Pulsação
5 Capítulo CINCO
Notas iniciais
— Mas que merda! – exclamou Stiles ao ver mais uma vez o mesmo jornalista pular pelo seu jardim e se aproximar de sua casa pela terceira vez naquele dia – Derek, mata ele!
Derek sorriu, enquanto abria a porta da cozinha e espantava o homem.
— Deu, Stiles, ele já foi embora. Se ele tentar mais uma vez, o prenderei, já que você tem uma ordem de restrição contra ele.
Stiles suspirou. Muito que aquilo adiantaria contra aquele homem.
— Eu disse que voltar para cá seria isso. – ele murmurou, tocando nos lábios do menor – Mas você quer ficar longe de mim, correndo de volta pra casa...
— Você sabe que não é bem assim. – Stiles resmungou – Eu preciso pegar algumas coisas, não acho que consiga ficar muito tempo sozinho por aqui, quando vi uma mão decepada no balcão da minha cozinha.
— Então está me dizendo que vai voltar comigo pra minha casa? – o semblante de Derek se iluminou, fazendo Stiles se sentir bem com a decisão tomada.
— Miguel está completamente apaixonado pelo Lobo. Como deixaria eles separados? – provocou o paramédico.
Derek riu. Se aproximou, o pegando pela cintura.
— E seria somente esse o motivo pelo qual você está indo para minha casa então? – perguntou ele contra os lábios do mais novo.
— E também por que um certo detetive não pode ficar com as mãos longe de um certo paramédico... E eu curto brincar de médico com ele.
— Bom... – ambos sorriram. Então Derek se afastou dele, dando-lhe um tapa em seu traseiro – Vamos, de hoje não pode passar. Era pra ter sido na segunda o reconhecimento do suspeito, mas com a mídia e o que você preciso resolver na estação, acabou tudo se atrasando.
Stiles acenou. Ele ficou aliviado de ver que eles estavam realmente preocupados consigo. E quando teve um princípio de ataque de pânico no departamento de polícia, ficou decidido que o reconhecimento seria dali alguns dias, dando mais tempo para que o paramédico pudesse respirar aliviado. Nesses dias, ele passou pelo exame psicológico da Estação e fugiu do assédio da imprensa que ainda o perseguia como urubu atrás de carniça.
Em minutos ele reuniu algumas coisas que estava precisando e voltou para a casa de Derek. Não se demoraram lá, indo diretamente para o Departamento de Polícia.
Stiles estava nervoso, mas bem mais tranquilo do que da última vez. E Derek estaria do seu lado, então seus medos estavam sob controle. Após alguns minutos falando com os agentes que estavam encarregados do caso, Jennifer e Derek encaminharam-se para a sala de reconhecimento, levando Stiles com eles. Ao chegarem lá, Stiles observou o homem sentado no local, fortemente algemado e guardado.
— Não se preocupe, Stiles, ele não pode te ver. E nem lhe ouvir, somente quando eu apertar este botão aqui – ela indicou o botão, que ficava perto de um microfone – ele ouvirá alguém aqui desta sala.
Stiles engoliu em seco, acenando de leve. Ele não conseguia tirar os olhos daquele homem.
— Como você o ouviu e não o viu, faremos ele falar para que você posso escutá-lo e ver se identifica a voz. – falou Derek, ao seu lado – Mas quando estiver pronto, Stiles.
— Eu estou. – ele disse. Não estava, mas não aguentava mais aquela agonia. Ele só queria sua vida de volta. Sua paz roubada na noite que atendeu aquela ocorrência – Manda ver.
Derek olhou por cima da cabeça do rapaz, encarando Jennifer. Ela acenou, voltando-se para o microfone.
— Jack Simons, quero que você se apresente, falando seu nome em voz alta, a cidade a qual nasceu e o ano.
O homem ergueu o rosto e encarou o vidro. Um sorriso brotou em seus lábios.
— Então ele já chegou.
O ar gelado invadiu o corpo de Stiles quando ouviu a voz do homem. O desgraçado sabia que ele estava ali. Era lógico que sabia, ele foi o único a ouvi-lo, como não saberia?
Derek segurou uma das mãos de Stiles com força.
— Faça o ordenado. – cortou Jennifer.
— Me chamo Jack Simons, nasci no Abilene no Texas, no dia vinte quatro de agosto de mil novecentos e cinquenta e nove. Tenho dois filhos e minha esposa morreu há cinco anos. Mais alguma coisa, Agente Blake?
Jennifer e Derek encararam Stiles.
— Então? – murmurou a mulher.
Mas Stiles não deixava de encarar o homem através do vidro.
— Vocês poderiam pedir para ele se levantar por um instante? – pediu Stiles.
