Psicopata

8 Capítulo 8


Alguns minutos se passaram em silêncio depois que Natsu falou, todos concentrados em tentar descobrir o quê o Assassino das Cartas queria de mim, permaneci de pé, não demonstrando nenhuma emoção em meu rosto, não estava realmente surpresa com o que Levy disse, meu instinto já havia me alertado disso desde que li a primeira carta, também não estava assustada, não seria a primeira vez que era alvo de algum criminoso, piscando, não deixei minha mente vagar por memórias indesejadas, ao invés disso, concentrei-me em continuar a reunião.

— Está bem, descobriremos o quê esse assassino quer assim que o identificarmos e o prendermos. — falei, atraindo a atenção de todos. — Levy, gostaria de saber se você têm alguma ideia de o porquê ele retirar os órgãos das vítimas.

Os olhos castanhos da psicóloga se encontraram com os meus, ela franziu a testa.

— Provavelmente ele quer te... Nos chocar fazendo isso. — fingi não perceber a mudança nas suas palavras. — Alguns criminosos gostam de deixar uma marca que chocará a polícia e o mundo.

Balancei a cabeça.

— Você quer dizer que isso é apenas um capricho dele? — Gageel indagou, com uma expressão de desagrado no rosto.

— Sim. — respondeu Levy, olhando para algumas fotos. — Na parte das duas cartas em que cita como retira os órgãos e os coloca dentro da panela e da mochila, suas palavras são frias e robóticas, quase tediosas.

— E a questão da cabeça decepada? — pergunto, com o cenho franzido. — É apenas um capricho?

Ela demora um pouco antes de responder:

— Não creio. Na primeira carta, ele diz: ''... quando comecei a cerrar seu pescoço, demorei bastante no osso, a lâmina não estava cega, mas o som de raspagem era melodioso e eu gostava dele.'', e na segunda: ''... voltei minha atenção para a cabeça, cortei-a bem devagar, envolvido pelo som da lâmina em contato com o osso.'', o tom de suas palavras é intenso, posso dizer que é quase como se ele sentisse um êxtase ao decepar as cabeças de suas vítimas. — fez uma pausa, dando tempo para que nos digeríssemos o que havia acabado de falar, continuou logo depois. — Existem diversos tipos de assassinos, os assassinos sexuais, que precisam matar para poderem sentir prazer; os assassinos psicóticos, que são levados a cometerem atrocidades por doenças mentais; os assassinos psicopatas, que matam não por um prazer sexual ou por uma doença mental, mas pela única vontade sádica de causar sofrimento ao seu semelhante e recorrem aos meios mais desumanos para torturar suas vítimas até a morte.

Esse era o tipo do nosso assassino.

Mordi o canto dos lábios, psicopatas eram, geralmente, muito inteligentes, possuíam QIs elevados e isso, somado a completa falta de empatia, tornava-os muito perigosos, ainda mais se eles decidissem seguir a carreira de Serial Killers.

— Não temos uma pista que nos ceda pelo menos um suspeito. — comecei, empurrando os laudos do legista com os dedos e pegando um papel onde estavam listados todos os objetos que o apartamento onde o corpo de Tony foi encontrado possuía, analisei-o. — Não há digitais, marcas de sapatos, fibras de roupas ou fios de cabelos... Estamos lidando com um psicopata extremamente meticuloso. — calei, pensativa.

— E sobre os cabelos das vítimas? — Gray levantou o assunto, se empertigando na cadeira. — As duas tiveram as cabeças raspadas, não os encontramos em canto algum.

Antes que Levy pudesse dizer algo, Natsu falou:

— Pode ser um fetiche.

O olhei, com uma sobrancelha arqueada.

— Fetiche? — Makarov indagou.

Natsu acenou afirmamente com a cabeça.

