Psicopata
18 Capítulo 18

Havia uma tensão no ar da delegacia quando entramos, o térreo da construção larga e de dois andares estava praticamente vazio, os poucos policiais que estavam ali, caminhavam com passos apressados e expressões sérias, nenhum deles ao menos levantou os olhos para nós quando atravessamos o saguão rumo as diminutas salas de interrogatório que ficavam na ala norte, as paredes dos corredores eram pintadas de um branco que já estava amarelado pelo anos, quadros de antigos chefes de policia já falecidos apareciam em intervalos longos e eram os únicos ornamentos que as paredes sustentavam, por ser um prédio quase centenário, a delegacia possuía seus encanamentos enferrujados, que deixavam vazar água e provocava mofo nas quinas das paredes e no teto, seu chão de madeira escura que gemia mas que ainda era resistente o bastante para não engolir algum pé desatento e suas poucas rachaduras que quando se tornavam grande demais, eram rapidamente preenchidas com argamassa.
Para falar a verdade, a velha construção estalava em lugares que não deveriam, não demoraria para que ela fosse interditada e a delegacia ganhar um novo endereço.
Natsu abriu uma das portas do corredor estreito, havia três salas que usávamos para interrogatório, todas pequenas e mal arejadas, uma mesa de metal pequena e duas cadeiras duras no centro era tudo o que o recinto tinha, Steven sentava-se em uma, com uma expressão desconfortável no rosto inchado, seus pulsos estavam algemados e seus dedos tremiam de nervoso, quando ouviu a porta se abrindo, virou seu rosto e seus olhinhos maldosos se arregalaram quando me viu, fechei a porta, oferecendo-lhe uma piscadela matreira. Natsu adiantou-se e se sentou na beira da mesa, de braços cruzados, encarou Steven de cima com um sorrisinho que o fez se aprumar, caminhei lentamente até a cadeira, a puxei e me sentei, fingindo estar confortável em sua dureza.
— Ah, a senhora não. — gemeu, sua voz saiu anasalada por causa do nariz que parecia uma bola de golfe vermelha de tão inchado, ele trincou os dentes quando reparou o escárnio que a risadinha do agente ao seu lado revelou. — Ahn... O que a garotinha quer dessa vez?
Pousei a pasta na mesa, me curvando para Steven, não deixei de perceber que ele se encostou na cadeira, se afastando de mim.
— Ora, acho que essa garotinha fez um belo estrago em você na última vez, não? — sorri para sua carranca.
— Você ainda há de ter com o meu advogado! — exclamou. — Vocês dois invadiram meu apartamento! Você me agrediu e ainda me prendeu sendo que eu não fiz nada! Eu irei te processar e a justiça...!
Foi interrompido pela gargalhada que Natsu soltou, ela ecoou por segundos antes do agente bater a palma da mão na mesa e cessá-la de modo abrupto, encarou Steven com um meio sorriso divertido na boca.
— Um criminoso falando de justiça, isso é incrível. — balançou a cabeça. — O que espera ganhar disso? Uma indenização? — seu sorriso tornou-se maldoso ao ver a que era isso mesmo que Steven tentaria ganhar. — Seria uma perda de tempo, mesmo se conseguisse um advogado, ele nada poderia fazer, seu DNA foi encontrado na cena de um crime, crime esse que está sendo investigado pelo FBI, além disso, você atirou contra um agente e feriu uma investigadora, como acha que o júri tratará seu reles processo contra seu passado e isso que acabei de citar?
Steven engoliu em seco, a luz fluorescente acima de nós fez seu suor visível.
— Eu não sei do que possa estar falando. — soltou uma risadinha nervosa. — Meu DNA? Como...?
— No dia 5 de Julho de 2015, aconteceu um assassinato, no banheiro do apartamento onde o corpo da vítima foi encontrado, havia manchas de sangue seco no chão, e adivinha? O sangue lhe pertence. — falei calma, observando cada pequeno gesto que o homem à minha frente fazia, continuei. — Onde estava nesse dia, Steven?
