Psyquê - Storyteller

5 Capitulo 2 - Parte 3 "Checkpoint"


Notas iniciais
(notas do capitulo a ser atualizadas)

Capitulo 2 – Parte 3 “Checkpoint”

O relógio marcou 22:00. Coração dispara. Os segundos parecem se arrastar. Kitao começa a sentir-se alterado. Um sono fraco que começa a tomar conta do garoto. Apesar de estar concentrado no contador de jogadores da sala, Kitao podia sentir que o sono crescia a cada segundo. Passado um minuto exato, Kitao percebeu que seu coração batia de forma lenta e ritmada. Aquilo o assustava. A partir desse ponto o contador começou a marcar os jogadores: 8, 15, 32, 50. Adormeceu sob o teclado.

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“Kirato! Kirato!! KIRATO!!!”. Uma voz fina e uma grossa, muito conhecidas gritavam em coro o nome que Kitao usava na internete. Abriu os olhos. Viu o rosto de seus amigos.

–- Victor! Lyra! – Estava deitado. Sentou-se e tentou entender onde estava. – O que... Onde agente ta? – Olhando para o chão percebeu que estivera deitado em um chão de grama e terra molhada. À sua volta muitas arvores. Pode ouvir o canto de algumas aves. Estava em uma espécie de bosque. Seus braços pinicavam, se deu conta de que sua jaqueta jeans havia desaparecido. Ainda vestia as mesmas roupas de antes, mas não tinha nem sinal de sua jaqueta. — Ei! Minha jaqueta! Meu celular!

–- Kitao... Digo Kirato. Estamos em uma floresta. É de manha. – Disse Victor se enrolando com os nomes. Não estava acostumado a chamar seu melhor amigo de Kirato, fora dos computadores. – É de manhã neste mundo.

–- Manhã? – Kitao olhou para o céu. Estava azul sem nem uma nuvem. O sol brilhava preguiçosamente e uma leve brisa balançava as folhas das arvores. – Realmente tem cara de manhã. Mas eram dez da noite quando adormecemos. Como isso é possível?

–- Difícil dizer. Talvez eles controlem o tempo, ou talvez o tempo neste mundo não seja o mesmo que o nosso. Talvez seja atrasado, ou adiantado. Talvez...

–- Victor, Victor, já chega desses “talvez”. Ficar chutando não vai resolver nada.

–- Certo. – Victor olhou para baixo como se fosse um cãozinho e tivesse feito uma coisa feia. Lyra riu.

Victor se vestia todo de branco, como da ultima vez que se viram. Lyra vestia calças jeans e uma camisa verde de mangas compridas. O longo cabelo preso em um coque. Novamente usava bem pouca maquiagem. Era uma das coisas que Kitao mais gostava nela. Era natural, sempre.

–- Uma floresta é? – Kitao ficou de pé, voltando seu foco para a situação atual. Seus amigos que, outrora estavam ajoelhados, o acompanharam. – Não sei se isso é tão clichê que já se tornou épico ou se é tão épico que já virou clichê... – Olhou em volta. Nem sinal de civilização, mas algo chamou a atenção do garoto. Lyra carregava um notebook fechado nos braços.

–- Mas o que? Lyra? Notebook? Como assim?

–- Ah, isso... Por algum motivo, quando acordei, estava abraçada a meu notebook. Ele funciona normalmente, mas não conecta à internete.

–- Mas que diabos? Minha jaqueta some, meu celular some e Lyra surge com um notebook do nada? Como assim véi?

–- Kirato, não se esqueça que estamos em um jogo. Aqui eu sou Sydra e ele é Vitoreano.

–- Ah, certo... Desculpe. – Kitao olhou ao seu redor mais uma vez. O ambiente realmente parecia uma mata inexplorada. – Ai, ai... Qual é a desse jogo agora? Há quanto tempo estamos aqui?

–- Não sabemos. – Disse Victor. – Lyra, digo Sydra, foi a primeira a acordar e me encontrar dormindo. Você estava logo ao lado. Deve fazer uns quinze minutos que acordamos.

–- No meu notebook são 22:06. – Lyra levantou seus olhos em direção aos meninos. Havia se encostado em uma arvore para apoiar o aparelho. Os meninos a olharam pasmos. – Xii... Acho que falei besteira.

–- Não é possível! Será que a hora realmente passa mais devagar nesse lugar? – Reclamou Victor.

