Provocativo
10 Relação
Notas iniciais
Levi
Andava em passos leves pelo corredor. Adentrei rapidamente ao meu quarto, fechando a porta com cuidado. Era bem cedo e quase todos os soldados ainda estavam dormindo. Sempre tinha os que acordavam bem cedo, quando o céu ainda estava meio escuro. E podia-se encontrá-los arrumando os estábulos, cuidando dos cavalos ou começando a preparar nosso café da manhã. Sempre havia alguma tarefa para cumprir, por isso havia esse pessoal que acordava mais cedo a fim de terminá-las logo. Eu era um deles. Sempre tinha algum lugarzinho do castelo precisando de uma limpeza, seja grande ou pequeno.
Mas antes de verificar isso, mudaria de roupas. Dentro do armário, visualizei as peças de meu uniforme bem dobradas e organizadas. Eu havia dormido praticamente sem vestimentas, e para retornar ao meu quarto obviamente coloquei as mesmas roupas de ontem. Eu já me sentia desconfortável. Necessitando trocá-las logo. E assim, fiz.
Calças brancas, camisa abotoada, botas calçadas, cintas-ligas devidamente colocadas, jaqueta e claro não poderia faltar o clássico lenço preso ao meu pescoço. Devidamente vestido, saí de meu quarto rumo primeiramente ao refeitório. Queria muito tomar um café bem quente para dar uma despertada, afinal eu estava bem cansado. Levando e conta minha madrugada agitada de ontem. Normalmente Petra costuma acordar cedo também, tomando conta de alguns afazeres da cozinha. E ela sabia preparar um café estupendo. Até o garoto gostava bastante. Eren...
Acabava me lembrando de suas palavras da noite passada. Ditas de forma direta, sem engasgar... “Eu te amo...” Hunf. Aquele pirralho... Dizendo essas coisas. Sempre me deixava sem resposta. Pior é que eu já sei desse afeto que ele tem por mim, mas quando ele diz com as próprias palavras assim de forma tão sincera, me afeta um pouco. Parece um incômodo, mas ao mesmo tempo um certo alívio e calor, não sei ao certo. O fato é que eu já me apeguei ao garoto.
Mas eu sei que tinha que continuar de olho na Ackerman. Não creio que ela desistirá facilmente de tomar o Eren para si. O problema é que ela é muito fissurada nele, e visa apenas ele. Parece que só existe o Eren em seu pequeno mundinho. Se eu quisesse afastá-la do meu garoto, teria que empurrá-la para o lado de algum outro. De primeira, pensei no Kirschtein. Mas já logo descartei essa opção, não apenas por ele claramente não conseguir chamar atenção da Mikasa, como que notei umas coisinhas a respeito dele... Sei bem que ele tentava jogar esse charminho na Mikasa, mas de tabela acabou atingindo outra pessoa. Não sei como Eren não vê essas coisas acontecendo bem de baixo de seu nariz. Eu, de longe, já vi um monte de coisa naqueles amigos dele... Pois bem, não vou nem pensar muito sobre isso. O fato é que não tinha alguém pra quem eu pudesse empurrar a Ackerman. No caso, terei apenas que mostrar que Eren era meu, até ela desistir. Era a opção menos trabalhosa.
Finalmente, depois de uma boa caminhada silenciosa, descendo escadas, cheguei ao refeitório. Totalmente vazio, com exceção de uma pessoa loira que estava sentada à uma das mesas, com o mapa do esquema de formação da Tropa para nossa missão. Achei aquilo meio estranho, por que Erwin estaria revendo o esquema agora? Creio que tenha a ver com aquilo que conversamos ontem. Bom, deixaria pra perguntar melhor sobre isto depois. Era um assunto confidencial. Desviando o olhar, avistei Petra na cozinha, como eu previ. Fui em direção à ela, passando por Erwin.
– Ei, ei! Levi! – Chamou fazendo-me parar de andar. E logo virei-me para ele, mostrando minha expressão de nada.