— Sim, não é estranho assassinos guardarem alguma parte de suas vítimas com eles. — disse, assoprou uma mecha de cabelo pra longe do rosto e me lançou um olhar curioso. — Pode até ser que, Tony e Roberto tenham algo que atraiu o assassino.

Pensei sobre o que ele havia dito, ainda não havíamos descoberto o padrão, o modo como ele escolhia as vítimas, enquanto discutiam sobre o quê Natsu havia dito, procurei pela mesa as fotos de Tony e Roberto, não as de seus corpos mutilados, mas as que estavam em seus arquivos no banco de dados do governo, demorei alguns minutos para achá-las no meio da quantidade de papéis que cobriam o tampo da mesa, fitei-as, Tony possuía olhos azuis e um rosto oval, a pele morena queimada de sol, nariz pontudo e cabelos loiros curtos, já a foto de Roberto, era a de quando tinha 18 anos e entrou no exército, olhos escuros, queixo quadrado e pele pálida, cabelos loiros com corte militar.

Joguei as fotos de volta para a mesa.

— Ele escolhe suas vítimas por elas terem cabelos loiros? — perguntei alto, interrompendo Gageel no meio de sua frase, o moreno olhou-me, com uma sobrancelha arqueada.

— Ele escolhe? — devolveu minha pergunta.

— Tony e Roberto, ambos possuíam cabelos loiros. — falo.

Gageel apoia o queixo na mão e me olha com apatia.

— É um padrão muito fraco.

Estreito os olhos pra ele.

— É? Mas parece ser o único que temos agora. — não refreio minha língua. — Ou você tem algum outro em mente, agente Redfox?

Ele também estreita os olhos pra mim.

— Não tenho não, investigadora, mas seria ótimo se você fizesse jus ao seu cargo e tentasse descobrir um padrão que melhor se encaixa ao nosso assassino.

Travei o maxilar. A dor mordeu o lado esquerdo do meu rosto por causa desse gesto.

— É o que estou fazendo, se você não percebeu, mas também seria ótimo se você fizesse algo relevante para a investigação, ao invés de apenas esquentar sua bunda na cadeira.

As bochechas de Gageel queimaram em um vermelho furioso e ele se levantou, batendo as palmas das mãos na mesa.

— Não serei mais tolerante com você, investigadora Lucy! — exclamou. — Se não mudar sua conduta diante de seu superior...

Olhei para Makarov.

— Chefe, estou sendo desrespeitosa com o senhor?

Essa pareceu ser a gota d'água para o moreno, que deu a volta na mesa e se aproximou de mim, com os olhos rubros brilhando de raiva, ele só não conseguiu fazer algo contra mim porque Natsu se levantou e interceptou o ex-parceiro.

— Calma aê, Gageel. — disse, com um sorriso duro nos lábios. — Não intimide minha parceira assim.

Estalei a língua e quando abri a boca para dizer que não estava nem um pouco intimidada, um aperto em meu pulso me chamou a atenção, Gray se colocou de pé e dirigiu as palavras para Makarov.

— Podemos fazer uma pausa na reunião?

O velho afirmou, coçando a cabeça grisalha, aparentemente nem um pouco irritado com a minha conduta.

— Sim, voltaremos com a reunião daqui há meia hora. — disse, afastando a cadeira da mesa. — Usem esse tempo para acalmarem os ânimos.

Gray me puxou para fora da sala rapidamente, caminhamos pelos corredores movimentados da delegacia até sairmos da mesma, estava garoando, os pingos fracos da chuva aliviou um pouco o ardor doloroso do meu ferimento e me ajudou a pensar melhor, ao invés de me sentir um pouco culpada por não ter refreado minha língua, levantei o rosto, curtindo o friozinho das gotas d'água, o moreno me puxou até a padaria Dream's, que ficava à frente da delegacia, quando entramos, o cheirinho de pães novos e café forte despertou meu estômago e o fez rugir, Gray me olhou por cima do ombro e eu corei de vergonha.

