Purgatório

1 O demônio dá boas vindas.


Notas iniciais
O cap foi curto sim, mas os próximos serão mais longos, prometo.

Ana Alice sentiu seus olhos pesados demais quando os abriu – se é que conseguiu. O lugar era tão escuro que ela não sabia dizer se ainda os mantinha fechados. Ela arregalou seus olhos como se isso a fizesse enxergar mais claramente, mas tudo o que ela via era um breu agoniante. Assustada, ela levantou sua mão na frente de seu rosto, mas um vulto foi tudo o que conseguiu enxergar. Além de não enxergar nada a loira também não ouvia nada, apenas o barulho de sua respiração desregular.

— Olá? – Ela levantou. – Tem alguém? – ela exclamou.

Ana Alice tentou não se desesperar naquele momento respirando fundo e pensando em alguma coisa racional para o que estava acontecendo. Mas não havia nada. Era um sonho? Ela se perguntou. E realmente esperou que fosse. Sem saber o que fazer a loira começou a correr sem direção agoniada por não poder ver nada. O medo e o pânico preenchiam o seu corpo cada vez mais.

— O que está acontecendo?! – ela gritou se jogando no chão. – O que está acontecendo...? – ela repetiu sentindo as lágrimas começarem a cair.

— Alguns minutos no purgatório e já está chorando? – uma voz carregada de nojo disse.

Ana Alice pulou de susto parando de chorar desde então. Ela não conseguiu compreender de onde a voz vinha então ficou balançando a cabeça pro lado e para o outro como se tentasse enxerga-lo, sem sucesso.

— Se você continuar sendo fraca assim, minha cara... – a voz fria estava mais próxima. – Não vai conseguir sobreviver aqui.

Ana Alice sentiu que aquela pessoa estava na frente dela e pensou que bastaria aproximar o braço para tocá-la.

— Quem é você? – ela sussurrou.

Ela ouviu a pessoa suspirar e quase conseguiu imaginá-la revirando os olhos.

— Por que vocês humanos sempre perguntam isso? – ele pareceu curioso. – “Quem é você?” “O que está acontecendo?” É irritante.

Ana Alice hesitou. Tinha medo de saber a resposta, mas precisava saber.

— “Vocês humanos?” – sua pergunta saiu como um choramingo. – Ai meu Deus. – Ela cobriu a boca com mão, o pânico crescendo a cada segundo.

— Que preconceito – ele pareceu ofendido. – Enfim, estou entediado. Faça-me perguntas legais agora.

— Quê? – ela perguntou.

— Ah, sabe como é – ele bufou. – Ficar aqui na recepção do purgatório recebendo as pessoas fica chato com o tempo.

Ana Alice arregalou os olhos.

— Purgatório? – ela choramingou.

— É – ele suspirou, sem paciência. – Enfim, querida, acho que já está na hora de aceitar, não acha?

— Você não me explicou nada – ela se desesperou. – Eu morri? – ela engasgou. – Ai. Meu. Deus! Por favor, não.

— Querida, aceita que dói menos. – ele respondeu indiferente.

Ana Alice soltou um soluço e cobriu o rosto com as mãos, chorando em silêncio.

— Enfim – A loira ouviu barulho de papel – Eu geralmente leio umas instruções para as pessoas, mas é tão grande e dá uma preguiça... – sua voz entregava o seu tédio.

— Vou resumir – ele bufou. – Você está no purgatório, sim, você não foi uma pessoa boa e morreu agora passará um bom tempo aqui para se redimir e corrigir seus erros, blá blá, não mate os outros coleguinhas, blá, — ele bufou novamente. – Siga as regras e tente não enlouquecer.

O coração de Ana Alice se apertou no peito, não acreditando no que estava acontecendo.

— Por que está tudo escuro? – sua voz saiu falhada.

— Ah, querida, você não vai querer me ver – ele riu. – Enlouqueceria.

Essa resposta embrulhou ainda mais o estômago de Ana Alice. Ela engoliu em seco imaginando como era a criatura não humana.

— Aliás, meu nome é Sazaki e eu sou um demônio, prazer.

Quando Ana Alice ouviu isso a mesma tentou se controlar, mas sentiu seus batimentos cardíacos muito acelerados.

— Ah, e não morra – Ele deu um risinho e nessa hora Ana Alice desmaiou, caindo dura no chão gelado

Notas finais
O que que eu to fazendo com a minha vida

obg por ler ♥3