Psicologia Reversa

4 Quanto mais sorvete melhor!


Notas iniciais
Boa leitura!

Aff! Já acabou e durou tão pouco! Preciso comprar outro logo. Mas só depois de ver como a Tônia está! Se algo acontece com ela a Tininha me mata, me ressuscita e me mata de novo depois!

Essas crises de reversão me deixam exausta! E de novo acabei me esquecendo de algo. Aquele moço não me disse seu nome e nem me toquei de pergunta-lo, que lerda eu sou! Estou quase chegando onde a Tônia está, tenho que tomar cuidado pra ela não me ver senão ficará enfurecida, e prefiro ser atropelada por mil moços que me paguem sorvetes do que ter que encarar ela nesse modo do mal!

— Tarsin, aquela não é a maníaca do sorvete que te atropelou? O que ela tá fazendo atrás daquele banco? Será que ela acha que está escondida? — completou rindo e tirando o celular do bolso.

— Nossa, num é que é ela mesma! O que você tá fazendo João? Guarda esse celular ai mano!

— Cara vai que ela faz uma daquelas loucuras de novo... Melhor eu gravar e salvar esse momento épico da vida dela. Depois ela me agradecerá! (Esse João gosta mesmo de trollar!)

— Vou ver o que tá acontecendo. Vai que ela precisa de mais ajuda.

Enquanto isso, eu Tati-camuflada, me esgueiro pelas cadeiras da praça de alimentação sem deixar que Tônia me veja, mas acho que estou tão escondida que não consigo ver ela também! Enquanto ando cautelosamente abaixada por entre as cadeiras, sinto algo se aproximando por trás e um leve toque no meu ombro.

— Silêncio. — sussurrou o moço que me pagou sorvete enquanto me virava pra direção dele. Eu particularmente estava assustada com o fato dele estar no meio da minha missão de reconhecimento, pois caso ele insista muito em me pagar mais sorvete vou ter que abandonar a missão de coração partido!

— Não sei se lembra de mim, mas paguei sorvete pra você alguns minutos atrás. Muito prazer meu nome é Tárcio! — continuou ele sussurrando pra mim.

— Claro que me lembro de você moço.

— Tárcio, pode me chamar de Tárcio — ele indagou. — Então, pode me contar o que faz aqui abaixada entre as cadeiras? Perdeu algo? Tá perdida? Sua mãe disse pra esperar aqui?

— Claro que não Tárcio! Minha mãe deve estar em casa essa hora jogando no facebook. Viemos só eu e minha irmã mais nova, que é o sentido desta missão de reconhecimento!

— Missão? Que tipo de missão é essa? E espera... Você e sua irmã mais nova vieram sozinhas sem nenhum adulto?

— Meu querido. —disse eu enquanto respirei mais forte. — Já tenho 16 e em breve 17, para sua informação e essa missão é para reconhecer se há algum perigo que possa prejudicar a tarde feliz de minha irmãzinha. — completei num tom mais firme.

— Por isso está escondida? Porque acho você o maior perigo que pode atrapalhar a felicidade dela! Brincadeira! Não leve a sério. — disse Tárcio sorrindo.

— Não consigo encontrar ela. — pensei em voz alta.

— Como ela é?

— Hum... Um pouco mais alta que eu, cabelos longos castanhos, morena, bem vestida e bonita. Muito bonita!

— Não seria aquela ali? — disse apontando na direção de um grupinho de meninas paradas rindo em frente a uma boutique.

— Nossa como sabia que era ela? — exclamei perplexa com a facilidade dele de encontrar pessoas. (Habilidade a qual não tenho)

— Hahaha. Tenho um talento natural pra encontrar meninas bonitas!

— Entendo. Parece que está tudo bem com ela. Declaro esta missão encerrada com sucesso!

— E agora o que fará? — ele me perguntou franzindo a testa. Notei que sempre fazia isso quando me perguntava algo, talvez esteja muito curioso.

— Voltar pra sorveteria, é claro!

— Nossa você gosta mesmo de sorvetes hein! — disse enquanto levantava e batia seu short.

— Eu não gosto, eu amo! — acho que falei isso com todo o entusiasmo possível que um ser humano pode ter.

— Enfim, acho que está na minha hora. Mas ainda falta algo.

— O que? — perguntei toda curiosa.

— Você ainda não me disse seu nome. — ele me respondeu com um leve sorriso.

— Te digo no caminho! — disse enquanto puxava ele pela mão.

— Caminho de onde? — desta vez a testa estava mais franzida do que antes.

— Da sorveteria, oras. Pra onde mais seria?

— Ok. Acho que posso te acompanhar por um momento, mas não vou sustentar seu vício! — disse isso enquanto me encarava dizendo com os olhos: “Nada de sorvete grátis desta vez!”

— Tudo bem, eu pago o meu próprio sorvete. A propósito, me chamo Tatiane. Mas pode me chamar só te Tati!

