Pumpkin Jack
20 Capítulo 20: Morte
Notas iniciais
Os três esfregaram os olhos, irritados pelo forte flash da câmera de Porta. Jack sentia saudades do submundo enquanto estava no mundo humano. Quando olhou para os lados, bateu um sentimento de repulsa. Preferia o mundo humano. O submundo não tinha cores...
Tudo aquilo era novidade para Anna. Ela se sentia por dentro do corpo de uma pessoa. As paredes pareciam paredes de um estômago. Ela se sentiu meio enjoada, no começo, mas depois se acostumou.
Chris... Bom, Chris retirou sua máscara e forçou um sorriso aconchegantemente apavorante e deixou escapar uma lágrima de insatisfação. Ela preferia o mundo humano também. No submundo não havia aquelas borboletas bonitas e suculentas. Só as mariposas sem graça e amargas.
O Doutor os chamou pelo comunicador, pedindo para que se apressassem. Ele queria fazer todo o tipo de experimentos com o novo coração de Chris o mais rápido possível.
– Bom – Disse Chris, se despedindo momentaneamente -, agora é a hora em que nos separamos. Sentirei saudades.
– Não fique triste – Disse Anna, consolativa — Em breve você volta ao normal. Ahm... Ao seu normal..?
Jack riu. Ainda não havia tirado a máscara. O Doutor tinha configurado a máscara para que passasse a impressão que Jack era um homem extremamente bonito. Ele queria ver o ciúme de Chris. E ele conseguiu.
Anna olhou para Jack, piscou e disse:
– Eu e Jack vamos dar uma voltinha, para ele me mostrar o lugar. Até mais tarde.
Os dois saíram felizes, agindo como um casal. Jack a levou para a Ágora local (o que seria uma praça para nós), mas era sua primeira vez lá também. Para falar a verdade, Até esse ponto, o único lugar que Jack conhecia além da Casa do Doutor era o Wall-Morte.
Os dois sentaram num tipo de protuberância do chão que se assemelhava a um banco e ficaram olhando para os seres que passavam. Todos que por lá passavam e viam aquele casal em sua situação feliz, lançavam um olhar de desaprovação.
Um trio de Aracnófagos jovens e problemáticos passou correndo. Um deles chutou a cabeça de Jack com uma de suas muitas patas e saiu gargalhando. A cabeça rolou e só parou quando bateu no pé de uma figura encapuzada, segurando uma enorme machete. O estranho ser encapuzado pegou a abóbora do chão e a jogou de volta para o corpo de Jack. Com uma voz muito desafinada e rouca, como a de uma pessoa prestes a morrer, o “Capuz” falou:
– Pois é... Eu estava à sua procura.
– Quem é você e o que você quer comigo? – Disse Jack, fingindo coragem.
– Não é com você – Retrucou a voz — Eu falei com ela!
Um dedo esquelético e ondulante apontou para Anna, que pulou para trás, assustada.
– E-eu?! – Disse ela, com medo.
– Sim, eu vim lhe buscar. Eu estava te procurando, mas não tenho permissão para ir ao mundo dos vivos. Só agora que você voltou, eu pude contatá-la. Me chamo Morte.
– Mas... Mas... – Balbuciou Anna, confusa.
– Você não pode levá-la! – Gritou Jack – Não pode!
– Sim, eu não posso. Eu devo!
Jack se pôs na frente de Anna, protegendo-a. Morte estendeu sua machete na direção de Jack, ameaçando “rematá-lo”. Anna olhou bem no fundo dos olhos de Jack e disse:
– Não, Jack. Ela está certa. Já é a minha hora... – Chorou.
Jack levou uma de suas mãos ao rosto de Anna e a abraçou. Seus buracos oculares e auditivos vazavam suco de abóbora, enquanto ela chorava. Anna se aproximou de Morte e acenou para Jack.
– Sinto muito pela sua perda – Disse Morte, enquanto passou a machete gentilmente no pescoço de Anna.
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