— E-eu estava na cadeia, óbvio!
— Tsc, não tente mentir para nós, caro Steven. — Natsu disse, estreitando os olhos. — Ao tentar assaltar uma loja de conveniência, você foi detido, porém foi solto no dia 3 de Julho.
— Seu apartamento fica no mesmo bairro do qual aconteceu o assassinato e você foi liberado dois dias antes dele acontecer, não acha uma estranha coincidência seu sangue ter aparecido nele?
Steven me encarou com uma fúria trêmula.
— Está me acusando de assassinato?! — berrou, batendo os punhos na mesa, saliva voou de sua boca e eu me afastei, não muito desejosa de ser atingida por elas. — Vocês não tem prova alguma! Eu não matei ninguém! Entrarei com um processo contra você por acusações em fundamento...!
Natsu bateu na mesa novamente, dessa vez, pude senti-la estremecer, o rosto do agente era uma máscara vazia, seus olhos frios fizeram Steven se encolher como um cão acuado, medo substituindo facilmente a fúria.
— Não se engane. — falou de modo manso. — Você jamais poderia ser o assassino de que estamos atrás e sabe disso, então, pare de tentar processar minha parceira ou terei que lhe forçar a parar.
Olhei para o teto por alguns segundos, deixando que a ameaça de Natsu pairar no ar. Voltei o olhar para Steven, que suava com ainda mais frequência.
— Desculpe meu parceiro, ele não tem muita paciência para isso. — sorri-lhe.
O homem careca deu uma risadinha aguda.
— E-então é isso? — olhou para mim e depois para Natsu, voltou a me encarar rapidamente quando o agente sorriu. — Esse é tipo de interrogatório onde há um policial bom e o outro mal, hã?
O sorriso sumiu do meu rosto. Inclinei por sobre a mesa, encarando com intensidade os olhinhos de rato de Steven.
— É isso o que acha? — perguntei, o tom de voz apático. — Então, pode me dizer quem é o policial mal e quem é o bom? Ele ou eu?
Havia quase um desespero no modo com que Steven suava agora, sua blusa puída estava molhada na gola e debaixo dos braços, suas mãos se erguiam a cada segundo para secar a testa, a respiração saia ruidosamente e ele não conseguia manter os olhos nos meus muito mais do que conseguia com os de Natsu.
— Olha o que você fez, Lucy. — o agente falou, estalando a língua mas ainda sustentando o sorrisinho maldoso nos lábios. — Não é bom intimidar um interrogado desse jeito, pode interferir no seu relato sobre como seu sangue foi parar no apartamento — parou de sorrir e tombou a cabeça para o lado. — E não seria muito bom caso isso viesse acontecer, certo?
Levou poucos segundos para que Steven desistisse de segurar a língua, com um ofego, ele empurrou a cadeira para trás, jogando as mãos algemadas para cima.
—Está bem! Está bem! — exclamou, alternando os olhares entre mim e Natsu. — Kevin me deixou ficar naquele apartamento por algumas horas para...
— Espere, Kevin Bristow? O dono do prédio? — perguntei, estupefata.
— Sim, sim, ele é um conhecido meu, mas não ele não tem nenhum envolvimento com os crimes que já cometi! — guinchou, os olhinhos de rato se arregalando ante a possibilidade de acusarmos o velho de alguma coisa. — Ele é somente um colega, nem amigo é, já me ajudou algumas vezes quando estava sem dinheiro e teto, ele é velho, perdeu a esposa há muito tempo e agora tá doente, vai morrer logo, então, vocês não podem prendê-lo por se envolver comigo e...
— Já chega! — Natsu vociferou, a voz impaciente. — Não iremos prender Kevin Bristow por ele estar envolvido com você, mas não nego a possibilidade dele ser detido por ocultar informações cruciais para a investigação.
