Pure Love
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Capítulo 17
Felicity POV
Dizer que eu não estava nervosa por entrar naquele salão de novo era mentira. Mais que isso. Eu estava apavorada.
Entrar no salão acompanhada de Oliver, que ainda não havia soltado minha mão, estava me deixando nervosa. Mais do que eu já estava enquanto estávamos conversando no corredor.
E agora isso. Graças aos céus eu estava me sentindo bem comigo mesma, pelo menos no quesito aparência porque meu estômago estava dando voltinhas sem parar desde que meu acompanhante chegou.
E ele não havia desmentido quando Tommy se referiu ao nosso encontro com um encontro. Mesmo não sendo um encontro, quer dizer, não no mesmo sentido de encontros.
'Isso não faz o menor sentido. Acho que vou parar de beber' . Penso me sentindo levemente tonta.
– Pronta?_ Oliver pergunta ao meu lado, ele estava esperando paciente até que eu voltasse da onde quer que eu tenha ido na minha mente. Eu apenas assinto, não tenho certeza se minha voz sairia. Ele não parece acreditar em mim, reviro os olhos com isso e então sorrio da maneira mais falsa que consigo e o encaro. Ele ri da minha cara e abre a porta sem cerimônia.
Não reparar que todos estavam olhando para nós seria impossível. Caitlin estava praticamente dando pulinhos na sua cadeira quando os viu. Barry estava entretido numa conversa com Helena e Ray que se sentou no mesmo lugar que Tommy estava antes, mas ela nos avistou e os dois também viraram para nós. E Cisco estava no bar e parecia muito confortável conversando com uma loira,mas também olhou. Até o barman olhou.
Acho que minha brilhante idéia de não beber mais acaba de ir para o ralo.
– Estão nos encarando._ Eu sussurro o óbvio sem olhar para ele.- Por que estão nos encarando?_ Olho para ele esperando uma resposta. Ele olha de volta pra mim e ri do meu nervosismo. Não é educado rir dos outros, ainda mais quando esse outro sou eu.
– Não estou rindo de você. Estou rindo da situação._ Ele explica e eu quero aquele buraco pra enfiar minha cabeça outra vez.
– Um dia eu consigo controlar o que eu digo._ Eu prometo a ele.- Você vai ver.
– Eu realmente espero que não._ Ele confessa e sorri daquele jeito que pifa meus neurônios.
– Você está destruindo tudo o que Tommy disse a seu respeito._ Eu provoco, tentando achar um jeito de deixá-lo desconfortável também.
– Talvez eu mesmo deva lhe contar sobre mim e não Tommy._ Ele insinua e solta minha mão pegando duas taças do garçom que estava passando me entregando uma.
– Eu não tenho resposta para isso._ Digo revoltada pela minha falta de palavras. Eu não tenho palavras? Haja paciência comigo mesma.
Oliver sorri do meu embaraço e passa o braço pela minha cintura novamente mas dessa vez ele nos conduz até a mesa onde meus amigos estavam.
Oliver se apresentou, como se ele precisasse de apresentações e nos sentamos com eles. Por incrível que pareça eu me senti bem de ter Oliver e meus amigos juntos, era uma sensação boa. E ele parece ter gostado de Barry. Ray não tanto. Tommy e Oliver pareciam ter algo contra Ray, e ele também não era tão amigável com Oliver. Depois de um bom tempo conversando, a irmã de Oliver se juntou a nós com um rapaz muito bonito que ela apresentou como seu namorado e vi Oliver suspirar disfarçadamente.
– Parece que alguém tem ciumes da irmã._ Provoquei ele que estava sentado ao meu lado, num tom que só ele ouviria.
Ele me olhou achando graça, mas quando ia me responder um par de braços se enroscou no pescoço dele.
Laurel Lance. Ela estava visivelmente alterada pela bebida. Oliver tentou se desenrolar dela mas ela parecia não querer soltá-lo nunca mais.
'Quem pode culpá-lá?'. Penso ironicamente.
– Ollie, eu acho que não estou me sentindo bem._ Ela disse claramente, mas sua voz estava fraca como se ela estivesse se esforçando para não perder o foco.
– Você é fraca para bebida, Laurel. Sempre foi._ Oliver diz quando consegue se soltar dela. Ele se levanta e coloca ela sentada no seu lugar. — Sinto muito por isso._ Ele se desculpa comigo, mas eu não posso culpá-lo por uma maluca e bêbada se jogar nele, posso?
– Está tudo bem._ Eu asseguro. E isso é como um gatilho para Laurel, ela se vira para mim e me olha fixamente. Não havia ódio ou raiva no seu olhar, ela só parecia afrontada.
– Você não devia estar aqui._ Laurel diz para mim, mas parece que não era pra sair alto pela cara que ela fez.- Desculpe, não quis ser mal educada._ Ela se desculpa, não por ter dito aquilo mas por eu ter ouvido.
– Laurel, eu vou chamar um táxi pra você._ Thea avisa, mas já está com o celular na mão.
– Não quero ir. Ainda não._ Ela se vira para Oliver, que a olhava sério.- Nós ainda não dançamos._ Essa me pegou de surpresa, olho para Caitlin pedindo para ela me ajudar, mas ela parece tão surpresa quanto eu.
