Pure Love

30 Capítulo 30


Notas iniciais
Esse será duas partes também (ou três, não sei ainda), resumindo, vai ser grande. Boa leitura.

Capítulo 30 Felicity POV



Isso já estava ridículo.

Ser convidada a ajudar era uma coisa, ser arrastada até aquele galpão contra a minha vontade era outra.

'Convidada? Como você é sutil Felicity'. Penso zombando de mim mesma.

Eu teria ajudado o Arqueiro de boa vontade mesmo se ele tivesse me obrigado. Eu tinha minha admiração bizarra por ele. Seria como ajudar o Robin Hood dos tempos modernos.

Mas isso era ridículo.

Olho para os lados, procurando alguma forma de me soltar daquela maldita cadeira, enquanto finjo estar mexendo na bomba. Não era legal amarrar alguém em uma cadeira de frente à uma bomba. E nem ao menos era uma cadeira confortável. Eu já havia dito tudo o que tinha dito ao Arqueiro mas a tal da Waller mas ela estava irredutível.

Ela havia sido bem clara. Ela se encarregaria de impedir que o tal fabricante crie outra bomba e eu desarmaria essa. Sem mais opções.

Pelo menos era uma distração dos meus sentimentos.

– Não é hora pra isso, foco Felicity._ Repreendo a mim mesma empurrando Oliver, Cooper, e meus medos para o fundo de minha mente e me concentrando na bomba.

Mas não havia o que fazer. Mesmo com todo esses equipamentos ao meu dispor, não havia o que fazer.

– Ei._ Eu chamo o guarda perto da porta com aquela máscara que me dava arrepios. Ele vira a cabeça para mim e eu acho que estava me olhando.- Posso beber água ou vou ter que esperar isso também?_ Não quis soar petulante, mas não estava no meu melhor humor desde que fui amarrada e vendada na minha própria casa. Ele pareceu conversar com alguém mesmo estando parado ali sozinho, deveria ser algum comunicador e em seguida saiu por uma porta lateral me deixando sozinha.

Tento mais uma vez puxar as cordas em volta dos meus tornozelos que me prendiam a cadeira mas elas nem se movem. A voz da minha mãe me dizendo que ficaria linda num uniforme de escoteira soa em minha cabeça. E me arrependo de não ter feito aquela vontade dela.

Um grito agoniado do outro lado da mesma porta por onde ele havia saído me assustou e paro o que estava fazendo olhando para a porta.

Na minha cabeça a única pessoa que poderia estar ali fazendo toda aquela bagunça era o dono dessa coisa enorme na minha frente.

Em seguida ouço tiros e mais gritos, vários deles.

Dois homens de preto entram no galpão parecendo fugir de algo e de colocam ao meu lado mas nenhum deles faz menção alguma de que iria me soltar. Mas antes que eu possa pedir para me soltarem ouço o zumbido de algo passando muito rápido e sinto meus pés livres.

Olho para os meus pés imediatamente e vejo duas flechas verdes fincadas no chão com as cordas cortadas caídas em sua volta.

O Arqueiro.

Olho ao redor procurando por ele, mas ele não estava lá.

– Eu não vou levar outra surra deles._Escuto um dos homens dizer nervoso ao meu lado e ele agarra meu braço me erguendo sem nenhum cuidado.

– Ai._ Reclamo sentindo dor onde ele estava me apertando.

– Não é uma boa idéia Tim, ele veio até aqui por causa dela e você vai usá-la como escudo?_ O outro diz tentando fazer o que se chamava Tim me soltar.

Ao invés de me soltar ele se escondia e atrás de mim literalmente me usando como um escudo.

– Ele pode levá-lá se quiser, desde que não encoste em mim._ Tim diz atrás de mim. Apesar da sua valentia comigo ele estava com medo do Arqueiro.

De repente as luzes do galpão se apagam, deixando somente a luz fraca do sol entrar pelas janelas altas e a bomba que brilhava como uma árvore de natal.

– O que aconteceu?_ O guarda bonzinho indaga assustado apontando sua arma para todos os lados.

– Ele prefere o escuro._ Consigo dizer é me orgulho da minha não ter saído trêmula ou fraca. O guarda atrás de mim me segura mais próxima a ele e também aponta sua arma para vários pontos escuro dos galpão.

– Vamos do jeito fácil ou do difícil? Vamos deixar vocês escolherem._ Diz uma voz que eu não conhecia, não era mecanizada como a do Arqueiro, só podia ser o Arsenal.

Me sinto lisonjeada pelos dois terem vindo por mim, mesmo que seja culpa deles. Afinal, eles foram pedir minha ajuda e me meteram nessa.

Mas não significava que eles eram obrigados a me socorrerem, então eu deveria me sentir agradecida por isso.

– Melhor decidirem logo, meu amigo não é tão paciente quanto parece._ Ele avisou e os dois guardas se olharam indecisos mas optaram por acatar a sugestão do Arsenal.

