Notas iniciais
Olá delicinhas!!! Vocês não vão acreditar, mas estão trocando os fios da rua da minha casa e estou sem telefone fixo e internet desde sábado TT Estou me arrastando com a generosidade dos meus amigos que me dão a senha do wi-fi TT Agora mesmo estou na loja hahahaha Bom, esse capítulo está grandão e o título faz menção ao Naruto :3 Desculpem ainda não responder, só não fiz por causa disso, mas a fic tá pertinho do fim e pretendo dar amor à vocês quando tudo normalizar hahahahaha esse capítulo é mega dedicado à lindona da Andy Uchiha que fez uma recomendação linda e ainda veio me dar amor no pv *-* Menina, não deixa seu marido ler isso aaaaaaaaaaah ♥ Espero que gostem ;)

― Ele tentou subir no seu apartamento, mas como já havíamos avisado o porteiro que não era para ele subir, foi barrado e insistia em falar com você. Aí o senhorzinho me interfonou. Fiquei com medo dele invadir seu apartamento de alguma forma, sei lá.

Sakura respirou fundo e passou a mão pelo rosto de forma cansada. Era quase hora do almoço no domingo e Ino já a ajudava a fazer o macarrão que iriam comer. Não havia acidente na cozinha até aquele momento, mas o assunto “Sasori” chegou para tirar a concentração de Sakura e deixá-la preocupada.

― Você não deveria ter feito isso. Imagina se ele invade mesmo? Ele me ligou assim que a sua ligação caiu. ― Disse mexendo o molho na panela e Ino arregalou os olho azuis. Sakura provou um pouco e salpicou açúcar para quebrar a acidez e experimentou um pouco nas costas da mão, tudo de forma automática ― Perguntou onde eu estava, quando disse para ele me deixar em paz ele insistiu que deveríamos conversar.

― Que cara doente! ― Ino secou as mãos molhadas no pano de prato e se escorou o quadril na pia ― E aí?

― E aí que Sasuke pediu para falar com ele e eu dei o celular. ― Sakura tremeu só de lembrar da voz grave de Sasuke fazendo aquela ameaça baixa “Fica longe da minha mulher se não quer problemas.” ― Eu realmente espero que ele tenha entendido a mensagem e não apareça mais. Pega os pratos, fazendo favor?

Ino arrumou a mesa cheirando o ar e se surpreendeu com a falta do cheiro de queimado, parecia até bom. Iria fazer um comentário engraçadinho, mas pela cara de Sakura talvez não fosse o melhor momento.

― Relaxa, ele não vai mais aparecer. Não seria tão louco, não é? Agora a mídia está toda em cima de vocês, isso traria, consequentemente, atenção para ele também. Temari disse que a popularidade de vocês está alta, se ele aparecer vai ser taxado como vilão logo de cara e isso pode acabar com as relações profissionais dele e blá blá blá… O que é isso no molho?

― É berinjela ― Sakura respondeu com desânimo mexendo em seu prato com falta de apetite enquanto Ino observava o espaguete com atenção e admiração ― Alla Siciliana, vai tomate, berinjela, alho, ricota, manjericão e adicionei um pouco de ricota. ― Suspirou enrolando a massa no garfo ― Espero que vocês estejam certas, não quero esse tipo de dor de cabeça. Ainda mais agora.

Ino piscou uma vez ainda impressionada com Sakura. Não havia provado ainda, mas somente a forma que Sakura havia apresentado os ingredientes de um molho que parecia simples já aquecia a curiosidade e alimentava o contraste entre a antiga Sakura que queimava tudo o que colocava a mão, e a atual que conseguia fazer um prato comestível e apresentá-lo como uma cozinheira de verdade.

― Onde aprendeu? ― Ino apontou para o próprio prato enrolando seu macarrão no garfo. Sakura já comia servindo-se de um pouco de suco de uva.

― Naruto. Não me lembro quando, mas ele já falou sobre esse molho e alguns outros. Ele é apaixonado por macarrão. Está bom?

E foi só então que ela percebeu que Ino mastigava olhando para o nada, sem careta, sem aprovação, apenas uma estátua que movia o maxilar em uma mastigação lenta. Sakura segurou o riso quando Ino enrugou as sobrancelhas e olhou incrédula para a amiga.

― Está perfeito. Estou assustada com isso.

― Cala a boca e come ― Sakura riu um pouco e balançou a cabeça voltando sua atenção ao prato ― Aprendi a cozinhar, não é?

