. Alguém analisava suas pupilas.

Ela sentiu náusea, e uma leve pressão na nuca. Aquele mal estar que a deixava sonolenta.

Ela percebeu que havia agulhas injetadas em seus braços. Seu corpo doía e parecia pesar uma tonelada. Ela também tinha sede; sua garganta parecia estar fechada e ela sentia vontade de chorar. O que havia acontecido? Ela não conseguia lembrar de nada.

Ela também estava ouvindo vozes, mas não conseguia entender nada do que falavam, pois estava entorpecida ainda. Sua atenção estava no teto do quarto e aquele flash de luz em seus olhos a irritava. E, então, tudo fica em silêncio novamente, e ela ouve a porta bater. Seus pensamentos estavam nublados e confusos; sua mente parecia dormente. Ela estava caindo de sono, mas queria se mover, queria entender o que estava acontecendo.

A porta se abre e fecha novamente.

— Sakura?

Instantaneamente ela olhou para o lado, para dar de cara com cabelos e olhos pretos. Na hora soube que aquilo lhe lembrava de alguém, mas sua mente não conseguia pensar. Queria falar, mas sua garganta seca não estava ajudando. Seus movimentos estavam pesados demais, como se alguém apertasse algum botão para impedi-la de fazer algo. Como se uma pedra enorme, como um iceberg estivesse deitada por cima do seu corpo, a impossibilitando de mover-se. Ela tinha a estranha sensação de estar completamente sozinha num mundo desconhecido, com gente a analisando.

Então, Itachi pegou um cubo de gelo e colocou na sua boca. Aquilo foi como chuva no deserto. Ela fechou os olhos por alguns instantes, apreciando a sensação até o gelo derreter completamente em sua língua.

— O que... O que aconteceu? — conseguiu balbuciar.

— Você está no hospital... Por que sofreu um acidente de avião... — preocupado, ficou olhando para o rosto dela, esperando por alguma reação.

Mas Sakura olhava para o espaço vazio do teto. Ela se lembrou do incidente com o marido, se lembrou do pânico que sentiu, lembrou de ter desviado o monomotor para fora da pista.

— Cadê o Sasuke? — indagou.

— Sakura, querida, preste atenção... — ela percebeu que ele ficou tenso, aflito, e olhava para o outro lado do quarto. Com esforço, ela conseguiu virar a cabeça, e ver que havia um enfermeiro ali, com uma planilha nas mãos, fazendo anotações.

— Cadê o meu marido, Itachi? — indagou mais uma vez.

— Sakura, preste atenção... Você ficou em coma por dois meses. Os médicos já pensavam que você não iria se recuperar, por que seu cérebro não estava respondendo aos tratamentos... Você bateu a cabeça, e sofreu um trauma craniano. Tiveram que operá-la. Nós ficamos tão preocupados, por que descobrimos que você fazia tratamento para epilepsia, quando pequena.

Ela olhava para ele, mas ao mesmo tempo era como se não o enxergasse. Itachi estava com medo de que houvesse alguma sequela, mas Sakura apenas estava tentando processar as informações. Ainda estava sonolenta, devido ao longo tempo em que ficara adormecida. Sentia-se como se tivesse passado uma temporada em hibernação.

— Cadê o Sasuke? — isso era tudo o que ela conseguia pensar com clareza. Precisava saber se seu marido estava bem. O resto não importava.

Em instantes, a porta se abre e fecha novamente. E, então, o rosto de Tenten surge a sua frente. Sua amiga parece emocionada, com os olhos cheios de lágrima, e aperta a mão da amiga.

— Graças à Deus você acordou! — resmungou — Como você se sente?

— Estranha... — Sakura respondeu.

— Doutora, — Itachi interveio — Eu tentei explicar alguma coisa para ela, mas não consegui...

— Tudo bem... Sakura, querida, temos uma informação muito importante a lhe dar...

— Cadê o meu marido?

— Preocupe-se consigo agora, ok? Você é nossa prioridade aqui!

Sakura mordeu o lábio, sentindo seu peito se apertar em angustia. O que ela mais temia parecia realmente ter acontecido. Um calafrio percorreu por seu corpo e, de repente, sentiu seus ossos tremer. Sem querer, as lagrimas começaram a cair em cascatas por seu rosto, e ela começava a soluçar.

— Sasuke morreu? Meu marido morreu?

— O quê? Não, querida, Sasuke está bem! Se acalme!