–- Não... O tempo passa mais rápido aqui. Se passamos mais do que quinze minutos nesse mundo, mas a hora não mudou muito no nosso mundo, então o tempo passa mais depressa aqui. – Passou a mão pelos cabelos. Tudo aquilo estava ficando realmente difícil de entender, cada vez mais difícil de acreditar, e mais ainda de aceitar. – Bom... – Deu um longe suspiro com os olhos fechados e com o rosto voltado para o céu. – Ficarmos aqui parados pensando não vai nos levar à lugar algum. Sydra,cuide bem desse notebook. É nosso único contato com nosso mundo e não sabemos quando vamos acordar. Vitoreano, fique sempre alerta. Precisamos proteger Sydra e encontrar a civilização.

–- Certo! – Responderam em coro.

–- Aparentemente não temos nem um poder ou coisa assim. Acho que dependemos apenas de nos mesmos... Bom, vamos começar a procurar.

–- Procurar o que Kirato Shin? – Perguntou Victor.

–- Não sei. Talvez respostas.

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–- Corram!! Apenas corram!! E não olhem para traz!!! – Gritou Victor enquanto corria na direção de seus amigos. – Eu disse pra correr!!!

Lyra estava sentada com o notebook no colo e Kitao tentava subir em uma arvore tão grossa quanto três Kitaos juntos. A garota bateu a tampa do aparelho e se assustou com o tamanho de sua própria violência. O garoto se soltou da arvore e caiu de costas, levantando em seguida e já começando a correr.

–- O que você fez Vitoreano? – Perguntou Kitao correndo ao lado do colega.

–- Eu achei uma caverna, mas ela já tinha dono.

–- E agora o dono esta vindo atrás de você? Mas o que você fez pra chamar a atenção dele? – Perguntou Lyra se emparelhando com os amigos.

–- Eu? Eu não fiz nada hahaha. Continuem correndo.

–- Vitoreano... – Pressionou Kitao.

–- Ai ta bom, ta bom, eu conto. Eu achei uma caverna. – Começou a contar, mas já estava ofegante pela corrida. – Entrei para ver se dava um bom abrigo. Ai então encontrei uma espécie de urso cinza e tentei expulsa-lo. Mas a mãe dele chegou.

O trio ouve arvores sendo derrubadas atrás deles. Com um rugido, um enorme urso cinza chumbo, do tamanho de uma hilux, saltou para frente derrubando arvores e correndo atrás do grupo.

–- Meu deus!!! Vamos morrer na primeira fase do jogo!!!

–- Calma Kirato, continua correndo. Sydra você esta bem? – Fez que sim com a cabeça, ofegando. Era a mais frágil do grupo e ainda carregava o notebook.

–- Caramba! Eu esperava encontrar mais daquele gato que agente enfrentou naquela sala e não um urso desse tamanho. O que vamos fa...

As palavras entalaram na garganta quando o chão sumiu diante dos pés dos três. Em um segundo estavam todos caindo. Os três jovens, o notebook e a ursa. O vento forte queria arrancar o aparelho dos braços de Lyra, mas ela o segurava com firmeza. Depois de alguns segundos em queda livre caíram todos em um enorme rio e começaram a ser arrastados pela correnteza.

–- Cof. Cof. Sydra. Cof. Vitoreano. Estão bem?

–- Sim, tudo bem, mas, Cof, estamos sendo arrastados.

–- Não... Não sei... Notebo... Não sei... Nadar!!! – Lyra afundava muito na água, bem mais que os meninos.

–- Sydra não sabe nadar!! Caralho! Vitoreano ajuda aqui! – Kitao se abraçou à garota tentando ajuda-la a ficar mais na superfície. Victor fez o mesmo.

–- COF COF... Obrigada... CUIDADO!!!! – Lyra da um forte empurrão nos garotos e todos afundam. Uma grande pata de urso passa rente ao corpo dos três.

–- GASP, cof. Essa foi quase. – Disse Kitao puxando Lyra para cima. Victor era o que mais sabia nadar dentre os três.

–- COF, COF, olha!!

O grande rio se bifurcou. Lyra apontou para o grande urso indo embora com a correnteza. Os garotos tinham sido pegos por uma outra que corria com mais força.

–- Estamos indo muito rápido. – Disse Lyra.

–- Olha lá. Lá na frente.

Cerca de 500 metros à frente o rio acabava em uma larga cachoeira. Uma margem à outra do rio tinha cerca de 20 metros e a correnteza os mantinha bem ao centro. A água corria com velocidade e não demorariam a chegar até a queda d’gua. Mas não era a cachoeira que Victor apontava e sim pedras na água, algumas delas grandes. Talvez fosse a única chance deles. Kitao pensou rápido e fez o que tinha que fazer.

