Pure Love
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Capítulo 23 Oliver POV
Parte 1
Assim que sai da casa de Felicity e entrei na limosine, o modo Arqueiro como eu gosto de chamar foi ativado. Tudo o que havia passado nessa noite ficava para outra hora , enquanto eu fazia meu trabalho, era assim que eu conseguia separar as coisas e não ficar louco. Olho para John pelo espelho e John já sabia o que fazer.
– Tem certeza certeza que ela?_ Pergunto ansioso. John me olha impaciente pelo espelho, não gostando da minha dúvida. Está bem, era ela.
– Eles a encontraram a duzentos metros da Verdant. Seja quem for que quer destruir a cidade, parece que os playboys cheios de grana são o alvo principal._ John diz sem maldade nas palavras. Eu o conhecia e sabia que sua implicância com os jovens ricos da cidade vinham de um caminho bem tortuoso trilhado por mim. Eu não podia culpá-lo.
Agora essa bomba tão perto de onde nos estávamos. Felicity, Roy, Tommy e Laurel. John e os amigos de Felicity.
'Thea'. Penso na minha irmã, minha Speedy. Ela poderia ter se machucado feio hoje a noite se eles não tivessem descoberto a bomba e a tirado de lá. Ou pior. Calafrios correm por todo meu corpo ao pensar na minha irmã morta. E sinto raiva de quem quer que tenha fabricado aquele bomba.
O local onde a bomba estava era fora da cidade próximo a um pequeno lago abandonado, que há muitos anos atrás era utilizado como cemitério de carros roubados, era assim que a polícia chamava. Uns trezentos e cinquenta metros mais a frente havia um pequeno galpão onde os ladrões usavam para desmontar os carros, e agora estava vazio.
Ou estava, até duas horas atrás.
Por mais que os agentes da A.R.G.U.S fossem bem treinados eles não podiam usar o mato desse lugar contra mim, não de mim que passei tanto tempo em uma ilha. E pelo que notava haviam vários deles ali.
A própria Amanda Waller estava lá, nos esperando não tão pacientemente dentro do galpão. John esquadrinhou o ambiente rapidamente e só relaxou quando viu que Lyla não estava ali.
– Senhor Queen. Diggle._ Amanda fez os reconhecimentos mais pelo protocolo do que por educação.
– Waller._ John e eu dissemos juntos.
– Parece que alguém está querendo matá-lo senhor Queen, por que isso não me surpreende?_ Sua pergunta era retórica então não me dou ao trabalho de respondê-lá. Ao invés disso me concentro em algo que parece um banco de um carro a primeira vista, mas assim que contornei ele vi luzes piscando por toda a parte traseira do banco, conectados por fios coloridos. Dezenas de luzinhas conectadas umas às outras por centenas de fios. Isso parecia ser complicado demais. Eu mesmo não fazia idéia de como desarmar aquilo.
– Conseguiram desativá-la?_ Pergunto ao homem que estava ao meu lado, apesar da máscara de visão noturna e o capacete de batalha eu sabia que ele estava prestando atenção em mim. Ele apenas maneou a cabeça negando.
E todo meu alívio por finalmente termos encontrado a bomba se evaporou. Não adiantava de nada termos a bomba e o dispositivo remoto e não sabermos desativar a bomba.
– E como pensam em fazer isso?_ Pergunto diretamente a Waller.
– Já chamamos nossos engenheiros tecnológicos e até alguns fabricantes ilegais de bombas e nenhum deles souberam o que fazer. Parece que nosso homem é mais inteligente do que imaginávamos._ Ela está tão desconfortável com o fracasso dos seus homens, como eu estava comigo mesmo por não conseguir resolver logo isso.
Uma pessoa que eu sabia que talvez pudesse ajudar me vem a mente, mas a descarto no mesmo instante. Não colocaria ela nisso. Nisso não.
Por hora teríamos que continuar procurando alguém tão inteligente quanto o miserável que fez essa bomba.