— Você está mentindo! Eu não acredito em você!

Tenten virou-se para Itachi.

— Itachi, vá chamá-lo. — em seguida, voltou a olhá-la — Se acalme, Sakura. O Sasuke está bem. Graças ao cinto de segurança que você colocou nele, ele está bem. Aliás, graças a você que ele está bem. Na hora da queda do avião, você se colocou atrás dele. Se não tivesse feito isso, ele teria sofrido o que você sofreu...

— O quê? Como assim?

— Com a queda, uma parte da carcaça do avião foi parar em suas costas, Sakura. Ela atingiu sua coluna e por causa disso você ficou paraplégica. Você não respondia a nenhum dos exames. Então, Sasuke tomou a iniciativa de aplicar em você um tratamento novo, recentemente desenvolvido pelo doutor Kabuto, lembra-se dele?

Sakura balançou a cabeça afirmativamente, mas ainda se sentia confusa.

— Eu sei o que ele fez... — Sakura resmungou — Com a ajuda de um neurocirurgião, fizeram um transplante de células-troncos. Aproveitaram que eu estava inconsciente para retirarem do osso do meu quadril algumas células-tronco chamadas mesenquimais. Elas têm grande capacidade de se transformar em diversos tipos de tecido, e por isso a injetaram diretamente no local onde a minha coluna foi fraturada. Não foi isso?

Tenten ficou surpresa.

— Como sabe disso? Esse é um procedimento extremamente novo.

— Eu sonhei com isso...

— Você sonhou enquanto estava em coma? — a psicóloga perguntou, incrédula.

— É a única maneira pela qual eu poderia saber disso, não e mesmo?

— Suponho que sim... Você deve ter ouvido conversas, e transformado aquilo em sonho... O que mais você lembra?

Sakura suspirou. Em seguida, contou toda a história para sua amiga. Desde como lembrou-se do primeiro encontro que teve com seu marido, o Sasuke, quando crianças, e como mais tarde havia imaginado ter se casado com outro homem que sofrera acidente de carro. Contou também como reencontrou o Sasuke no hospital, vitima de acidente de avião, e ele quem havia ficado paraplégico. Contou tudo em detalhes, relembrando as angústias, a depressão pelo qual passou, o problema com bebida, a negação, os medos...

Enquanto relatava tudo, Tenten percebeu que sua amiga olhava sempre para o teto, tentando manter a concentração nos fatos e seus detalhes, e não percebeu quando Sasuke entrou no quarto. Ele puxou uma cadeira para o lado da cama, sem fazer muito barulho, atento ao que ela dizia.

Sasuke havia ficado o tempo todo ao lado dela. Havia faltado ao trabalho para estar com ela quando acordasse, mas o cansaço sempre o vencia e precisava sair daquele quarto para descansar. Mas de uns dias para cá, houve mudança nas atividades cerebrais dela. Ela resmungava coisas enquanto dormia, e Sasuke, para estimulá-la, sempre conversava com ela, pois havia lido em algum lugar que pessoa em coma eram capazes de ouvir.

— Eu sou não especialista em sonhos, mas pelo que posso entender do que você me contou, Sakura, você imaginou ter um outro marido para superar o medo que tinha de perder o Sasuke, e reinventou a história de vocês para pode continuar vivendo com ele. Talvez você quisesse esquecer o que havia acontecido, com medo de ter perdido ele no acidente, e disse a si mesma que o marido que havia perdido não era o Sasuke. — enquanto Tenten dava o seu parecer a respeito do sonho dela, Sakura não mais a ouvia.

Estava tão extasiada e feliz por estar vendo seu marido em perfeito estado, que o mundo parecia ter se desmanchado a sua volta, e agora só existiam eles dois. E Sasuke, extremamente feliz por poder ver novamente os olhos de sua esposa olhá-lo novamente, agarrava com forças a mão dela, com um meio sorriso, sem poder acreditar que ela finalmente atendera aos seus chamados.