– Bom dia, Erwin.
– Bom dia, Levi. Vejo que não fez o favor que lhe pedi nas duas conversas que tivemos.
– Sobre isso, eu disse que não prometeria nada. – Falei simplesmente. Mas já me sentindo meio desanimado do possível sermão que ouviria à esta hora da manhã. – E optei por não amordaçar o garoto.
– Levi, já me pedi para poupar-me dos detalhes. Antes, eu quero te avisar algo sobre a missão de reconhecimento.
– Tem a ver com o que mencionou ontem à noite? Você já não tinha finalizado a formação? Por que resolveu alterar alguma coisa agora? – Questionei agora mais sério.
– Não. Não irei alterar nada. Na verdade acrescentarei algo na nossa missão... – Erwin falava bem baixo para mim, mesmo não tendo ninguém no refeitório. Bom, na verdade sei que ele fez isso porque Petra estava na cozinha com a porta aberta.
– Oh... Não prefere falar sobre isso na sua sala? – Eu perguntei igualmente baixo.
– Sim, vai ser em minha sala. Só estava esperando você acordar para lhe chamar. – Disse ele, já se levantando da cadeira e recolhendo seus papéis.
– Certo então. – Concordei ficando meio esperto. Parece que Erwin ia criar uma missão dentro da nossa missão original. Em que poucos estariam sabendo. Provavelmente, pela atitude dele, eu não poderia contar nada nem à Petra, Auruo, Erd e Gunther sobre esse assunto. Eu sabia bem que ele tomava essas atitudes de arriscar sua Tropa para fins de extrema importância. Por isso ele era o comandante. – Está pensando em um tiro no escuro, não é Erwin? – Perguntei meio receoso.
– É... Irei até a minha sala, quando terminar seu café venha até lá.
– Ok. – Assenti.
– Mas antes, o seu sermão. – Ah, é claro que ele falaria sobre isso. – Levi, só peço novamente que tome cuidado com o Eren. O psicológico dele...
– Erwin, eu já disse que está tudo sob controle. O garoto não vai falhar na missão. Pelo menos não por causa disso. – Falei cruzando os braços.
– Você esqueceu que os amigos dele estão aqui também? Não acha que Eren ficará constrangido com isso tudo que está fazendo? – Perguntou.
– Foi por causa dos amigos dele que eu quis passar a noite com o Eren... E eles não vão zombar dele. Pelo menos não comigo por perto.
– Hm... Tá certo, então. De novo, estou confiando em você, Levi.
– Claro, claro. – Respondi, e assim ele foi saindo do refeitório. E eu, voltando para minha rota original, direto para a cozinha.
Já adentrando o local, Petra logo se virou para mim, com as mão ocupadas preparando um sanduíche simples.
– Ah, bom dia, heichou! – Ela falou com seu sorriso costumeiro.
– Bom dia, Petra.
– Já fez as limpezas matinais de sempre? – Perguntou rindo.
– Ainda não... Eu queria um café primeiro.
– Ah, sim! Posso preparar já.
– Hm... Eu agradeço. – Falei sentando-me em um banquinho encostado ao pequeno balcão que lá havia. De momento fiquei pensando se Petra e os outros ficariam bem ao final da nossa missão fora das muralhas, agora que Erwin inventou de colocar uma outra missão... Mas resolvi deixar esse assunto de lado agora e fiquei observando Petra. Ela colocou água para esquentar, logo pegando um bule e um coador do armário de baixo. Passei a olhar seu rosto... ela parecia normal. Quero dizer, do seu jeito costumeiro. Prestei atenção nesse detalhe porque... Bom, a noite tinha sido um tanto barulhenta. E Petra sempre comenta comigo ou ao menos demonstra em suas ações quando estava, digamos, com a pulga atrás da orelha. – Petra.
– Sim?
– Você dormiu bem esta noite?
