Pure Love
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Capítulo 22 Felicity POV
Oliver Queen era um homem cheio de surpresas.
Nada do que eu pensei saber sobre ele parecia ser verdade. A não ser as fofocas com as mulheres, isso era real até demais.
Nessa nossa conversa franca, descobri que Laurel além de uma amiga de infância dele e Tommy, ela também era ex-namorada dele, mas que agora estava num relacionamento vai-e-vem com Tommy.
Mas as festas que saiam nos jornais onde ele supostamente estava eram na maior parte mentira. Os problemas judiciais, por dirigir embriagado, desrespeitar as autoridades e uso de drogas por exemplo, tudo mentira.
Naquela época ele não era nenhum santo, muito pelo contrário, mas também não era o diabo que todos pintavam.
Estávamos rindo de uma história na época escolar dele, algo envolvendo Tommy e um sutiã roubado do vestiário feminino quando Tommy e Laurel voltaram, visivelmente relaxados e mais calmos. Eu também estava. Não iria permitir que uma discussão com uma desconhecida acabasse com minha noite, que até agora estava perfeita. Levando em conta os altos e baixos. E sinceramente, os altos ganhavam disparados.
– Podemos nos sentar? Ou vamos atrapalhar algo?_ Tommy pergunta com seu jeito brincalhão mas Laurel não está tão bem humorada assim.
Oliver olha para mim medindo minha reação. Eu só dou de ombros sorrindo para Tommy, estava bem humorada demais depois dessa chuva de informações sobre Oliver Queen.
Os dois se sentam, Laurel o mais distante possível de nós dois evitando sequer que seu olhar encontrasse o nosso mas pude ver seu olhar passar rapidamente por nossas mãos juntas.
– Do que estão falando?_ Tommy estava definitivamente tentando se amigável.
– Estava contando algumas coisas pra Felicity._ Oliver diz ainda bem humorado, mas seu animo havia caído bastante com a chegada de Laurel.
– Coisas boas ou coisas ruins?_ Tommy brinca jogando com Oliver.
– Depende do que você considera bom ou ruim._ Oliver respondeu sorrindo cheio de cumplicidade para o amigo. Tommy devolveu o sorriso e ainda emendou com uma gargalhada.
– Você não está fazendo isso no primeiro encontro, Ollie._ Tommy fingiu uma cara de lamentação digna de um Oscar, e eu ri com isso.
– Não é como se os jornais e revistas não tivessem me alertado sobre uma ou duas coisas._ Balanço a cabeça ponderando.
– Nunca acredite na mídia, é o único conselho favorecendo meu amigo que posso te dar._ Eu não seguro a risada diante da cara de ofendido que Oliver fez para Tommy.- O que? Se fosse para favorecer a ela diria pra sair correndo na direção oposta a sua._ Ele provoca rindo e Oliver joga o guardanapo nele.
Espio Laurel e ela parece perdida em pensamentos observando os dois brincarem entre si, de certo lembrando dos velhos tempos.
Continuamos conversando Tommy, Oliver e eu, com algumas palavras de Laurel quando Tommy insistia em colocá-la na conversa mesmo ela não querendo e lhe dando olhares matadores toda vez que ele fazia isso. Mas ela não se dirigiu à mim de forma hostil novamente. Na verdade ela não se dirigiu à mim de forma alguma, ela me ignorou a conversa toda, e eu não podia estar menos preocupada com isso. Em determinado momento Caitlin e Barry apareceram muito sorridentes. Minha amiga parecia ter saído da máquina da felicidade e Barry não parecia diferente.
– Posso sequestrar minha amiga?_ Caitlin pergunta para Oliver meio cambaleando e sendo aparada por Barry, pela sua voz estava muito bêbada.
– Eu já volto._ Digo para Oliver que está com uma cara esquisita, mas sorri para mim.- Posso saber onde vamos?_ Pergunto já de pé dando suporte para Cait se apoiar em mim, Barry a solta não muito certo de que eu vá conseguir segurá-la, mas quando perceber que está tudo sobre controle ele se afasta, sentando em uma das cadeiras da nossa mesa.
