Pulsação

8 Who owns Helga’s heart? (Festa²)


Notas iniciais
Por mais que eu esperasse os comentários não acho que quem está acompanhando mereça esperar tanto. Admito que me enrolei pra escrever esse porque fiquei um pouco desmotivada, mas consegui! Esse capítulo é quase o dobro dos capítulos anteriores assim como me foi pedido.
Esse capítulo me deixou sem ar no final, espero que consiga o mesmo de vocês.
São quatro músicas nesse ;)

(Don’t Trust Me) Helga já estava se sentindo bem tonta e estava tentando fazer com que Arnold bebesse também. Eles estavam dançando, no meio da sala escura com luzes artificiais. Helga jamais se imaginaria nessa situação, agindo como menininha e Arnold ao seu lado, se divertindo. Ficou um pouco preocupada de Torvald aparecer e surtar, mas ele estava sumido e Helga não queria admitir, mas estava vivenciando um dos melhores momentos de sua vida. Aquela menininha lá no fundo estava agradecendo a Helga por lhe proporcionar momentos com Arnold, momentos agradáveis.

–Hey Pheebs! – Helga gritou chamando a antiga amiga. – Venha dançar conosco

–Oi Arnold, acredito que não tivemos muito tempo para conversar. – Ela falava de uma maneira seca e robótica. – Bem vindo.

–Obrigado Phoebe! – Ele estava definitivamente alterado pela bebida

Phoebe permaneceu com eles e com o tempo voltou a se soltar ao lado de Helga. Alguns drinks e músicas depois Gerald se aproximou do trio. Estava com a cara fechada, parecia muito triste.

–Hey Arnold, Arnold!

–O quê?! – Arnold devolveu gritando e falando mais lento

–Eu acho que já vou embora cara

–Porqueeê?

–Eu e Alice brigamos – Bingo, bingo, bingo! Pensava Helga. – e ela foi pra casa. Não estou mais no humor de ficar aqui

–Por favor cara, fique! A festa é pra mim, não posso ver meu melhor amigo indo embora.

–Eu não sei cara... – Vamos Arnold, vamos...

–Fique e veja uma coisa legal!

–O quê? – Gerald perguntou sem esperança de que fosse mesmo algo legal, Arnold deveria estar apenas bêbado.

–Veja a Helga sendo legal. – Helga sentia suas bochechas ficando vermelhas. – De verdade! – Ele gritou e passou o braço ao redor do pescoço de Helga. – Nós somos amigos agora! – Helga estava com o rosto completamente vermelho, mas passaria despercebido já que a sala estava muito quente e escura.

–Ah, isso eu quero ver. – Gerald parecia se entusiasmar

–Não é como se isso fosse novidade – Helga tentou manter a pose de menininha indefesa

– O quê? Você sendo legal?! – Gerald estava realmente estúpido

–Olha Gerald eu entendo que você esteja chateado com Alice, mas poderia ao menos tentar ser legal comigo. – Helga se surpreendeu com a própria calma na voz

–Uau! Acho que nunca te ouvi tão calma Helga. O que foi que você fumou?

–Nada Gerald, nada. – Helga abaixou a cabeça e olhou para os pés.

–Vamos lá Helga, vamos continuar a dançar! – Arnold estava definitivamente bêbado.

Estavam os quatro dançando, assim como Helga havia planejado. Ela sempre soube que Pheebs e Gerald deveriam ficar juntos e daria um jeito nisso, assim como daria um jeito em Arnold. Talvez conseguisse resolver tudo numa noite só, nesta.

Helga já estava trançando as pernas, Phoebe tinha bebido alguns drinks acompanhando Gerald e Arnold estava eufórico, gritando e pulando muito. Helga precisava agir, mesmo bêbada precisava continuar no plano. Andando o mais rápido que conseguia procurou por Harold.

–Ei gorducho!

–O que você quer Helga? – Harold estava abraçado numa árvore no jardim

–Essa é sua namorada Haroldo? – Ela apontou para a árvore

–Vá embora Helga!

–Ouça, preciso de um favor. – abaixou-se próxima dele

–Você?! O que quer de mim? – Ele tentou se afastar

–Seu celular, só preciso de uns números, sei que você parece não se importar, mas vive atrás dos antigos amigos

–Claro que não Helga!

–Me passe logo o celular gorducho, ou tiro uma foto sua agora e o colégio inteiro conhecerá sua namorada! – Ela segurava-o pelo colarinho

–Tudo bem, tudo bem! – ele gritou e ela o soltou.