—... A parte em que você contou sobre a traição do seu primeiro marido, e o acidente de carro — Tenten continuou — Acho que era para minimizar a dor, para tentar culpar essa pessoa que não existiu pela morte, e você não sentir remorso. Mas o acidente de carro na verdade não aconteceu, você a criou para não lembrar de como Sasuke havia morrido, de acordo com o que você temia. Por que, assim, seria mais fácil para você superar a dor da perda dele, chamando ele de filho da puta por ter te traído, entende? Teria sido mais fácil se Sasuke tivesse sido esse marido filho da puta que você imaginou como o primeiro marido sendo. Você misturou a realidade com o que você queria que tivesse acontecido para minimizar a dor da perda, mas por algum motivo, acabou não resistindo inserir o Sasuke novamente em sua vida... E acho que a Karin foi uma personificação dos seus medos e desconfianças. Você a personificou, numa tentativa de tirá-la de si mesma, por que precisava desesperadamente se livrar daquelas sensações, mas não conseguia. Ok... Acho que estou falando com as paredes... — ela finalmente se deu conta de que não estavam ouvindo-a, mas sorriu ao ver a felicidade dos dois — Bom, vou deixá-los sozinhos, depois voltarei.

E, então, ela deu as costas e saiu do quarto levando o enfermeiro e Itachi consigo, dizendo que ligaria para os pais dela, avisando que a paciente tinha recobrado a consciência.

Sakura olhava para Sasuke fixamente, analisando cada detalhe dele. Seus olhos, seu cabelo, seu nariz, maxilar, sua pele. Perfeito. Ele estava perfeito. E ela o amava tanto e estava tão feliz por ele estar bem. Ela queria levantar a mão e tocar seu rosto, mas infelizmente não podia. Mas o que importava era estar ali com ele.

O silêncio que se estendia entre os dois não era constrangedor, era reconfortante; um olhar para o outro era a confirmação de que tudo ficaria bem.

— Você está vivo, e está bem. — ela sussurrou para ele, com um pequeno sorriso.

— Por sua causa. — ele passou a mão por seu rosto e em seu cabelo — E vamos ficar bem juntos de novo, você vai ver.

— Eu... Eu fiquei com medo de perder você.

— Não se preocupe querida, você não vai se livrar de mim assim tão fácil! Está grudada comigo agora. — ele sorriu junto com ela, tirou a mão de seu cabelo e segurou a mão de sua mulher. Mesmo sabendo que ela não podia sentir, ele apertou levemente para reconfortar a si mesmo, afinal, também havia passado todo aquele tempo em que ela estivera em coma com medo de perdê-la. Vê-la acordada lhe trazia um alívio imenso.

— É... Vamos ficar bem.

— Você sabe, eu fiquei dois meses sem você... Não faça isso de novo.

Dois meses!, ela pensou. A sensação que tinha, era de anos terem se passado naquele tormento. Ela ainda podia sentir no peito toda a angustia que sentira no sonho. Mas suspirou, sabendo que aquilo passou, tudo foi apenas fruto de sua imaginação. Agora estava de volta, ao no lugar a quem pertencia. Com seu marido, que tinha olheiras profundas, e aparentava muito cansaço.

— Não se preocupe querido, você não vai se livrar de mim assim tão fácil, está grudado comigo agora. — ela o imitou o fazendo sorrir e se aproximar, encaixando o rosto na curva de seu pescoço. Ele respirou fundo, inalando aquele cheiro bom que ela tinha.

— Eu te amo, e vou ajudar você em tudo. Vou ficar com você durante todo o tratamento e durante toda a minha vida...

Ela apenas sorriu. Ele faria exatamente tudo o que ela fez por ele, em seu sonho, e jamais duvidaria de sua lealdade.

Então, no quarto, fez-se silêncio novamente, naquele entendimento mutuo. Ela fechou os olhos, sentindo o cansaço causado pelas emoções lhe dominar. E ele apertou ainda mais sua mão contra a dela, com medo de que caísse no sono profundo novamente.

Mas algumas horas depois, ela despertou. Felizmente, sem sonhos. Sakura não se lembrava de quando dormiu, mas ao acordar deu de cara com o mesmo teto branco do hospital e suspirou olhando para o lado. Viu Sasuke sentado na poltrona, olhando para a janela. Ele parecia pensativo, concentrado suas reflexões. Até que ele vira sua atenção para ela e sorri. Ele se levanta, e se aproxima para sentar na cadeira ao lado da cama.

— Bom dia, bela adormecida. Você apagou ontem, deve ter sido pelos analgésicos.

— Hum, você ficou aqui o tempo todo?

— Sim, o tempo todo.

— Não precisa disso, Sasuke, você tem que ir pra casa e descansar. — ela geme em desgosto, e ele sorri divertido.

— Eu sei... Estou parecendo um cocô. As enfermeiras nem me olham mais, dá para acreditar nisso? Mas ficar em casa sem você não tem graça alguma.