– Hm...? – Vi uma leve coloração avermelhada em suas bochechas. Provavelmente pelo tom da minha pergunta. – Dormi sim. Dormi muito bem. – Ela respondeu sorrindo.
– E não ouviu nada durante a noite?
– Não. Por que pergunta? – Ela fazia uma carinha de confusa. – Aconteceu algo ontem à noite?
– Hum... Era apenas um gato miando, nada de mais.
– Ah, entendo... Acho que esse gato devia estar mais perto de seu quarto, heichou, porque eu não ouvi nada. – Ela dizia inocentemente. Bom, na verdade eu tinha que considerar que Petra tinha o sono pesado, não tanto quanto Eren, mas tinha. Já a peguei dormindo enquanto escrevia cartas na sala de reunião e ela não acordava facilmente.
– Ok, só pra saber mesmo. – Falei tudo na minha forma indiferente. Via que Petra falava a verdade. Então, ela não ouviu os gritos do Eren. Isso quer dizer que o som deve ter chegado apenas nos quartos bem acima do porão. – Você divide o quarto com a quatro-olhos, não é?
– Aham. Mas acho que ela não dormiu lá esta noite, a cama dela estava intacta. – Respondeu Petra colocando os grãos de café no pilão, começando a moê-los com cuidado.
– O que? Aonde ela estava? – Questionei com um pouco de receio.
– Ela disse que queria ficar no laboratório pra terminar umas pesquisas... e só. – Respondeu Petra.
– Ah, certo. – Uma veia saltou em minha testa. Ficar no laboratório pra terminar umas pesquisas? Aquele laboratório ficava praticamente do lado do porão. Massageei minhas têmporas com uma das mãos. O que aquela louca teria feito? Só me falta ela curiosamente ter nos ouvido, e anotado tudo sobre Eren em seus dados de comportamento de titãs. Eu teria que me lembrar de trocar uma palavrinha com Hanji mais tarde. Mas de momento deixei pra lá isso também. Eu não ligava que outros tenham ouvido nossos barulhos ontem à noite. Era até bom, que deixaria claro que o garoto me pertencia. Mas me irritava essa tara da quatro-olhos pelo Eren. E muito! Sei que é pelo fato de ele ser um titã, mas irritava.
Petra, já terminado de moer o café na hora, logo despejou a água quente no coador cheio. E o aroma inebriante começou a ocupar a cozinha. E Petra fazia tudo cuidadosamente. Até, enfim, despejar o café pronto em uma xícara e me entregando.
– Aqui está, heichou! Espero que não esteja muito amargo.
– Obrigado. – Assim, dei uma mexida com a colher. Peguei a xícara de minha maneira característica de segurar pelas bordas ao invés da asa, dando uma primeira golada. – Hum... está ótimo. Você sempre prepara muito bem. – Disse continuando a beber. Vi que ela deu uma leve corada com meu comentário.
– Ah, obrigada. – Falou sorridente. – O senhor quer um bolinhos-de-chuva também?
– O que?
– Bolinhos-de-chuva.
– O que é isso...? – Perguntei.
– Nunca provou?
– Não. – Falei baixo.
– Haha, sério? Aqui tem uns, ó. – Ela disse pegando um desses bolinhos redondos e dando para mim. Eu, prontamente experimentei.
– Hum... é bom. Onde arrumou isso?
– Eu fiz. Bom, na verdade alguém preparou ontem e largou a tigela com um pouco de massa para lavar. Então tive a ideia de fazer alguns agora. Mas fiz poucos.
– Hm... é mesmo? – Terminando de degustar tal bolinho inteiro, levantei-me do banquinho. – Ensine-me como fazer.
