Pumpkin Jack
27 Capítulo 27: Cemitério
Notas iniciais
Chris, More e Jack seguiram para a área onde ficava o cemitério em Halloween Town. Em Halloween Downtown, as coisas eram um pouco diferentes. O cemitério parecia comum, à primeira vista. Mas ainda assim, um cemitério precisa de corpos, normalmente cadáveres, e um lugar para que fiquem, sem ser expostos. Havia um suposto coveiro, mas ele era apenas o porteiro do condomínio. Sim, o cemitério era apenas um condomínio. Os mausoléus e túmulos eram casas.
O homem que ocupava a posição do coveiro perguntou se eles tinham permissão para entrar, mas quando morte pôs sua mão esquelética no capuz e o retirou de cima do crânio, revelou um rosto lindo, de uma mulher, jovem e muito bonita. Jack ficou admirado. Chris olhou para Jack e se virou, cruzando os braços e fechou a cara.
O homem mostrou claramente que foi afetado pela aparência de Morte, mas ainda assim, hesitando, respondeu:
– Ahm... Vocês... Vocês têm permissão para entrar? – Sem tirar os olhos do rosto de Morte, nem por um momento.
Morte percebeu que teria de reagir a isso. Seu rosto, lindo e atraente, começou a derreter. Toda a pele escorria em torno de sua estrutura muscular. Os músculos estavam aparentes, mas o homem parecia não se importar, o que fazia sentido, visto que ele era um cadáver em decomposição.
Era possível ver os movimentos de cada músculo na região do rosto de Morte, mas o porteiro simplesmente se manteve estável. Jack e Chris, por outro lado, se sentiram enjoados. Ouviu-se um som espesso, como um splash, algo líquido que tenha sido jogado no chão, com força. Vômito. Chris.
Os movimentos dos músculos ficavam cada vez mais rápidos e intensos, até o ponto em que todos simplesmente travaram. Pararam na posição que estavam. Isso se estendeu por uns dez segundos, quando os músculos enrijeceram e, um por um, começaram a descolar dos ossos.
Morte era só ossos. Voltou a seu estado inicial. Mas havia algo diferente. O crânio de Morte era um crânio normal, mas, nessa situação, havia algo que parecia repousar dentro de sua caixa cranial. Uma espécie de essência sombria.
O porteiro arregalou o olho. O outro, pendurado, apenas continuou se balançando com o vento. Ele abriu a boca, na tentativa de gritar. Morte não o deixava fazê-lo. Jack não tinha ideia que um ser do limbo pudesse sentir medo assim.
A boca do porteiro se abriu mais do que ele achava que podia abrir. Uma névoa roxa saiu de dentro de sua boca. A mesma névoa roxa saiu por entre todos os orifícios do ser que, agora, agonizava na cadeira onde estava sentado. Orelhas, Nariz, O buraco do olho esquerdo, Entre o olho direito e as pálpebras, poros, tudo.
A névoa roxa se dirigiu para a boca de Morte. Morte secretou uma névoa igualmente sombria, mas negra, que contaminou completamente a névoa roxa que ia em direção a negra. A névoa roxa, agora escurecida, retornou para o interior do porteiro. A criatura parecia distante. Parecia morta, de novo.
Chris e Jack se entreolharam, assustados. Morte olhou para trás, ainda com a boca aberta. Jack se virou, com medo. Chris não se mexia. Morte se desculpou. Ela não queria que seus novos amigos a vissem nesse estado, mas teria que fazê-lo, pela irmã.
Lentamente, o crânio de Morte foi voltando ao normal. O capuz cobria sua estrutura novamente. Em alguns minutos, o capuz tornou a abaixar. Morte estava com o rosto que estava antes de derreter. Preferiu se manter assim.
Depois de passarem pelo portão do cemitério, uma coisa chamou a atenção dos três: Havia uma folha de papel presa a uma estaca em cima de um mausoléu, exatamente no meio do cemitério. Os mausoléus estavam em maior número, em relação aos túmulos, então era mais complicado de se locomover pelo terreno.
Os três se aproximaram do mausoléu central e Jack escalou a parede para pegar a ‘bandeira’. Estava escrito:
“A próxima pista está situada no portão de entrada. Não um portão qualquer, mas o Grande Portão. O Portão para esse mundo.”
Jack e Morte olharam para Chris, esperando que ela entendesse dessa vez. Ela fez que sim com a cabeça e foi na frente.
– Ah, você entendeu dessa vez? – Jack indagou.
Morte sorriu. Chris olhou com desdém. Apontou para o prédio de onde vieram. Jack pôs uma mão sobre sua cabeça e disse “Muito bem”, com um sorriso na abóbora. Chris fechou a cara novamente. Jack tentou acalmá-la, sem sucesso. Morte continuava sorrindo.
– Vamos então? – Morte os chamou.
– É claro – Disse Jack, desajeitado.
– Humpf – Chris...
Os três seguiram para o prédio onde Jack, Chris e Anna encontraram Porta pela primeira vez.
Sempre que Jack ia para lá, lembrava de Anna. Ele havia se apegado a ela. Ainda sentia saudades, mas tentava não demonstrar. Morte percebia o quão abalado ele estava pelo fato de ter perdido sua amiga. Ela também percebia o quanto Anna gostava de Jack. É como se tivesse incorporado os sentimentos da menina.
Jack e Chris pararam no meio do caminho e Morte não entendeu o porquê. Ambos levaram uma mão ao ouvido e Morte entendeu na hora. Dr. F. havia chamado. Ele disse que tinha uma coisa para dar-lhes e que estava mandando por ‘correio’. Ele disse que não sabia o motivo, mas algo disse que eles precisariam disso.
Em meio à um redemoinho de folhas secas e galhos, uma pequena caixa surgiu, bem na frente de Jack. Ele abriu a caixa e não entendeu o motivo, mas não achou que valeria a pena questionar. “Não tenho mais nada a dizer”, ouviram pelo intercomunicador.
– Tchau para você também... – Jack disse, debochado.
Deu tempo de ouvir um “Humpf” do outro lado da linha.
Chris e Morte perguntaram em conjunto “O que tem aí?”. Jack levantou um pedaço de madeira e disse:
– Um pé de cadeira com uma ponta afiada... — ele respondeu.
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