Pária
1 Prólogo
Notas iniciais
Bem, é que eu tive essa ideia e tie que postar u.u
Espero que gostem!
Acordei com a corneta soando pelo Acampamento. Argh... Eu nunca vou me acostumar com isso! Odeio acordar cedo mais do que odeio erros ortográficos.
– Levante, pessoal! – exclamou Annabeth, já vestida – Hoje teremos mais um grande dia!
– Eu só levanto se você imitar a Effie Trinket – pedi coçando a cabeça.
Annabeth revirou os olhos.
– Hoje teremos mais um grande, grande, grande dia! – dito isso, ela jogou o cabelo loiro para trás e sorriu de forma estranha.
Nós rimos. Levantei da minha cama, cambaleei até o banheiro e fechei a porta antes que alguém me empurrasse para fora – quem disse que filho de Atena é sinônimo de educação?
Meu nome é Daniel Jones, sou filho de Atena e tenho 16 anos. Olhei-me no espelho; cabelos cor de palha, pele bronzeada, alto, esguio e olhos cinza escuro. Como qualquer filho de Atena. Tomei um banho rápido, coloquei o uniforme do Acampamento e saí do Chalé 6.
– Hey, cara! – chamou meu melhor amigo, Josh, me dando um soquinho no braço. Josh é filho de Deméter e... Não dá para descrevê-lo muito bem, porque sua aparência muda conforme a estação. Como agora é verão ele está com os cabelos loiros e olhos azuis. Mas no inverno ele fica com cabelos pretos e olhos cinza; no outono, ruivo com olhos castanhos e na primavera com cabelos castanhos e olhos verdes.
– Bom dia – disse ainda bocejando – Dormiu bem?
– Sempre durmo – respondeu Josh sarcástico – Afinal, é muito bom dormir na mesma beliche que a Katie e acordar com cereais caindo na sua cara.
– Você não gosta de cereais? – perguntei rindo.
– Gosto, mas isso não significa que eu goste de acordar com cereal na cara!
Nós dois rimos enquanto entrávamos no Refeitório e íamos cada um para nossa mesa. O Refeitório estava movimentado e as pessoas andavam e conversavam por todo o lado.
– Oque está acontecendo? – perguntei á uma das minhas irmãs, Clary.
– Brandon mandou uma mensagem dizendo que vai voltar hoje! – exclamou Clary – Não é ótimo?
Brandon Greenglass, ou só Bran, é um sátiro muito legal aqui do Acampamento. Ele saiu um ano atrás, pois sentiu o cheiro de um semideus particularmente poderoso e tinha que trazê-lo para o acampamento; essa é a primeira mensagem que ele manda em todo esse tempo.
– É um dos Três Grandes? – perguntei. Os únicos filhos dos Três Grandes conhecidos são Percy, Thalia e Nico.
– Não, mas Bran diz que é poderoso – disse Clary passando manteiga num pãozinho – Não sabemos mais nada sobre esse suposto semideus.
Nesse momento Angel, filha de Hermes (esse nome é muito irônico), veio correndo até nós.
– Descobrimos! Descobrimos! – exclamou ela eufórica – Quer dizer, não tudo, mas uma parte! Oque é melhor que nada, né? Acho que é isso que vocês nerds dizem “Alguma coisa é melhor que nada”. Apesar de...
– Cala a boca e diz logo – mandei.
Angel revirou os olhos.
– Descobrimos quem é esse semideus poderoso que o Bran vai trazer – disse ela – Ele disse que ela foi reclamada ontem à noite. É uma semideusa... Filha de Hécate.
Annabeth cuspiu seu suco de laranja em cima de Clary.
– Filha de Hécate? – repetiu a loira escandalizada.
– Sim – confirmou Angel – Pelo oque eu sei, Bran e essa garota chegam hoje à tarde. Já vou indo, estou vendo a carteira daquele filho de Apolo dando sopa ali...
