Pumpkin Jack

26 Capítulo 26: Caça ao Tesouro


Notas iniciais
Nossos queridos personagens tiveram a honra de conhecer Deus... Mas... Acho que não era bem o que eles esperavam... Enfim, Ainda falta achar Porta...

Jack foi materializado ao lado de fora do prédio onde estavam. Seguido por Chris e, por fim, Morte. Os três se entreolharam. Chris coçou o braço, como se estivesse doendo. Jack cruzou os braços e virou o rosto. Morte deu um sorriso desengonçado.

– É... – Morte se atreveu a falar – Parece que vocês realmente irritaram meu pa... – Se atrapalhou, quase revelando o segredo. – ...trão...

– Humpf – Chris murmurou – Com “vocês”, você quer dizer o Jack, não? Eu não fiz nada!

– Ahm... De qualquer modo – Jack pôs a mão no rosto –, não gostei desse cara... Ele é um pepino!

– Pepino!? – Chris riu, escondendo a boca com uma das mãos – Que tipo de xingamento é esse? – Não conseguiu se conter e riu alto.

– Sim, um pepino! Não sei o que pode significar, mas não estou com paciência para pensar nisso agora! Eu quis falar mal dele e foi a primeira coisa que veio a cabeça.

– Ei, olha como você fala dele! – Morte se manifestou – Mesmo sendo diferente do esperado, ele ainda é Deus, tá! Mas... A sua cabeça não dói quando você fala mal dele?

– Ah... É exatamente por causa dessa dor que eu não estou mais com paciência... Mas, chamando de pepino não dói... Enfim... Se ele é o Deus de que tanto falam, dá para saber por que o mundo está com tantos problemas...

Morte sorriu. Era um sorriso nervoso. Não nervoso de raiva, mas de constrangimento. Falar mal de seu pai assim, abertamente e na frente dela... Não a deixava feliz. Mas ela não podia reclamar. Eles não sabiam. E não poderiam saber.

– Bom – Morte tentou mudar de assunto –, vamos atrás de Porta?

– Achei que nunca ia pedir – Chris sorriu.

Jack acenou com a cabeça, chacoalhando o suco de abóbora e fazendo um som engraçado. Quando percebeu que o som vinha de dentro dele, parou, envergonhado. As duas fingiram não ter percebido, mas por dentro estavam rindo.

– Ei – Disse o doutor pelo intercomunicador. Chris pulou, assustada. Jack não se movei, já esperava que o Dr. Falasse algo, portanto estava preparado desde a última vez – Eu sei como ajudá-los a encontrar Porta.

– Doutor!! – Chris gritou, aflita.

– E como vai nos ajudar, velhote? – Jack falou, desdenhoso.

– Com isso! – O doutor puxou um pedaço de papel do bolso, mas depois lembrou que eles não podiam ver o que acontecia do outro lado da linha – Ahem... Um mapa! Tem uma seta, apontando para uma construção... Mas eu não sei ler essa coisa...

– Ah, é de grande ajuda... – Jack murmurou.

– Calado! – Dr. F. gritou. Depois continuou – Bom... Tem uma frase... Acho que ajuda a entender... Está atrás do mapa. Em pouco tempo estará com vocês.

– Ahm... Por que não pode ler? – Chris perguntou.

– Claro que posso. Mas não sei traduzir... É melhor que tenham isso em mãos, para facilitar.

Em menos de um segundo, um redemoinho se formou, a frente dos três. Em meio a galhos secos e folhas amareladas, uma folha de papel surgiu. Na opinião de Jack, essa era a melhor invenção do Dr. Ele chamava de “Correio Instantâneo”. Prático, fácil e rápido. Quer dizer... era apenas rápido... Visto que é preciso saber as coordenadas exatas do destino... Sorte que o doutor tinha acoplado rastreadores aos intercomunicadores. Morte ficou surpresa. Não era tão surpreendente para Jack e Chris, mas Morte nunca havia visto isso.

– Hum... – Disse Morte, enquanto examinava o pedaço de papel que acabara de chegar pelo “Correio”.

