Notas iniciais
Mais um. Boa leitura!

Pássaros

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Escrito por Amanur e Noel Blue

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Capítulo 23

O porta-retrato parecia trazer a imagem de uma inexistência, ou era a figura da ausência. Seja lá o que for, o deixou confuso.

— Por que isto está vazio? — não fazia sentido manter um porta retrato sem fotografia no criado mudo, e menos ainda virado para a parede, como se estivesse de castigo. Ele a viu ficar tensa, enquanto parava de arrumar a bagunça.

Surpresa, Sakura se virou para ele, também sem entender.

— Ué... Ele estava aí! — ela se aproximou, para ver o porta-retrato. Realmente havia apenas um fundo branco, como se a foto nunca estivera ali...

Ela não conseguia se lembrar de tê-lo tirado dali, mas talvez o tivesse feito numa noite de bebedeira, e apenas não conseguia mesmo se recordar. Então, olhou para ele, que a observava com cautela, tentando descobrir algo em sua reação.

— Ah, lembrei... O tirei enquanto fazia faxina, alguns dias atrás... — e então, o colocou de volta sobre o criado mudo. Ela queria dar por encerrado o assunto, e por isso não olhou mais para ele. Embora sua situação em relação ao marido já estivesse bem melhor, ainda era incomodo falar ou lembrar-se dele — quanto mais olhar para sua foto. Ela também tinha se livrado das roupas, tudo estava em uma caixa guardada. Menos a aliança e a foto do casamento deles — em que ambos apareciam felizes e sorridentes, naquele eterno “até que a morte nos separe”.

Ela podia superar, mas não queria esquecer que seu marido não voltaria.

— Por quê? — Sasuke perguntou.

Ele sabia que não deveria forçar a barra, mas queria saber mais sobre ela. A sensação que tinha era de que tudo o que ele já sabia era pouco demais, Sakura era um mistério e queria desvendá-la um pouco mais. Queria, de alguma forma louca, criar um laço tão firme e forte quanto ela parecia ter com seu marido. Ele queria ser inesquecível para ela, como ela era para ele. Afinal, ele jamais a esqueceria, por tudo o que ela já fez...

Ela suspirou, meio pensativa.

— Bom, aprendi que acordar todo dia pela manhã e olhar para o rosto dele não é a melhor forma de superar a morte do seu marido. — o que era verdade — Espero algum dia poder voltar a olhar as nossas fotografias, mas acho que ainda não é o momento para isso.

— Talvez quando conseguir preencher o vazio que ele deixou... — ele murmurou, com o porta-retrato em branco em suas mãos.

Sakura virou-se para encará-lo. Ela entendia o que ele estava querendo insinuar, mas também via a insegurança dele diante daquele fantasma.

Ela deixou o que tinha em mão sobre a poltrona, e sentou-se ao lado dele na cama. Com um suspiro, ela pegou na mão dele e fechou os olhos. Era doloroso fazer aquilo, mas ela sentia que ele precisava saber mais alguma verdade sobre seu inexistente rival.

Enquanto ela se concentrava, com o cenho franzido e pálpebras cerradas, ele a olhava em curiosidade.

— Você nunca me deu uma boa descrição dele... — ele resmungou.

Ela mordeu o lábio, refletindo sobre o poderia dizer, sem muito revelar.

— Bom, ele tinha olhos escuros, tão escuros que qualquer um desapareceria em seu olhar. Tinha o sorriso que fazia qualquer uma se derreter com a força daquele brilho. E tinha aquela aura sagaz que, de alguma forma, lhe dava a sensação de saber tudo. Ele era um ótimo trovador... O que mais?

— Me conte mais sobre a aparência física dele!

— Por quê?

— Não sei... — ele deu de ombros — Para que eu possa imaginar meu rival, e saber até onde posso competir com ele. Ou poderia...

— Isso é bobagem.

— Eu sei. Mas eu não conheci ele, e mesmo assim sinto como se estivesse num eterno duelo contra ele, Sakura.

— Você não está duelando contra ninguém, Sasuke. Sinto muito se o fiz se sentir dessa forma!

— Eu sei... Não foi sua intenção.

Ela ficou em silêncio por algum tempo. Ambos encarando seus reflexos no olhar do outro. Sasuke sabia que o que estava pedindo era idiota, infrutífero, mas precisava ter alguma noção de contra quem ele lutava. Era importante saber quem foi seu marido, para poder ajuda-la a superar o passado e quem sabe, superar o próprio cara. Apesar de ser um pensamento egoísta, era o que ele queria. Só assim se sentiria seguro de si.