Steven gemeu e balançou a cabeça.
— Ele não fez nada demais, tem que acreditar, eu saí daquele apartamento depois de algumas horas, estava precisando de um lugar para descansar depois de levar uma surra de um antigo parceiro. — ele cuspiu no chão, uma carranca feia no rosto inchado. — É por isso que meu sangue estava no banheiro, o desgraçado me arrebentou e se não fosse por Kevin ter me permitido fazer alguns curativos eu teria que explicar como consegui aqueles ferimentos se tivesse ido para o hospital. — Steven nos encarou, com o cenho franzido em menosprezo. — Você sabe, garotinha, depois que é solto, o cara fica sendo vigiado de perto por algum tempo, então, qualquer coisinha suspeita pode te levar de volta para a cadeia.
Cruzei os braços, irritada, aquele velho idiota havia dado um testemunho falso ao ter dito que ninguém havia entrado naquele prédio antes do assassino, por ter feito aquilo, Kevin Bristow poderia pegar de dois a quatro anos de prisão.
— Então, o que você está nos dizendo é que saiu horas depois do apartamento. — Natsu disse, depois de um tempo em um silêncio tenso. — O que está dizendo é verídico? Você saiu mesmo horas depois? Não ficou mais alguns dias e por acaso viu o assassino cometer sua atrocidade?
Steven fixou o olhar maldoso no agente ao meu lado.
— Está querendo me acusar do quê, agente? — sua língua pareceu escorrer ácido quando disse a última palavra. — Por acaso acha que ajudei aquele lunático a matar o cara? Que eu sou o parceiro dele? NÃO DIGA MERDAS, SEU FILHO DA PUTA!
O que aconteceu a seguir foi tão rápido que não pude reagir, Natsu desferiu um chute contra o peito de Steven, fazendo-o cair para trás junto com a cadeira, o impacto no chão o fez estremecer, coloquei-me de pé, mas o agente estava mais adiantado e chegou ao homem antes de mim, pressionou o tênis preto na garganta de Steven e apertou, fazendo-o se engasgar e estrebuchar ao tentar afastar o pé que lhe espremia a traqueia, negando-lhe oxigênio.
— Não sei se você percebeu o quão grave a situação é, Steven Ban, mas vou deixá-la clara para você agora. — apertou ainda mais a garganta do homem cujo o rosto começava a passar do vermelho para o roxo. — Essa investigação está sendo conduzida pelo FBI, um Serial Killer anda à solta, matando suas vítimas de uma forma cruel e excruciante, seu alvo é a minha parceira, então, não serei tolerante com alguém que se acha demais, que pensa que é alguma coisa além de um criminoso da pior laia. — as mãos algemadas de Steven o impediam de agarrar com firmeza o tornozelo de Natsu, ele começou a engasgar, saliva escorreu pelo canto da boca aberta. — Então, me responda de modo claro: você saiu algumas horas depois do apartamento? Ou ficou mais do que nos disse?
Steven não conseguiria responder enquanto o pé de Natsu estivesse lhe esmagando a traqueia, aproxime-me e segurei o cotovelo do agente, atraindo sua atenção para mim. Seus olhos sombrios me encararam, indiferentes do que fazia ao homem aos seus pés.
— Deixei-o Natsu, caso continue, o matará. — falei, apertando os dedos o máximo que conseguia em sua carne por cima da jaqueta. — Tem noção do que está fazendo? Ele é apenas um sujeito ruim, não possuí inteligência o bastante para ser parceiro do Assassino das Cartas, e além do mais, esse psicopata não tem ninguém que lhe auxilie, ele está sozinho.
Natsu me encarou por longos segundo antes de afastar o pé da garganta de Steven, o homem careca e gordo tossiu várias vezes, ofegante e desesperado para sorver o oxigênio que por um minuto lhe foi negado, o agente puxou o braço do meu aperto e caminhou até a porta.
