Pure Love
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Capítulo 29 Oliver POV
John havia me ligado para falar sobre Waller.
Como havíamos previsto ela não estava feliz com nosso pequeno desentendimento com seus homens na noite passada, o que significava que estávamos fora do caso. Não que nós fossemos lhe dar ouvidos.
Era minha cidade. Meus amigos e família estavam em perigo, ela não teria escolha.
Mas Dig também tinha dito que ela havia conseguido chegar a Felicity. Agora era só uma questão de tempo, e não seria muito.
E falando em Felicity. Havia alguma coisa errada com Felicity.
Se tinha alguma coisa que todos esses anos haviam me ensinado era ler as pessoas. E Felicity definitivamente estava com algum problema bem sério.
As pesquisas que havia feito sobre ela não mostraram nenhum grande acontecimento ruim na vida dela. Nenhuma tragédia, ou trauma. E isso me deixava muito intrigado, ninguém tinha uma vida tão perfeita assim.
E o tal namorado da faculdade também não havia sido mencionando. E isso era o pior.
– John, preciso de outra pesquisa sobre Felicity._ Ele se assustou com minha entrada brusca na Cave. Por sorte nem Thea, ou Roy estavam presentes.
– Algo errado?_ Ele se senta na mesa dos computadores começando a fazer o que pedi. Fico parado parado ao seu lado impaciente demais para esperar. Ele me empurra um relatório sobre os passos de Waller em relação a Felicity.
Não fico surpreso em saber que ela já sabia tudo o que nos sabíamos sobre Felicity. Incluindo nosso recente relacionamento.
Amasso o relatório o jogando do outro lado do porão.
– Lyla está monitorando?_ Pergunto indo para o outro lado do porão. Precisava bater em algo.
Deixo minha camisa pelo caminho e pego as luvas.
– Ela sabe até quantas vezes a Waller vai ao banheiro. Não vamos perdê-la de vista._ Ele garante tentando me acalmar. Sem sucesso.
Prefiro ficar em silêncio enquanto desconto o que posso no saco de areia, meus pensamentos não eram muito sociáveis no momento.
A todo momento a imagem de Felicity frágil e perturbada voltava a minha mente, e isso estava me matando. De algum modo a culpa era minha, eu sabia disso.
Em compensação imaginar Waller chegando até ela, me fervia o sangue.
Elas não iriam se encontrar, já estava decidido.
– Oliver._ John me chama me desconcentrando quando ia chutar o saco. Olho para ele e a cara dele não é boa.- É melhor você ver isso._ O modo como ele fala me assusta. Me apresso até o computador e vejo uma página de arquivo da A.R.G.U.S que parecia ser de uma ficha criminal.
– Isso é impossível._ Murmuro surpreso demais com o que estava vendo. Sinto John me encarar mas não consigo parar de olhar aquilo.
Felicity havia sido presa na época da faculdade. E isso não era o pior. Ela havia sido presa por causa do tal namorado.
Os dois haviam criado um programa capaz de retardar a localização de qualquer pessoa. Nas mãos das pessoas certas, ou erradas, aquilo era extremamente perigoso.
Na ficha não dizia muita coisa, a não ser que haviam sido os dois a criar o programa mas apenas Cooper, esse era o nome dele, havia usado o programa e fugido depois. Felicity havia sido obrigada pela polícia a caçar o namorado para não ir para cadeia. Ela não demorou a encontrá-lo, e a polícia o pegou.
Depois de algumas semanas ele havia sido encontrado morto na cela.
Felicity havia sido indiciada como cúmplice e pago com serviço comunitário.
– Por que não encontramos isso antes?_ Eu digo ainda não acreditando no que tinha acabado de ler. John se mexeu inquieto na cadeira.
– Ao que parece alguém que conhece muito bem de programas e toda essa tecnologia escondeu muito bem essas informações._ Seu tom era bem sugestivo. Como eu desconfiava, ela era um gênio desde sempre.- Lyla achou mais coisas sobre ela, nada referente à isso, mas ainda assim importantes. Talvez até mais que isso. Mas ainda não pode me enviar._ Ele avisou, e eu não sei o que pensar.
– Eu nunca imaginária algo assim._ Confesso ao meu amigo. Estava me sentindo traído mesmo sem nenhum motivo. Eu devia ser o último a julgar alguém por ter um segredo tão obscuro assim, mas era ela que estava jogando o jogo da verdade.
– Vocês se conhecem a dois dias. Sem contar o primeiro encontro._ Ele diz como se justificasse algo.- Não pode esperar que ela abra sua vida assim do nada. Confiança tem que ser conquistada, pensei que soubesse disso._ Ele disse sabiamente. Eu sabia disso, eu também não confiava nas pessoas.
Mas meus motivos eram extraordinários, iam além do resto das pessoas.
– Não sei o que fazer com essa informação._ Digo confuso.- Não sei o que fazer em relação a ela._ Encaro John pedindo silenciosamente que ele me iluminasse com a solução.