Devagar os dois soltaram as armas que caíram no chão com um barulho metálico irritante e o guarda que estava me segurando pelo braço me empurrou para frente sem qualquer aviso. Eu não estava preparada para aquilo e tropecei nos meus próprios pés caindo de joelhos no chão, precisando usar as mãos para não ir de com a cara de encontro ao chão imundo. Na mesma hora sentir minha pele das mãos arder e os joelhos doerem.

Me levantei com uma certa dificuldade e olhei brava para o guarda que havia me empurrado sem necessidade. Mas não tive tempo de dizer nada.

Uma montanha de músculos verde passou por mim e agarrou o guarda pelo pescoço o jogando contra a parede com uma força descomunal. O guarda até tentou levantar mas o Arqueiro o prendo no chão com um pé em seu peito.

Eu não sabia o que ele iria fazer, mas não parecia ser boa coisa.

Minhas suspeitas se confirmaram quando eu o vi puxando um flecha e armando seu arco.

– Arqueiro._ A voz do Arsenal soou mais próxima e eu o vi perto das sucatas dos carros. Me virei novamente para o Arqueiro vendo que ele não iria parar.

– Espera._ Eu pedi não sabendo bem o porque. Só não queria que ele matasse um homem, ainda mais na minha frente.- Você vieram por mim, certo? Estou livre. Vamos embora, não precisa machucar ninguém._ Eu o vejo vacilar, mas ainda assim está mirando o homem no chão.- Por favor._ Completo dando um passo inconsciente na sua direção. Ele solta o que parece ser um grunhido e desarma seu arco. Não seguro meu suspiro de alívio. O homem no chão também relaxa visivelmente aliviado, mas o Arqueiro chutar sua máscara com força o fazendo desmaiar.- Desnecessário, mas melhor que a outra opção._ Pondero em voz alta e vejo pelo modo que ele se inclinou na minha direção que ele havia escutado.- Digo, obrigada. Aos dois._ Olho para trás e vejo que o Arsenal ainda está no mesmo local, ele balança a cabeça aceitando meu agradecimento e eu me sinto melhor com isso.

– Vamos embora, antes que os demais cheguem._ A voz mecanizada do Arqueiro me assusta as não o deixo perceber. Ele passa por mim apressado de novo e sinto um cheiro familiar. Não sabia bem do que ou de quem, mas era conhecido.

– Não temos muito tempo._ Arsenal diz indo até a porta e a abrindo com cautela e espiando do lado de fora.- Vamos._ Ele sai na frente e o Arqueiro espera por mim para sair.

Saio com esperança de reconhecer o local onde estávamos, mas nada. A única a vista era mato.

Eu sabia que ele haviam lutado do lado de fora mas aquilo era impressionante demais para ser verdade.

– Vocês dois contra eles?_ A pergunta era mais para mim mesma do que para eles, mas Arsenal, que era mais simpático, não se importou em responder.

– E ainda têm mais._ Ele parecia orgulhoso disso. Olhando para todos esses corpos caídos no chão, que deviam ser pelo menos vinte, eu também estaria orgulhosa.

– Eles estão apenas desacordado ou._ Não consegui terminar a pergunta imaginando se alguém ali estava morto. Podia sentir meu estômago se rebelar.

– Não estão mortos._ Foi o Arqueiro que respondeu ao meu lado. Olhei instintivamente para ele mas ele estava com a cabeça inclinada para o outro lado.

Havia algo nele que me era familiar.

Talvez já havíamos nos cruzado pelas ruas. Possivelmente era isso.

Essa era uma das coisas que me atraia nele. O mistério.

Sem falar mais nada ele caminha para as árvores que rodeavam o galpão e eu o segui com Arsenal atrás de mim.

Eles eram quietos, reservados. Ninguém falou com ninguém, só andamos para algum lugar no meio de todo aquele mato e alguns insetos. Minha cabeça estava começando a doer por conta de todo estresse. Minhas pernas estavam começando a doer por causa da superfície do chão que não facilitava a caminhada e por todo o passeio com Oliver pela cidade.

Eu estava muito cansada psicologicamente. E agora estava cansada também fisicamente. Depois de andar alguns metros decido tentar um diálogo com eles. Ou só com Arsenal, já que era provável que o Arqueiro não me respondesse.

– Só por curiosidade, quando me trouxe aqui ontem eles não gostam muito, não é?_ Eu pergunto me lembrando do que o guarda havia dito sobre outra surra.

– Não. Eles não tão amigáveis quanto nós._ Como previa foi Arsenal que me respondeu.

– Amigáveis?_ Repito não muito certa disso, os homens desmaiado discordariam deles.

– Não te obriguei a vir._ A voz do Arqueiro soou mais grave me assustando novamente. Ele estava se referindo ao dia anterior, enquanto abria caminho para mim por entre os arbustos, seria um bom momento para espiar seu rosto mas ali no meio de um monte de árvores estava escuro. E ele sabia disso, por isso não se mexeu quando passei por ele o encarando.

