Pure Love
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Capítulo 28 Felicity POV
Dor. Era a única coisa que eu via no olhar de Oliver.
Ele não estava ali presente, sua mente estava distante desde a conversa com o detetive Lance e eu não podia culpá-lo. Lembrar o trágico acidente que marcou sua vida e ainda matou seu pai não devia ser algo fácil de se tirar da memória.
Por mais que minhas tentativas de distração tenham dado certo, Oliver estava diferente do de algumas horas atrás.
– Então você foi expulso de quatro faculdades?_ Eu dei ênfase à quantidade de faculdades que ele havia sido expulso por que era realmente inacreditável. Sinto ele dar de ombros e endireito meu corpo desencostando dele para olhá-lo nos olhos. Ele não parecia nem um pouco arrependido de ter esses feitos no seu currículo. Ele me puxa de volta colando minhas costas em seu peito novamente me cercando com seus braços, e ficamos sentados observando as crianças brincarem enquanto conversamos.
– Não eram curso que eu queria ter feito._ Ele tenta se explicar mas sua voz não me convence, viro minha cabeça para olhá-lo e ele faz uma careta.- Na verdade eu não queria ter feito nada naquela época._ Ele admite, mas dessa vez tem a decência e ficar constrangido.
– E como foram essas expulsões?_ Realmente alguém expulsou um Queen de algum lugar? Eles não eram a realeza da cidade? Seja lá o que live deveria ter feito para ser expulso teria que ter sido algo muito grave para causar uma expulsão. A expulsão dele.
– A primeira por comparecer à aula bêbado e seminu. Vou ter que perguntar ao Tommy, não me lembro muito bem, mas tenho quase certeza de que assediei a professora na frente de todos._ Eu o encaro boquiaberta não acreditando no que ele estava me contando.
– Pelado?_ Solto antes de pensar. Meu cérebro soltou a palavra que ele achou mais interessante, para minha vergonha.- Digo, assédio. Assediou a professora?_ Tento novamente, apesar estar sentindo tanto calor que minhas bochechas estavam formigando.
Oliver me encara sorrindo educadamente mas sei que quer rir da minha cara.
– Sim._ Ele diz carinhosamente compadecido com o nível do meu embaraço alisando minhas bochechas delatoras.- A segunda se eu não me engano foi por ter insultado o diretor no meio de uma palestra._ Aquilo não era motivo para uma expulsão. Uma suspensão talvez mas não uma expulsão.- Eu gritei aos quatro ventos que havia dormido com a filha dele na sala dele._ Devo ter dito alto de novo, por que Oliver completou sua aventura me deixando estarrecida de novo.
– Na sala da direção da faculdade?_ Eu não acho que consiga ficar mais constrangida. Ele havia transado na sala do diretor. Ele assente achando graça de mim novamente.- As outras duas também têm algo relacionado a sexo?_ Não consegui segurar minha curiosidade. Ele desvia o olhar do meu constrangido de novo, afirmando minhas suspeitas.
Me afasto completamente dele sentando de frente para ele tentando ver melhor sua reação.
Eu já havia conseguido deixar Oliver constrangido duas vezes. Acho que tinha um novo recorde.
– Se serve de desculpa para algo eu era jovem e inconsequente. Não pensava muito._ Ele tenta se justificar ainda evitando meus olhos.
– Oh, não você pensava. Só não era em estudar._ Eu digo ainda constrangida, mas era bom provocá-lo. Pelo menos daquela vez não era eu quem estava envergonhada. Meu comentário faz ele me encarar surpreso e ele sorriu malicioso.
– Como foram seus anos de faculdade Felicity?_ Ele perguntou interessado mas eu não poderia dizer a verdade. Não agora, isso não era um assunto para um domingo perfeito como esse.
– Fui a única garota de uma turma de sessenta e dois alunos. Foi interessante, mas não recomendo a ninguém._ Aquela realmente foi uma experiência única. Se não bastasse sessenta e um homens em uma sala com uma única mulher, eram sessenta e um nerds com uma mulher. Oliver me olhar impressionado.
– Você estudou anos com sessenta e um homens?_ Eu não sabia como interpretar seu assombro então apenas balancei os ombros indiferente.- Mas devia ter algum namorado._ Ele diz incomodado, e eu gostei de pensar que não era a única com problemas com relacionamentos anteriores.
