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Notas iniciais
Gente, não terá continuação. É esse o fim e acabou..
O amanhecer de hoje não foi tão ensolarado. Muito pelo contrário, ainda está nublado e uma temperatura um tanto que agradável. No grande quintal da minha pequena casa, sem muros ou grades, posso sentir cada gota de água escorrendo pelo meu rosto. Tem chovido muito na região e hoje só é mais um dia clichê e rotineiro. Não me importo se minha roupa esteja molhada, eu gosto muito de deitar na grama e sentir cada célula presente em meu corpo. O bom desse lugar que, apesar de ter tudo o que uma boa cidade costuma tert, ela é quase que totalmente imune à jornais, atualizações ou revistas. Pode parecer engraçado, mas acho que ninguém sabe o atual presidente dos EUA. É a nossa cultura local, e nos acustumamos a se importar mais com a nossa terra. (literalmente dizendo) Filosofar sobre como as coisas são, é legal em grama molhada, na chuva. Parece que a mente brilha. Olhando para a extensa paisagem verde e montanhosa, consiguo me sentir relaxada, eu gosto de estar assim, sozinha. Passos atiçam o meu ouvido. Consigo perceber claramente que está vindo á minha direção. Olho para trás e enxergo um homem um tanto que alto, segurando um guarda-chuva preto. Encaro assustada, sem reação. homem: \"aqui costuma ter dias nublados?\" eu: \"s-sim\" Meu coração acelera. Ele tem um jeito estranho, para falar a verdade, a situação está estranha. Encarar aquele homem observando a paisagem começa a me irritar. eu: \" q-quem é você?\" Ele senta na grama encharcada. homem: \"pode me chamar de Doo Doo\" Minhas sombrancelhas se encontram, agora mais confusa do que nunca. eu: \"mas.. o que faz aqui?\" — crio coragem. \"como chegou até a minha casa?\" agora nervosa por ter que presenciar um impostor. Ele sorri: \"eu precisava de lugares calmos, e ví que aqui era um bom lugar\" Agora sim, comecei a analisar aquele humano. Cabelos escuros ondulados...maquiagem. Céus, muita maquiagem. Roupa quase que comum, e um sapato estilo anos 30, aquele que minha bisavó usava. Eu tive que perguntar. eu: \"da onde você veio?\" — minha voz mostrava ignorância, suspeitava que era do circo. Ele dá uma risadinha fina. homem: \"bem...\" — ele olha para a paisagem. Ele olhava constantemente para a paisagem, nunca para os meus olhos. Ela muito calado. A cada segundo, estava cada vez mais irritada.Meu sangue estava fervendo. Resolvi, finalmente, desabar a minha ignorância: \"você veio de \'bem\' é? Faça um favor de me falar quem é você e acabamos com o mistério logo, né?\" Agora sim. Ele olha para mim com cara de espanto. homem: \"eu só estava querendo relaxar um pouco.\" Aquela voz sussurrada acabava com a minha paciência. eu: \"só que você está na minha casa!\" A chuva foi ficando mais forte. A situação se tornava complicada. Resolvi ir para casa, e chamar alguém. Aquilo estava muito estranho, eu realmente não sabia o que fazer! Me enxuguei rapidamente, observando aquele homem sentado na grama. Andando pela cozinha, me perguntava \'O que eu faço?\' inúmeras vezes. \"você é a única criança aqui?\" Pulei de susto. Eu não sou criança, tenho 14 anos! Respirei fundo. \"Tudo bem. Vamos nos sentar... gosta de chá?\" — eu tinha que entrar nessa. Antes de eu enlouquecer. Acho que já estava ficando louca... \"Pode ser.\" — e ele olhou para mim e exibiu dentes brancos. A chuva ia ficando cada vez mais forte... Não tinha como \'expulsá-lo\', isso seria maldade. E, se ele fosse um ladrão, já teria me assaltado faz tempo. Sentei no sofá, em frente dele. Na sala iluminada, resolvi descobrir ele aos poucos. eu: \"Por que você se veste assim... tão diferente?\" Ele sorriu. homem: \"bem.. eu gosto. Meu sinto melhor assim.\" — E olhou para cima. \'-\' Resolvi ir para a cozinha, preparar o tal do chá. Ele começou a olhar por toda a sala branca. E começou a abrir as gavetas. Agora sim, fiquei com medo. Ele poderia realmente ser um ladrão inteligente. Fiquei na porta, entre a cozinha e a sala, paralizada. homem: \"não se preocupe, eu não pego nada\" eu: \"então por que mexe em tudo?\" Fiquei irritada novamente. Ele parou. Olhou para mim, como se tivesse quebrado algo muito valioso. \"Desculpa!\" — e com uma cara de pavor, ele sentou no sofá. Sim, eu precisava agora mesmo saber quem era ele. Eu tinha a orbigação em saber,aquilo seria racional. eu: \"por que procura lugares tranquilos?\" Ele olha pra mim, com expressão de tristeza. homem: \"bem... às vezes não consiguimos agradar todo mundo\" Fiquei parada. Eu queria saber mais. eu: \"como assim?