–- Victor! Abrace!

Victor entendeu do que se tratava. Parece que na hora do aperto seu cérebro funcionava mais rápido. Abraçou Lyra enquanto Kitao fez toda a forçado mundo para deslocar os corpos na água indo o máximo possível em direção às rochas. Não demorou nem dez segundos para que estivessem bem próximos de colidirem. Kitao abraçou seus companheiros de lado, os dois ao mesmo tempo e fez mais um pouco de força para girar o grupo. Os três afundaram. Kitao bateu com as costas e a cabeça em uma grande rocha. Soltou o ar e desmaiou afundando.

(...)

(...)

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Acordou de súbito e sentou-se assustado. Sentiu uma dor lancinante nas costas e a cabeça latejando. Cerrou os dentes e tossiu um pouco de água antes de cair de bruços.

–- Calma Kirato. – Era a voz de Lyra. – Você esta machucado. Descanse.

Ela gentilmente virou o garoto para uma posição mais confortável. Mesmo com todo cuidado apertou os olhos de dor até cair na posição final. Ofegava um pouco. Olhou para Lyra. Ela não tinha mais as mangas compridas da camisa e o longo cabelo estava solto ainda molhado. Por um segundo algo atrapalhou sua visão. Um pedaço de pano verde. Logo entendeu que fim tinham levado as mangas da camisa.

–- Nada ainda Sydra.

–- Tudo bem.

Victor de aproximou de Kitao. Carregava o notebook. A garota realmente tinha segurado o aparelho durante toda a corrida e todo o caminho pela água. Será que ele ainda funcionava? Já tinham tentado algumas vezes sem sucesso.

–- Deixe secar por mais um tempo. – Disse Kitao. – Talvez ligue. Alias, obrigado por me salvar Vitoreano.

Victor se sentiu surpreso. Kitao continuou.

–- Lyra não sabia nadar e eu desmaiei. Você nada muito bem e conseguiu salvar a nos dois. – Kitao imaginou se teria sido necessário respiração boca a boca, mas afastou esse pensamento o mais rápido possível. -- Essa foi muito boa. Lyra também agiu muito bem segurando o notebook até o fim, mesmo sabendo que poderia ser inútil. Esse é o meu time. – Kitao sorriu e depois fechou os olhos. A cabeça ainda latejava.

–- Kirato...

Estava na floresta novamente. Andava sosinho procurando por seus amigos. Percebeu que caminhava muito devagar. Forçou suas pernas a trabalharem. Começou a se deslocar com mais velocidade. Notou que suas pernas se moviam como um ser independente. Não sentia mais as pernas. Deixou essa sensação de lado e continuou olhando à sua volta. Tudo que via eram arvores e mais arvores. Tentou gritar, mas todo grito parava na garganta. Logo se deu conta de que suas pernas continuaram a acelerar. Movia-se quase tão rápido quanto um carro. Uma arvore surgiu em seu caminho e foi destroçada facilmente por sua velocidade. Ele não sentia dor ao colidir com elas. Outras mais vieram e foram igualmente destroçadas. Movia-se cada vez mais rápido e ainda não podia gritar. E mais rápido, e mais rápido, e mais rápido. Saiu da floresta e entrou em uma planície de mato rasteiro. Corria mais depressa do que jamais imaginou. Ofegava sem parar, totalmente sem controle sobre seus braços e pernas. Avistou o fim da colina e um precipício. Tentou gritar novamente. Saltou sobre o abismo. Voou subindo, por alguns segundos, vários metros a cima de outra mata densa. Ao fundo o sol se punha no que julgou ser o mar. Chegando ao fim de sua ascensão, começou a cair. Cada vez mais rápido. Percebeu ter de volta o controle de seus membros quando se debateu no ar tentando não cair. O chão se aproximava implacavelmente. Atingio-o com força.

–- AAAAH! – Acordou sentando-se com um salto e bateu a testa em algo duro à sua frente caindo de costas em seguida. – AAAAH! Que porraaa!!!

Levou as duas mãos à cabeça. Abriu os olhos. Estava em um local diferente da ultima vez. Agora em baixo de uma frondosa arvore ao lado de uma clareira. Ainda tinha as bandagens feitas das mangas da camisa de Lyra.