– Quando encontrarem alguém me avisem._ Olho para ela de uma maneira que ela entende que eu não queria ser deixado de fora. Ela assente de má vontade mas não questiona.
– Por enquanto vamos manter a bomba e o seu detonador separados um do outro. Não entendemos como eles funcionam e não quero perder homens na sua missão._ Ela estava dizendo que ficaria com a bomba em seu poder, e devido às circunstâncias era o melhor. Eu prefiro que a bomba explora com ela do que na Cave com Roy, John e Thea lá.
Despedidas com Amanda sempre foram coisas que eram dispensáveis então eu simplesmente dei as costas para ela e voltei para o carro com John em meu encalço.
– Vamos para casa._ Pedi cansado demais para voltar a Verdant. John não discutiu, apenas ligou o carro e saímos dali.
O caminho todo eu sentia seus olhares questionadores pelo espelho, mas eu estava ocupado demais pensando em como não trazer Felicity para isso. Eu não devia estar pensando nela.
Estava com um problema enorme nas mãos, Waller não soube dizer como desarmar a bomba e nós não tínhamos idéia do quanto da cidade ela afetaria caso explodisse. Poderia ser um prédio ou uma casa, o que já era ruim o suficiente. Mas também poderia ser metade da cidade, ou ela toda. Por mais que eu quisesse ser otimista uma vez na vida, aquilo parecia complicado demais para uma bomba de pequenas proporções.
E agora eu estava com medo de Waller fazer suas pesquisas e descobrir o gênio loiro que trabalhava para mim.
Claro que eu não permitiria que ela trouxesse Felicity para isso. Nunca. Não com a A.R.G.U.S.
– O estofado não tem culpa._ A voz de John me surpreende e percebo que estava rasgando o estofado do carro com a força que estava usando para puxá-la mesmo que inconscientemente. Passei todo o caminho perdido em meus pensamentos e nem notei que já havíamos chegado em casa.- Eles não vão chegar a ela Oliver._ Olho para John que estava inclinado para trás me observando, surpreso por ele decifrar meus pensamentos.
– É a Waller, John. Ela vai chegar até ela._ Eu tinha certeza disso, era só uma questão de tempo.- E então o problema será comigo._ Ele me olha pensativo, e vejo uma idéia.
– E se nós não dermos tempo para ela fazer isso?_ John sugere meio receoso, e sei que não vou gostar dessa sugestão. Continuo olhando-o esperando.- É só uma idéia, mas e se o Arqueiro pedir a ajuda da Felicity?_ Era oficial, John havia enlouquecido.
– Isso não é hora de brincadeiras John._ Digo respirando fundo, descartando sua idéia absurda.
– Pense bem Oliver. Eu não acho que Waller vá se importar se Felicity vai aceitar trabalhar para ela ou não. E cedo ou tarde você terá que contar a verdade para Felicity se quiser continuar com ela._ John sabia como me pressionar eu não podia negar.
Ainda estava contrariado demais quando entrei em casa, e por sorte todos já estavam dormindo.
Me refugiei em meu quarto não querendo pensar, nem sequer cogitar a idéia de John ainda.
Tomei um banho rápido que de relaxante não teve nada e deitei na cama esperando o sono chegar. Mas minha mente não parava de pensar sobre aquilo.
Era muito cedo para falar sobre minha segunda vida com Felicity. Ela não confiava em mim como Oliver Queen, certamente correria de mim como Arqueiro. E ainda por cima era perigoso e de maneira alguma deixaria ela chegar perto daquela bomba.
Mas eu estava sem opções certo?
Waller e Felicity juntas não era uma cena que eu quisesse ver nunca, mas o Arqueiro e Felicity tão pouco. Os dois seriam perigosos para ela de tantas formas, mas entre Waller e o Arqueiro, eu prefiro o Arqueiro.
– Sinto muito por isso, Felicity._ Murmuro me sentindo o pior dos seres humanos por estar indo fazer aquilo.- Mas amanhã você vai conhecer o Arqueiro._ Completo desolado, vencido pelas circunstâncias.
