Pure Love

35 Capítulo 35


Notas iniciais
Primeiramente desculpem por não ter postado ontem, mas foi um domingo corrido. E esta sendo uma segunda mais corrida ainda, por isso, essa é a primeira parte desse capítulo. Não queria ter que mencionar uma recomendação tão fofa quanto a da MylleC nesse capítulo tão fraco, mas não posso deixar de agradecer. Então muito obrigada! Não está dos melhores, culpem minha inspiração fujona. Enfim, Boa leitura.

Capítulo 35 Felicity POV



A campainha. Tocando.

Me apresso pelo corredor para abrir a porta mesmo com o coração aos pulos. Era tarde demais para se arrepender, agora já estava feito.

O que eu estava dizendo? Eu queria ele ali. Eu deveria abrir a porta, mas minhas pernas tremiam tanto que estava difícil caminhar.

– Pelo amor de Deus, você conseguiu até correr hoje com aquela montanha verde irritadiça de músculos e agora não consegue abrir a porta._ Brigo comigo mesma enquanto paro em frente à porta.

Me dou um segundo para pensar antes de abrir a porta.

Ele só ia dormir. Deitar e dormir. Não parecia ser algo tão difícil assim.

– Mantenha as coisas leves._ Murmuro com os olhos fechados para dar mais força as minhas palavras.- Vamos lá._ Digo com uma falsa confiança de que tudo daria certo no final das contas, mas abro os os olhos e tudo roda.- Você consegue Felicity. Pense em coisas leves, suaves, engraçadas e neutras._ Aconselho a mim mesma respirando bem fundo antes de destrancar a porta abrindo-a de uma vez para não perder a coragem.

A imagem de Oliver parado na minha pequena e florida varanda com todo seu, bom seu tudo, era qualquer coisa menos suave, ou leve.Seguro um suspiro de pura satisfação por vê-lo ali.

Oliver Queen, parado do lado de fora da minha casa. Para dormir comigo. Aquela sensação de incredulidade nunca ia me deixar.

'Por que ele tinha que ser tão lindo?'. Penso sentindo meu coração acelerar de um modo nada indicado nas minhas noites de domingo calmas e serenas. Claro que ele não estava em nenhuma delas antes.

Essa não era à melhor idéia que já havia tido. Provavelmente era a pior, eu estava tão ferrada.

Mas ele parado lá, transformava as coisas mais malucas na minha cabeça em possíveis acontecimentos futuros, não tão distantes. Eu não saberia dizer se ele também estava nervoso com essa minha idéia absurda de dormimos juntos, para só dormir mesmo, porque seu semblante não demonstrava isso.

– Oi._ Oliver diz com um pequeno sorriso nos lábios mas seus olhos não estão no meus rosto. Ele estava olhando para baixo. Por um momento achei que estava encarando minhas pernas, mas quando olhei para baixo percebi seu alvo. Uma sensação de calor que não tinha nada a ver com o homem a minha frente começou a tomar conta do meu rosto, e um sorriso involuntário escapou dos meus lábios, que eu estava mordendo e nem havia percebido.- Belas pantufas._ Ele elogia,agora olhando nos meu olhos minhas pantufas do Darth Vader.

Abro mais a porta e dou espaço para que ele entre, me dando conta que era a primeira vez que ele entrava em minha casa. Fecho a porta com todo cuidado de trancá-la de todos os modos possíveis. Não queria nenhuma visita verde e mau humorada hoje.

Me viro para ele ainda travada pela presença dele ali, mas ele estava mais preocupado em olhar a casa para reparar nisso.

– Então? O que achou da minha casa?_ Pergunto realmente interessada na opinião dele. Oliver estava acostumado a outro padrão de vida, minha casa era do tamanho do escritório da presidência. Isso devia ser um cubículo para ele. Ele olha em volta mais uma vez antes de focar em mim.