― Eu deveria estar orgulhosa ― Ino comentou com a boca cheia, engoliu e tomou um gole de seu suco ― mas estou realmente apavorada. Eu juro que não imaginava que você fosse ficar boa assim.

― É só um molho, ainda não consigo fazer muita coisa. ― Deu de ombros repassando mentalmente a facilidade que era fazer aquele molho e como havia dado sorte em chegar ao ponto exato do macarrão sem estar prestando mesmo atenção. ― Vamos mudar de assunto? Como foi o fim de semana?

― Foi ótimo, sem muitas novidades da minha parte. Dormi com Gaara, como você já sabe e acho que estamos indo longe, se é que entende. É bizarro, sabe? Mas acho que realmente gosto dele e é recíproco.

― Que fofa. ― Sakura gracejou cutucando a amiga com o pé por baixo da mesa. Ino se limitou a mostrar a língua, mesmo que as bochechas se tingissem de rosado. ― Ainda não tive tempo de conversar adequadamente com os irmãos da Temari, aliás, ela não está no pé de vocês?

― Menina! ― Ino riu limpando os cantos da boca com um guardanapo ― Não te falei né? Temari está saindo com um rapaz muito estranho, gatinho, mas estranho. Sério, nada a ver com ela. Tenten e eu seguimos ela na sexta e confirmamos a nossa suspeita. Ela já tinha dito que tinha dormido com ele, e tipo, foi no primeiro encontro ― Sakura arregalou os olhos surpresa e muito interessada no assunto, Ino abanou a mão no ar muito empolgada ― Quero dizer, nem era encontro propriamente dito, era um jantar de negócios ou sei lá, aí ela acabou na cama do cara.

― Estamos falando da mesma Temari? ― Sakura perguntou com humor, mas dentro de sua cabeça não conseguia mesmo conceber Temari fazendo algo de tipo, não mesmo.

― Sim, menina. Não apareceu ainda! Gaara disse que ela chegou hoje de manhã, mas ainda não respondeu nenhuma mensagem minha. E olha que ela nos disse que nunca mais iria ver esse rapaz. Sei…

― Temari está precisando relaxar, foi bom ela conhecer alguém que tire ela da redoma um pouco. Se sente muito responsável pelos irmãos e esquece que ainda é jovem e não tem filhos daquele tamanho. ― Sakura empurrou o prato satisfeita e Ino se serviu de mais um pouco diante do olhar divertido de Sakura ― Estou com saudades de passar um tempo com vocês, mesmo que essa falta de tempo seja culpa todinha de vocês.

Ino revirou os olhos e estalou a língua antes de voltar a comer.

― Morrer de fome já sabemos que você não vai e, talvez, nem ficar para titia. ― Sakura soltou um riso desacreditado ― Admita que fizemos um bem para a sua vida. E se tudo der certo com o meu belo amigo Uchiha ― Ino riu com Sakura repetindo “belo amigo” num resmungo ― você nunca mais vai precisar cozinhar. Só vejo vantagens.

E haviam muito mais vantagens que isso, Sakura pensou sorrindo por dentro. Sasuke ensinara muito mais que cozinhar, ensinara a criar sabores com amor, a acreditar que tudo pode ser possível quando se acredita em si mesmo, que ela não era tão destrambelhada quanto achava ser, era só falta de segurança e um tanto de atenção. Pensava consigo mesmo o que havia mudado na vida dele também, além de melhorar o mau humor intrínseco quando Ino deu um berro afastando a cadeira e correndo com o prato na mão em direção à sala.

― A transmissão já vai começar!

Sasuke havia chegado cedo no shopping e teve a alegre surpresa de não ser barrado na entrada pelo número de pessoas que ele achou que encontraria. Normalmente já tinha que lidar com o assédio por ser participante de um programa de televisão e as pessoas achando que ele era mesmo uma celebridade, alguém que queria atenção e que tinha motivos para ser exaltado e tido como um exemplo. Mas ele era o completo oposto do que a massa esperava, e ter apenas duas adolescentes histéricas e um rapaz que quase desmaiou quando conseguiu uma selfie com ele.

Ele não era um rockstar, mas era tratado como um, e aquele tipo de comportamento era censurado por ele internamente, ainda tinha que manter-se minimamente simpático na frente dos “fãs”, independente de quão loucos eles sejam.

