Pumpkin Jack
4 Capítulo 4: Christina
Quando acordou, estava numa cama. Aquilo parecia uma cama. Feita da madeira de árvores negras da Floresta Viva e colchão de ectoplasma de Polterghaist, tinha o formato de uma cama. Mas era tão desconfortável quanto o chão das Montanhas de Pedregulho Flamejante. A casa onde estava era pequena, simples. As paredes visivelmente desgastadas e esburacadas, com um único cômodo, com uma lâmpada no meio do teto.
– Foi apenas um sonho... – Disse ele para si mesmo e sentou-se na “cama”.
Do outro lado da casa, havia uma mulher. Pelo menos parecia uma mulher... Sua pele cheia de cicatrizes, falhas, mudanças drásticas e repentinas de cor. Ela deu um sorriso com sua boca costurada. Um sorriso não tão acolhedor, mas grotesco. As linhas de costura em sua boca estavam velhas e sujas. Jack estava ocupado demais prestando atenção na menina, então nem deu muita importância para a centopeia gigante que repousava sobre o ombro dela. Uma voz grossa e rouca se propagou:
– Sente-se melhor? – Disse a centopeia.
Jack não conseguia decidir se respondia ou ficava com medo, gritando igual uma garotinha. Prometeu a si mesmo que, com tudo o que já tinha visto, não se espantaria mais com nada. Uma Promessa que, depois, ele descobriu ser muito difícil de cumprir.
– Então – começou Jack, nervoso – não foi mesmo um sonho... Bem, minha dor de cabeça passou.
A centopeia monstruosa desceu do ombro da menina e foi para uma tigela de metal presa a parede, por meio de fios de cobre. A menina puxou uma alavanca e luzes se espalharam pela casa que, agora, parecia ter quatro vezes o tamanho inicial. Onde havia uma geladeira, surgiu um senhor cabeçudo, com uma tigela de metal na cabeça.
– Realmente pensou que eu fosse um inseto? – Disse o senhor, com a mesma voz da centopeia – Quer dizer, naquele momento eu era, mas... Apenas troquei nossos cérebros.
Espantado? Não. Talvez estivesse enjoado, mas decididamente não estava espantado. Jack ficou lá, com a mão na barriga, enquanto o velho cortava as linhas da boca da menina. Ela era jovem e bonita, apesar de tudo. Ela projetou uma voz fina e rouca, com se não falasse há anos:
– Olá, Meu nome é Christina, Christina Frankenstein!
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