~#~
Eren
Eu continuei deitado na cama, mas já havia despertado. É que a cama é sempre tão gostosa e aconchegante de manhã. Que eu continuei deitado ali ainda de olhos fechados. Abraçado ao travesseiro e com o cobertor até os ombros. Estava bem quentinho. Virando-me, passei a mão no espaço ao meu lado na cama. Estava vazio. Heichou obviamente já devia ter acordado. Mas eu sentia um certo desconforto. Parecia que eu estava sendo observado... Abri um pouco os olhos, notei primeiro a luz vinda da porta aberta. Logo em seguida, vi uma pessoa muito sorridente sentada ao lado da minha cama com um caderninho em mãos. Eu já logo me assustei.
– Ahhh! V-você! – Sentei-me rapidamente na cama fitando Hanji-san. – O-o que tá fazendo aqui no meu quarto?!
– Eren, querido, eu vim te acordar. – Dizia ela, normalmente.
– Mas por que sentou aí então?
– Quis te observar um pouquinho antes, aproveitando que Levi não está! Ele é muito ciumento, você sabe. – Falou ela sorridente como sempre. Foi quando eu me olhei lembrando-me que ainda estava nu da cintura pra baixo. Logo amontoei o cobertor em cima da minha intimidade, com o rosto levemente corado.
– Hanji-san, por favor não faça essas coisas... E você pode sair pra eu poder me trocar?
– Ahhhh, nãaao... Eu tinha coisas pra te perguntar! E se puder, observar as partes do seu corpo que Levi tocou para enfim eu terminar minha pesquisa, sim?
– Ah..... – Fiquei meio sem fala. Como é que é? Que pedidos estranhos eram aqueles? Como ela não sentia vergonha disso? Logo balancei minha cabeça negativamente.
– Ah, quase ia me esquecendo. Ainda quero seu esperma, Eren!
– Não!! Por favor, pare de falar essas coisas, Hanji-san. – Eu falava constrangido. Ela me assustava ás vezes. Não... me assustava sempre. Mas desta vez, ela ia falando quase subindo em cima de mim. O que dava um pouco de medo. Ainda mais da forma que ela me encarava.
– Ow, não fique envergonhado querido. São só umas perguntinhas sobre algumas reações físicas suas. Porque, pelos seus gritos de ontem, você foi judiado.
– Ah......... – Fiquei sem fala novamente. Mas continuava a ficar vermelho. Hanji tinha nos ouvido novamente. Mas fiquei um pouco cismado... que eu saiba que o quarto dela ficava bem longe do meu. Sei porque eu e Levi já limpamos lá juntos. Muito longe. Então ela...
– V-você ficou ouvindo a gente?
– Claro que não, Eren. Quem você pensa que eu sou? Só deu de coincidentemente eu estar aqui ao lado, no laboratório enquanto vocês praticavam o coito...
– Chega, Hanji-san!!! Não precisa falar mais. Pode por favor sair do meu quarto? – Eu pedia meio que implorando. Hanji era campeã em me deixar sem graça, mesmo não tendo ninguém por perto.
– Ah, ok então. Me desculpe se deixei você desconfortável, Eren, mas é pela ciência. – Ela falou, enfim subindo a escadaria até a porta. – Mas levante logo então, mocinho. Quase todo mundo já acordou! – Então ela deixou meu quarto. Fechando a porta. O lampião de ontem a noite continuava aceso. E... ao lado da cama no criado-mudo. Provavelmente, Levi o colocou ali. Porque, que eu me lembre, larguei aquilo no chão quando ele me mandou ajoelhar...
Parando agora pra pensar... Três vezes... Foram três vezes que o heichou abusou de mim. E eu deixei! Na verdade duas e meia, mas continuarei contando como três vezes. Isso era um tanto humilhante. E também... “Eu gritei umas obscenidades muito alto! Mas não pude evitar, foi calor do momento!” Murmurei a mim mesmo, levantando-me da cama e puxando meus cabelos. “Caramba, como encararei meus amigos agora? Vai ser muito embaraçoso!”
Foi aí que lembrei do heichou me dizendo ontem:
“- Eles não vão zombar de você por estar se deitando com um homem, Eren... Já vi uns três ali no meio que tem cara de quem fazem isso também. Um deles é o seu amiguinho loiro.”
