Pure Love

38 Capítulo 39


Notas iniciais
Voltei! Atrasada, eu sei. Mas estava difícil terminar esse capítulo. Eu estou em dúvida, algumas pessoas querem que eles avancem nessa noite juntos e outras achava melhor não. Então parei em uma parte bem estratégica, e vou deixar vocês decidirem. Vai ser por votação. (Eu quero aqui a série também fosse assim. Teria me poupado muitas horas de ódio gratuito.) Boa leitura.

Felicity POV

Se tinha uma coisa que me deixava nervosa, era ser observada. Havia uma pressão sobre isso, quase uma obrigação de não fazer nada errado. E se ser observada me deixa nervosa, ser observada por Oliver me deixava extremamente nervosa.

– Oliver._ Eu o chamei quando terminei de reunir todo o vidro para jogá-lo fora, mas Oliver continuava a olhar para as minhas pernas. Descaradamente. Era engraçado, muito constrangedor também mas a graça vencia.

– Sim?_ Ele respondeu automaticamente, não postando a mínima atenção no que eu estava dizendo, parecia em transe.

– Meu rosto está mais para cima._ Ele levantou os olhos vagarosamente passando por todo meu corpo e finamente se focando em meus olhos. Ele nem sequer estava constrangido pelo flagra.- Eu acho que você não é do tipo que se importa com flagrantes, não é?

– Depende da situação._ Ele balançou a cabeça ponderando e admitiu ainda sem se importar.

– Me conta uma situação em que Oliver Queen, se envergonhou de verdade. Do tipo, muito envergonhado._ Eu pedi esquecendo momentaneamente o amontoado de cacos aos meu pés. Estava curiosa sobre mais uma história sobre Oliver.

Ele parou para pensar no meu pedido, e se sentou sobre o balcão da cozinha, puxando a caixa de pizza.

– Tive vários momentos embaraçosos._ Ele se defendeu enquanto pegava um pedaço de pizza com as mãos. Eu não sabia o porque, mas aquela cena tão nova, era ao mesmo tempo tão normal. Como se fosse o certo.- Não consigo me lembrar de todos, mas lembro de um em especial._ Oliver diz quando termina de mastigar e engole sua pizza. Me aproximo o suficiente para pegar um pedaço de pizza, mas diferente dele pego um guardanapo em cima da bancada para não sujar as mãos e escuto atentamente enquanto como.- Eu devia ter uns quatorze anos, um pouco mais talvez, eu estava no meu quarto com Tommy nós estávamos conversando sobre uma menina nova na escola._ Ele não conseguiu terminar de falar, e eu já sabia aonde aquela tal conversa ia chegar. Garotos de quatorze anos falando cobre garotas. Tal puberdade.

Oliver desvia o olhar do meu envergonhado de algo.

Ele estava envergonhado na minha frente, era tão fofo.

– E?_ Incentivo ele a continuar me contando. Estava muito curiosa.

– E, minha mãe entrou e escutou uma parte da conversa._ Ele completou rindo dele mesmo constrangido. Eu podia imaginar o tipo de conversa que eles estavam tendo.

– Não._ Eu digo incrédula, e jogo o guardanapo sujo de óleo no balcão. Oliver me olha com a cara mais culpada do mundo e eu não consigo segurar a risada.

Pela cara dele o tópico da conversa não era algo que uma mãe devesse escutar.

– Eu estou com dó de você._ Eu digo ainda rindo, ele faz uma careta zangada para mim mas não tem o menor efeito com as bochechas rosadas dele.- Desculpa._ Pedi antes de cair na risada de novo.

– O pior foi a conversa que ela quis ter comigo depois._ Ele finalizou ignorando minha reação, com uma careta de completo desconforto. Naquele momento que daria qualquer coisa para ver e ouvir aquela conversa.

– Você traumatizou sua mãe._ Zombo da situação dele, mas ele também com a a rir.

– Não consegui olhar nos olhos dela por semanas, foi traumatizante._ Ele concorda comigo, mas parece tranquilo de novo. Oliver olha para mim curioso é eu sei o que ele queria.- E você? Qual a situação mais embaraçosa que já passou?_ Ele pergunta se ajeitando no balcão para me observar melhor, de repente muito interessado.

– Seria mais conveniente você pergunta quantas situações embaraçosas eu já tive até hoje._ Digo com pena de mim mesma. Eu era um imã para situações embaraçosas. O maior imã que já existiu.- Só com você já tive várias delas._ Apontei e ele riu concordando com a cabeça. Mas minhas situações nem sempre foram engraçadas, a pior delas também havia sido traumática para mim. E não era nada que eu quisesse que Oliver descobrisse.- Acho que a vencedora foi a vez em que eu estava no refeitório da universidade e derrubei a bandeja de comida em cima mim mesma. Não pergunte._ Me apressei em pára-lo quando ele fez menção de falar.- Não faço a menor idéia de como fiz aquilo, só sei que fiquei uma semana cheirando a tomate com queijo e aguentando as piadas dos estudantes, foi terrível. Nem Cooper conseguia ficar muito tempo perto de mim._ Digo sem perceber que havia dado informação demais. Me afasto de Oliver sem olhar para ele, indo pegar algo para bebermos na geladeira.

– Cooper?_ Escuto Oliver perguntar mas não me viro para olhá-lo, com alguma sorte ele perceberia que era um tema complicado e desistiria. E também acertaria os números da loteria e descobriria a cura para o câncer. Merda, ele não tinha como saber que era um assunto delicado para mim porque eu nunca havia dito isso.- Pelo modo que você falou posso presumir que esse tal Cooper, era seu namorado?_ Ele não ia desistir. Eu sabia que minha língua ia me ferrar algum dia, mas precisava ser nessa noite? E com Oliver?