– Banheiro._ Ela até tentou cochichar no meu ouvido, mas Oliver e Barry conseguiram ouvir. Barry riu do jeito dela falar e pelo fato dela estar bêbada, e Oliver apenas me olhou com sua cara inocente senão fosse a forma que seus olhos brilharam eu teria comprado aquela cara. Olhei feio para ele, mas estava lutando com o sorriso que queria aparecer.
– Banheiro lá vamos nós._ Brinquei com ela que riu como se fosse a melhor piada do mundo.- Preciso te deixar bêbada mais vezes._ Comento comigo mesma enquanto caminhamos devagar por entre as pessoas até chegar na porta do banheiro.
Abrir a porta segurando Cait, passar com ela para dentro e fechar a porta ainda segurando ela, deveria ser uma das provas das Olímpiadas. E eu receberia medalha de ouro.
Cait não parava de falar um instante, e sempre voltava ao mesmo tema. Barry Allen. As vezes ela se enrolava toda e dizia coisas sem sentido e em outras dizia coisas desnecessárias, como por exemplo comentar sobre o abdômen definido recém adquirido dele.
– E você não sabe como ele é rápido._ Ela comenta com uma cara tão impressionada, que por mais que minha mente não fosse tão maliciosa, ou pelo menos eu gostava de pensar que não era, suas palavras soaram no sentindo sexual para mim e foi aí que eu a parei.
– Ok, Caitlin eu te amo, você é minha melhor amiga, uma irmã._ Disse categoricamente, para ela entender direitinho.- Mas se você continuar por essa caminho eu vou enfiar sua cabeça naquela privada até você desmaiar. Entendeu?_ Ela estava processando ainda o que eu havia dito, mas quando entendeu me olhou com os olhos estalados e assentiu concordando desesperadamente.
Evitei olhar para qualquer lado naquele banheiro. A última coisa que precisava era voltar pra mesa parecendo um pimentão.
– Cait, você não está ajudando._ Reclamo com ela quando ela tropeça nos próprios pés quase derrubando a nós duas. A encosto na parede perto do banheiro e me junto à ela até tudo parar de rodar um pouco.- Quando tudo parar de rodar, me avisa._ Peço à ela, que só assente sem conseguir falar.
– As meninas precisam de ajuda?_ Ouço alguém dizer na direção oposta a que tínhamos que ir e olho para ver quem estava falando conosco.
Eram dois rapazes, talvez um pouco mais novos que nós duas, um alto e o outro um pouco mais baixo, os dois loiros de olhos claros, pareciam irmãos. Eu os tinha visto conversando animadamente com Tommy um tempo atrás. Mas apesar de simpáticos e muito bonitos, eu recusei.
– Obrigada, mas podemos nos virar sozinhas. Sem querer sem rude._ Completo vendo que tinha soado completamente rude. Caitlin assente concordando.
– Olha nós só queremos ajudar._ Um deles, o mais alto diz.
– Sim, sua amiga não parece nada bem._ O outro completa.
– E eu agradeço, de verdade. Mas viemos acompanhadas e não queremos causar problemas nem pra vocês e nem para nós duas._ Dispenso mais uma vez. A imagem de Oliver e Barry irritados não era nada bem vinda.
– Eu não estou vendo seus acompanhantes. Você está Ross?_ O homem mais alto falou para o mais baixo, que agora sabia, se chamava Ross. O baixinho maneou a cabeça negando.
– Não seja por isso._ Ops. A voz de Oliver chegou a meus ouvidos primeiro que ele próprio, e eu não precisava nem olhar para ele para saber que ele estava irritado. Barry foi o primeiro a aparecer. Ele passou apressado até Cait, a amparando em seus braços e perguntando se ela estava bem, parecendo muito preocupado com o estado dela. Eles ainda me matariam de fofura. Senti o calor do corpo de Oliver atrás de mim e sabia que ele estava encarando os dois.
– Oliver, não tivemos tempo de conversar hoje._ O mais alto tentou começar uma conversa civilizada, mas a tensão que eu estava sentindo de Oliver não era bom sinal.
– Se vocês chegarem perto delas de novo, vou tomar outras providências. E vocês não vão gostar._ Oliver ameaça, seu tom gélido me surpreendeu. Demorei para perceber os quatros seguranças parados atrás de nós. Eles escoltaram os dois para fora do salão da melhor forma possível e sem chamar muito a atenção.