E Sakura, no entanto, sentia-se estranha por ele estar tocando naquele assunto, por que não tinha nada a ver com ele. Seu marido foi parte muito importante em sua vida, mas era passado. Não era para Sasuke se sentir desta forma, e ela se sentia realmente estupida por causar isso nele. Estava contente, no entanto, por ele ter esclarecido isso, porque ela não notava que trazia a lembrança dele em suas ações. Para ela, estava agindo de forma natural, embora soubesse que lhe fazia mal pensar nele. Mas não via que estava também prejudicando Sasuke. Quem sabe agora, de uma vez por todas, conseguiria fazer com que algo desse certo em sua vida.

Ela, enfim, suspirou.

— Ele tinha os cabelos lisos e caídos sobre os ombros, e frequentemente deixava a barba por fazer porque tinha preguiça de fazê-la todos os dias. Mas uma das coisas que eu mais gostava nele era o modo como ele caminhava, de pernas abertas, como se tivesse o saco grande demais entre as pernas. Ele era incrivelmente lindo e sedutor. E toda vez que eu olho para você, tenho medo de me envolver demais e te perder. — ela abriu os olhos (os havia fechado sem perceber), e o encarou. Sua respiração estava levemente ofegante, as mãos levemente trêmulas e inseguras, e fazia um grande esforço para impedir que as lágrimas caíssem diante dele.

Mas com suas forças, Sasuke apertou a mão dela contra a sua.

— Eu não sou ele.

— Eu sei.

— E você não vai me perder.

— Mas eu quase o perdi. E antes mesmo de conhecê-lo... — ela sussurrou, com medo de dizer aquelas palavras em tom alto demais, como se a morte pudesse ouvi-la e resolver tomá-lo de si.

Sem pensar duas vezes sobre o momento, ele apenas a puxou para beijar aqueles lábios que há tanto sonhava, sem nem se preocupar com o que ela poderia dizer daquela aproximação. Ele acreditava estar fazer a coisa certa, pois já eram adultos e acanhamentos já não faziam mais sentido. Com seu jeito meio travado, por conta de suas limitações físicas, ele a derrubou para trás, no colchão, mas não conseguiu se por cima dela. Ele bufou, frustrado por não conseguir levar adiante aquele momento, que até então parecia perfeito, por causa de sua incapacitação.

Felizmente, Sakura tinha tato suficiente para compreender a situação, e tomar rapidamente uma decisão. Com ele deitado ao seu lado, de costas para o colchão, ela ergueu a saia do bonito vestido para sentar por cima dele. Ele a observou com ansiedade e interesse contidos no olhar, enquanto ela afastava o cabelo para o lado e se inclinava por cima dele. Os lábios se tocaram novamente, desta vez com mais necessidade e voracidade. Com muito esforço, ele conseguiu abraçá-la, mas as mãos trêmulas não o permitiu ficar assim por muito tempo.

Ela se ergueu, e ficaram se encarando; ele, ansioso por mais, e ela, hesitante. Sakura queria ir adiante, queria se entregar de corpo e alma a ele, mas olhar para aquele homem em sua cama era estranho. Se estivessem em outro colchão, em outro ambiente, talvez o estranhamento não estivesse entre eles.

Sasuke notou a dúvida não expressada por ela, e sorriu, triste e sarcasticamente. O sorriso era mais para si, na verdade.

— Tudo bem, você não precisa se forçar a nada... Isso, provavelmente, nem daria certo mesmo. Eu não seria capaz de me levantar depois que isso acabasse, nem mesmo se passasse a noite, não poderia me levantar para fazer o café da manhã e te trazer na cama. — ele desviou o olhar para continuar com seu desabafo — Sabe-se lá quanto tempo levarei para conseguir fazer isso, e se é que serei capaz de fazer isso com a mesa destreza de antes. Por que, a sensação que eu tenho, é de que estarei preso nesse corpo travado pelo resto da vida, sabe? Você, provavelmente está certa. É... Você deveria procurar outro. Não é antiético se envolver com pacientes? O Neji é um cara legal, apesar de eu não ir com a cara dele. Ele é inteligente, e parece ter gostado de você. Ele pode lhe oferecer muito mais do que eu...