— Chamarei um policial para levá-lo para a cadeia, ele não sairá impune depois de tê-la ferido parceira. — seu sorriso era um esgar horroroso. — Irei fazer um convite à Kevin Bristow para comparecer aqui, acho que temos algumas perguntinhas para ele, certo?
E saiu, batendo a porta com força o bastante para fazer suas dobradiças estremecerem, soltei o ar que não percebi estar segurando, caminhei até a minha cadeira e desabei nela, secando o suor que escorria por minha testa.
— E-esse seu par-parceiro... — Steven grunhiu com a voz fraca, sentando-se com dificuldade. — Ele é um lou-louco, deveria t-tomar cuidado, ga-garotinha.
A porta se abriu novamente e dois policiais entraram a passos rápidos, acenaram com a cabeça para mim e puxaram Steven pelos cotovelos, os três saíram e a porta bateu, deixando-me sozinha no recinto abafado.
***
Todo o conteúdo da pasta parda estava espalhado na mesa de metal, em pé em frente a ela, franzindo o cenho em concentração, deixei meus olhos passarem pelas minhas fotos em preto e branco, as quatros que me mostravam saindo do apartamento, vomitando no arbusto, entrando pelos portões do Parque Central e chutando o chão do morro, respectivamente, puxei-as para deixá-las no centro da mesa e por cima das outras fotos, a quarta foto não deveria estar ali, não mesmo, era óbvio que ela havia sido tirada logo depois do corpo de Oliver ter sido encontrado, o que tornava impossível dela ter parado dentro do cadáver, grampeada junto com as outras, peguei-a e a ergui contra a luz forte da sala de interrogatório, o ângulo do qual foi tirada revelava que quem a tirou estava ao meu lado, afastado uns bons metros e provavelmente oculto pelas árvores que tomavam a lateral de todo o morro.
As fotos haviam sido verificadas, o tipo de câmera usada foi uma Fuji Instax, uma que revelava a foto na hora, configurada para que elas saíssem em preto e branco. Era uma câmera simples, que podiam ser compradas em várias lojas online e que tornava o rastreamento de cada pessoa que fez a compra um processo demorado e talvez impossível.
Estreitei os olhos. A única resposta que encontrava para explicar o surgimento daquela quarta foto dentro do corpo de Oliver era que algum dos policias ou um membro da perícia estava envolvido com o assassinato, e com o assassino, larguei a foto com asco, deixando-a flutuar até pousar na beirada da mesa, não queria pensar que algum dos meus colegas de polícia estava metido no meio daquele caso horrível ou que algum deles fosse o Assassino das Cartas, não, mas eu não tinha outra alternativa, tinha que pensar em todas as possibilidades, em todos os achismos baseados em conjecturas e desconfiar de cada um, tentar descobrir se algum conhecido poderia ser o culpado, soltei o ar em um suspiro longo e cansado, não queria trilhar esse caminho, não era nada bom notar o quão desconfiada fui com as pessoas ao meu redor depois de ter solucionado o caso.
A culpa seria pesada o bastante para me fazer arrepender e me afastar.
Enxotei esses pensamentos pessimistas e voltei meu olhar para as fotos dos corpos de Tony, Roberto e Oliver, arrumei-as, colocando o laudo de cada um e a cópia da carta encontrada do lado delas, franzi o cenho enquanto as estudava, era certo que a arma usada fora uma Taue 228, uma faca forte o bastante para serrar a vértebra cervical da vítima e infligir os outros ferimentos, e também era certo dizer que o psicopata apenas sentia prazer ao degolar suas vítimas, quaisquer outros decepamentos como os dedos dos pés e mãos, era apenas uma frivolidade, assim como a remoção dos órgãos e dos olhos, colocando-os dentro de recipientes diversos, ele apenas queria chocar as pessoas e à mim ao fazer aquelas perversidades, mordi os lábios, a única coisa que ainda não era clara era o porquê do assassino raspar a cabeça de suas vítimas, haveria de ser um fetiche como Natsu havia dito anteriormente?
