Notas iniciais
Boa leitura.

Pássaros

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Escrito por Amanur e Noel Blue

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Capítulo 15

Sasuke despertou com uma enfermeira tirando a agulha de soro que perfurava a pele do seu braço esquerdo. De repente, ele sentiu aquela dor lacerante, como se algo cortasse sua pele. Mas apesar da agonia, ele sentia que poderia deixá-la cortar todo seu braço, só por poder estar sentindo algo ali, novamente. Ao abrir os olhos teve dificuldades para se adaptar com a claridade que invadia o quarto através da janela, mas o rapaz não conseguia deixar de sorrir. Era bom poder voltar a sentir-se vivo outra vez.

A enfermeira era uma gorda simpática, que sorriu ao ver que o paciente acordava de bom humor.

— Bom dia, Sasuke. Sua febre abaixou, e o Dr. Kabuto disse que você não precisava mais do soro. Poderá voltar com sua alimentação normal.

Ele sorriu em resposta, mas não disse nada. Ficou encarando seu braço recém recuperado. Embora estivesse contente, sentia-se fraco, sonolento, e cheio de sede. Assim que a moça foi embora, ele se remexeu na cama, com grande esforço, e para sua surpresa, até mesmo sentiu um ligeito incômodo nas costas, onde deveriam estar seus pontos.

De repente, o rosto do irmão aparece a sua frente, preocupado.

— Você não deve se esforçar muito, Sasuke. — comentou, ao perceber que o irmão tentava se mexer — O que quer?

— Água. — resmungou.

Ele não disse nada sobre seu progresso, por que estava em maus termos com o irmão, aborrecido com o que havia acontecido com Sakura.

E sem fazer idéia do que se passava na cabeça do mais novo, Itachi foi até o pequeno frigobar do quarto, pegou uma garrafa de água mineral e serviu no copo para o Sasuke. E, então, o ajudou a beber, segurando o copo para ele.

Sasuke passou três dias dormindo, tanto pela infecção, quando pela anestesia. Ele havia sido submetido a um novo procedimento cirúrgico naquela mesma tarde, porque uma das vértebras que protege a medula espinhal havia sido deslocada, o que talvez tivesse, realmente, provocado a febre no paciente. E talvez algo mais, pois aquela sensibilidade era nova.

O Dr. Kabuto informou o que havia sido feito ao Itachi, que ficou pensando se Sakura realmente havia sido culpada por algo. Até onde sabia, aquela vértebra poderia ter sido deslocada por algumas das enfermeiras ao movê-lo para o banho. Então, logo após a cirurgia do irmão, ele foi até a sala de atendimento da fisioterapeuta, e constou que ela não estava mais no prédio. Ele ainda pensou em ir até a casa dela, para lhe informar o ocorrido, mas pensou pela segunda vez. Afinal, ela havia, sim, violado uma regra de conduta, e Itachi se perguntava se realmente era bom aquele envolvimento entre seu irmão com aquela fisioterapeuta que, a seu ver, só tinha mais problemas a acrescentar para o irmão; como o problema com bebida e o passado mal resolvido.

Enfim, mais algumas semanas se passaram, e Sasuke se recuperava bem. Mas apesar de a ideia ter partido de sua própria mente, Sasuke ainda estava bravo com seu irmão por ter iniciado toda aquela implicância com a médica. Fora graças ao Itachi que Kabuto ficou sabendo do acontecido, e seu médico mesquinho saíra do quarto para ir diretamente fazer a denuncia no departamento jurídico do hospital.

— Até quando você vai ficar fazendo birra feito uma criança? — já era sexta-feira daquela semana, e Itachi trocava os canais da tv, entediado.

— Não sei, Itachi. Talvez até o dia em que eu saia desse hospital.

Itachi o olhou de canto, sem dizer nada, e Sasuke estreitou os olhos.

— Você acha que eu vou ficar aqui para sempre? — o mais novo resmungou, desconfiado.

— Eu não disse isso.

— Não com a boca, mas eu vi nos seus olhos, seu filho da mãe.

— Apenas descanse, ok, Sasuke. Esse assunto morreu. — Itachi resmungou. Ele desligou o aparelho de tv, e pegou o jornal que uma enfermeira deixou na mesa quando trouxe o café da manhã do paciente.

— Você que pensa... — Sasuke rebateu. — Eu vou sair dessa merda mais cedo do que você pensa!