— Antes de você perguntar, sim, eu comi os sonhos que me deu ontem. — murmurei, enquanto o acompanhava até uma das mesinhas que costumávamos nos sentar sempre que vínhamos ali.

— Os comeu hoje, não foi? — era uma pergunta retórica, já que ele já sabia a resposta. — Fique aqui.

E foi até a parte onde serviam o café da manhã, sentei-me no banco estofado e olhei pela grande janela, a chuva havia embaçado o vidro, mas mesmo assim, ele me permitiu ver Natsu e Gageel deixando a delegacia, pelo modo com o qual moviam as bocas, pareciam discutir seriamente, desviei os olhos do vidro quando um grande copo de café com leite foi depositado na minha frente acompanhado de um prato com pãezinhos amanteigados.

Gray se sentou à minha frente, com um xícara de café puro em mãos.

— O que é isso? — apontei para o meu copo.

— Café com leite. — me respondeu, sorvendo um pouco do líquido de cheiro deliciosamente forte de sua xícara. — Você bebe muito café puro, isso irá te fazer mal no futuro.

Fechei a cara.

— Não importa. — murmurei e cobicei o seu café com os olhos.

Gray abriu um sorriso.

— Não, eu não vou te dar. — negou minha pergunta muda, depois ficou sério. — Coma.

Não ousei dizer mais nada perante ao seu olhar afiado, mordi a ponta de um dos pães e acabei por devorar três em minutos, não havia percebido que estava com tanta fome, tomei metade do café com leite e soltei o ar morno da minha boca com satisfação, estava mordiscando o quarto, quando Gray pousou a xícara vazia na mesa.

— Lucy. — chamou-me, fingi estar distraída com as centenas de gotas da chuva que havia aumentado e que agora escorriam velozmente pela superfície plana do vidro da janela. — Lucy.

Engoli o pão.

— Desculpe. — pedi, antes de erguer os olhos para ele. — Eu sei que fui imprudente, sei que não devia ter enfrentado um cara armado, não, não está doendo muito e desculpe novamente, mas não posso prometer que não farei algo assim de novo.

Eu já havia tomado broncas parecidas demais à ponto de decorar suas perguntas e minhas respostas. Gray suspirou e esfregou os olhos.

— Você é sempre assim. — murmurou, apoiando o rosto na mão e me encarando com tristeza. — Não pensa nos outros quando faz algo perigoso que pode dar um fim à sua vida.

Encolhi os ombros e ofereci-lhe um sorriso pequeno.

— É o meu jeito.

Ele balançou a cabeça.

— Ele não era tão suicida desse jeito. — disse. — Você sempre foi imprudente, mas nada do que fazia colocava sua vida em risco, mas desde aquilo, sua imprudência só subiu de nível.

Desviei o olhar do dele, peguei o último pãozinho e abri bem a boca para colocá-lo inteiro dentro dela, fiz uma careta enquanto mastigava com dificuldade, a dor me tirando a concentração das palavras seguintes de Gray.

— Não foi sua culpa. Então, pare de se martirizar. — ouvi o tom de sofrimento em sua voz. — Você não o matou...

Bati a mão na mesa com força, derrubando o copo e o resto do meu café com leite na mesa de tampo branco, algumas pessoas que estavam sentadas nas mesas ao redor, nos encararam e começaram a cochichar.

— Chega, Gray. — falei com súplica. — Isso já aconteceu há anos, coisas do passado devem continuar no passado.

Me levantei e passei a mão na minha regata manchada.

— Mas você ainda continua...

O olhei.

— Sim continuo, porquê, por mais que você diga que não foi minha culpa, ambos sabemos que foi! — chiei, com dor na voz. — Nada vai apagar o erro que cometi e o sangue dele estará pra sempre manchando minhas mãos!