Franzi a testa e olhei para o relógio na parede nua, quase duas horas haviam se passado desde que o agente tinha deixado a sala, estalei o pescoço, não querendo me preocupar com isso, deslizei as cópias das duas cartas e cópia da foto da mensagem que o Assassino das Cartas havia deixado para mim, passei os olhos rapidamente pelas linhas escritas nas cartas, seu conteúdo muito bem gravado em minha cabeça, e encarei a mensagem escrita a sangue, testes de DNAs foram feitos no sangue, porém ele não era humano, era de animal, um pobre cachorro ou gato havia sido morto para esse objetivo, crispei os lábios, novamente, ao reler aquelas escrotas palavras, tive a sensação de que o assassino me conhecia, deixe-me cair na cadeira.
Não era a primeira vez que cogitava a ideia de que Zeref Bennett fosse o Assassino das Cartas, havia algumas provas que apontavam para aquele cara, como o dia da fuga dele, Zeref havia escapado da prisão no dia 12 de Junho, dias antes do primeiro assassinato, não era comum um assassino mudar seu modus operandi de um modo tão drástico, claro, mas não conhecíamos realmente bem o que um psicopata era capaz de fazer para atingir seus objetivos, a mente deles funcionavam de uma maneira totalmente diferente, o que os possibilitava a fazer barbáries que chocavam o mundo mas que eles não eram de grande importância.
Além daquilo, havia o ódio dele por mim, Zeref me queria morta por tê-lo quase matado e o trancafiado em uma solitária por quatro anos.
Assassinar cruelmente vítimas que cada vez se assemelhavam à mim e deixar recados sádicos para me perturbar era uma boa vingança, no fim, quando tivesse me desestabilizado à ponto de me levar a loucura, cuidaria de mim com suas próprias mãos.
A porta se abriu num rompante.
Por reflexo, saltei da cadeira, sacando a Beretta do coldre e apontando-a na direção da porta, a dor de minhas queimaduras não fizeram a mira balançar e meu dedo no gatilho não tremeu nem vacilou.
Natsu Dragneel sorriu seu sorriso de lobo, o cabelo desfeito de seu penteado e grudado na testa suada.
— Parece que não está nem um pouco enferrujada, parceira. — abaixei a pistola, com o coração normalizando suas batidas assustadas. — Porém acho melhor recarregá-la, se sentirá mais segura com balas do que sem elas.
Guardei a Beretta, meus dedos tremiam por terem notado o quão fácil foi sacar a arma, mesmo não tendo encostado nela e nem em nenhuma outra por anos.
— Agradeça por não estar carregada, agente Dragneel. — grunhi, retirando alguns fios de cabelo da frente do rosto. — Se não estaria agonizando agora no chão, com uma bala incrustada no peito.
Natsu aumentou o sorriu e depois o fez desaparecer. Enrijeci ao notar sua expressão carregada.
— Kevin Bristow está morto.
Acenei com a cabeça. Não tão chocada.
— Pela doença? — o câncer já estava avançado demais.
Natsu negou.
— Assassinado, um tiro na nuca, execução.
Pisquei, agora chocada, me virei e encarei o agente.
— Como assim? Kevin não tinha antecedentes criminais, não estava aliciado a nada ilegal, porquê foi executado?
— Não sabemos, ele foi encontrado em seu apartamento por um moradora do prédio, ela contou que estava indo pagar o aluguel, a porta estava aberta e decidiu entrar, o corpo de Kevin estava caído na sala. — parou por um momento antes de continuar. — Ao seu lado, amarrada em uma cadeira, estava um corpo decepado de uma mulher.
Pisquei lentamente, desci a mão e segurei o coldre com a Beretta. Trinquei os dentes de ódio.
— Parece que devo dar uma olhada, já que sou a sua consultora, agente Dragneel.
Natsu abriu um mínimo sorriso e deu-me passagem.
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