– Pequena, delicada, bem decorada e bem organizada. Combina perfeitamente com você._ Ele diz me olhando intensamente, e antes que eu pudesse fazer algo ele se aproximou cuidadoso, e plantou um beijo casto nos meus lábios. Eu tive que me segurar para não colocar minhas mãos em nenhuma parte dele, ou provavelmente não pararíamos mais. Eu podia ouvir meu coração. Aquilo era insano.

– Quer beber algo? Jantar? Apesar que não tenho nada preparado. Mas podemos pedir uma pizza._ Disparo nervosa e me atrapalho toda nas palavras.

– O que você quiser._ Ele comenta distraído enquanto tira a jaqueta de couro.

'Marrom combinava com ele. Aquela jaqueta era linda. Por que ele estava tirando a jaqueta?'. Penso desesperada vendo-o tirar a roupa.

– Pizza então._ Decido saindo dali o mais rápido possível e indo para a cozinha pegar um folheto da pizzaria,longe de todos aqueles músculos.

'Coisas neutras? Leves?'. Penso caçoando de mim mesma.

Como podia pensar que conseguiria manter as coisas neutras com ele?

Pego quatro folhetos de pizza ruas diferentes, e vou tô para a sala. Oliver estava sentado no sofá observando uma fotografia minha com minha mãe. Aproveito que ele está distraído com o porta retrato para me acalmar.

– Você se parece com sua mãe._ Oliver pergunta ainda observando a foto.- Menos os olhos._ Ele aponta e se vira para me observar melhor. Isso me deixa desconfortável, e me sento ao seu lado colocando os folhetos na mesa de centro, colocando uma almofada entre nós e uma em meu colo. Oliver apenas ri.

– Tenho os olhos do meu pai. Os olhos e a inteligência são dele, pelo menos é o que minha mãe diz._ Falar de meu pai não era mais um assunto delicado. Havia sido no passado, mas depois do meus dezesseis anos quando eu aceitei que ele não iria voltar mais deixou de ser. Vejo Oliver me observar mais atentamente, sei que esta curioso sobre a história de meu pai.

– Então não conheceu seu pai?_ Ele perguntou num tom mais suave. Eu conhecia aquele tom de voz, havia crescido ouvindo ele toda vez que falavam do meu pai.

– Não._ Desviei os olhos dele e me concentrei na almofada em meu colo.- Ele, foi embora._ Eu disse dando de ombros como se fosse a coisa mais banal do mundo. Mas não era. Não era só por que não me importava mais com isso que gostava de falar sobre.

– E você não quer falar sobre isso._ Ele não estava perguntando, estava afirmando. Arrisco um olhar para ele. Ele não estava me olhando com pena, isso já era um alívio.

– Não tem problema, mas de qualquer modo não é uma boa história._ Pego os folhetos de volta e ofereço a ele. Ele pega sem desviar os olhos de mim ainda me analisando.- Pode escolher, já conheço as quatro e são boas pizzarias. Mas a última é mais rápida._ Eu digo querendo atrair a atenção dele para algo que não seja minha patética história sem pai.

– Rapidez é importante. Mas qual vem com mais azeitonas?_ Oliver me pergunta com uma careta engraçada.

– Azeitonas._ Finjo uma animação exagerada.- Você também tem uma obsessão compulsiva por elas?_ Oliver me olhava dividido entre rir da minha péssima atuação, ou entrar na brincadeira.

– Não. Nem gosto de azeitona._ Se eu era uma péssima atriz, Oliver devia levar o Razzie Awards. Ele não conseguia nem deixar de sorrir para entrar na brincadeira.

– Você é um péssimo ator._ Não consigo segurar a risada quando ele me olha indignado com o que eu disse.

– Atuar nunca foi meu forte._ Ele admite com uma falsa cara de vergonha muito fofa.

– Você é realmente péssimo._ Reafirmo e ele ri me olhando diferente, e aquele olhar me deixou nervosa.

– Mas eu compenso minha falta de talento em artes cênicas com outras coisas._ Observo ele deixar os panfletos sobre a mesa com uma calma duvidosa, e se vira completamente para mim no sofá.

Ele ia me beijar.

Claro que ele ia me beijar,nós estávamos sozinhos na minha casa e estávamos saindo juntos. É claro que nos beijaríamos.