– Oliver Queen, você tem dois minutos para acordar._ A voz de Thea soou distante enquanto minha mente voltava de um sonho confuso com Felicity, bomba, Waller e Arqueiro. Aquilo estava ruim o suficiente sem ter que ficar sonhando com isso.- Oliver!_ A ouço bufar de raiva mais não estou com vontade de levantar. Ela grunhi como fazia quando ainda era pequena e já sei o que ela vai fazer. Ela sobe nas minhas costas e se senta lá.- Se você não parar de fingir que está dormindo, eu vou fala para mamãe sobre Felicity._ Ela ameaça e eu abro os olhos mas os fecho logo em seguida com a claridade. Ela ri e senta-se ao meu lado na cama esperando.
Com muito esforço me viro de barriga pra cima e a encaro.
– Me de um bom motivo para não te desmaiar agora?_ Pergunto mau humorado.
– Bom dia irmãozinho?_ Ela testa com aquele mesmo sorriso de quando eu a pegava mexendo nas minhas coisas ou quando ela fazia alguma besteira e eu assumia a culpa por ela por que ela me pedia com aquele mesmo sorriso.
Mas dessa vez não iria colar.
Me joguei sobre ela a assustando, ela gritou mas eu não estava nem aí, e comecei meu ataque de cócegas. Não importa o nosso tamanho ou idade, cócegas sempre seria o ponto fraco de Thea.
Ela ria, gritava, me xingava, se debatia mas nada disso me parava.
– Oliver ela precisa respirar!_ Escuto a voz de minha mãe e paro imediatamente, me endireitando na cama e fingindo que nada estava acontecendo. Thea faz o mesmo, mas está vermelha e sem ar, e sua cabeça parece um ninho de pássaros.
Moira Queen está lá. Parada na porta do quarto, nos olhando como fazia a anos atrás, quando nos encontrava nessa mesma situação, e o mais curioso é que era sempre pelo mesmo motivo. Sempre fui uma pessoa noturna, as manhãs eram um martírio para mim.
– Bom dia mãe._ Ela me olha se divertindo com o estado de Thea.
– Ele não queria acordar._ Thea disse para minha mãe antes de se levantar me jogando um travesseiro que nem me preocupei em desviar. E foi para o banheiro se arrumar novamente.
– Pelo que vejo você está com o humor melhor._ Minha mãe comentou se referindo à ontem. Mal sabia ela que provavelmente ele iria piorar e muito hoje.
– Nada como uma festa._ Uso a única desculpa que sei que ela vai acreditar. Seu muda para olhar decepção, mas ela disfarça com um sorriso. Aquele sorriso de meu filho é perfeito.
– Preciso de vocês dois em casa essa noite._ Ela comunica sem deixar espaço para discussões.
– Está bem._ Digo sem muita certeza tudo dependeria do rumo que as coisas tomariam com Felicity e a bomba.
– Você nunca aprende. _ Thea zomba de mim voltando do banheiro parecendo uma nova pessoa, e volta a se sentar ao meu lado.- Não prometo nada._ Ela é mais esperta e não se responsabiliza. Como não havia pensado nisso antes?
– Thea, hoje teremos convidados para o jantar e eu gostaria que meus dois filhos estivessem presentes._ Minha mãe ralha para Thea já que aparentemente eu estarei nesse jantar. Minha irmã me olha feio por eu ter confirmado presença antes dela dizer que não iria vir. Dou de ombros despreocupado com seu problema e me levanto para ir ao banheiro.
Demoro o máximo possível no banheiro e quando saio esperando que elas já tenham saído, Speedy ainda está sentada no mesmo lugar me esperando.
– Só pra você saber, ela vai chamar a filha dos Stevens._ Ela tem a decência de não rir da minha cara.
– Morgana? Ou era Melanie? Eu tenho certeza que começa com M._ Eu tento de verdade me lembrar o nome da filha do casal mais enfadonho que minha mãe conhecia mas nada me vem a mente.
