Pulse e Escorra Ouro de seus Cortes
1 Ouro em Ebulição
Notas iniciais
Pensei em terminar o ano só com a One fofinha do amigo secreto, mas até parece que eu consigo né? Bora um Angst para deixar o final de Ano mais amargo?
É o que dá assistir desenho na véspera da virada com inspiração forte ruehreurhue Ai ai, só pelos deuses mesmo.
Bom, espero que curtam!!
Boa Leitura!
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O U R O E M E B U L I Ç Ã O
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Miguel conhecia pouco sobre os rituais dos deuses daquela cidade lendária. Tinha, em sua compreensão de trapaceiro, a capacidade de absorver e coletar informações para usar delas em momentos oportunos.
Atentou os ouvidos em conversas entre o Sumo Sacerdote e o Chefe da Vila, discussões calorosas sobre sangue, morte e sacrifícios; como se os deuses fossem banhamos no desespero de suas criações mais amadas.
A “Era do Jaguar”, tal qual Tzekel-Kan chamava, seria o fim da existência atual e o recomeço de algo novo; a destruição maciça em dor e sofrimento para saciar os desejos de um compulsivo lunático. Amante da morte e da calamidade divina.
Miguel o temia em demasia.
Isso, somado à surrealidade da situação onde se encontravam ― nos momentos em que davam o ultimato da vida ou da morte de um cidadão baseado em profecias tão antigas quanto as construções de ouro e pedra ―, aguçavam suas intuições afiadas; o faziam enrijecer as pernas e lidar com a situação como necessitasse.
Precisar usar de artimanhas, dos males que a vida nas ruas lhes possibilitou, para passarem por deuses e sobreviver a mais um dia ― ao se tornarem ídolos aos olhos de Tzekel-Kan; os olhos de um assassino odioso.
Miguel temia pelo dia em que Túlio tombasse diante de tal homem tão marcado pelo sangue quanto os deuses originais de sua crença. Ainda que temesse, tinha em Túlio uma fé inabalável, crente que o amigo os tiraria de qualquer enrascada; que o tivesse na mais alta estima.
Não se importou com a presença de Chel que os ajudava nos problemas mais sem soluções ― tão astuta quanto o próprio Túlio ―, e viu naquilo a chance de uma parceria vindoura entre os três onde, talvez, pudessem desbravar dos oceanos e das terras espanholas da forma mais divertida, com duas mentes sagaz à seu dispor.
O choque de se ver sendo realmente adorado pelos cidadãos de Eldorado, ser exaltado por ações consideradas tão impulsivas ao bater o pé e dar suas opiniões sem importar-se com as consequências de seus atos.
Ver o olhar de Túlio para ele, aquele rosto orgulhoso ― ainda que preocupado ―, ao ser erguido aos céus por questionar as ordens de Tzekel-Kan que tanto assustava seu companheiro de vida.
E ainda que compreendesse as complicações do que faziam na cidade, Túlio nada lhe dizia ou confidenciava como normalmente fazia, não expunha seus medos e aflições. Estava calado, pensativo, como se houvesse batido contra um muro rígido à sua frente.
O preocupou, e muito.
Assim sendo, não foi para ele que Túlio revelou suas mágoas, sequer percebeu não fazer parte dos seus planos da forma como eram antigamente. A dupla que se tornou um trio, para então virar novamente uma dupla; um casal.
Ser descartado depois de tudo foi doloroso, sufocante. Miguel não sabia como expor aquela frustração que tanto queimava em seu peito; a traição de um irmão, um amigo; um algo a mais.
Havia feito tudo a seu alcance para tornar as coisas maleáveis para eles, mesmo que se envolvesse com a população local com músicas, conversas e passeios por sua natureza tão cheia de vida. Fez com discrição, fez com que confiassem nele; neles.
Então, por que Túlio foi quem o abandonou sendo que era o que mais o conhecia? Que mais compreendia seus dilemas e atitudes, que viveu com Miguel deste tão novo; tão ingênuo.
Ah, algo fervia dentro de Miguel, algo quente e raivoso que transbordava em ondas. Se não era sangue em suas veias, se não possuía a vida rubra correndo em seu corpo, então deveria ser ouro. Espesso, quente, pesado; muito pesado.
Que sufocava seu peito, apertava seu coração, tornava-o em pedra rija tal qual os Templos de ouro erguidos ao céu em desafio de soberania.
Se um deus não possuía sangue, decerto não havia um coração para pulsar dentro de seu peito oco.
E, certamente, o amor que antes nutria por Túlio seria esmagado por essa mesma força arrebatadora que o fez subir do penhasco em ruínas e dizer que ficaria na cidade; que seria o deus deles por quanto tempo o quisessem ― até descobrirem sobre sua farsa e o destruíssem pelo caminho.
Que fosse seu destino, que o destroçassem e queimassem. Não sentiria nada, não ouviria nada que Túlio lhe suplicava ou desculpava.
Não.
Miguel era feito de ouro e ódio, tal qual os deuses originais, descritos em suas profecias mais antigas.
E assim seria por quanto tempo sua vida divina perdurasse.
Notas finais
Meu personagem favorito de longe, e que se um dos dois fosse para ser um deus, com certeza seria o Miguel ♥
Enfim, é isso. Espero que tenha sido do agrado!
Me digam o que acharam!
Boa véspera de Ano Novo ♥
Beijinhos~
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