A carta estava em latim. Por sorte, Morte sabia latim. Leu em voz alta a frase que estava escrita no verso do mapa:

– “Hinc initium capit thesaurum venari. Tip est vitae primus loco necessaria est sed non dicimus”

– E o que isso significa? – Chris perguntou, impaciente.

– “Aqui começa a caça ao tesouro. A primeira pista está num lugar que os vivos necessitam, mas nós não.” – Morte respondeu – Mas... O que?!

– Hum... – O Dr. Pensou – Parece que estão brincando conosco... Mas, de qualquer modo, eu já olhei no meu banheiro e ela não está la...

– Você e suas gracinhas! – Jack falou, irritado.

– Bah, pare de resmungar. De qualquer modo, vocês têm que encontrá-la.

– Espera, Doutor... – Disse Jack, enquanto assimilava as informações, algo o perturbava – Como conseguiu esse mapa?!

– Ahm... Como explicar... Eu saí para fazer algumas compras e, quando voltei, esse mapa estava aqui... Na minha casa... — Jack achou suspeito, mas lembrou que tudo era suspeito naquele mundo de loucuras — Bom, de qualquer jeito, boa sorte.

Um brilho surgiu nos olhos de Chris. Seu cérebro sentia que uma caça ao tesouro era familiar, mas nunca o havia feito, com sua própria vontade. Era uma coisa nova a se experimentar. Morte olhou para o papel e depois para Chris. Por fim, fitou Jack. Se, por baixo do capuz dela, a pele estivesse presente, e em bom estado, daria para perceber que ela havia corado. Jack a fazia se sentir bem. Mas ninguém poderia saber disso... Morte balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos amorosos sobre Jack e depois disse, com convicção:

– Então vamos a caça ao tesouro!!!

– Esse é o espírito! – Chris disse, feliz.

– Ahm... – Jack murmurou – O que seria o Tesouro?

– Não tenho a mínima ideia – Disse o Dr. – Mas talvez seja a amiga de vocês que tanto procuram.

– Porta!!!! – Morte gritou, esperançosa.

– Acalme-se – Chris se manifestou – Não se exalte, isso pode ser ruim...

– Então – Jack voltou a falar -, para onde vamos? Alguma de vocês entendeu a pista?

– Não – as duas disseram, em coro.

Ambas se entreolharam e riram. Jack franziu a testa laranja.

– Não há motivo para ficar emburrado – Chris tentou consolá-lo, com um sorriso muito confortante, na verdade. Ela estava muito melhor do que antes.

– Não estou emburrado... – Ele retrucou – Essa é a minha “Cara de Pensar”!

Morte e Chris voltaram a gargalhar. Jack se sentiu constrangido... Ajeitou o rosto com as mãos e disse:

– Vou fazer umas mudanças... – Tirou do bolso, a máscara, que o Dr. Havia lhe dado – Ah... Bem melhor!

Chris olhou para ele, se sentindo um tanto quanto nostálgica. Jack sentiu saudades de Anna, mas não poderia fazer mais nada... Morte sentiu que os dois estavam lembrando do passado e disse, como se nada houvesse acontecido:

– Vamos!!! Eu tenho um palpite!!!

– Ah, o que será? – Chris perguntou, interessada.

– Eu acho que também sei onde é – Jack constatou.

– Ah... – Chris se sentiu meio lerda – E-eu também sei onde devemos ir!

– Então vamos! – Jack disse, enquanto se afastava de Chris e Morte se preparava para seguí-lo.

– Ahm... Eu sei para onde vamos – Disse Chris, tentando se fazer de esperta – Mas vocês podem dizer aonde vamos, para repassar o plano...

Morte riu. Jack olhou para trás, abriu a boca e pôs para fora o que seria sua língua de abóbora, sorrindo fraco. Os dois olharam no fundo dos olhos de Chris e disseram, em uníssono:

– Para o cemitério, oras!

Notas finais
Uma caça ao tesouro!!! Será que o Cemitério é a localização certa? Qual será a próxima dica?