Puros Sangue
1 Fugitiva
POV Raven
Senti meu corpo fraquejar e cai sobre meu joelho esquerdo, cuspindo sangue. Levei minha mão até meu ferimento abaixo das costelas. Merda, está muito ensaguentado! Aquele maldito ranger mercenário vai me encontrar mesmo nesse escuro!
Eu respirei fundo o ar a minha volta. Eu podia farejar o cheiro da cachoeira… Isso me ajudaria bastante!
Eu voltei a correr ignorando a dor que as pedras e espinhos provocavam na sola do meu pé. Eu já estava machucada o suficiente sem isso, merda!
-Você não vai fugir princesa -disse ele… Não muito longe de mim
Esquece o rio. Eu preciso chegar logo à alguma vila!
Eu peguei impulso pulando numa árvore e depois peguei um galho. Ele não esperava que eu ainda tivesse forças para isso então pude pegá-lo de surpresa com o chute na cara.
-Maldita! -resmungou, se pondo de pé
Eu soltei o galho e joguei meu corpo para a frente, passando por cima dele. Assim que alcancei o chão, voltei a correr.
Merda! Merda! Merda! Eu estou tão ferrada!
Meu corpo estava esgotado e eu podia sentí-lo já logo atrás de mim, só não estava ainda ao alcance de suas mãos.
Eu estava sem armas, ferrada, cansada e sozinha. O que eu poderia fazer?
Eu tinha que encontrar um lugar com cheiros e pessoas o suficiente para ele não me encontrar… Mas eu estou a séculos na floresta e não encontro nenhuma maldita vila!
Eu preciso de ajuda.
Eu levei minhas mãos até meu colar de prata e suspirei.
“Erigor, eu preciso da sua ajuda”
Demorou um pouco, mas o bastardo resolveu responder:
“Pensei que você havia dito que nunca mais queria ver meu focinho, senhora”
“Para o inferno com isso!! Me ajuda, eu estou…”
-Te peguei!
O ranger pegou o meu braço e me puxou com tanta força que eu cai no chão ao lado dele.
Eu bati com a cabeça numa pedra e senti imediatamente algo escorrer pelo meu rosto.
Nessas horas eu gostaria de ser uma lutadora, e não uma arqueira!
O ranger idiota praguejou e pegou meu braço, me puxando para me fazer levantar mas eu estava semi-inconsciente. Meu corpo estava praticamente como o de um morto.
E então nós dois ouvimos o rugido. Eu estava tão lerda que eu demorei para me tocar que era Erigor. Na verdade, eu só notei que era ele quando a pantera negra saltou no pescoço do meu perseguidor.
Me sentindo um pouco mais segura, eu permiti que meus olhos se fechassem.
Quando os abri novamente, eu estava um pouco melhor. Meu corpo estava pesado e cansado, mas eu pude sentir também que ele estava menos fraco.
Em contra partida, eu não fazia a mínima idéia de onde eu estava.
E onde estava Erigor???
Eu gemi quando forcei meu corpo a levantar, mas tive uma visão melhor de onde estava. Um enfermaria. Além de mim, ainda haviam duas macas com pessoas. Na terceira havia um garoto… Provavelmente um curador.Quando eu levantei, ele virou o rosto para mim imediatamente, mas eu o ignorei e me pus sobre os pés.
-Você ainda não está bem -disse ele
Eu olhei para o garoto de novo e estreitei os olhos.
-Acha que eu já não notei isso? -perguntei- Onde eu estou?
-Você está na Guilda Arcadia- disse ele
-Okay… E onde fica a Guilda Arcádia? -perguntei
-Hã… Na Vila Central de Elrond -disse ele
-Ufa -suspirei- Fadas. Tudo bem, lá vai mais uma pergunta: como diabos eu cheguei aqui?
-Minha irmã te encontrou -disse ele, sorrindo- Ela disse que você estava com uma… Pantera.
-O que é estranho já que Panteras não existem por aqui -disse uma garota entrando- Aliais, meu nome é Yuuko. Quem é você?
-Não importa -respondi- Já estou indo.
-Você não pode ir -disse o garoto- Você ainda está muito ferida.
-Pare de se meter, garoto -reclamei
Eu fui para a porta. Assim que passei pela garota, ela perguntou:
-Você é quem os caçadores estão procurando?
-Depende -respondi, olhando para ela novamente- Quem estão procurando?
-Desceram que se chamava Raven -disse ela, dando de ombros- Você bate com a descrição.
-Me chame de Ray -eu disse- E deve ser eu mesma. Vão me entregar, é isso?
-Você matou alguém? -perguntou
-Sim. Mas não é por isso que me querem. -suspirei- Tenho mania de falar demais.
“Eles estão na Guilda” -disse Erigor, na minha cabeça
“Droga, eu não posso ter sorte por alguns minutos?” -reclamei, já voltando para a enfermaria.
Eu fui direto para a janela enquanto ouvia o garoto falando que não era uma boa idéia. A garota ficou em silêncio.
Eu abri. Dava para os fundos, para a minha sorte. Eu encontrei os olhos amarelos do Erigor na floresta.
-Até mais, fadas -eu disse
Eu pulei e consegui cair de pé, apesar da dor nos meus músculos. Eu e Erigor entramos na floresta e começamos a correr.
“Eles não vão te entregar” -disse Erigor- “Talvez saibam de alguma coisa”
“Dane-se” -eu disse- “Eu não posso confiar em ninguém no momento”
“Nem em mim?”
“Você só é leal a mim por causa do contrato” -resmunguei
Ele bufou e continuamos a corrida
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