Entrou no shopping pelos fundos, passando por corredores e galpões exclusivos para funcionários seguindo um rapaz que usava headset e andava apressado com uma prancheta em mãos, uma caneta vermelha e uma credencial batendo no peito. Ele falava algo rápido, Sasuke não sabia se era para ele ou para alguém do outro lado do headset, não prestava atenção, apenas o seguia com a letra da música que ouvia dentro do carro repetindo em sua cabeça.

― Chef?

Sasuke ergueu a cabeça e viu o rapaz apontar para uma porta ainda dentro da área oculta aos clientes do shopping. Pelo jeito que ele o olhava era capaz de ter sido chamado mais de uma vez. O rapaz não disse nada sobre, entretanto, esfregou o nariz como se estivesse tendo uma crise alérgica naquele corredor fechado e voltou a falar um pouco mais fanho que antes.

― As roupas do programa estão ali e em dez minutos o diretor irá passar as diretrizes e tirar as dúvidas.

Sasuke acenou uma vez só com a cabeça e nem perguntou de Naruto. Não seria uma surpresa vê-lo dividindo o mesmo “camarim” espalhado em algum sofá e empolgado demais, mas ele não estava ali. E Sasuke respirou fundo olhando a saleta bem organizada que improvisaram para que se arrumasse para o programa. Tinha dez minutos, então não perdeu tempo começou a tirar os acessórios que usava, como o relógio, as três pulseiras de couro, a corrente de prata no pescoço e a aliança na mão direita. Sorte das pessoas ao redor dele que ele havia tido uma noite prazerosa e relaxante ao lado de Sakura, que havia dormido como uma pedra ao carinho que ela havia feito em seu cabelo até que adormecesse, de ter acordado com o cheiro de panquecas queimadas e gargalhado logo de manhã com o bico decepcionado dela diante do café da manhã estragado. Era sorte, porque ele não aguentava mais aquele programa.

E não aguentar o programa era fichinha perto do asco que sentia olhando aquela expressão patética de Kakashi repassando tudo o que ele já havia lido por e-mail numa voz arrastada e sonolenta.

Naruto estava ao lado dele em uma plataforma onde abrigava um grande balcão com cooktops e duas pias, ingredientes bem dispostos dos patrocinadores e embaixo do balcão os demais ingredientes e utensílios que deveriam usar, atrás do cenário havia um grande logo do programa em madeira e as fotos dos participantes em dois telões, ele e Sakura naquela primeira foto que tiveram problemas para tirarem juntos e até hoje a vê em ônibus e outdoors. Em frente ao balcão deveria ter também um logo menor em madeira. Todo o cenário era coberto por um grande tecido preto.

Cada um teria que fazer o prato em que eram especialistas e, nas palavras de Kakashi, darem um show para chamar atenção ao programa.

― Fiquem à vontade para jogar coisas para o ar e mandar beijos para as mocinhas. Quero que isso aqui seja um sucesso de público, então impressionem. ― Kakashi falava baixo naturalmente, e todos ao redor sussurravam. Sasuke podia ouvir as pessoas curiosas do outro lado do pano preto que cobria todo o cenário montado, e ansiedade, daquele tipo ruim, começava a deixá-lo agitado.

Naruto estava empolgadíssimo ao lado dele, esfregando as mãos e sorrindo para todos os que o cumprimentavam apressados, correndo de um lado para o outro. Ninguém o cumprimentava da mesma forma, e ele não reclamava, de certo modo era até bom porque ele tinha que se concentrar no lombo flambado que faria para um público muito maior do que já tinha encarado. Certo que milhares de pessoas assistiam a televisão quando passava o programa, mas ele não as via.

― Dois minutos. ― Kakashi gritou sem qualquer discrição, talvez para as pessoas do lado de fora escutarem mesmo e se prepararem ansiosas para o que teria ali atrás. Se era a intenção, deu muito certo, a agitação do lado de fora ficou ainda mais audível.

― Isso vai ser lindo. ― Naruto riu ao lado dele apertando as duas mãos. “Lindo” era a última palavra que Sasuke pensaria se perguntassem o que ele esperava que acontecesse. ― Em todas as edições fazemos isso, ter um público assim, tão perto, é espetacular… É complicado eu falar, você vai ver só.

Sasuke esfregou o rosto duvidando daquilo. O bom é que teria que fazer apenas um prato, fazer um “show” e impressionar. Em uma hora já estaria liberado, ou ao menos contava com aquilo.