Levi estava bem confiante quando disse isso. Por um lado me deu um alívio, mas ainda estava com vergonha de encarar o pessoal. Por outro lado... o que heichou quis dizer com essa do Armin? Eu o conheço há muito tempo. Nunca pensei que ele fosse... desse tipo também. Quero dizer, essa preferencia. Bom, nem eu sabia sobre isso a meu respeito até pouco tempo. Tudo começou com a puberdade, eu diria. Mas o que heichou deve ter visto pra concluir uma coisa dessas sobre o Armin? E tem outros dois ainda... Bom, deixaria esse assunto para depois.
Eu, já terminado de me trocar, arrumei meu cabelo rapidamente, para enfim sair do porão rumo ao refeitório.
~#~
Me aproximando da entrada do local, já pude ouvir muitas vozes. Estava um pouco mais cheio, então parei ao chegar à porta, dando uma olhada geral. Levi não estava lá, infelizmente. Teria que encarar o povo sozinho. “Lembrando-me do que heichou disse. Não devia ligar para olhadas ou comentários, ninguém ali tem nada a ver com minha relação com Levi.” Relação que eu ainda nem sabia direito o que que era... Isso me deixava meio frustrado. E ele não respondeu meu “eu te amo”. Fiquei meio triste, mas deixei passar porque... além de eu poder levar uma bronca se protestasse, vi que Levi ficou embaraçado com a minha declaração. Mesmo ele já sabendo do meu sentimento. Foi uma reação bem graciosa. Mas teria que deixar isso de lado agora.
Eu tinha que encarar o pessoal cedo ou tarde. Então que seja cedo. Adentrei o refeitório com o máximo de naturalidade e discrição que conseguia. Mas não pude evitar ficar levemente corado ao já ver uma pessoa ou outra me encarando. Uns dois ou três com um sorrisinho malicioso no rosto, e outros cochichando entre si. Mesmo se poucos ouviram minha voz gritando obscenidades, e mais, gritando o nome do Levi, a notícia se espalharia logo. Fui ficando mais vermelho. Tapei o rosto com uma das mãos tentando não encará-los, devia apenas seguir até o balcão, me servir e logo sentar em alguma mesa bem isolada.
Ao pegar um pão e uma xícara de café, ouvi uma voz a me chamar.
– Eren! – Mikasa estava sentada em uma das mesas próximas à parede, acenando para mim. Junto dela estava Armin. Senti-me mais aliviado ao vê-los. Primeiramente porque eram meus amigos mais íntimos, e outro, que Mikasa parecia agir normalmente, não estando mais tão estranha como estava ontem. E também, ela ignorava aos sussurros sobre mim à sua volta, talvez nem estivesse prestando atenção mesmo.
– Oi, bom dia, pessoal. – Falei já logo me acomodando. Eu ia sentar ao lado do Armin, afinal, depois do que heichou me falou antes sobre a Mikasa... Bom, mas eu ainda não acreditava nisso. Não! Mikasa não deve gostar de mim como namorado, ela age como se fosse a minha mãe. Então resolvi sentar ao seu lado, prestando atenção às suas atitudes. Só para provar pra mim mesmo que é só uma cisma do Levi...
– Bom dia... você dormiu bem, Eren? – Perguntou Mikasa.
– Er... Sim, claro. E vocês?
– É... sim... – Ela respondeu.
– ... – Armin não falava nada. Apenas olhava para mim com um olhar meio que desacreditado. Foi aí que fiquei com mais vergonha ainda. Ele, com certeza ouviu a mim a ao heichou à noite.
– Armin, o que foi? – Perguntou Mikasa voltada para ele agora.
– Hu! Nada. – Respondeu rapidamente, voltando a morder seu pão. Mikasa o olhou de forma estranha. Ela demonstrava-se um pouco confusa, o que me deixou aliviado. Ela, pelo menos, não ouviu nada, concluí. E Armin parecia não querer contar também.
