Pumpkin Jack

2 Capítulo 2: Jacks


Jack via pessoas. Não eram pessoas normais. Ao se aproximar, viu que estavam andando em grupo, rumo ao infinito. Tentou ver seus rostos, mas emanavam um brilho um tanto quanto hostil para os olhos. Percebeu, também, que pareciam hipnotizados, pois não o haviam notado. Além do fato de serem excepcionalmente altos. Mas parecia que diminuíam a cada segundo. O chão também se afastava gradativamente. Jack estava crescendo. Já era tarde, estava tornando-se um deles.

À medida que crescia, os gemidos desses seres estranhos ficavam mais audíveis. Passaram de AAAAARGHs distorcidos e desconfortavelmente altos para Arghs calmos e comuns, como suspiros de desgosto. O brilho, que antes era hostil, também tivera seu efeito amenizado. Já era tarde. Alto, esbelto, com braços e pernas ridiculamente alongados e finos.

Por ser o ultimo da fila, Jack podia ver apenas nucas, todas alaranjadas. Aparentemente, sua transformação, além de criar um monstro, também lhe deu coragem, pois arriscou cutucar um ombro e perguntar:

O que está acon... foi cortado. A criatura que interrompeu fez um longo e arrogante Shhhhhhhhhhhhhh!!!, estapeou a mão de Jack e voltou a se concentrar na marcha infinita.

Numa outra tentativa, cutucou um ser ao seu lado, que virou, revelando uma luz relativamente fraca em forma de olhos e boca. O resto, laranja. Uma abóbora no lugar da cabeça. Assim como Jack. Assim como todos os outros. Abóboras.

Jack parou, avaliou a situação e então falou:

–Desculpa, o que estamos fazendo aqui?

–Argh! gemeu a abóbora.

–Mas o quer isso quer dizer?

–Apenas Argh, eu acho...

–Inútil gemeu baixinho.

–O que disse?! perguntou o segundo, ofendido.

–Nada não... Mas quem é você e como chegou aqui?

O trambolho começou a contar. Era um beberrão. Num Halloween, foi abordado pelo Demônio. Enganou-o e escapou. Duas vezes. Quando morreu, um ano depois, foi condenado a vagar, com uma abóbora e uma vela. Acabou assim, com o fruto na cabeça.

–S-sei como é... Passei pela mesma coisa disse Jack, confuso.

Subitamente, o aboborável meteu a mão no bolso e retirou uma pedra chata, esculpida em forma de lápide, com os dizeres: Aqui jaz Jack Johnasson (1972 1999). Jack Irish quase derrubou sua cabeça. Johnasson disse que acordou naquele lugar estranho e a pedra já estava em seu bolso. Irish procurou no bolso e retirou o canivete. Ufa, pensou. Procurou no outro bolso. Droga!, pensou alto. Na pedra, estava: Aqui jaz Jack Irish (1985 2012). Sim, os dois morreram com 27 anos... Parece até maldição. Conversaram mais um pouco, com constantes Shhhhh!!! do treco ao lado. Suspeita-se que também se chame Jack...