E assim, ela se foi para assaltar um pobre filho de Apolo. A reação de Annabeth não é precipitada; os semideuses de Hécate foram praticamente expulsos do Acampamento depois que Hécate juntou-se a Cronos na guerra. O Chalé 20 – uma das obras de arquitetura mais bonitas do Acampamento, em minha opinião – ficou desabitado e começou a acumular poeira.
O dia seguiu-se normalmente. Campistas lutando contra o monstro do lago, treinando e o Josh tentando me forçar a comer cereal. Garoto insuportável, se eu vir só mais um cereal na minha frente, eu vou enfiá-los num lugar que ele não vai gostar!
Até que o relógio bateu exatamente seis e vinte da tarde.
Os campistas se aglomeraram na entrada do acampamento junto com Sr. D e Quíron.
– Que horror – comentei – Até parece que a garota é algum bicho de circo.
– Acho que só querem vê-la para depois acabar com toda a autoestima dela – disse Josh dando de ombros – Você sabe como o pessoal daqui é.
– É... – concordei. Isso é horrível.
Como havia muitas pessoas, eu só pude ouvir um táxi parando na frente do Acampamento.
– Aqui? Tem certeza? – dizia o motorista.
– Sim, obrigado – ouvi a resposta de Bran.
Os campistas começaram a gritar para receber o querido sátiro, mas todos se calaram de repente. O ar pareceu ficar mais frio. As pessoas foram arregalando os olhos e abrindo espaço, até que eu pude ver.
Bran, com seus cabelos cacheados negros e suas acnes, e a primeira filha de Hécate no acampamento desde a guerra contra Cronos. As pessoas olhavam-na com curiosidade, algumas até com nojo; eu só via a garota mais bonita que eu já vi na minha vida. Tinha a pele pálida como leite, olhos assustadoramente intensos e azuis, cachos castanhos arruivados e lábios vermelhos naturalmente.
Você poderia confundi-la com uma filha de Afrodite facilmente, mas as roupas que ela vestia desmentem essa hipótese; um casaco de tricô bege, uma camiseta preta do Ramones, um jeans surrado nos joelhos e tênis All Star pretos de cano alto.
É como se minhas pernas tivessem virado gelatina, meu cérebro tivesse sido enevoado e eu tivesse esquecido como se respira. Lembrei-me de uma pesquisa que dizia que apaixonar-se leva somente 0,02 segundos. Eu não sei seu nome, não sei sua idade e muito menos sei sua história, mas graças a esses 0,02 segundos, eu já me apaixonei.
Eu devia estar olhando-a como um idiota, porque Josh me deu uma cotovelada de leve.
– Ei, Daniel – riu ele baixinho – Não babe tanto.
– Cala a boca – respondi corado.
Bran e a semideusa passaram por nós; ela não me deu a menor atenção, nem sequer virou a cabeça na minha direção.
– Pessoal! – chamou Bran sorridente e alegre – É bom estar de volta com todos os meus amigos! Senti falta do Acampamento!... E das latinhas... E das ninfas...
– Brandon – Sr. D pigarreou – Já deu seu discurso de volta. Qual seu nome, garota?
– Carollyn Black – respondeu a garota, falando pela primeira vez, em alto e bom som – Meu nome é Carollyn Black, Sr. Dionísio.
Dei risada internamente. Uma filha de Hécate com o sobrenome Black? Isso é bem... Irônico.
– Chame-me somente de Sr. D, Carly Barry – disse Sr. D.
Carollyn franziu a testa.
– Desculpe-me, senhor, mas meu nome é Carollyn, não Carly – disse ela educadamente.
– Não interessa, Cátia Bell.
Ela revirou os olhos, como se tivesse alguma coisa mais importante para se preocupar do que um velho que erra seu nome.
– Brandon, mostre-a onde é o Chalé 20 e explique sobre o Acampamento – mandou Sr. D – Todos, de volta para suas atividades normais.
Bran levou Carollyn em direção a ala dos chalés enquanto conversava com ela. De volta para suas atividades normais, havia dito Sr. D.
Mas como posso voltar às minhas atividades normais se aquela garota não sai da minha cabeça?
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