Dei-lhe as costas e saí a passos velozes da padaria, a chuva forte me ensopou em questão de segundos, atravessei a rua correndo e entrei afobada na delegacia, caminhei de cabeça baixa até chegar ao banheiro feminino, entrei em uma cabine, tranquei a porta, abaixei a tampa do vaso e me sentei, mergulhando o rosto nas mãos, sufoquei as lágrimas que queriam desesperadamente sair, mordi os lábios com força o bastante para machucá-los, meu peito doía e a cicatriz velha me incomodou mais uma vez, era sempre nesses momentos que ela voltava para me lembrar o quão estúpida eu havia sido ao pensar que podia prender aquele assassino sozinha.

Soltei um grito abafado. Extravasando toda minha dor e ódio por mim mesma.

Alguém bateu na porta da cabine. Levantei o rosto das mãos e controlei minha voz para que saísse de qualquer jeito, menos trêmula e quebrada.

— Está ocupado.

Uma risada. Masculina.

— Eu sei, desculpa, mas a reunião já vai começar, parceira.

Levantei-me, destranquei e abri a porta com rapidez, apenas para me deparar com o sorriso provocador de Natsu.

— O que você tá fazendo aqui?! — exclamei, chocada. — Esse é o banheiro feminino!

Ele deu de ombros, tranquilo.

— Eu sei. — o sorriso sumiu do rosto quando ele me encarou intensamente. — O que houve?

Desviei o rosto do dele e passei por ele, não tive coragem de encarar o meu reflexo quando passei ao lado dos espelhos, saí do banheiro e enquanto ia na direção da sala de reuniões, Natsu me alcançou e segurou meu cotovelo, voltei-me pra ele, agressiva.

— Vamos nos atrasar. — rosnei.

Ao invés de me soltar, ele apertou sua mão ainda mais e me encarou com gravidade no olhar escuro.

— Não me afaste. — disse, a voz cortante bem diferente de segundos atrás. — O que houve? Me conte, agora.

Encarei-o, de repente furiosa com a ordem.

— Não tenho a obrigação de lhe contar nada, agente Dragneel. — puxei meu braço de seu aperto, precisei dar dois passos à frente para conseguir, Natsu era forte. — Não se meta na minha vida.

E dei-lhe as costas, cheguei na sala de reunião com a respiração pesada, havia corrido para que Natsu não tivesse tempo de fazer mais nada, mas a disfarcei assim que meus olhos recaíram em Gageel, ele me encarava friamente, devolvi-lhe o olhar e fui até o meu lugar, Gray já estava sentado e me encarou com uma expressão de arrependimento, peguei sua mão e a apertei, abrindo um sorriso mínimo.

— Desculpe por ser tão grossa. — cochichei, curvando a cabeça para o seu lado.

O moreno era a única pessoa que me mantinha inteira. Se eu o perdesse, não tinha certeza se eu conseguiria viver por muito tempo.

Ele apertou minha mão de volta.

— Estou acostumado. — brincou.

O barulho da porta batendo me fez erguer a cabeça, Natsu caminhou até ao meu lado e se sentou, a expressão nebulosa de seu rosto não revelando nada. Soltei a mão de Gray.

— Estão todos aqui, vamos continuar a reunião. — Makarov disse, parecendo não notar o clima pesado da sala, ou se notou, preferiu ignorar, ele acenou com a cabeça na minha direção. — Quero ouvir um pouco mais sobre o que disse sobre ambas as vítimas terem cabelos loiros, Lucy.

Peguei as fotos de Tony e Roberto.

— Pode ou não ser um padrão, como disse nosso colega... — olhei para Gageel e vi seu maxilar travar. — Ele é realmente muito fraco, então não podemos ter certeza se o assassino escolhe suas vítimas por elas possuírem cabelos loiros. — joguei as fotos de volta para a mesa. — Mas, por enquanto, a cor do cabelo é a única coisa que liga as duas vítimas.