– Sim._ Não queria falar sobre Cooper, mas ele parecia realmente interessado na história.- Na verdade foi meu namorado por anos, desde o colegial._ Eu olho para ele torcendo para que não perguntasse mais nada. Oliver parece pensar no que eu disse e balança a cabeça concordando com seus próprios pensamentos.
– Então você sempre foi um gênio?_ Ele muda de assunto fingindo um interesse pelo meu intelecto mas me sinto agradecida pelo seu gesto.
– Gênio? Não chega a tanto, mas sim. Sempre fui muito inteligente._ Admito orgulhosa de mim mesma. Não era segredo para ninguém que eu sou a melhor no que faço e sou mais inteligente que a maioria das pessoas, não tinha porque mentir. Oliver acha graça da minha falta de modéstia e ri.
Ele ia me dizer algo mas seu celular toca. Seja quem for devia ser importante pela cara que ele fez quando olhou o visor ele me pede um segundo levantando do banco e indo atender à alguns metros de mim. Ele parece nervoso pelo jeito desesperado que passava as mãos pelo cabelo e modo que falava.
Eu já havia reparado nisso. Quando Oliver ficou nervoso no clube com aqueles dois idiotas ele falava com o maxilar travado, como se isso controlasse sua raiva. E ele estava assim agora. Ele me olhou demoradamente antes de dizer algo para a outra pessoa na linha e desligou. O modo como ele parecia hesitante em volta para o banco me preocupou e me levantei para ir até ele, mas ele retornou ao banco antes.
– Está tudo bem?_ Perguntei quando ele parou em minha frente. Ele respirou fundo e me olhou comum sorriso educado, aquele que eu já sabia que tinha algo errado.
– Felicity, você se incomodaria se terminássemos nosso passeio? Apareceu um problema muito sério que preciso resolver com urgência._ Eu não me importava de ir embora, não muito pelo menos teríamos outras oportunidades de passear e ficar juntos como hoje, mas ele estar tão preocupado com seja lá o que for estava me deixando apreensiva.
– Não, claro que não. Mas está tudo bem? Posso ajudar de alguma forma?_ Ofereci minha ajuda sem nem mesmo saber do que se tratava. Vê-lo tão contido de repente estava me assustando.
– Não._ O olhar que Oliver me deu não poderia ter outro significado senão pânico. Ele definitivamente não me queria metida nos seus assuntos. Era lógico que ele não queria ninguém estranho nos seus assuntos particulares, mas isso me magoou. Ele estava me colocando de fora. Ele segurou minhas mãos carinhosamente, e pela primeira vez desejei que ele não tivesse feito.- É um problema que somente eu posso resolver. Mas obrigado mesmo assim._ E lá vem outro sorriso educado.
– Tudo bem. Podemos ir para casa agora._ Eu digo me desvencilhando do seu toque e caminhando de volta ao carro pelo mesmo caminho que havíamos tomado até ali.
– Felicity._ Eu o ouço chamar mas não paro de caminhar. Quanto mais cedo chegar ao carro mais cedo chegaria em casa. E mais rápido ainda Oliver poderia resolver seja lá qual for seu problema.- Felicity._ Oliver chamou novamente mas dessa vez segurando meu braço me obrigando a encará-lo.- O que houve?_ Ele perguntou mesmo parecendo já saber a resposta.
– Nada. Você tem um problema pra resolver, certo?_ Forço ao máximo minha voz para soar indiferente. Não queria que ele visse como estava magoada com ele.
– Você entendeu errado, eu não quis soar rude com você._ Eu vi verdade em seu olhar, mas mesmo assim não queria mais continuar ali com ele.
– Só me leva pra casa._ Pedi desviando meu olhar dele. Ele me segurou um pouco mais forte antes de me soltar e eu continuei meu trajeto sem olhar para trás para ver se ele estava me seguindo ou não.
O caminho de volta foi silencioso e incomodo. Todo o trajeto minha mente me dizia para não deixá-lo ir embora daquele jeito, com algo inacabado entre nós. Mas meu orgulho não queria me deixar falar com ele. Eu estava magoada pelo modo que ele havia me posto de lado, mas também estava com medo dele entender isso com um adeus.
Agora nós estávamos dentro do carro parado em frente minha casa e eu não sabia o que fazer.
– Então._ Eu não queria ser a primeira a falar, mas ele não parecia muito inclinado a falar.- Obrigada pelo passeio, e a excursão pela cidade._ Digo sinceramente, mas não estava certo. Tudo o que havíamos conquistado durante o dia parecia ter evaporado. Eu não conseguia nem olhar para ele.