Derek e Jennifer se olharam mais uma vez. Ela então pediu para Allison, que se encontrava na porta, para levantar o homem e o colocar contra a parede.
E assim foi feito. Enquanto Allison segurava o suspeito pelo braço, contra a parede, outro agente removeu a mesa do caminho.
— Então? – Derek encarou o rapaz, que não desgrudava os olhos – Stiles?
A risada do homem fez os dois agentes encararem o vidro.
— Eu sabia que você era inteligente, Stilinski. – comentou o homem – É por isso que o nosso interesse é maior ainda por você...
Stiles retrocedeu alguns passos, começando a respirar com dificuldade. Derek o pegou pelo braço, o tirando da sala.
— Se acalme, não entra em pânico. Ele só quer te assustar. – falou ele, quando o deixou sentado em sua mesa. Jennifer alcançou um copo com água para Derek, que entregou para Stiles – Tome a água e respire.
— Não é ele.
— Como? – os dois murmuraram ao mesmo tempo.
— A voz não é a mesma. – continuou o rapaz – E esse cara é muito mais alto do que eu vi. Não é ele, vocês pegaram o homem errado!
— Não, Stiles. Não pegamos o homem errado, ele estava com partes de todas as vítimas encontradas em três estados. É o nosso homem. – murmurou Jennifer – Olha, se acalme e vá pra casa. Você está em choque e isso é normal nesses casos. E mesmo que não tenha reconhecido a voz dele, não importa. O que temos é suficiente pra pedir pena de morte a ele.
Stiles encarou a mulher, parecendo irado. Ergueu-se da mesa, quase derrubando Derek que permanecia ao seu lado.
— Então por que me fizeram vir aqui pra reconhecê-lo?! – gritou Stiles, furioso – Pra me deixar mais perturbado do que eu já estou? Não bastam os pesadelos e o tempo que terei de ver um maldita analista nos próximos meses pra não arriscar meu trabalho?!
— Stiles... – Derek tocou no ombro do menor, na tentativa de acalmá-lo, mas o que recebeu fora um tapa em sua mão, enquanto ele se afastava.
— Você sabia disso! – ele continuou a gritar – Por isso não me pressionaram a vir aqui antes, pois não precisavam de merda nenhuma de testemunho. Espero que estejam satisfeitos por me deixarem mais apavorado do que já estou.
— Stiles! – Derek correu atrás dele, quando o rapaz se virou e caminhou quase que correndo para à saída – Espera, Stiles, por favor.
— Me deixa em paz, Derek. – grunhiu o menor – Eu não quero ver você ou a tua equipe na minha frente nas próximas horas! Me deixe sozinho.
— Seu depoimento é importante sim, Stiles. Pois você é a única testemunha e o cara estava obcecado por ti... – Derek se colocou diante dele – Mas a gente não esperava que você fosse dizer o contrário... E isso será uma merda, pois de testemunha de acusação, você será de defesa agora...
— O-o... O que?! – Stiles o encarou, parecendo ter levado um soco no rosto – Não! Eu não vou fazer isso! Jamais!
— Não vai ter escolha... Será chamado pra depor no tribunal e será obrigado a falar a verdade, Stiles...
O rapaz se afastou, sentindo as pernas tremerem. Aquilo estava errado. Muito errado. Ele sabia que o homem não era o mesmo, mas isso não queria dizer que não pudesse ser um comparsa.
— Tem certeza de que ele não tem um companheiro? – perguntou o menor, enquanto olhava a rua movimentada.
— Companheiro? – repetiu Derek – As chances disso são praticamente nulas, Stiles.
— Ele usou o termo nós pra falar de mim. Plural...
— Jack fez isso para te impressionar, Stiles... – o rapaz segurou o ombro do menor, mas ele se esquivo, se afastando – Stiles, não vai sair por aí sozinho...
— Vou trabalhar, preciso manter a cabeça ocupada. – ele avisou, sem se virar – Preocupado? Não disse a pouco que não acha que tenha dois?
— Me preocupo com a imprensa em cima de você...
Stiles balançou a cabeça. Por um segundo ele realmente queria acreditar que o outro estivesse aceitando a ideia de que poderia ser dois e não um psicopata a solto.
— Stiles...
— Te ligo mais tarde. Eu me viro, Derek. – ele se afastou, descendo as escadas – Como sempre me virei.
O rapaz ficou observando o menor pegar um táxi e desaparecer no meio do trânsito. Embrenhou as mãos nos cabelos, frustrado. Ele não esperava que isso fosse acontecer. Jamais esperou.
Voltou para a delegacia, pegando tudo que sabia do caso e chamou sua equipe.