Exasperado com aquele assunto, e com tudo o que acontecia, Itachi bufou, jogou o jornal no chão, e se levantou para enfrentar o irmão. Itachi também sofria com toda aquela situação. Ele estava exausto, se sentia estressado, e nos últimos dias Sasuke agia estranho, sempre de má vontade e mau humor. E para completar o combo, ele temia que Sakura estivesse certa sobre a depressão do irmão.

Apesar de Tenten ainda visitá-lo constantemente, graças ao seu pedido, Sasuke sempre se mostrava afável e bem humorado para a doutora. Mas bastava ela sair do quarto para ele mudar completamente de fisionomia. Ele deixava o sorriso falso e sínico de lado, para colocar aquela mascara de homem bravo, irritadiço e cheio de desaforos. Era como se Sasuke quisesse mostrar ao irmão que ele estava errado, e que cometera um grande equivoco ao expor sua fisioterapeuta.

Itachi achava que já estava na hora de alguém lhe dizer a verdade, nua e crua, por mais que lhe doesse, e resolveu tomar essa tarefa para si, por mais que isso significasse ter o ódio do único irmão para o resto de sua vida.

— Sasuke, já faz quatro meses que você está neste hospital, caso não tenha percebido! Talvez seja a hora de começar a enfrentar a realidade, e parar de uma vez com todas com essa sua infantilidade infrutífera. Se por acaso você está com medo de... — ele se calou, ao ver a expressão de fúria do irmão.

Sasuke fechou ainda mais a cara. Trincou a mandíbula e dilatou as narinas, furioso pelo irmão querer tirar suas esperanças de um dia poder voltar a voar e sair daquela gaiola.

— Saia daqui, Itachi.

— Sasuke... Só estou dizendo isso para o seu bem.

— Você quer me fazer bem? ENTÃO SAIA DA MINHA FRENTE! — ele se alterou, e encarou o copo que o Itachi ainda tinha em mãos, imaginando-se poder jogá-lo contra o Itachi. Ele estava tão frustrado, que mordeu a ponta da língua, e com a dor e o gosto de sangue, conseguiu se acalmar um pouco. E Itachi, concordando que havia ido longe demais, resolveu acatar com a decisão de Sasuke, e saiu sem dizer mais nada.

Instantes depois, uma enfermeira entrou para ver o que acontecia, mas Sasuke sorriu para ela.

— Querida, você poderia, por gentileza, me alcançar o telefone? Preciso fazer uma ligação.

— Ok... — a enfermeira estranhou o comportamento do paciente, mas não disse nada. Apenas pegou o aparelho que estava fora do alcance dele, e lhe entregou. Com o fone preso entre o ombro e a cabeça, ele sorriu mais uma vez, de forma teatral, meio sedutor.

— Me diz uma coisa, docinho, você conhece a Dra. Haruno, não conhece?

— Conheço... — a enfermeira resmungou.

Ele sorriu mais ainda.

— Me diga... — ele leu o primeiro nome da moça, escrito no crachá que ela carregava bem no decote do uniforme — Hotaru, querida... Você acredita em destino? Por que, preciso dizer que eu acredito, sabe? Eu acredito piamente que fui enviado aqui para este hospital de merd... maravilhoso, quero dizer, somente para conhecê-la hoje.

Ela cruzou os braços, desconfiada daquela ladainha que estava sendo jogada em seus ouvidos, e ele percebeu que precisaria de mais esforço para conquistá-la.

— Por mais que tente me convencer, eu não acredito no acaso, sabe? Simplesmente não faz sentido. Você vai me dizer que eu fiquei invalido para absolutamente nada? Tem que haver um motivo para isso. Não posso ter sofrido esse acidente gratuitamente, entende? A vida tem que ser mais do que isso! E eu era um cara que apreciava a liberdade. E isso, esta cama, tira tudo o que eu tinha, percebes? Então, para quê eu vou continuar a querer respirar quando não me resta mais nada?

— Talvez, o propósito disso seja justamente para lhe mostrar que há, sim, mais alguma coisa... — ela murmurou.

Sasuke não gostou da resposta, apesar de nunca ter pensado naquilo. A jovem enfermeira lhe pegou de surpresa, e o deixou pensativo por alguns instantes. Mas logo voltou a si, com a certeza de que ela estava errada; de que não havia absolutamente nada mais para ele.

E a enfermeira continuava desconfiada, embora deixasse se emocionar com o caso dele. Então, ela suspirou.

— O que a Dra. Haruno tem a ver?

Ele sorriu novamente.

— Veja! Foi ela que conseguiu isso. — e então, ele mostra o movimento que conseguia fazer com o dedo mínimo da outra mão — Eu preciso entrar em contato com ela. Você entende isso, não entende? Ela é a única que pode me tirar daqui.