(Something Good Can Work) Em alguns minutos Helga copiou os contatos que precisava. Nesse pouco tempo Harold vomitou na árvore que estava agarrado e adormeceu. Ela deixou o celular no colo do garoto e se apressou em digitar uma mensagem, selecionou todos os números que achava necessários e salvou. O benefício de não falar com quase ninguém de seu colégio é que ninguém reconheceria seu número. A garota respirou fundo, segurou o enjoo que parecia surgir e voltou para a sala escura. No meio do caminho espiou Torvald no mesmo lugar de antes, num canto da sala mais clara conversando com garotos populares, antes que fosse vista voltou para Arnold.

–Cadê a Pheebs? – Ela perguntou ao loiro assim que parou ao seu lado

–Não sei, foi ao banheiro e não voltou mais. Não se preocupe, Gerald foi procurá-la – Ele falou despreocupado e Helga sorriu. Talvez eles estivessem tendo uma “conversa” particular.

–Somos eu e você Arnold

–Parece que sim Helga, minha amiga – Amiga. A palavra soou terrivelmente errada.

–Isso. – Ela falou baixo e ele não ouviu por conta da música

–Arnold! – Laila gritava se aproximando deles novamente. – Arnold porque você foi embora? Porquê Arnold?

–Eu estou aqui Laila – Ele respondeu um pouco assustado

–Antes Arnold, antes! Eu sempre te amei, porque você me deixou Arnold?! – Ela estava chorando. A maquiagem começando a escorrer pelas bochechas, descabelada e com bafo de algo alcoólico.

–Do que você está falando Laila?

–Eu te amo Arnold! – Laila gritou e se jogou pra cima dele

–Opa, opa, opa! – Helga que estava só assistindo resolveu intervir, puxou Laila pelos pulsos para longe de Arnold. – Acho que alguém andou bebendo demais não é? – Helga estava bêbada e não estava tão forte quanto deveria, ficou difícil de segurar Laila por muito tempo.

–Me solte Helga! – Ela se remexia e chacoalhava. Helga conseguiu segurar até que Laila sem querer bateu o cotovelo na boca do estômago de Helga e aquilo foi o ponto final para seu estômago.



–Sua... – Helga começou, mas não conseguiu continuar, sentiu o estômago embrulhar e a boca salivar. Arremessou Laila e a mesma caiu no chão aos pés de Arnold. Helga viu o menino levantando Laila do chão e correu para o banheiro mais próximo. Chegou à porta do banheiro e a mesma estava trancada. — Sai! – Gritou desesperada. – Sai! – Ela bateu na porta com força – Rápido!

(Don't Forget) De repente a porta abre e Helga atropela um menino e então uma menina. Senta no chão se jogando na patente e vê com o canto do olho, Pheebs. Helga põe tudo pra fora, sente o estômago apertando. O que Phoebe estava fazendo aqui? Bom, ela estava aqui com um garoto, mas quem? Poderia ser Gerald, mas seria sorte demais para todos que estivesse com Gerald.

Pouco tempo depois Helga se levanta devagar e fica apoiada na pia. A maquiagem estava começando a borrar, a cara estava péssima e o hálito nojento. Enxaguou a boca quatro vezes, lavou o rosto e voltou a sentar no chão do banheiro. Sentada abraçando as pernas e com a cabeça apoiada no joelho ela já começava a sentir-se um pouco melhor. Repassou a noite em sua cabeça e não conseguiu evitar um sorriso, tinha finalmente passado um tempo com Arnold, talvez estivesse começando a conquistá-lo.

–Helga? – Ela levanta a cabeça rapidamente e sente-se um pouco tonta. Arnold está parado na porta segurando dois copos.

–Oi Arnold – a voz dela é quase um sussurro

–Eu trouxe água pra você – Ele senta ao lado dela e entrega um copo

–Obrigada Arnold – Helga bebe todo o copo e ele estende o outro copo pra ela. – Porque está sendo gentil comigo Arnold? Eu te infernizei a vida toda.

–Mas nós somos amigos agora Helga. – Arnold ainda estava bêbado e isso era visível

–É verdade, somos amigos agora Arnold. Apesar de que eu gostaria que fossemos mais do que isso... – Helga fala quase num sussurro e deixa os copos no chão

–Tipo, melhores amigos? – Ele a olhava de maneira intensa

–Não Arnold! – Ela respirou fundo para não se irritar. – Eu queria que nós ficássemos juntos.

–Eu não estou te entendendo Helga, onde está o Torvald?

–Eu não sei. Ele é um babaca Arnold! – Ela tentou interpretar o papel de vítima.

–Sinto muito Helga.

–Ele está sempre com outras garotas, não duvidaria se o encontrasse com uma agora.

–Oh Helga... – Ele falou suave e passou o braço por trás dos ombros de Helga e a mesma sentiu um calafrio percorrer seu corpo.

– É tão difícil Arnold!