– Não há o que fazer._ Ele diz me encarando atentamente analisando minhas reações.- Ou você espera que ela confie em você e ela mesma conte a você o que aconteceu. Uma ficha criminal não é grande coisa, ainda mais por causa de um idiota que brincou com ela. Agora, se você quer cair fora, ainda dá tempo. _ Ele da de ombros despreocupado. Eu o encaro sem entender o sentido do que ele havia dito.
– Tempo do que?_ Pergunto olhando para ele com um pressentimento ruim.
– De terminar o que nem começou._ Ele diz categoricamente para ter certeza que eu havia entendido.
– Terminar o que nem começou._ Repito para entender melhor a seriedade dessa decisão. Possivelmente era a melhor saída. Antes que as coisas se complicassem ainda mais. Eu não precisava de mais problemas. Era o certo. Eu deveria fazer isso.
– A menos que você não queira._ Ele diz com uma indiferença que eu sabia que ele não sentia. Eu não estava com paciência para joguinhos naquele momento.
– Quer dizer logo o que está pensando?_ Digo mau humorado. Ele segura aquele sorriso idiota e se levanta parando perto de mim.
– Você tem alguma idéia de quantas vezes sorriu nessa semana?_ Eu o encaro abismado com aquela pergunta.
O que aquilo tinha a ver com meu talvez futuro rompimento de algo que nem havia começado com Felicity?
– Eu vou precisar de mais, por que não entendi sua preocupação com meu bom humor._ Respondo honestamente sua pergunta sem cabimento.
– Você quando não quer enxergar algo é pior que Lyla._ Ele resmunga e segura meus ombros já sem paciência comigo. O que não acabaria bem, já que eu também estava sem paciência com ele.- Oliver você realmente não se importa de parar de ver Felicity?_ Sua pergunta incisiva me pega de surpresa pela minha reação à ela.
Claro que eu me importava de não ver mais Felicity. Eu me sentia bem com ela. Era algo novo, bonito.
A pergunta de John estava começando a fazer sentido.
Desde a tarde em que conheci Felicity Smoak eu estava diferente. Meu humor havia mudado. Andava menos carrancudo, mais leve.
Ela era o ponto positivo no meu dia. E claramente ficava mais tranquilo a noite quando verificava que ela estava segura em sua casa.
Felicity era uma boa pessoa, com princípios. E honesta apesar de tudo.
Ela tinha problemas para confiar nas pessoas, eu também tinha o mesmo tipo de problema. Mas eu tinha a vantagem de saber o que ela estava escondendo, e poderia trabalhar na conquista da sua confiança com calma. Não podia deixar isso passar por tão pouca coisa.
– Temos problemas._ A voz de Roy apareceu do nada na Cave nos pegando de surpresa. Nós dois nos viramos para para ele preocupados.- E você não vai gostar._ Ele diz para mim e algo em sua voz me diz que ele tinha razão. Ele vai direto para seu traje e eu encaro John apreensivo. Eu não iria gostar.
– O que houve?_ Digo já indo até meu traje. O dia hoje só piorava.
O silêncio após minha pergunta me travou. Algo estava muito errado. Me viro para os dois que estavam se encarando com olhares bem significativos,eles me olham apreensivos.
– O que houve?_ Repito lentamente, deixando claro que não ia repetir novamente. Roy me olhar preocupado.
– Estou com medo da sua reação._ Ele admite. John vai até seus equipamentos e começar a se preparar calado.
– Roy._ Ele levanta as mãos rendido e suspira se preparando para dizer.
– Waller._ Ele começa e eu já sei o que ele vai dizer.- Ela pegou sua garota._ Ele termina de falar mas eu já estou com o arco e a aliava em seus devidos lugares. Comigo.
– Como você descobriu isso?_ Escuto John perguntar mas estou concentrado escolhendo quais flechas levar.
Se ela estivesse no Centro de Operações da A.R.G.U.S precisaria ser totalmente discreto para entrar.
– Eu vi Oliver e Felicity no parque, foi totalmente por acaso, eu estava passando. E já estava indo embora quando reconheci um dos agentes da Waller. Ele estava seguindo eles eu pensei que ele estava atrás do Oliver por causa de ontem._ Ele explicava, e dava pra sentir a angústia em sua voz.- Então eu segui os dois até a casa da Felicity e o cara também. Mas você foi embora e ele não._ Eu sabia que ele estava se dirigindo a mim, mas não queria olhar para ele.- Eu sinto muito Oliver, mas eu estava sozinho contra todos aqueles homens e não tinha como impedir eles de levarem ela sem denunciar que eu era._ Ele realmente estava se sentindo mal por não ter feito nada.
Mas não chegava nem perto de como eu me sentia. Felicity estava frágil hoje, estava vulnerável. Eu a deixei vulnerável. E agora deveria estar assustada, com medo e sozinha.