A jovem enfermeira ficou impressionada, por que não tinha visto ainda um caso daqueles. Ela era inexperiente, de fato, e até mesmo inocente. Então, ela fez um sinal para ele, avisando que voltaria em seguida.

E cinco minutos depois, ela realmente voltou com um pedaço de papel nas mãos.

— Vão me esgoelar se souberem que fiz isso! — ela avisa.

— Não se preocupe, isso é um segredo nosso!

Então, sem esperar mais, ele solicitou para que ela discasse os números. Havia o número residencial, e do celular. Por via das dúvidas, tentou primeiro o celular. Com o fone entre a cabeça e o ombro, e ficou aguardando que Sakura atendesse.

Mas a ligação caiu.

E isso se repetiu em todas as vezes em que ele tentou entrar em contato com ela, durante os três dias seguintes. Era como se ela simplesmente tivesse evaporado, porque não atendia nenhum dos aparelhos.

Então, casando de esperar, resolveu tomar outra medida. No sétimo dia, com a ajuda da jovem enfermeira, quando Itachi saiu para comer algo no refeitório do hospital, ele pediu para que ela entrasse em contado com um motoboy e levasse ao endereço da fisioterapeuta um bilhete seu com letras mal desenhadas, porque era canhoto. Com a ajuda da enfermeira, ele conseguiu escrever algumas palavras, e confiou a ela aquela pequena, mas muito importante tarefa.

— Eu sei que você consegue encontrar o endereço dela, em algum lugar desse hospital, hum? Você não precisa nem me dizer qual é! Apenas diga para ele apertar a campainha, e empurrar esse bilhete por baixo da porta dela.

— Ok. — ela saiu correndo dali, para fazer a ligação, acreditando estar fazendo uma boa ação a um paciente. Enquanto isso, ele torcia para que ela estivesse, sim, em casa. Se ela cretina tivesse resolvido viajar, ele estaria lascado. Pelo menos, até poder voltar para casa.

Pois, com seus contatos importantes que conquistara trabalhando para a aeronáutica, ele descobriria por si mesmo o endereço da médica.

Sasuke estava começando a ficar preocupado, e temia que ela também pudesse ter feito alguma bobagem, devido ao estado em que ela se encontrava. Ele lembrava bem de tê-la ouvido dizer que aquilo era tudo o que sabia fazer e, sem aquele emprego, estaria completamente desamparada. Portanto, se perguntava o que ela poderia estava fazendo, para não atender suas ligações.

Mas a verdade é que, durante todo esse tempo, Sakura sequer pensava em sair de casa. Não atendia uma única ligação, nem abria a porta para o vizinho que costumava pedir cigarros emprestados — em raras ocasiões, ela fumava com o marido, para acompanhá-lo. Mas depois de tudo, ela acabou perdendo esse hábito. No entanto, com aqueles dias de reclusão, ela resolveu voltar a fumar, para dispersar o nervosismo que parecia ter sido injetado em suas veias. Ela simplesmente encolheu-se em seus cobertores, sempre abraçada a uma garrafa de bebida, e observava os ponteiros do seu despertador passar. Quando sentia fome, arrastava os pés até a cozinha, e pegava qualquer enlatado que encontrava na dispensa, e voltava para o seu refúgio.

Ela saia de casa somente à noite, quando nenhum dos seus vizinhos estava à vista, e caminhava até o posto de gasolina mais próximo para comprar mais bebidas, cigarros e alguma porcaria para comer na loja de conveniências do posto. E, então, arrastando os pés, voltava para sua cama, e ali ficava até a próxima noite em que precisasse voltar a fazer aquelas compras.

E assim, ela foi passando seus dias, sem nenhuma perspectiva, deixando o tempo levá-la. Ela decidiu não se importar com as contas a pagar, nem com o dinheiro que estava acabando. Se tivesse que morrer, que morresse em paz, sem preocupações.

Contudo, num desses fins de semana, enquanto preparava um café preto forte para aplacar a ressaca, ouviu alguém bater na porta. Certa de que a pessoa logo desistiria, ela continuou sentada em sua mesa, olhando para sua xícara de café, até ouvir mais batidas.

Com um suspiro, mas nas pontas dos pés para não fazer barulho, ela foi até o olho mágico.

Quem ela menos esperava ver, estava ali, plantado na soleira de sua porta, de braços cruzados, encarando o olho mágico furtivamente como se pudesse vê-la através dele.

Notas finais
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