Ela estava tentando chorar, pensou em todas as vezes que se sentiu solitária, todas as vezes que se sentiu excluída do mundo. Uma lágrima escorreu. Helga virou o rosto para o lado oposto ao de Arnold e puxou o celular que estivera no sutiã. Enviou a mensagem que já estava pronta. Arnold baixou o braço para a cintura de Helga e puxou-a para mais perto. Afagou seus cabelos e limpou a lágrima de seu rosto, a respiração dela estava pesada e suas mãos tremiam. Calculava o tempo que ainda tinha, olhou o menino loiro nos olhos e derrubou mais algumas lágrimas. Estava absurdamente nervosa com o que viria a acontecer e por estar tão próxima de Arnold. O estômago estava embrulhado, mas desta vez não era pela bebida.

O que Helga fez em seguida foi impulsionado por aquela doce menina que vivia reprimida dentro dela, aquela de três ou quatro anos atrás que se escondia atrás de lixeiras para declamar seu amor a um porta retrato.



Ela o beijou. Um beijo cheio de paixão e saudade, intenso e urgente. Arnold retribuiu o beijo, com uma mão em sua cintura e outra em seus cabelos ele mantinha os corpos colados. Separou-se de Helga para buscar ar, ela ouviu um ruído vindo do corredor e se apressou para beijá-lo novamente. Sua pulsação estava irregular, sentiu mais uma lágrima escorrer por seu rosto e por um breve momento imaginou se algum dia beijar Arnold se tornaria cansativo, provavelmente seria impossível. Ele puxou-a para mais perto quando sentiram um flash de luz.

(I Could Be the One) Nos poucos segundos que se seguiram enquanto eles se distanciavam vários flashes se seguiram. Helga olhou assustada para a porta e viu Rhonda Lloyd, dois fotógrafos da festa e muitos colegas da escola olhando para eles de maneira curiosa. Todos permaneceram em silêncio por alguns instantes, ela sentiu as bochechas ficando vermelhas e as mãos suarem. Queria olhar para Arnold, saber sua reação, mas precisava agir e rápido. Precisava parecer mais assustada do que realmente estava, levantou e saiu correndo atravessando a multidão, sem saber ao certo para onde estava indo. Ao passar correndo por uma janela do largo corredor viu luzes coloridas, quando parou para olhar na próxima janela confirmou sua suspeita. A polícia estava chegando. Tudo o que ela conseguiu pensar foi em Torvald. Tirou os saltos e correu para o salão principal onde tinha o visto pela última vez, mas este estava vazio. Onde o maldito estava? As sirenes soavam mais alto agora, a música estava abaixando e pessoas começavam a correr. Pegou o celular novamente e discou o número dele. Chamou uma vez, duas, três.

–Alô? – Ele atendeu ofegante

–Onde você está? – Ela perguntou gritando, seu coração parecia querer saltar para fora da boca.

–Você ta bem?

–Estou. Onde você ta?!

–Correndo Helga.

–PARADO – Ela ouviu uma voz grossa e imperativa gritando.

–Desculpe Helga. – Torvald falou baixo e ela ouviu sua respiração falhando.

–De joelhos, mãos atrás da cabeça!



A ligação caiu. Ai meus deus, ai meus deus, ai meu deus! Helga voltou a correr, dessa vez em direção aos fundos da casa, se T. fosse fugir seria pelos fundos. Com o celular numa mão e os saltos na outra chegou até a cerca viva ao fundo da casa perto de onde estivera com Arnold mais cedo, quando fizeram as pazes. Supôs que tinham pego T. enquanto ele pulava e seguiu seus passos, o celular voltou ao sutiã, vestiu os saltos e se ajeitou para pular a cerca, seria mais fácil de saltos do que descalça. Já do outro lado viu T. dentro do carro de polícia, sentiu um aperto no peito e o ar sumiu por um instante. Olhou para o chão e lá estava o celular dele, se abaixou para pegá-lo e pode ver uma foto dela como papel de parede.

–Mãos atrás da cabeça!

Ela não tinha percebido o monte de policiais a sua volta. Deixou o celular no chão, levantou e colocou as mãos atrás da cabeça. Fodeu. Helga suava, as mãos tremiam e o coração batia acelerado.

Algemaram-na e colocaram no carro ao lado de T. Durante todo o tempo que demoraram na casa de Rhonda e todo o caminho para a delegacia os dois ficaram em silêncio e Helga permaneceu com a cabeça encostada no ombro de Torvald. As coisas estavam péssimas, mas ela estava ao lado dele, como deveria ter ficado a noite toda.



Notas finais
Se os links não funcionarem as músicas são:
-3OH!3 - Don't trust me
-Two Door Cinema Club - Something Good Can Work
-Demi Lovato - Don't Forget
-Avicii - I Could Be The One

Gostaram?
Detestaram?
Quem é o dono do coração da Helga?
Me contem nos comentários ;)