― Três, dois, um…

E a cortina negra caiu, gritos surpresos e outros tipos de exclamações entusiasmadas chegaram aos ouvidos de Sasuke como tiros. Canhões de luzes foram ligados na direção deles e Sasuke teve que apertar os olhos, mas aos poucos conseguiu ver as pessoas aplaudindo com sorrisos no rosto, segurando sacolas de compras e bolsas, crianças em cima dos ombros dos pais para conseguir enxergar melhor, algumas pessoas tentando descer as escadas rolantes e outras paradas na escada fixa com visão privilegiada. Haviam mais de duzentas pessoas e o número só ia aumentando.

Haviam seguranças ao redor da plataforma, Sasuke não havia visto eles antes, havia também alguns bombeiros ali perto. Era uma visão incrível, realmente, tantas pessoas olhando ansiosas para eles e aplaudindo-os. Era incrível, mas também aterrorizante.

― Bom dia, meu povo! ― Naruto abriu os braços e sua voz reverberou pelas caixas de som dispostas. Ambos usavam microfones presos às dólmãs e Sasuke repetia em sua mente que não haveria ninguém para cortar algum palavrão caso escapasse, tinha que manter o foco, haviam muitas crianças ali. Felizmente, ninguém esperava que ele dissesse muita coisa, então ensaiou um sorriso de canto e prendeu as mãos em frente ao corpo olhando para as pessoas. Muitas acenavam querendo um pouco de atenção. Quando os gritos cessaram, Naruto esfregou as mãos novamente continuou ― Que felicidade estar pertinho de vocês! Vocês que sempre estão ligados no nosso canal, interagindo nas redes sociais, votando no seu favorito… Aliás quem vai ganhar essa competição? Konohamaru ou Sakura? Sasuke ou eu? ― E os gritos ficaram fora de controle, mas Sasuke podia ouvir claramente o seu nome e o de Sakura sendo brandidos mais forte, o sorriso de orgulho saiu fácil. Naruto fingiu tristeza abrindo os braços para o público ― Qual é, pessoal?

― É, Naruto ― começou a falar e acabou se assustando no começo da frase com a gritaria ao ouvirem a voz dele. ― Eles já tem um favorito.

Naruto gargalhou com a expressão deslocada de Sasuke e uma mulher gritou algo como “Gostoso”.

― Opa! Vamos começar a apresentar nossos amigos e parceiros. Nada disso não seria possível sem eles.

E Sasuke soltou a respiração com a salvação de Naruto. Só o que faltava as pessoas começarem a falar sobre eles ali, era algo que ele já esperava sim, mas ainda tinha um pouco de esperanças de que se safaria ou conseguiria ignorar.

Naruto foi falando sobre os patrocinadores e fez uma introdução sobre o programa. Os telões que ostentavam as fotos dos competidores começou a passar uma seleção de cenas com acertos e erros tanto de Sakura quanto de Konohamaru. Era nostálgico ver a Sakura insegura dos primeiros programas e o vídeo terminou com a flambagem que ela fez. Ele sorriu orgulhoso.

O público foi aumentando diante dos olhos de Sasuke. Vez ou outra, enquanto Naruto falava e gesticulava, ele acenava com a cabeça para quem gritava seu nome ou agitava os braços desesperadamente.

Haviam celulares em praticamente todas as mãos ali apontados para os dois, Sasuke se sentia incomodado, aquela exposição não era para ele. Definitivamente não.

― Hoje iremos cozinhar para vocês as nossas especialidades de nossos restaurantes e duas pessoas vão ser as sortudas que experimentarão de graça ― as pessoas riram com a ênfase de Naruto e Sasuke abaixou a cabeça abafando um riso ― e ganharão acesso exclusivo aos bastidores da final do “Batalha dos chefs”. ― Mais aplausos e gritos ― Quer dizer alguma coisa, Sasuke?

Ele deveria dizer algo. Kakashi esperava. Naruto esperava. Os gritos iam cessando e as pessoas também esperavam.

Olhou para todos aqueles rostos ansiosos e piscou sobre os flashs das câmeras. Não havia muito a ser dito e nem deveria forçar um discurso espirituoso como o de Naruto. Então, ergueu as duas palmas das mãos e bateu em frente ao corpo com um sorriso de lado que arrancou gritos estridentes das mulheres e de alguns homens.

― Vamos começar o show.