— Ambas nunca se encontraram. — Gray fala, pegando minha linha de raciocínio. — Por terem tido condições de vida diferentes, Tony e Roberto nunca frequentaram o mesmo lugar, então, isso risca a possibilidade de o assassino terem os escolhidos à partir de um estabelecimento, como um bar.

— Além de não possuírem antecedentes criminais, não estavam envolvidos com algo ilícito, como tráfico e venda de drogas. — continuei e logo emendei. — Eles nem ao menos frequentaram a mesma escola, Tony acabou não se voluntariando para o exército e Roberto pediu dispensa depois de três anos, o mesmo acabou indo parar na rua, o único parente vivo que encontramos foi um tio que não mora aqui, ele disse para fazermos o que quiser com o corpo e não voltar a perturbá-lo com coisas desnecessárias.

Fiz uma careta depois de dizer isso. Dei uma pausa, enquanto olhava para alguns documentos.

— Qual foi a causa da morte de Roberto? — Gageel perguntou, a voz saiu forçadamente educada.

— Hemorragia. — respondi, não desviando os olhos dos documentos. — Jellal não encontrou nenhum elemento estranho no sangue, ele não foi drogado. — olhei para o moreno. — Jellal é o nosso legista.

— Eu já sei.

Arqueei os lábios para cima, em um falso sorriso sem dentes.

— Que bom saber que é bem informado. — provoquei.

Recebi uma cutucada na minha lateral, olhei, Gray me lançou um olhar severo. Dei de ombros.

— Há uma coisa que me deixa confuso. — Natsu disse, a voz sem o tom cortante da última vez. — Como o assassino conseguiu torturar até a morte dois homens, adultos e fortes, sem que eles oferecessem alguma resistência? Pelo que sei, não foi encontrado nenhuma marca de luta ou defesa nos corpos.

Isso era uma coisa que também me intrigava, mordisquei os lábios.

— Talvez ele tenha coagido as vítimas. — Levy deu a ideia.

— Como assim? — Makarov perguntou, de cenho franzido.

A azulada mexeu nos óculos, empurrando-os para cima.

— Dá para perceber pelas cartas que o assassino escreve bem, então não seria uma surpresa que ele também falasse bem.

— Pessoas que tem uma boa lábia quase sempre conseguem o que querem. — Natsu resmungou baixo ao meu lado, olhei rapidamente para ele, mas desviei os olhos quando ele tentou capturá-los com os seus. — Não é impossível, mas, mesmo que ele tivesse conseguido atrair as vítimas até o lugar onde seriam mortas, como ele conseguiu nocauteá-las? Elas tentariam se defender assim que percebessem que algo não estava certo.

Levy encolheu os ombros, sem saber o que dizer.

— Iremos pensar mais sobre isso, mas, por agora, quero que conte sobre as entrevistas que obtiveram do dono do prédio onde Tony foi encontrado e dos vizinhos, e dos garotos que encontraram Roberto. — Makarov falou depois de alguns minutos de um silêncio especulativo.

Olhei para Gray, pedindo com os olhos para que pegasse essa parte, ele confirmou com a cabeça e se levantou enquanto eu me sentava, soltei um suspiro cansado e passei a mão na testa, empurrando os fios molhados para longe dela, pisquei e olhei para o lado, quando senti uma pressão em meu joelho.

Natsu abriu um sorriso largo.

— Vamos almoçar juntos hoje. — não perguntou, simplesmente falou como se já tivéssemos feito isso tantas vezes que a pergunta não mais precisava ser feita. — Por minha conta.

— Não. — recusei de maneira grosseira.

Seus olhos se estreitaram mas ele manteve o sorriso.

— Se não aceitar, te perturbarei até que aceite. — e arreganhou mais o sorriso que se tornou malicioso. — Vai por mim, não vai querer conhecer esse meu lado perturbador.

E, por algum motivo, acreditei em suas palavras. Com uma extrema aversão, aceitei.