Eu conhecia Waller muito bem, ela estava levando isso para o lado pessoal. Ela iria usar Felicity para me atingir.
– Eu sabia que isso ia acontecer. Merda!_ Eu soco a maca forte o suficiente para amassá-lá, precisava bater em algo novamente para me acalmar.-Se ela fizer algo à Felicity, eu juro que dessa vez eu mato ela._ Eu prometo a mim mesmo e isso me acalma um pouco, mas ainda estou irado.
Eu não podia deixa-lá sozinha.
Pego um dos comunicadores e me encaminho para a escada.
– Oliver precisamos de um plano._ John me impede de sair entrando na minha frente.- Você não pode simplesmente chegar lá e pegar ela._ Ele tenta me persuadir mas eu não quero ouvir. Dou um olhar de aviso para ele se mover e ele o faz mesmo contra sua vontade.-Waller vai estar protegida e pode machucar a Felicity._ Ele tenta de novo, e dessa vez eu paro.
'Droga. Pensa Oliver!'. Penso me obrigando a pensar com clareza. Mas não me viro para eles, não quero que me vejam assim.
Escuto John tentar ligar para Lyla e pragueja em seguida.
Esse era o próximo passo, cortar todos os meios de comunicação. O passo seguinte seria locomoção. E eu não podia deixá-los levarem Felicity para longe.
– John._ Eu tento apressá-lo, minha paciência não iria aguentar muito.
– Lyla não atende. Ela estava em casa, Oliver._ O pânico na voz dele me faz olhar para ele. Ele definitivamente estava em pânico. Sara e Lyla estavam em casa. Não posso pedir para ele me seguir dessa vez.
– Vá para casa ver se elas estão bem e me ligue avisando._ Peço antes de sair correndo pela escada ignorando os pedidos de Roy para esperá-lo.
Quando chego no lado de fora ainda está muito claro apesar do sol estar começando a se pôr, então teríamos que ir com o carro da equipe.
Roy entrou no o carro comigo sem perguntar nada, e nós partimos em direção ao primeiro lugar que me veio a mente.
O galpão.
'Ollie'. A voz de Thea chega pelo comunicador quando estamos chegando perto do galpão. Iríamos ter que deixar o carro o mais longe possível para evitar sermos descobertos.
– Speedy._ Respondo automaticamente, por que minha atenção está no mato que teríamos que entrar.
'Me diz que você tem um bom plano'. Ela pede com preocupação em sua voz. Olho para Roy que também está com o seu comunicador ouvindo tudo. Ele me lança um olhar sugestivo e chegamos a mesma conclusão.
– Não é o plano, mas vai dar certo._ Dou ênfase para fazê-lá acreditar que tínhamos um. A escuto suspirar pesadamente, e sei que ela não acreditou.
'Você é um péssimo mentiroso Oliver. Vou ver como posso ajudar vocês daqui, tem que haver alguma coisa que eu possa fazer._ Sua voz sai agitada, ela estava tentando descobrir como nos ajudar. Observo Roy sorrir orgulhoso dela.
– Obrigado Speedy._ Agradeço não só pela ajuda que ela estava oferecendo. Ela suspira de novo.
'Só não se machuquem muito'. Ela brinca e dou por encerrada nossa conversa.
Olho para Roy e ele assente uma vez pronto para qualquer coisa, e entramos no mato.
Estranhamente não havia ninguém nos esperando na vegetação ao redor do galpão, ninguém estava fazendo a vigia. Faço um sinal e nós dois subimos em uma árvore que nos daria visão privilegiada.
– Isso não é bom._ Roy comenta ao meu lado no galho. Eu me limito a balançar a cabeça concordando. Se não fosse pela luzes vindas de dentro ninguém diria que havia alguém do lado de dentro.
– É uma armadilha._ Deduzo sem nem precisar pensar muito.
– E nós vamos cair nela, certo?_ Ele parecia animado em ser capturado. Eu o encaro sem entender aonde ele queria chegar.- Eu não estou feliz com isso se é o que está pensando. Só quero pegar sua garota de volta._ Ele se apressa em explicar com medo da minha cara. Mas sei que ele também está se sentindo culpado.
– Isso se Waller já não tiver contado a verdade a ela sobre quem eu sou._ Havia pensando nisso todo o trajeto. O que Felicity diria? Pedir para sair comigo era uma coisa. Pedir para aceitar o Arqueiro era outra completamente diferente. E eu havia praticamente a sequestrado no dia anterior. Eu havia sedado ela.
– Um problema de cada vez. Vamos tirar Felicity de lá e depois resolvemos isso._ Olho para ele surpreso com suas palavras, mas ele encolhe os ombros encabulado. Ele tinha razão. Um problema de cada vez.
– Vamos._ Eu digo. E nós dois saltamos da árvore aterrissando no chão com um baque mudo.
Eu faria Waller se lembrar do por que era melhor não mexer comigo.
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