Me virei para dizer a Oliver que aquilo era um exagero, que não precisava expulsá-los do clube, e o vi trocando olhares com alguém. Segui seu olhar e encontrei Diggle, que assim que reparou que eu o estava observando ele assentiu para nós uma única vez e se virou desaparecendo na multidão.
Me virei de volta para Oliver.
– Você está bem?_ Ele perguntou imediatamente. A preocupação na voz dele era notável. Ele pousou as mãos nos meus ombros me observando atentamente.
– Isso foi um exagero._ Me refiro ao fato dele ter expulsado os rapazes. Ele me olha sério.
– Não, não foi. Eu os conheço, Felicity._ Ele disse ainda sério.- São antigos conhecidos de festas, e não são boas pessoas._ Ele diz, mas tem um aviso implícito nas palavras. Mantenha distância.
Ele os conhecia, eu não. Se ele estava dizendo que não eram boas pessoas não era eu que ia discutir com ele.
Mas um cantinho da minha mente ficava me dizendo que Oliver também poderia ser uma má pessoa, ou não totalmente boa pessoa. Aquele notebook iria me atormentar até eu descobrir o que ele significava e o que Oliver tinha haver com ele.
– Fel, acho que já deu pra nós por hoje._ A voz de Barry me desperta dos meus pensamentos, graças aos céus não ditos alto e percebo que estava encarando Oliver. Olho para meu amigo que segurava uma Caitlin pálida e quase adormecida nos braços.
– Claro. Vamos._ Concordo prontamente preocupada com minha amiga.
– Se você quiser ficar, nós podemos ir sozinhos. Não tem problema._ Barry garante, seu olhar alternando entre Oliver e eu.
Eu olho para Oliver indecisa. Eu queria muito ficar com ele, mas minha amiga precisaria de mim e eles estavam na minha casa. Oliver me olha e sorri entendendo meu dilema.
– Vamos, vou deixar vocês em casa._ Ele diz compreensivo. E eu sorrio de volta para ele agradecida.
Continue assim senhor Queen, e daqui a pouco não tenho mais defesa contra você, penso suspirando.
Tommy lamentou nossa partida, mas entendeu quando olhou para Caitlin. Mal estávamos saindo e ele já estava nos convidando para uma festa na casa dele dali algumas semanas para comemorar o fato de estar se tornando o vice-presidente da empresa do seu pai. Sorri lembrando da cena. Era fácil gostar de Tommy.
Já Laurel era outra história.
O pouco que tinha melhorado do seu humor depois que ela havia voltado da pista de dança com Tommy, regrediu e até piorou quando Oliver também se despediu deles, alegando que iria pra casa. O olhar que ela havia me dado me incomodou um pouco.
Saímos a procura de Cisco que havia desaparecido, mas quando ligamos para ele descobrimos que ele havia saído do clube com a mulher do bar. Barry parecia um pai orgulhoso nos contando isso, e Oliver e eu rimos dele, enquanto Caitlin murmurou algo inteligível contra o pescoço de Barry. Ela tinha praticamente se desmontado quando entramos na limosine.
Agora todos nós estávamos em um silêncio confortável.
E eu estava morta de cansaço, meus pés estavam começando a doer.
Barry mantinha os olhos abertos com algum esforço, mas os braços estavam firmes ao redor de Cait. Ela as vezes reclamava de algo imaginário e ele murmurava algo em seu ouvido a acalmando, era lindo de se ver.
Oliver ao contrário de Barry estava bem desperto. Ele havia se sentado num canto no bando e me puxando para ele colando minhas costas em seu peito, passando seus braços em volta de mim me deliciando com seu perfume, numa posição aconchegante demais para quem estava tão cansada quanto eu.
Eu podia me acostumar a isso, pensei antes de cair no sono.
Meus últimos registros daquela noite é sentir alguém me levantando nos braços, a maciez do meu colchão sob meu corpo e um leve roçar do que parecia ser um beijo na minha testa e depois nos meus lábios. E depois disso, cai num sono profundo.
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