— Você precisa ir para casa, comer e dormir. Depois eu deixo você voltar... — brincou — Me promete que vai fazer isso?

— Tá bom, mamãe! — ele resmunga e descansa a cabeça na lateral da cama, olhando para ela — Senti sua falta, esse tempo todo em que você dormiu. Eu não sabia o que fazer, estava sozinho.

— Eu estou aqui agora... Graça aos seus chamados... Se não fossem por eles, acho que não teria me dado conta de que havia algo de errado com aquela ilusão em que eu estava vivendo...

— Você me ouviu?

— Uhum.

Ele olhou para ela como se não acreditasse naquilo, como se não acreditasse que sua voz pudesse ter todo aquele poder sobre ela. Mas sorriu muito satisfeito.

— Uma fisioterapeuta começará com seu tratamento a amanhã. Ela disse que graças a essa cirurgia inovadora, você se recuperará muito rápido. E quando estiver melhor, vamos viajar por aí, sem rumo algum para ver o que a vida guarda para nós. Vamos fazer muitos filhos e depois vamos comprar uma casa grande com um quintal grande e uma lareira grande, e vamos ser felizes para sempre, até que a morte nos separe. Porque eu não quero mais dar um passo sem você...

— Não esqueça da piscina grande, Sasuke.

— Ok, pode deixar.

Sakura tinha lágrimas derramando dos olhos, emocionada com as palavras dele. Mas ela sorriu e concordou com a cabeça, incapaz de falar. Estava tão feliz, que achava que seu peito fosse explodir a qualquer momento. E ela soube que iria enfrentar aquilo de cabeça erguida, porque ela tinha o homem da sua vida ao seu lado, ela tinha tudo o que queria ao seu lado. Ali, naquela troca de sorrisos, de cumplicidade, prometeu a si mesma que jamais deixaria o Sasuke, o verdadeiro, ver aquele seu lado obscuro. Jamais o deixaria presenciar aquelas cenas horrível em que protagonizou, e jamais se sucumbiria ao alcoolismo.

Ela sabia que o impossível era apenas uma questão de opinião e força de vontade.

“Você não está sozinho

Juntos, nós permaneceremos

Eu estarei ao seu lado

Você sabe que segurarei sua mão

Quando ficar frio e parecer o fim

Continue aguentando firme

Porque você sabe que conseguiremos, nós conseguiremos

Apenas seja forte, porque você sabe que eu estou aqui por você

Então continue aguentando firme

Porque você sabe que conseguiremos, nós conseguiremos”


Fim.

Notas finais
E aí? Mais aliviados?
|
Esperamos que não tenha ficado nada pendente sobre as dúvidas... mas se algo não foi esclarecido, nos avisem! Claro que alguns detalhes mais minunciosos foram deixados de lado propositalmente, para dar liberdade aos leitores tirarem suas próprias conclusões. Até por que, ficaria muito cansativo ter que repetir tudo de novo. Mas, de qualquer forma, nos avisem o que não entenderem.
|
Esse trecho final é uma parte da música Keep holding on, Avril Lavigne. Essa parte se encaixava direitinho à fic, então, resolvemos colocá-la. :)
|
Antes que nos digam para dar continuidade a essa história, deixe-nos explicar porque a finalizamos aqui: depois daquela longa pausa que fizemos, resolvemos finalizá-la logo por que tínhamos medo de que ficasse muito melodramática demais. Como conseguimos contornar a situação dela, e já explicamos através do que havia acontecido com o Sasuke, também não achamos necessário descrever todo o processo de recuperação dela, por que vocês conseguem imaginar, certo? Sem a parte do drama que ele enfrentou, é claro. Esperamos que isso tenha ficado claro, também. :)
|
E só mais uma coisa: MUITO OBRIGADA a todos os comentários. MESMO! Sem eles, muita coisa não teria acontecido nesta história. Também agradecemos a todos os que recomendaram a fic. Agradecemos as palavras de apoio, os comentários gentis, às criticas...absolutamente tudo! Agradecemos também àqueles que apenas lêem sem comentar nada, por que, afinal de contas, fazem parte da esfera a quem queríamos, de algum modo, tocar com essa história. Mesmo que não comentem, é bom saber que alguém está lendo afinal, o motivo principal disso é fazer com que alguém se interesse a ler. :)
|
E é isso! Um beijo na bunda e até segunda! xD (só disse isso pela rima o/)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!