– Hum... Ok, então. – Ela olhava desanimada para sua xícara de café.
– Er... Mikasa, você não parece muito bem... – Falei.
– Não foi nada, eu só... tive um pesadelo.
– É mesmo? O que aconteceu?
– Não quero falar sobre isso. Quero só conversar melhor sobre ontem no banho, Eren...
– Hum? – Dei uma olhada de canto para Armin, que parecia não dar muito ouvidos à nossa conversa.
– Me desculpe, não queria te assustar daquela forma... Espero que não esteja chateado comigo. – Ela pronunciou.
– Ah... não, não! Tudo bem! Só me assustei um pouquinho, mas não foi nada. – Falei tentando já encerrar esse assunto. E Mikasa não ligava de falar aquilo perto do Armin. Mas eu, sim. Não queria que se espalhasse.
– Hm... Que bom, então. – Ela deu uma mordida em seu pão. – Eren... então. Já refletiu um pouco – Dessa vez ela pronunciou mais baixo.
– O que? – Perguntei com a boca cheia.
– Prefere homens ou mulheres?
– Hn!! – Dei uma engasgada. Mas que fez o miolo descer inteiro pela garganta. – Que pergunta é essa?
– Responda, Eren. – Ela agora me olhava sem piscar.
– Er... Eu...
– Ahh, Eren!! – Jean chegou interrompendo-me com uma voz um tanto escandalosa e... maliciosa. – Então você tá dando pro heichou, é? Não sabia desse seu lado!
– A.... – Fiquei sem fala, totalmente petrificado. Mas muito irritado. Ele estava falando muito alto. – C-cale a boca, Jean! – Foi a única coisa que consegui responder. E foi uma péssima resposta, pois acabou me entregando. Mikasa já levantou da mesa com uma expressão desacreditada no rosto. Ela me fitava com espanto.
– Eren, do que ele tá falando? – Perguntou ela.
– Não é nada!
– Mentira! Ele tava na maior orgia com o superior, que eu ouvi bem! – Jean falava rindo. Ele também não perdia a chance de me zoar.
– Jean! Por que tá falando tudo isso pra ela?! – Questionei um tanto desesperado.
– Então... não foi um sonho! – Falou Mikasa, ainda desacreditada. – Eren, você... você estava... fazendo mesmo esse tipo de coisa com aquele tampinha?
– Eh, Mikasa... Primeiro, se acalma. – Falei voltando a olhar pra ela. – Segundo... – Fechei bem o punho direito, girei rapidamente o corpo acertando um gancho em Jean, que o fez cair sentado. – Jean, o que eu faço ou deixo de fazer não é da conta dos outros! Fale um pouco mais baixo, por favor. – Mas no final, quem atraiu mais atenção fui eu. Vários outros soldados que passavam por perto de nossa mesa olhavam-nos estranhamente, mas logo depois ignoravam para não criar caso.
– Oe, Eren! – Jean levantou-se e me puxou pela gola, mostrando o quanto estava puto. – Seu soco doeu, sabia?
– Hm, que bom então! Era pra doer mesmo! – Jean deu uma rosnada com minha provocação.
– Ah é...? Então...
– Por favor, não briguem... – Mikasa interrompeu pegando a mão de Jean e afastou-a de minha blusa com calma. Ele normalmente ficava corado com tal ação feita pela Mikasa, mas dessa vez, não demonstrou nada. Apenas ficou mais calmo e deu de costas.
– Tsc... Certo, então. – Ele falou se dando por vencido. – Pelo menos eu não dou o cu para o superior. – Fez seu último comentário. Eu já estava para responder essa, mas...
– Ei, Jean! Você não pode falar nada, hein! – Disse Reiner de forma irônica se aproximando de nossa mesa, junto de Bertholdt, com seu café da manhã, logo sentando-se conosco.