Desisto de procurar uma desculpa dentro da geladeira e pego uma caixa de suco e coloco sobre a pia, ainda sem coragem de encará-lo.

– Sim. Cooper, meu ex-namorado aquele que estudou comigo no colegial._ Eu tento parecer calma mas falar dele sempre me levava a lugares que não gostava de recordar. Pego uma faca na gaveta para abrir a caixa de suco, mas por incrível que pareça consigo me cortar. Sinceramente, era um milagre estar viva até o dia de hoje.- Droga!_ Gritei soltando a faca vendo o sangue escorrer pelo meu dedo. Antes que pensasse em fazer algo as mãos de Oliver apareceram me levando até a torneira.- Está tudo bem._ Eu digo olhando para ele e tento puxar minha mão da dele antes de sujar ele com meu sangue, mas ele estava bem concentrado em analisar a gravidade do corte.

– Está tudo bem, Felicity. É só sangue._ Ele diz calmamente com aquele bendito sorriso educado, mas estava sério demais. Eu já havia aprendido que aquele sorriso era tudo, menos educado. Ele estava incomodado com algo.

Ele colocou minha mão embaixo do jato de água e senti a ardência do contato da água com o corte, mas me mantive firme sem demonstrar que estava doendo.

– Não foi fundo._ Oliver diz se esticando até a bancada para pegar um guardanapo.- Onde fica o kit de primeiros socorros?_ Ele pergunta enquanto enrola o guardanapo no meu dedo. Aquilo era um exagero, era só um corte no dedo.

– Oliver, está tudo bem. Você mesmo disse o corte foi superficial. Daqui a pouco nem vai mais sangrar._ Eu digo dispensando band aids e gazes desnecessários.

Oliver me observa atentamente parecendo estar tentando descobrir se estava mesmo tudo bem. Seja lá o que ele poderia ter visto pareceu me ajudar por que ele balançou a cabeça aceitando. Ele ainda olha uma última vez o corte antes de soltar minha mão.

– Você ainda está com fome?_ Eu olho para ele surpresa com a mudança de assunto tão repentina e aceno com a cabeça negando.

Eu não estava com fome nem mesmo antes dele chegar, mas a pizza havia servido para evitar o máximo possível o momento final da noite.

Oliver e eu em uma cama. Juntos.

Se eu não estivesse tão ansiosa para aquilo, decididamente estaria me batendo naquele momento.

– Claro. Você teve que resolver seus problemas hoje deve estar cansado._ Digo me sentindo estúpida por estar mantendo ele aqui, depois do dia que ele deve ter tido.

Aliás, que nós dois havíamos tido. Se bem que não poderia nem comparar meu sequestro com a bruna da Disney com os problemas dele. Seria no mínimo hilário.

– Sim, um pouco._ Oliver confirma e eu tenho vontade de me chutar.

– Ok._ Digo um pouco mais rápido do que deveria, me afasto dele e começo a guardar as coisas para não atrair insetos indesejados. Termino de jogar os cacos no lixo e checo mais uma vez as janelas da cozinha.

– Não quer checar a chaminé também?_ Oliver pergunta. Olho para ele confusa pela sua sugestão. Eu não tinha uma chaminé. Ou tinha?- Não você não tem uma chaminé._ Ele responde rindo de mim e se suprimida me segurando pelos ombros.- Relaxa, sua casa estava completamente trancada e não, não há mais nada para fazer que possa evitar nós dois caminhando por aquele corredor._ Ele não podia me pedir para relaxar e dizer aquilo tipo de coisa logo depois.

– Eu não estava fazendo coisas de propósito._ Eu tento me defender mesmo sabendo que ele estava certo. Mas nunca admitiria isso.- Eu precisava guardar a comida. E jogar o vidro fora._ Reforço minha defesa. Ele claramente não havia acreditado em nenhuma palavra que eu tinha dito.

– Suas portas estão todas trancadas. Você já arrumou toda a bagunça que fizemos. E esta começando a ficar tarde. Felicity._ Ele diz meu nome. E eu adorava como meu nome soava nos lábios dele. Oliver estava olhando no fundo dos meus olhos, e eu queria muito beijá-lo naquele momento.- Podemos ir dormir? Ou você tem algo mais para fazer?_ Oliver estava se esforçando para parecer uma pessoa educada para não fazer daquilo algo grande, mas o modo como o olhar dele brilhava ia contra tudo o que ele estava tentando demonstrar.

– Você sabe que vamos dividir a mesma cama não é?_ Eu arrisco uma brincadeira para tentar aliviar um pouco da tensão, e controlar minha mente que estava prestes a voar para bem longe, e muito alto.

– Estou contando com isso._ Ele responde um tanto divertido mas eu reconhecia uma insinuação quando me deparava com uma.

– Muito bem, então vamos._ Oliver tira as mãos dos meus ombros me deixando livre para guiá-lo pela casa.

Por onde passávamos eu apagava as luzes e verificava mais uma vez as trancas das portas e janelas. Eu não achava que aquela louca iria desistir tão fácil de tentar me capturar novamente. Ela parecia precisar de mim. Mesmo o Arqueiro estava dispensado. Não queria nenhuma visita essa noite.

Notas finais
Comentem o que acharam e me digam como seguir no próximo capítulo. Beijo.