Veja bem minha atual situação. Estou voltando na direção da sorveteria (que tem aquele maravilhoso banner) de mãos dadas com um rapaz legal que me pagou sorvete. Em condições normais, qualquer garota comum se apaixonaria. Mas não eu! Sou expert nestes assuntos e sei que ele só tá sendo gente boa. E ainda tem o fator “reversão” (Olá Tiff!). Por isso consigo andar normalmente de mãos dadas com alguém que acabei de conhecer e... Espera! Não tinha reparado, mas até que ele é bonitinho. E essa roupa indica que provavelmente está vindo de alguma atividade física. Não estou nervosa! Não estou nervosa! Vou soltar a mão dele porque ela tá suando, mas sem dúvidas não é de nervosismo!

— Alô! Tati! — o escutei me chamando enquanto passava a mão em frente meu rosto de um lado pro outro.

— Meus olhos estão girando! Meus olhos estão girando! — aff! Disse isso em voz alta!

— Calma não tem nada girando Tati. Vamos ficar parados aqui na entrada até quando?

— Nossa nem reparei que tínhamos chegado! Vamos entrar logo e tomar todos os sorvetes dessa loja!

Enquanto isso Tônia e suas amigas estavam tendo um passeio tranquilo, para a alegria de Tônia. Elas estavam caminhando em direção a um banco onde sentariam juntas pra esperar o horário marcado do salão.

— A Tati esta sumida demais... — pensou Tônia. — Ei meninas vou ao banheiro rapidinho!

— Espera Tônia vamos juntas! — elas responderam na mesma frequência!

— Não se incomodem garotas, vou aproveitar e ligar pra minha mãe, ela sempre se esquece de tomar o remédio dela nessa hora. — disse Tônia se afastando lentamente andando para trás.

Na verdade ela estava preocupada com sua irmã, mesmo sendo mais nova ela era a única normal e se sentia totalmente responsável por ela. Enquanto andava olhando loja por loja procurando por Tati, se lembrou do vício descontrolado da irmã e de sua enorme paixão por sorvetes. “Já sei onde ela vai estar!” Disse ela indo correndo em direção a sorveteria.

Chegando lá viu Tati agarrada a uma tigela enorme de sorvete acompanhada de um estranho.

— Tati! O que significa isso? — questionou Tônia entrando em seu modo furioso.

— Isso significa diversão! — respondi pegando uma colher bem cheia de sorvete.

— Não isso, e sim isso! ­— disse ela apontando diretamente para o Tárcio.

— Oi Tônia. Me chamo Tárcio, muito prazer! — ele disse isso com um sorriso meio forçado, talvez estivesse com medo, bastante medo (tadinho eu o entendo perfeitamente).

— Silêncio, pois estou falando com minha irmã! Não costumo falar com estranhos.

— Tônia, não precisa falar assim com ele!

— Tudo bem Tati ela só está um pouco nervosa... — ele disse tentando apaziguar a situação.

— Senhora, seu pedido está pronto! — gritou a atendente colocando meu enorme pote de sorvete em cima do balcão.

Levantei e fui muito feliz até lá buscar meu precioso tesouro, enquanto Tônia se assenta no espaço certo pra ficar entre Tárcio e eu. Peguei a bandeja com meu sorvete e senti aquela nobre e bela sensação, que só eu sei que é, quando Tiffany vai sussurrar algo pra mim! “Mantenha a calma Tati, você esta na frente do Tárcio e pior ainda, da Tônia!” Pensei comigo mesma: “sou eu quem manda em mim!” Logo após pensar essas pobres palavras Tiff e sua ironia sussurram: — Que tal voltar correndo para a mesa?

— Claro Tiff! — respondi indignada!

E antes mesmo de terminar de responder já estava correndo em direção a mesa gritando: “ Sai da frente Tônia!” Mas ela estava tão concentrada encarando fixamente Tárcio, que nem me ouviu ( para a nossa tristeza!). Tentei parar de correr antes de trombar na mesa, mas estava tão rápido que só consegui me jogar de costas em cima da mesa para não bater de frente!

A confusão estava armada...

Todos os potinhos e tigelas de sorvete que havia tomado estavam espalhados pelo chão, talheres e até a garrafinha de energético do Tárcio também. Senti seus braços me apoiando para evitar que caísse no chão, e quando olho pra cima seu rosto está todo lambuzado de sorvete. Só que estes não eram o maior dos problemas...

Olho para o lado e sinto o ar pesado, a respiração ofegante e outra mão pequena apertando meu braço bem forte! Era a Tônia, com sua roupa toda suja de calda e seu lindo longo cabelo cheio de sorvete, pois a maior parte do que estava em minha bandeja caiu nela. Um grito de raiva ecoava pelo shopping naquele momento:

— “EU TE ODEIO TATIIIIIII!”.

Notas finais
Espero que tenham gostado, se possível comentem sobre o que acharam isso ajuda muito! Até o próximo capítulo.