Tenten mexia o saquinho de chá com os olhos pregados na TV da lanchonete do hospital. Era hora do almoço, mas ela estava tão desacostumada a comer nos horários certos que dispensou uma refeição mais reforçada e só beliscou umas bolachas salgadas e pediu uma xícara com água quente para tomar seu chazinho de hibisco, mas agora se arrependia olhando com sofrimento para a televisão no alto.

― Como a pessoa pode fazer dieta assim? ― Resmungou apoiando a bochecha na palma da mão enquanto assistia os chefs Naruto e Sasuke cozinhando em um shopping e sendo transmitidos ao vivo no programa matinal.

Naruto enrolava uma massa longa e branca nas mãos com tanta habilidade que parecia até fácil fazer, ele a jogava para cima, amassava na bancada com força, a esticava, enrolava, jogava e amassava diversas vezes. Já Sasuke, ao lado, fatiava uma peça de lombo suculenta e preparava um molho com coisinhas verdes e temperava a carne. Tudo era narrado pela repórter que estava no lugar e a todo momento dizia que o cheiro ali estava espetacular.

Tenten quase fechou os olhos quando o barulho de fritura começou, Sasuke havia colocado o lombo na frigideira e mexia com somente um braço jogando a peça de carne com as coisinhas verdes para cima, numa altura que se ela fizesse aquilo ia acabar caindo em cima dela.

Haviam poucas pessoas ali, algumas estavam com rostos cansados mostrando serem acompanhantes de internados, outros eram colegas de trabalho que almoçavam rápido para dar tempo de tirar uma soneca antes de voltar ao turno, mas todos olhavam para a TV com a mesma atenção.

― Pena que Sakura não está lá. Gosto dos dois juntos ― alguém comentou numa mesa para trás, mas Tenten nem olhou. Comentários sobre os dois era o que ela mais ouvia ali.

Uma exclamação coletiva foi ouvida na lanchonete quando Sasuke virou uma garrafa de conhaque dentro da frigideira e uma grandiosa chama subiu flambando a carne e enchendo os olhos de quem assistia. E ele sorria, não como Naruto, mas com o mesmo brilho nos olhos enquanto recebia as palmas das pessoas ao redor deles. Ela queria estar lá, certeza que ganharia um prato deles se dissesse que era amiga de Sakura.

Tenten bocejou com sono, havia passado a noite inteira ali e ainda tinha mais seis horas pela frente. Desviou os olhos da TV reclamando internamente da fome que aquilo dava e da vontade de comer um boi inteiro, aproximou a xícara com seu chá de hibisco em seus lábios quando seu nome começou a ser chamado pelos auto falantes. Um parto de emergência.

Todo o sono foi para o espaço, e rápida saiu do lugar escutando mais exclamações de quem continuava assistindo o programa. Colocou suas roupas cirúrgicas e entrou na sala de parto com as informações sobre a mãe e recebendo mais do obstetra responsável.

“Hinata Hyuuga Uzumaki” leu o nome e olhou surpresa para a mulher tão familiar e com o sobrenome do chef que cozinhava ao vivo naquele momento, ela segurava a mão de uma garota de um lado e a de uma enfermeira do outro lado enquanto suava e apertava os dentes com as contrações. Mesmo naquelas condições, Tenten podia ver a semelhança, além do sobrenome, com Neji. Mas aquela não era hora para rir do destino, tinha uma mamãe e um bebê para cuidar.

O lámen de Naruto ainda faltava pouco para ficar pronto quando Sasuke começou a empratar o seu lombo. Havia preparado algumas batatinhas assadas com especiarias e pensava se daria uma cortesia para os dois escolhidos irem até um de seus restaurantes com um acompanhante para um jantar. Sentia-se agradecido, mesmo que aquele tipo de situação não o agradasse de todo, mas ter todo aquele deslumbramento diante de sua culinária era realmente recompensador.

― Já acabou, Sasuke? Isso parece bom, hein? ― Naruto berrou sorrindo começando a fazer o seu prato. Sasuke lavou a mão na pia improvisada ali e secou em um dos panos de prato dos patrocinadores, puxou um sorriso de canto assentindo ― O que achou de cozinhar na frente desse pessoal maravilhoso?

Um cameraman se aproximou do seu prato e ele era exibido tanto no telão quanto, ele pensava, na casa das pessoas.

― Foi interessante, mostrou que você é um lento e só sabe falar.