– O que?! O que quer dizer?! – Perguntou Jean um pouco perplexo. Nesse momento, todos os olhos do pessoal da mesa voltaram-se para Jean. E notei Armin corar levemente por algum motivo e Berth soltar um riso.
– Pelo visto, você não se lembra do que sonha... – Disse Reiner dando um gole em seu café.
– Hã? Por que?! O que aconteceu?! – Jean questionou impaciente.
– Ah, deixe isso quieto que logo, logo o povo esquece. Isso vale pra você também, Eren. Não se estresse... Não é nada de mais isso, não é mesmo Jean?! – Reiner falava até que de forma reconfortante e dando uma ênfase no nome do Jean, em tom de sermão.
– Hunf. Tá... – Levei isso como um pedido de desculpas do Jean. Mas fiquei meio curioso. Do que Reiner estava falando sobre ele?
Mikasa continuava olhando para mim sem piscar. Assim que me virei para olhá-la, ela agarrou minha mão e me levou para a saída do refeitório que dava para fora do castelo.
– Oe, Mikasa! O que foi? – Ela então virou-se de frente para mim. E me olhou com um brilho diferente.
– Eren... Você fez aquilo com o Levi heichou mesmo? – Quando ela perguntou isso, petrifiquei na hora. E comecei a corar novamente. Ela então agarrou meus braços. – Responda, Eren!
– Ah... Sim... – Ela me fitou com um olhar triste e ao mesmo tempo raivoso. Que me deu um pouco de medo.
– Ele abusou de você...? Ele está te obrigando a isso?! – Ela perguntou agora bem alterada.
– Er... não...
– Eren, você gosta dele?!
– Mikasa, pare com isso. Por que isso te afeta tanto?
– Você sabia que ele estava com aquela garota do Esquadrão de Operações Especiais na cozinha?
– Han? O que... a Petra-san...?
– Ele estava lá sozinho com ela na cozinha. Preparando o café da manhã juntos. Eu vi.
– Mas... isso... – Mikasa falava de um jeito... Não creio que ela mentiria para mim, mas... Heichou não é muito de ajudar na cozinha... Por que ele estava lá? ... Era por causa da Petra?
– Eles estavam se divertindo juntos...
– Ah... – Fiquei meio... triste, no momento. Lembrava que heichou não respondia o “eu te amo” que falava a ele. E que a nossa diversão era... sexo. Será que eu era só isso pra ele? Ele sempre dizia que eu pertencia a ele, mas nunca o ouvi falar que pertence a mim. Eu já era um garoto inseguro com relação a isso, agora ouvindo da Mikasa que ele estava sozinho com a Petra...
– Eren... sou eu quem te conheço a mais tempo. Sou eu quem nunca te deixo na mão. E eu nunca te bati com crueldade como ele fez... e... Sou eu que sou mulher, Eren... Homem deve ficar com mulher... E você ainda não provou o outro lado... – Dizendo isso, Mikasa passava suas mãos pelos meus ombros. Assim, ela inclinou-se para frente, fechando os olhos e aproximando seus lábios dos meus. Eu apenas fiquei olhando-a sem ações com os olhos bem abertos. Ela estava quase encostando... Quando senti uma mão violentamente tampar minha boca e me puxar um pouco pra trás. Impedindo Mikasa de encostar em meus lábios e acabar beijando a mão.
Quando ela abriu os olhos, eles se arregalaram. E ela mostrou seu enraivecimento e sua repulsa, limpando a boca. Já eu, cobri rosto sentindo muita dor. Foi literalmente um tapa na cara que acabei de levar. Quase entortou meus incisivos.
– Ora, ora, Ackerman. Resolveu apelar para mentiras pra tirar o Eren de mim? – Ouvindo Essa voz séria e tão familiar pra mim, já logo me virei com um pouco de sangue escorrendo do nariz. Vendo o dono da mão que tapara minha boca.
– Heichou!
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