– Foi um prazer, acredite._ Ele diz e sinto ele me encarar.
Balanço a cabeça sem um motivo certo, apenas por fazer, aperto mais meus dedos em minha bolsa e seguro a maçaneta da porta do carro indecisa do que fazer.
Eu realmente não queria ir embora assim.
– Oliver._ Eu o chamo e me viro sem saber o que dizer, mas precisava dizer algo. Se depois disso nada acontecesse, pelo menos saberia que havia tentado. Ele me encara cheio de expectativa mas não tinha o que dizer, minha imaginação não havia chegado nessa parte.
– Somos dois então._ Ele diz concordando com meu pensamento que claramente havia dito alto.
Ficamos nos encarando por um tempo indefinido até que me dei conta de algo.
Não importava o havia acontecido a pouco tempo, nosso quase desentendimento ou minha mágoa com ele naquele momento.
Eu poderia esquecer tudo, o notebook, seus talvez amigos mafiosos, seus compromissos que eu não devia saber, minhas suspeitas. Tudo. Eu esqueceria tudo, se ele prometesse não me machucar.
Essa compreensão sobre uma parte da bagunça que estava minha mente estava me deixando vulnerável, exposta. Eu precisava sair dali.
– Nos vemos amanhã?_ Pergunto disfarçando minha voz aflita com um sorriso e me arrependo logo em seguida quando ele me sorri de volta.
– Claro. Almoça comigo?_ Ele pergunta capturando minha mão que graças aos céus não estava tremendo. O desespero tomando conta de mim.
– Sim._ Concordo rapidamente querendo acabar com a conversa. Vejo Oliver se aproximar mais e congelo no lugar.
Eu nunca pensei que um dia fosse desejar que ele não me beijasse, mas naquele momento aquilo me atiraria em um precipício de emoções que eu não estava preparada. Mas assim que ele encostou seus lábios nos meus, eu não tinha mais escolha.
Oliver segurou minha cabeça no lugar com a mão livre, e entrelaçou os dedos das nossas mãos juntas. Eu não tinha mais defesas contra isso, nunca mais teria.
Ele pede passagem com sua língua e deu cedo sem hesitação.
Era impressionante como a compressão dos seus sentimentos mudava tudo. Não éramos mais dois corpos unidos pelo desejo de ter o que era oferecido naquele momento, haviam sentimentos em jogo. Meu coração estava em um possível ataque cardíaco. Meus pulmões não respondiam mais a minha vontade e meu cérebro tão brilhante, estava derretendo. Dando seu lugar lógico e racional ao inconstante e turbulento coração. Tudo havia mudado para mim.
Eu respondo as investidas da sua língua tentando dizer sem palavras minha confusão, meu desespero.
Sinto seus dedos apertando suavemente meus cabelos em minha nuca, ele começa a se afastar mas eu o prendo com minhas mãos. Ainda não estava preparada para soltá-lo. Ele cede e faz minha vontade, nosso beijo se intensificando mais. Mas se separa de repente me abraçando forte em seguida e eu o aperto em meus braços.
– Eu sei que prometi esperar o seu tempo, mas se continuarmos nos beijando assim vou ter que quebrar minha promessa._ Ele admite com sua voz abafada, sua respiração ofegante exatamente como a minha. Eu o aperto mais forte brevemente antes de soltá-lo.
– Até amanhã Oliver._ Eu me despeço não respondendo ao seu comentário de propósito. Ele me olha atentamente e vejo que ele percebe que algo mudou.
Ele junta minhas duas mãos e as levanta beijando cada palma antes de me olhar.
Pelo visto teria que me acostumar com meu coração disparando sempre que ele me olhasse.
– Até amanhã Felicity._ Eu ainda o olho mais uma vez antes de sair para o sol da tarde.
Não olhei para trás para ver se ele ainda estava lá, apenas corri até minha porta sem me importar com o que ele pensaria e entrei a batendo com mais força que o normal.
Senti minhas pernas trêmulas e meu coração batendo ainda mais descompassado, sem forças deixei meu corpo escorregar pela porta até o chão.
– Eu estou me apaixonando._ Eu digo pela primeira e sinto meu corpo convulsionar.- Eu estou me apaixonando pelo Oliver._ O meu Deus, como eu deixei isso acontecer tão depressa?
O que eu deveria fazer?
Me afastar dele não era uma opção, não conseguiria. Deveria dizer a verdade e enfrentar a situação de frente, ou esperar que um milagre acontecesse e ele também estivesse se apaixonando por mim?
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