– Certamente não, mas me sedou._ Jogo de volta deixando claro que não havia gostado do modo dele ser amigável comigo. Ele se empertigou todo parecendo assustador com todo aquele tamanho, mas eu não iria dar o braço a torcer.

– Eu não te machuquei._ Ele aponta, é um bom ponto. Mas eu também tenho meus pontos.

– Você me sedou duas vezes._ Rebato já não controlando minha voz.

– Foi necessário._ Ele ainda diz mas não parece tão convicto quanto antes.

– Um simples pedido para não olhar serviria._ Eu digo ainda irritada com ele. Ele ia rebater de volta mas a risada do Arsenal chamou nossa atenção.

Ele estava parado casualmente encostado numa árvore com os braços cruzados sobre o peito nos encarando. E rindo pelo visto. Eu nem havia percebido que havíamos parado de caminhar.

– Desculpem, mas não consegui me segurar._ Ele não estava parecendo constrangido.

'Ótimo, passar vergonha na frente dos dois heróis da cidade era tudo o que precisava para terminar o dia'. Penso caçoando de mim mesma.

– Somos o que?_ O Arqueiro pergunta me fazendo perceber que havia pensado alto de novo.

– Eu disse alto, não disse?_ Olho para os dois e os dois balançam a cabeça confirmando.- Eu sabia que um dia isso ia acontecer._ Brigo comigo mesma. Dentre todas as pessoas que eu poderia ter confessado minha admiração por eles, mas principalmente pelo grandão de verde ali na minha frente, eles eram os únicos que não deviam saber. Mas agora que eu já havia deixado escapar pra eles, não faria mal nenhum confessar que eu admirava o trabalho deles — Ok, eu meio que admiro o que vocês fazem. Digo, essa coisa de pegar os caras maus e salvar as pessoas._ Eu não deveria me sentir constrangida, eu era a que estava fazendo o elogio mas mesma assim podia sentir o formigamento no rosto.

Os dois não disseram e nem tivemos tempo para continuar nossa conversa por que começamos a barulhos por todos os lados.

– Vamos, agora._ O Arqueiro disse alarmado e me segurou pelo braço com uma delicadeza que nunca imaginaria que ele teria e começou a correr me puxando com ele. Olhei para trás mas Arsenal não estava mais lá.- Ele vai atrasá-los._ Ele solta como se estivesse lendo minha mente.

– Ele vai ficar bem?_ Pergunto preocupada com ele, se alguma coisa acontecesse com ele nunca me perdoaria.

– Ele tem aquele o nome uma razão._ Ele diz firme mas consigo identificar preocupação na voz dele.- Assim que chegarmos no carro você vai sair daqui. Não olhe para trás e nem hesite. E não vá para casa, entendeu?_ Ele me dava instruções de como sair daqui, mas a única coisa que passava na minha cabeça era que ele devia estar lá com o amigo e não aqui comigo.

– E para onde eu vou?_ Eu queria ir pra casa, me trancar no meu quarto e não sair de lá pelo próximo século. Ele não me responde, ao invés disso ele pára quase me fazendo trombar nele. Observo ele espiar entre as árvores por um instante antes de me puxar para sua frente me entregando uma chave de um carro.

– Vá para qualquer lugar muito movimentado de onde você consiga fugir caso eles apareceram de novo._ Ele falava devagar, seria insultante a minha inteligência se eu não estivesse tão apavorada.

Era domingo, não tinham muitos lugares que ficavam tão movimentados num domingo a tarde.

– E se eles me acharem?_ Não queria pensar no que aconteceria se me encontrassem de novo.

– Seja mais inteligente que eles. Não vai ser problema para você._ Ele estava me elogiando, um baita avanço.- Fique em movimento, e não use cartões ou seu celular. Agora vai._ Ele moveu um galho da árvore ao nosso lado e vi um carro preto sem placa, muito bonito apesar de não entender nada de carros. Vou em direção ao carro mas paro me virando para ele.

– Como vou te devolver o carro?_ Ele ao que parece olha longamente, e inclina a cabeça para trás como se tivesse escutado algo.

– Ainda vamos nos encontrar essa noite Felicity. Agora vai._ E sumiu mato adentro. E eu entrei no carro.

O carro ligou na primeira tentativa o motor incrivelmente silencioso, e eu sai de lá. Eu não parei para pensar no que ele havia me dito e fiz o que ele mandou.

– Não olhar para trás. Não hesitar. Procurar um lugar movimentado. Não usar cartões e não usar o celular. Pra onde eu vou?_ Indago a mim mesma me sentindo perdida. Não conhecia ninguém na cidade além de Oliver, e sua família.

Ir para casa dele estava fora de questão. Nem ligar para ele, não podia colocá-lo em perigo.

Minha única opção era ir para o centro da cidade e torcer para ninguém me perseguir mais essa noite.

Que dia.

Notas finais
Nota pessoal minha : Estou muito feliz com vocês, sério. A receptividade da fic está me deixando nas nuvens. Muito obrigada gente! Até amanhã.