– Você ainda não escolheu a pizzaria._ Eu digo apontando para os panfletos. De repente a sala parecia ter ficado menor e mais quente, mas ele continua me encarando com uma malícia que eu já estava aprendendo a me acostumar.

Então ele deliberadamente esticou o braço pegando um panfleto qualquer discando o número do seu celular.

– Boa noite, gostaria de pedir uma pizza._ Ele olha para mim me perguntando no olha qual o sabor da pizza. Me limito a um dar de ombros e deixo para ele essa decisão.

Me levanto de sofá enquanto Oliver ainda está no telefone vou para a cozinha.

'Cinco minutos. Só cinco, e eu juro que vou conseguir me controlar. E talvez uma palmeira cresça no meio da minha sala'. Penso ironicamente, eu precisava de espaço.

Pego pratos e copos e coloco-os na mesa sem pressa, quanto mais demorasse aqui melhor.

Tento me distrair do meu próprio corpo e da tentação em pessoa na minha sala, dobro minuciosamente os guardanapos e separo os talheres. Sabia que tinha uma garrafa de vinho em algum lugar, mas fazia tanto tempo que não bebia que não fazia mais idéia da onde ela estava guardada.

Procuro por todos os lugares baixos da cozinha, mas não estava em nenhum deles. Então só poderiam estar nos armários de cima.

Depois de verificar três das cinco portas dos armários superiores, lá estava a bendita garrafa, na quarta porta. Arrasto uma cadeira e subo com minhas enormes pantufas para alcançar a garrafa.

– Eu não me lembrava de colocar você aí._ Eu falo comigo mesma, olho a quantidade de vinho que ainda tinha na garrafa. Duas taças talvez. Melhor, não precisava ficar alta e ainda dormir com o senhor Queen na mesma cama.

Faço um movimento digno de um contorcionista para conseguir fechar a porta sem acertar meu rosto, mas algo da errado.

Num segundo estou segurando a garrafa de vinho em uma mão e a cadeira está balançando perigosamente embaixo de mim. No outro segundo, estou sem nada nas mãos, e posso ouvir o som de vidro se partindo. A sensação pré-queda me dominando, mas ao invés de atingir o chão frio da minha cozinha meu corpo se choca com algo menos sólido, quente, e que me segura firmemente.

Levo dois segundos para perceber que minha cara não estava espatifada no chão, minha garrafa de vinho estava estilhaçada no chão branco, e Oliver me segurava em seus braços.

Eu podia sentir o calor da sua mão em volta da minha cintura atravessando o tecido da camiseta, e a outra firmemente em minha perna. Minha perna nua.

– Você está bem?_ Ele me pergunta olhando em meus olhos preocupado. Eu não achava que ele tinha percebido nossa posição nada leve e suave.

– Es-estou._ Confirmo e balanço a cabeça para dar mais ênfase nas minhas palavras.- Eu sou muito desastrada._ Não sabia porque estava usando um tom de desculpa, mas também não estava com cabeça para pensar em muitas coisas. No momento estava focada naquela mãos na minha perna.

– Você podia ter se machucado._ Oliver continuava me encarando mas agora era diferente. Ele havia se dado conta do modo que estávamos grudados um ao outro.

Balanço minha cabeça sem nenhum motivo, apenas para não ficar parada. Podia sentir minha respiração acelerar, minhas mãos suarem.

Eu queria muito beijar ele. E também não queria beijar. Eu sabia que se começássemos provavelmente acabaríamos na cama, mas ele estava tão perto, tão perto.

– Felicity?_ Olho para ele ainda sem conseguir focar em nada em especifico. Ele estava me olhando concentrado em mim.

– Oliver._ Devolvo, minha voz estava áspera e baixa. Deus, eu estava tão ferrada.

A última coisa que meu cérebro registra é um gemido rouco, que eu não sabia dizer se havia sido dele ou meu e então ele me beija.

Eu já disse que estava ferrada?

Notas finais
Comentem, me xinguem (não muito), sei lá.