— Quero que cada um disseque tudo que estiver nessas caixas, de cada uma das vítimas, de cada um dos casos. Todos eles. – ele falou, enquanto encarava o grupo, que começava a se sentar – E não pensem em Jack, mas em sua vida e seu passado. Vamos descobrir o que esse homem fez desde que saiu da casa dos pais até o dia em que foi preso.
— Por que isso, Derek? – perguntou Allison.
— Stiles não reconheceu Jack como o homem que matou aquele traficante. Ele disse que o homem era mais alto e a voz não era a mesma.
— Ele pode estar estressado... – Nicholas se calou ao ver o semblante assassino de Derek.
— Ou ele pode ter um parceiro e o outro ainda estar nas ruas.
— Dois?! – exclamaram Lydia e Miguel ao mesmo tempo.
— Sim. E se ainda existe alguém lá fora, que é companheiro desse desgraçado que prendemos, então precisamos achá-lo antes que volte a matar.
— Mas...
— Sim, Lydia. Ele vai atrás do Stiles, pois agora para esse infeliz, Stiles é um troféu, pois por conta dele acabou perdendo seu parceiro de crime.
— E o Stiles...?
— Foi para a Estação. Ele terá olhos sobre ele enquanto estiver fora. Depois eu vou pegá-lo. Agora comecem a trabalhar.
E assim todos baixaram suas cabeças e seguiram trabalhando.
~*~
— Conhecendo meu irmão, Stiles, ele deve tá investigando suas suspeitas. – murmurou Cora – Fique calmo, ele não está chateado. Só apavorado com a chance de te perder.
— Espero que esteja certa, Cora. Eu não quero que ele ache que eu estou louco...
— Ele não acha. Acredite em mim, se há uma pequena chance de algo não estar certo em uma investigação dele, Derek vai conferir até ter certeza do contrário.
Stiles acenou.
Passara a tarde atendendo chamadas. Ele agradeceu pela polícia ainda está na sua volta, pois somente assim o pessoal da imprensa o deixou trabalhar com calma. Mantes a cabeça cheia com algo que ele realmente sabia fazer bem, que era salvar vidas, o deixou distraído de seus preocupações.
Agora estavam retornando para a Estação, após uma chamada. Distraído, enquanto esperavam o sinal abrir, ele terminava o seu relatório.
— Que tal encher a cara comigo, quando nós sairmos do plantão? – perguntou Cora.
— Sem ânimo pra beber, Cora.
— Se Derek te convidar, você vai.
— Não, eu beberia em casa com ele, pois não estou com vontade de ir pra um bar enquanto tem um maluco querendo arrancar minha cabeça e dar pra próxima vítima dele.
— Você está um cu hoje. – ela grunhiu, quando o sinal abriu e ela atravessou a avenida.
— Sempre fu... Cora, cuidado! – não houve tem de nada.
Sem conseguir sair a tempo do caminho, a ambulância fora acertada em cheio por um caminhão que vinha do lado do motorista. Por alguns metros o veículo capotou, parando apenas quando atingiu a parede de um prédio.
Por algum tempo Stiles tentou se situar, mas sua cabeça escorria sangue, pingando no teto da viatura, que estava com as rodas no ar.
— Cora...? – ele murmurou. Virou com dificuldade, vendo que ela estava desacordada. Isso na melhor das hipóteses, pois a sua parceira estava muito pior do que ele próprio. Stiles não conseguia erguer o braço, para ver se ela tinha pulso, simplesmente era doloroso e cansativo demais fazer isso.
Sua visão estava ficando cada vez mais turva, mas ele pode ver pessoas na volta, provavelmente transeuntes que estavam chamando socorro e tentando conferir os estragos. Mas um agachou-se perto dele. O rapaz não conseguiu ver seu rosto, mas sua voz, foi o que faltava para que ele enlouquecesse.
— Que tal dois paramédicos em vez de um? – ele murmurou – Afinal, vocês são uma equipe... – a mesma voz daquela noite, o mesmo tom. Stiles estava certo, não prenderam o homem que estava matando – Mas eu não acabei com você ainda, Stiles. Você é o meu troféu e eu vou tê-lo com cuidado, sentindo a glória e aproveitando cada segundo com você... E diferente das outras vezes, seus pedaços serão entregues para as minhas futuras vítimas. Somente os seus.
O rapaz não respirava. Ele não conseguia, ele não tinha mais forças pra puxar o ar. Ele só ouvia agora eram gritos de pessoas na sua volta, pedindo equipamentos para ressuscitação.
Não, ele não queria ser trazido de volta.
Ele preferia morrer ali, daquela forma, do que ser morto por aquele monstro.
A última coisa que o rapaz pensou antes de que a escuridão o dominasse era que tudo que ele queria era poder reencontrar sua mãe e poder morrer em paz.
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