–- Que merda... Onde é que eu to agora? – Disse se levantando. Suas costas ainda doíam um pouco, o mesmo se dizia de sua cabeça.

–- Kirato! – Disse uma voz masculina. – Que bom que acordou! – Victor trazia algo nas mãos. A visão de Kitao estava meio turva por isso levou alguns segundos para entender o que era. – Veja esta funcionando!

Apoiou o aparelho em uma das mãos e girou-o. O notebook estava ligado.

–- Ei! Sua testa esta vermelha!

–- Não se preocupe com isso. Que bom que conseguiram. Onde esta Lyr... Sydra?

–- Enquanto carregava você para cá ela disse ter visto algo no chão. Disse-me para te trazer para cá e que logo viria. Desde então estou secando o notebook e agora ele finalmente funcionou.

–- Me carregou? Quanto tempo tem isso?

–- Pra dizer a verdade já estou ficando um pouco preocupado. Deve fazer uns vinte minutos que me separei dela.

–- Que horas são no notebook?

–- São 22: 22.

–- Meu Deus. Já estamos aqui a mais de uma hora e no nosso mundo só se passaram vinte minutos.

–- Gente... Encontrei algo...

Lyra saiu de traz das arvores do outro lado do terreno. Estava pálida como quem vira um fantasma e a luz do sol que penetrava pela clareira só reforçava sua palidez.

–- Sydra? – Perguntou Kitaro.

Lyra não disse nada, apenas apontou o caminho, virou de costas para os dois garotos e começou a caminhar. Mais do que depressa puseram-se a segui-lá.

Não disse mais nada. Ela os levou pelo caminho em que Victor carregou Kitao. Apontou um arbusto amassado a alguns passos longe da trila. Sangue. Havia um rastro de sangue a partir do arbusto. Seguiram a pista até o fim.

–- Meu Deus. – Disse Victor levando as mãos à boca.

Kitao se aproximou para poder ver de perto. Victor ficou parado logo que avistou e Lyra desviava o olhar mesmo estando longe. Um corpo feminino. Tinha o tórax achatado, quase reto, perfurado pelas costelas quebradas. O tecido azul que um dia fora uma camisa de manga curta agora tinha vários furos feitos pelas pontas dos ossos. A boca e os olhos estavam manchados de sangue, como se tivessem esguichado quando o tórax fora pressionado. Um rosto sem expressão. E o corpo terminava na cintura. Os membros inferiores haviam desaparecido. Algumas pegadas grandes circundavam o corpo e, prestando um pouco mais de atenção, também vira algumas ao longo da trilha. Kitao sentiu enjôo, suas pernas tremeram, ele começou a suar e se forçou a recuar.

–- Não! Serio isso?! É serio?! Serio mesmo?? – Kitao se afastou alguns passos. – Cassandra... Cazza SS.

–- Você a conhece Kirato? – A situação era tão perturbadora que Victor não conseguiu parecer surpreso.

–- Minha visinha...

–- Que coisa... Foi eliminada do jogo tão cedo e de um forma tao... Será que ela vai ficar bem?

Um silencio repentino tomou conta da floresta. Kitao ouvia apenas seu coração. Era como se a presença de seus dois amigos tivesse desaparecido e estivesse sosinho novamente. Não pode resistir. Virou-se. Ainda estavam ali. Sentiu uma ponta de alivio, mas logo se lembrou do por que de estar apreensivo.

–- Vamos... Não ganhamos nada ficando parados aqui.

(...)

(...)

(...)

Caminharam por horas e horas floresta adentro. Lyra tentava contar o tempo, mas com toda a pressão não consegui pensar direito. Ninguém conseguia. Ninguém conseguiria. Passaram por pouquíssimas clareiras. A floresta parecia não ter fim. Era densa, escura e úmida como uma típica floresta tropical. Havia perigos em toda parte. Encontraram um enorme buraco no chão que aparentava ter sido cavado a base de garras. Kitao chutou ter cerca de sete metros de profundidade e a largura não soube dizer. Alguma coisa teria arrancado as grossas arvores envolta para poder cavar um buraco daquele tamanho. O pior foi quando Lyra chamou a atenção para algo no centro do buraco. Ovos. Ovos que tinham quase o dobro do tamanho de Victor, o mais alto entre os três. Afastaram-se rapidamente quando perceberam que se tratava de um ninho e não tinham nem um pouco de vontade de conhecer o dono.