Enquanto o ouvia encher a boca para falar todas aquelas asneiras, Sakura só conseguia perceber que quanto mais ele falava, mais ela realmente o queria. Mais ela queria estar ao lado dele, e afastar todos os medos e incertezas que ele escondia atrás daquele sorriso forçado. Mais ela queria iluminar aqueles olhos escuros, e enchê-los de si mesma no olhar. E mais ela queria esbofetear a si mesma por ser tão cega e não ver o que estava embaixo do próprio nariz, todo esse tempo.

Ela já não ouvia mais o blábláblá sem sentido dele, quanto o interrompeu, cobrindo os lábios dele com o dedo.

— Era uma vez um médico muito famoso em sua vila. Ele era conhecido por que destruiu a crença de que Deus curava pacientes por milagres, fazendo com que o povo o odiasse. E no deslumbre dos fatos, esse médico se vangloriava, e se comparava a Deus. Achava-se superior aos demais, por que, com seus conhecimentos científicos, acreditava que poderia, assim, controlar as pessoas por meio de chantagens... Ele passou a cobrar taxas por suas visitas, e pelos remédios que produzia, e quem não pagasse, ele não curaria. Naturalmente, como as pessoas sempre temem a morte mais do que tudo, o médico logo começou a fazer dinheiro. Certo dia, ele foi chamado para curar uma jovem moça, vítima de uma doença fatal. Ela era linda, e parecia tão frágil quanto uma pétala de rosa, que com o tempo, perdia a sua cor. Ela estava murchando, e enfraquecia cada dia mais. Ela era filha do rei. Se a curasse, receberia a maior quantia em dinheiro que ele sequer poderia imaginar. O médico logo se apaixonou por ela, e prometeu-lhe jamais sair do seu lado até que ela voltasse à vida. Enquanto isso, no entanto, outros pacientes o chamavam. Afinal, as pessoas nunca paravam de adoecer. Mas ele recusava os pedidos de socorro, pois queria somente curar sua amada. Ele não sairia do lado dela, dava-lhe total prioridade, enquanto outros pacientes morriam... E eu acho que estou sofrendo desse mal, porque eu não quero deixar você, Sasuke.

Lentamente, ela foi tirando seu vestido, revelando sua pele nua. Nervoso, Sasuke não sabia o que dizer, e apenas a observava. Ela tirou o vestido por cima, e o deixou cair no chão.

— Qual é o final dessa história? — ele sussurrou, com medo de quebrar aquele momento como uma taça de cristal, frágil a qualquer toque.

— Eu não sei ainda.

Sakura segurou a mão dele, e o fez deslizar por sua pele. Sasuke a encarava seus olhos, tão contente por estar sentindo aquele toque, aquela textura macia e aquele calor, que poderia explodir ali mesmo (embora sua expressão pudesse dizer outra coisa).

Ela se inclinou por cima dele e o beijou lenta e suavemente. O calor dos lábios dele a aquecia, e a suavidade de seus toques a envolvia. Com a mão, acariciava o rosto dele, para ter certeza de que ele estava mesmo ali, e não era apenas fruto dos seus delírios. Ela queria que aquele momento durasse para sempre, e quanto mais o beijava, mais seu corpo relaxava sobre o dele.

Ele fazia esforço em abraça-la, tocá-la, mas o cansaço o vencia. Ele estava desesperado por mais, desejando igualmente que aquele instante não chegasse ao fim. Mas os braços sempre caiam para o lado, e se esforçava para não deixar aquele beijo terminar. Ruas línguas se roçavam, a respiração se intensificava, e o coração batia mais forte.

Então, de repente, ela voltou a sentar por cima dele e, rapidamente, o ajudou a se livrar de suas roupas. Mas suas mãos tremiam de medo e nervosismo, e ela quase arrancou os botões da camisa dele.

Sasuke tentava não pensar nisso, em o quanto seria mais pratico se ele mesmo pudesse fazer aquela simples tarefa. Mas para não se aborrecer, preferia se deixar encantar pelos gestos dela, que se esforçava em fazer tudo parecer correto.

Quando finalmente estavam nús, ela o observou, enquanto massageava o peito dele. Sasuke ainda tinha o corpo musculoso e esbelto, resultado dos treinos que praticava antes e, aliados a fisioterapia, iam se fortificando novamente. Já ele admirava as curvas dela, seus seios fartos e a pele pálida.