\" homem: \"as pessoas conseguem ser muito más\" eu: \"você já sofreu na vida, na mão dessas pessoas?\" homem: \"muito. muito mesmo.\" eu: \"mas.. não entendo. O que você fez... para as pessoas tem odiarem tanto assim?\" Senti que não deveria ter perguntado isso. Era muito pessoal. homem: \"nada. eles inventam tudo! Aposto que já leu alguma mentira de mim por aí...\" Pera lá. Ele é alguém importante?! Meu coração acelera novamente. eu: \"eu não leio nada que não seja daqui da minha cidade. não sou nem um pouco atualizada.\" Ele soltou uma risada baixinha por alguns instantes. Não achei muita graça naquilo, mas acabei sorrindo. A cada minuto, mais confusa. homem: \"agora sim entendi porque não gritou quando me viu\" — ele dava muita risada. Não fazia sentido algum aquilo. A não ser que ele fosse famoso. A minha hipótese maluca me deixava anciosa. eu: \"por que gritaria? Eu nunca ví você!\" homem: \"você tem CD\'s antigos?\" eu: \"tenho sim, do meu pai.. mas-\" O que aquilo tinha a ver com a nossa conversa? Raios! Eu levei ele até a sala de estar, o caminho oposto a cozinha. Numa estante antiga da sala azul, ele vasculhou os LP\'s das gavetas e os CD\'s enfileirados em cima do rádio. \"Ahá\" — disse ele. E pegou um CD muito antigo, e entregou pra mim. Na capa, tinha um garotinho negro sorrindo com uma boina marrom, escrito \'Michael Jackson — Got to be There\". Eu nunca tinha visto aquilo, muito menos escutado. homem: \"e se... eu te dissese que o garoto da capa sou eu?\" Pronto. Era tudo para a minah razão se esgotar e mergulhar na loucura. Ele só podia estar tirando uma com a minha cara. Comecei a rir. homem: \"o que foi?\" — Para ele, aquilo não tinha graça. eu: \"você só pode estar brincando comigo! Você... você é branco, e esse garoto é negro. Isso não tem nada a ver!\" homem: \"ah...\" — ele abaixou a cabeça, decepcionado. \"é normal as pessoas não saberem o que é vitiligo\" eu: \"vitiligo?\" homem: \"sim. uma doença que tira a pigmentação da pele.. eu tenho essa doença, acredite ou não.\" eu: \"se você é cantor desse CD...\" — sim, eu estava concordando com aquela doidera quase impossível de ser real — \"...seu nome é Michael Jackson?\" homem: \"sim.\" Michael Jackson. Michael Jackson. Eu já ouvi esse nome em algum lugar, mas não nessa cidade. homem: \"nunca ouviu mesmo falar de mim? nem mesmo da minha dança?\" Ele tinha um tom de culpa. Estava ficando triste. Pela primeira vez, estava criando uma imensa raiva por aqui não ter informações de fora. Eu queria confirmar isso. eu: \"não tenho culpa. Aqui não tem esse tipo de informação...\" Espera! eu: \"já sei, talvez na banca do seu Emanuell!\" homem: \"calma.. tem certeza que quer ir confirmar isso lá? Não seria mais fácil confiar em mim?\" ... Como assim? eu: \"você não precisa ir junto, se não quiser... vai ser rápido!\" Não acredito que falei isso. Ele me fitou dessa vez. Seus olhos negros e maquiados mostravam profunda tristeza. Não entendia ô porque daquele olhar. Qual o problema de eu ir lá? ... Seria mentira, então?! eu: \"não quer que eu vá?\" homem: \"pode ir.\" Ele se aproximou de mim, e me abraçou forte. Senti a textura e o calor confortável do seu corpo e sua pele pálida e macia. Seu coração estava acelerado. Ele cheirava doce. Estava assustada. Não entendi ô porque daquele abraço repentino. Porque.. Porque ele fez isso? Ele se afastou de mim. Não me olhou nos olhos dessa vez. eu: \"está tudo bem?\" homem: \"sim. Pode ir agora...\" eu: \"tudo bem, não demoro.\" Fiz cara de quem não entende nada. Fechei a porta. Nem acreditava nisso tudo...acabei de deixar um suposto Michael Jackson sozinho na minha casa! E se tudo for mentira, e aquele abraço foi só encenação? E se ele for realmente um ladrão? Parei de andar. Eu precisava voltar pra casa. Já que estava tudo uma verdadeira loucura, resolvi continuar com a minha caminhada até a banca que raramente ia. eu: \"bom dia seu Emanuell\" Emanuell: \"bom dia vizinha. No que posso ajudar?\" eu: \"o senhor tem alguma coisa aí do... Michael Jackson?\" Emanuell: \"ah.. coitado dele. Pode folhar qualquer jornal aí que você encontra\" \'Coitado dele\'? Fui correndo até a pratelheira dos jornais, precisava entender tudo isso. Peguei a famosa New York Times. Há anos que não olhava uma reportagem se quer dela. Analisei toda a capa. No canto esquerdo, em baixo e em negrito, lí \'MJ está morto, pág. 14\' Parei de respirar. Minhas pernas estavam tremendo e atravessei o inferno até a página 14 daquele jornal grande e branco. Tremendo, virei a página 13. Minha vida tinha acabado naquele instante.
Notas finais
Espero que tenham gostado
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