Todos na mesa olham para nós três esperando o desfecho da história. Esperavam que eu me levantasse e fosse embora? Ou colocassem Laurel no seu lugar? A verdade era que eu não podia fazer nada, uma vez que Oliver e eu não temos nada. Se ele quisessem ir pra pista de dança com ela, o que eu estou rezando pra que não aconteça, eu não poderia dizer nada.
Subitamente começo a me sentir mal por toda a atenção que eles estão prestando em nós.
– Eu vou..._ Começo a dizer aonde iria me levantando, mas minha mente entra em branco e esqueço.- Eu preciso ir._ Digo apressada, e tropeço na mesa enquanto me afasto, ignorando Oliver e Caitlin que me chamam.
Não faço a menor idéia aonde a porta que apareceu na minha frente iria dar mas é nela que entro.
Banheiro. Ótimo. E parecia ser o feminino. E estava vazio, perfeito.
Apoio minhas mãos na enorme pia, de mármore preto e branco e respiro fundo fechando os olhos tentando ficar calma.
– Não tenho o direito de ficar brava com ele._ Tento me convencer de que Oliver não tem culpa de nada. Mas a verdade é que eu estava brava com ele, e com o descaramento de Laurel. Nós não temos nada, mas eu estava aqui com ele, ela devia ao menos me respeitar.
Escuto a música alta quando a porta se abriu e abro meus olhos, me deparando com aqueles olhos azuis me encarando pelo espelho. Eu tento, tento muito mesmo não fugir dele, mas minha cabeça está uma bagunça e a bebida não estava ajudando.
– Esse é o banheiro feminino._ Digo desviando meus olhos dos dele e começo a mexer pela praia procurando algo que ocupe minha atenção. Encontro sabonete líquido e começo a lavar as minhas mãos.
Escuto Oliver mexer em algo metálico resmungando e depois suspirar, mas não me viro nem espio pelo espelho, estava concentrada lavando cada canto, cada dobra da minha mão. Ele começa a se mover atrás de mim mas também ignoro. Tiro o sabão das mãos pensando se deveria começar de novo, e de novo. Até ele sair do banheiro.
Ainda estava pensando no que fazer, quando vejo a mão dele entrar no meu campo de visão, fechando a torneira.
– Acho que elas já estão limpas o suficiente._ Ouço a voz dele perto do meu ouvido e um arrepio sobre pelas minha costas me fazendo tremer.
– Você não deveria estar aqui._ Ignoro meu corpo e tento ser firme com ele, mas minha voz sai trêmula.
– Nem você._ Ele devolve. Sinto ele me encarando pelo espelho mas não posso olhá-lo, aquela era a última barreira do meu auto controle.
– Pelo que eu saiba aqui é o banheiro feminino,senhor Queen._ Contesto formal, sabendo que iria irritá-lo.
– Felicity._ Seu tom é claramente uma advertência, mas eu também não estou no humor para ser tratada com uma funcionária. Na empresa tudo bem, aqui não.
– Está tudo bem Oliver._ Não consigo segurar meu tom de voz que subiu um pouco. Respiro fundo me acalmando, ou tentando pelo menos.- Pode voltar pra festa, eu já estou indo._ Digo tentando aparentar indiferença. Porém ele não se move, ou até se moveu mas para mais perto de mim, se colando ao meu corpo. Surpresa pelo contato, eu finalmente o encaro pelo espelho, me arrependo no segundo seguinte.
Ainda me encarando pelo espelho, Oliver retira meu cabelo do meu ombro, expondo todo meu pescoço e apóia o queixo no meu ombro. Sua barba por fazer nunca foi tão sexy quanto naquele momento.
Olho para ele, ainda surpresa pela proximidade e intimidade daquele gesto e ele me sorri travesso.
– Você é uma péssima mentirosa, senhorita Smoak._ E ele finaliza com um beijo no meu pescoço. Bem abaixo da orelha.
E eu sinto. Minha última barreira ruir, estrondosamente na minha cabeça. E faço a única coisa que consigo pensar.
Lentamente me viro entre a pia e o corpo de Oliver e o encaro. Isso é o mais próximo que já estivemos um do outro. Sinto minhas mãos formigarem, e meu estômago parece ter sumido deixando um enorme espaço oco, onde as famosas borboletas estavam voando livremente. E isso me preocupa por um instante. As borboletas nunca são boa coisa. Da última vez que elas voaram aqui eu me dei mal, muito mal.
Mas antes que consiga pensar em algo sólido que me faça desistir de beijar ele, as mãos de Oliver pousam em meus quadris, e levemente começam a subir chegando em minha cintura e parando ali. Ele aproxima o rosto do meu, mas pára antes de me beijar.
– Ainda da tempo de desistir._ Ele sussurra bem próximo aos meus lábios. Como ele espera que eu desista dele, com ele assim tão perto? Seus lábios formam um sorriso cheio de malícia e sei que falei alto de novo.
– Não, não dá._ Eu desisto de todo meu controle e junto meus lábios aos dele.
Fale com o autor