Um lobo, aparentemente comum, os atacou. Frustrados por não conseguirem encontrar nada util na floresta, descarregaram toda a raiva reprimida no animal. Quase foi divertido espancar o lobo até a morte. Kitao pensou se poderia come-lo, mas não sem fogo.

Era muito fácil se enroscar em espinhos e galhos pontudos. Isso fez com que suas roupas rasgassem varias e varias vezes. Conseguiram evitar a maioria os arranhões mais graves, mas Kitao e Victor sangraram algumas vezes.

O cansaço já se fazia presente e evidente, assim como a fome. Podiam não saber as horas, mas tinham certeza de que a hora do almoço já tinha passado. Decidiram parar e recuperar um pouco as forças depois de darem de cara com um bando de aves de penas pretas, que voaram baixo, por entre os galhos das arvores atrás deles por quase meio hora. Estavam cansados, com fome e vestidos quase que como mendigos.

–- Lyra. – Disse Kitao, quase que com um gemido. – Que horas são?

–- 00:10 – Gemeu de volta a garota.

–- Desisto... Não vou mais perguntar as horas...

–- KITAO! OLHA AQUILO! – Victor ficou tão surpreso e animado que nem percebeu o quão forte chacoalhava seu colega, alem de chamá-lo pelo nome real. – PARECE UMA CAPELA!!

Victor Apontava para uma pequena construção. Realmente parecia uma pequena capela feita de um material branco. Correram o mais rápido que podiam, nas condições em que estavam.

Chegando mais perto, a modesta capela ganha um ar imponente e nada modesto. Era ainda menor do que aparentava, mas era feita de mármore branco. A entrada era guardada por uma grande porta de madeira sem maçaneta. Victor chutou a porta com toda força, mas ela não se moveu. Puseram-se os três apoiados à porta para empurra-lá, quando a porta brilhou e abriu rapidamente derrubando todos. Ficaram sem entender, porem, não pensaram nisso quando viram o interior da capela. O lugar todo era como uma espécie de altar, com alguma oferenda em cada um dos quatro cantos. Em um canto havia uma larga mesa de madeira, estendida uma toalha vermelha com frutas, pão e bebidas. Em outro canto havia três camas com lençol, cobertor e travesseiro. Toda a roupa de cama era branca. No terceiro canto não havia nada alem de um pequeno saquinho marrom. No ultimo canto havia roupas limpas e secas. Não pareciam ser roupas do mundo real, mas estavam SECAS E LIMPAS! No centro havia uma pequena fonte que jorrava água como se fosse uma fonte de praça. Parecia ter uma estrutura maciça de mármore verde claro. Não havia lâmpada ou janela no local. A fonte iluminava tudo ao seu redor.

–- O que é isso? Será algum tipo de teste?

–- Temos comida na mesa, camas pra repousar, chuto que tenha dinheiro naquele saquinho, roupas limpas e água na fonte.

–- Não vejo nada que possa ser um teste ou desafio. Podemos comer logo?

–- Calma Victoreano... Sydra, você disse dinheiro?

–- Não consigo imaginar nada que possa ser colocado dentro de um saquinho tão pequeno e esfarrapado como aquele.

Kitao foi em direção ao canto com o saco. Ao apanhá-lo, para sua surpresa, era mesmo um saco de moedas. Virou-o em sua mão. Estimou ter quase cinqüenta moedas. Moedas de ouro. Lyra e Victor olharam com alegria para aquelas moedas, mas antes mesmo que pudessem dizer “estamos ricos”, Kitao já as tinha arremessado à fonte.

–- Kirato!? Ficou louco?? Aquelas moedas todas!! Podíamos... Podíamos...

–- Podíamos o que? – Cortou-o com um tom incrivelmente áspero, como se Victor estivesse questionando uma ordem muito importante ou ferindo algum preceito básico de convivência em grupo. – Não sabemos nem se vamos viver o suficiente para encontrar algo que valha esse dinheiro.

–- Mas... Mas... Ah tudo bem... Nem sei por que estou tão preocupado se as moedas ainda estão bem na nossa frente. Afinal... Não é como se essa fonte fosse mágica ou algo do tipo certo?

Mal terminou de falar e o mármore verde da fonte reluziu ainda mais claro. Uma imagem se projetou para fora da água. Uma mulher com longos cabelos louros, rosto delicado e olhos fechados.

–- Bem vindos ao Mundo de Psyquê. Eu sou a Psyquê.

Hora em Psyquê : 12:42

Hora no mundo real: 00:13

Notas finais
(notas do capitulo a ser atualizadas)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.