Finalmente, ela deitou novamente sobre ele. E simplesmente ficou ali, estendida sobre o homem, como se precisassem daquele momento para um corpo reconhecer o outro.

Eles se encaravam, sem palavras ditas, apenas sentidas. Era um momento de revelação, tanto para ela quanto para ele. Descobrir que o dia seguinte poderia ser melhor por causa de uma única pessoa ao seu lado, fazia toda a diferença. Como se, de repente, todo o passado abrisse espaço para o que poderia vir adiante, e fazer tudo dar certo.

— Eu ainda tenho medo... — ela sussurrou, com receio de que suas palavras tomassem formas reais e estragassem tudo. E começou a acariciar o rosto dele, passando os dedos em seus cabelos lisos e macios, na incerteza do que dizer —... Medo de esquecer o que ficou para trás, mas principalmente medo de perder o que me aguarda no futuro. Tenho medo de sofrer novamente, medo de me perder outra vez...

Ele sorriu, satisfeito com aquela confissão tão franca.

— Eu sei... — ele sussurrou de volta —Também tenho medo de estragar tudo, e colocar tudo a perder. Tenho medo de errar, medo de que nada dê certo e que eu continue onde estou, do jeito que estou... Mas acho que todo mundo tem medo disso.

Ela ficou encarando ele por mais um tempo, e ele lhe deu um beijo na ponta do nariz. Ela sabia que era uma chance única, e que valeria à pena se arriscar a se jogar de cabeça naquele mundo de incertezas. E pelo bem de ambos.

Então, o encheu de beijos. Beijou seus lábios, seu nariz, seu queixo. Beijou o pescoço, os ombros dele, o peito. Deslizou sua língua por sua barriga, até chegar sua virilha. Sasuke fechou os olhos, e jogou a cabeça para trás, arfando pelos poros. Sua pele começava a esquentar, enquanto seu corpo relaxava no colchão que trazia o doce e suave perfume dela.

A ereção estava lá, e Sakura não titubeou. Lambeu a ponta do membro, e espalhou mais beijos por ele antes de abocanhá-lo. Ele estava quente, rígido e as veias pulsavam em sua mão. Ela sugava e massageava com sua língua, enquanto ele começava a gemer. Seus lábios quentes e firmes o faziam revirar os olhos, e querer agarrá-la. Ele conseguiu erguer a mão, e passar os dedos meio rígidos no cabelo dela, e ela o segurou com sua própria mão, sem tirar sua boca dele. Entrelaçaram os dedos, quando ela resolveu sentar por cima dele, pois ela já estava pronta para recebê-lo.

Ela gemeu enquanto o sentia invadir seu corpo. Sasuke se esforçou para sentar no colchão, e ela o ajudou, o deixando descansar as costas na cabeceira. Assim, ele alcançava os seios dela, e os beijava enquanto ela começava a rebolar de leve sobre ele.

Os lábios dele deslizavam de um seio para o outro entre estalidos ruidosos. A língua massageava o mamilo rígido, enquanto ela mordia o lábios inferior, se deixando levar por aquela sensação deliciosa que a envolvia. Ela estava tão sexy ali, tomando as rédeas os ato, que Sasuke se esqueceu completamente de sua situação. Ela rebolava suavemente seu quadril, e às vezes tinha que parar para admirar seus belos seios dançarem ao seu ritmo, enquanto ela arranhava de leve seu peito suado. Deslizando, lentamente, a mão sobre as coxas dela, ele alcançou a sua vagina e a massageou. Sakura arfou mais alto, jogou a cabeça para trás, e fechou os olhos, se entregando ao prazer que ele lhe proporcionava.

— Hummmmmmm. — gemeu.

Gradativamente, ela foi acelerando seu ritmo. Ela ainda tomou a cabeça dele entre suas mãos, e sugou sua língua com avidez para se embebedar dos lábios quentes dele. E Sasuke estava quase no limite, e tinha a testa completamente molhada pelo suor.

Ela já gemia alto, e abraçou o corpo dele, deixando seus seios roçarem no peito dele. Aquela sensação tomava conta do corpo todo, o fazia revirar os olhos e desejar por mais, até que seu gozo explodiu em jatos quentes que a fez estremecer e vibrar. Em seguida, foi a vez dela: ela arranhou com mais força as costas dele, mordiscou o ombro dele, e gemeu no ouvido dele.

Aquele foi o gemido mais doce que já ouviu.

Notas finais
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