– Bethanny._ Thea me corrige e ri logo em seguida.- Você esqueceu o nome da garota que correu atrás de você por anos. Que feio Ollie._ Ela finge uma cara de decepção, e é minha vez de jogar um travesseiro nela.- Ok, parei._ Ela se rendeu antes que ficasse descabelada de novo.- Não foi disso que vim falar._ Eu sabia exatamente do que ela queria falar. E sabia também que não conseguiria fugir dela até que sua curiosidade estivesse saciada.
– Pergunta logo._ Me jogo de costas ao lado dela na cama e dou autorização para seu questionário, interminável se bem me lembro.
– Ok._ Ela se anima com a minha disposição para falar do assunto e sorri arteira.- Roy e John me contaram como tudo ocorreu, já que você pulou várias partes._ Nessa parte ela me olha descontente, mas logo se recupera.- Como foi ontem? E eu não quero saber o que vocês fizeram quando desapareceram, só quero saber se vai haver um segundo encontro._ Thea brinca com a situação mas sei que ela está verdadeiramente preocupa com a minha tão interessante vida não amorosa.
Penso um pouco antes de responder.
– Eu quero que hajam outros encontros, mas é complicado._ Suspiro frustrado. Por que as coisas tinham que se complicar desse jeito? Já seria complicado o bastante ter que conquistar a confiança de Felicity, esconder as coisas dela seria o mais difícil, esconder a vida que eu levo dela, o Arqueiro, e agora a A.R.G.U.S.
– Se você quer, não vejo como eles não poderiam acontecer._ Thea tenta me animar, mas ela não sabe das últimas ainda e quando conto ela parece tão desorientada quanto eu fiquei.- Isso é um problema._ Ela se refere a bomba e a Waller.
– Eu juro que não queria trazê-la para isso, mas não tenho outra opção._ Sinto a necessidade de me explicar para Thea, esperando que ela me entendesse e me dissesse que eu não estava sendo um tremendo desgraçado por trazer Felicity para nosso mundo.- Sou eu ou Waller e queria poder evitar que as duas se conhecessem. Não queria que ela conhece se o outro eu também, mas não tenho escolha._ Eu completo me sentindo tão impotente que minha vontade era de ir lá e explodir junto com aquela maldita bomba.
Thea me olha benevolente e levanta minha cabeça, me deitando em seu colo.
– Ollie, está tudo bem._ Olho para Thea me perguntando se ela tinha prestado alguma atenção no que eu havia dito.- Nós vamos dar um jeito nisso. Você não pode se culpar por trazer Felicity pro nosso lado de certo modo você está salvando ela da A.R.G.U.S, a culpa não é sua._ Ela finaliza fazendo carinho em minha testa. E eu me pergunto quando foi que ela havia crescido tanto.
– Obrigado._ Agradeço segurando sua mão contra meu rosto. Ela me olha maravilhada, e eu me sinto mal por ter sido tão negligente em relação ao nosso relacionamento de irmãos.
– Senti sua falta, Ollie._ Ela admite sem vergonha de demonstrar seus sentimentos. Me levanto de seu colo e a abraço como sempre fazia quando ela era pequena e chegava da escola toda afogada querendo me mostrar algo novo que tinha aprendido.
– Eu também,Speedy._ Beijo sua cabeça e ela se aferra mais a mim.
– Ela vai ficar bem Ollie, todos nós vamos._ Ela parecia segura disso.
– Porque nós cuidamos uns dos outros._ Ela levantou a cabeça do meu ombro para me encarar.- Você não está sozinho, sabe disso não sabe?_ Eu realmente te não merecia a irmã que tinha. Como ela conseguia me deixar me sentindo humano de novo? Como se os cinco anos não tivessem passado e eu não fosse um assassino.
– Eu sei. Você não facilitou, mas agora eu sei._ Ela sorri orgulhosa de si mesma.
– Pois é, a teimosia Queen. As vezes ela se volta contra você._ Ela debocha de mim, rindo e me dá um beijo estalado na bochecha antes de sair do quarto.
Só me resta a esperar que ela tivesse razão.
Talvez devesse começar a confiar mais no Team Arrow.
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