As pessoas riram e Naruto fingiu-se de ofendido terminando o próprio prato. Aquilo tinha sido bom, era o jeito que tratava Naruto naturalmente, até Kakashi sinalizou que havia gostado. Então sua cota de gracinhas ao público havia acabado e ele queria ir logo embora e se enfiar na cozinha de seu restaurante para fazer algo realmente útil. Ou talvez chamasse Sakura para jantarem juntos e começarem o treinamento do lombo flambado. Mas não adiantava fazer planos àquela hora, Kakashi parecia agitado e Sasuke temia que mais coisas fossem inventadas aproveitando o alvoroço daquele momento. Olhando por cima do mar de gente, ele podia dizer que havia mais de duzentas pessoas facilmente.

― A arte requer atenção e tempo, Sasuke ― Naruto apresentou sua tigela bem decorada ao público e os suspiros e pedidos para serem escolhidos começou a passar por cima até mesmo da voz microfonada de Naruto. ― E a culinária é uma obra de arte, que qualquer um pode se aprimorar se acreditar em si mesmo.

Sasuke sorriu concordando. A culinária trazia uma paz para a alma de quem propunha desvendá-la, dava o poder de criação para as mentes criativas e desafiava as percepções humanas a criar sabores, testar texturas e saborear sua própria arte.

― Cozinhar é ligar sua alma ao mundo, trazendo sabor e beleza em algo feito pelas suas próprias mãos. ― Sasuke concluiu elevando seu prato para que as pessoas vissem em suas mãos, como se fosse necessário confirmar o que dizia naquela mistura de aroma, sabor e beleza.

O público irrompeu em palmas e Sasuke respirou fundo sorrindo sem jeito sem olhar para aquela massa de gente. Naruto voltou a falar sobre o programa enquanto uma mesa redonda era posta a frente do “palco” onde cozinharam, duas taças com água e duas com suco do que parecia laranja. As pessoas começavam a se amontoar e os seguranças tinham que reforçar a barreira. Todos queriam experimentar os pratos, todos queriam estar perto dos chefs celebridades.

― Escolha alguém para provar seu lombo, Sasuke ― Naruto disse já olhando por cima das pessoas que estendiam as mãos pedindo atenção. ― As garotas estão loucas para provar um pedacinho, hein? ― brincou e o público feminino foi a loucura. Sasuke olhou cansado para Naruto que riu malandro ― A Sakura é brava, não vamos provocar! ― E um suspiro coletivo foi ouvido quando Sasuke soltou um riso anasalado.

Pela primeira vez pensou se ela estaria assistindo aquilo e as reações dela. Ciúmes não era algo que ele havia presenciado e acreditava que Sakura não levava aquele assédio exagerado à sério. Devia estar rindo e preparando algumas provocações para ele, certamente.

Naruto, então, apontou sorridente para uma senhora bem velhinha e os seguranças abriram caminho para ela até chegar lá. Sasuke olhou por cima das pessoas atrás de alguém que não daria problemas para eles seguindo a lógica de Naruto, mas parecia não conseguir ver o rosto das pessoas, eram como borrões saltitantes com celulares nas mãos.

Olhou de relance para Kakashi vendo se ele poderia ajudar, mas o viu sussurrando com um assistente nervoso e ambos olhando para um Naruto que fazia todos rirem com sua simpatia acomodando sua escolhida. Sasuke desviou os olhos para o público novamente atrás de alguém, iria escolher a primeira pessoa que olhasse, mas uma infeliz surpresa o tomou, seus olhos se encontraram com dois castanhos fixos nele. Não como as outras pessoas, alegres e cheios de desejo por terem sua atenção, não, era algo frio, ainda intenso, mas de modo ruim.

Sasuke sentiu um gosto amargo descer por sua garganta quando foi reconhecendo aquele homem de social sobre a escada fixa. O rosto foi se agravando numa careta de raiva enquanto o peito subia e descia com o descontrole de sua emoção. Aquele cabelo ruivo e o arroxeado perto dos olhos, a vingança implícita nos lábios apertados. Sasori. Sim, Sasuke jamais esqueceria aquele rosto e toda a maldição que trouxera para a vida de Sakura e que agora insistia em voltar como um fantasma maldito.

E como se já não fosse fácil o suficiente tirar Sasuke do sério apenas com sua lembrança, tê-lo ali era uma prova de fogo para o seu auto controle. Uma veia pulsante apareceu no pescoço e a voz de Naruto estava longe, a das pessoas ao redor também. Ele não ouvia e não via nada além do homem que o encarava de volta enojado, franzindo o nariz enquanto sustentava aquele olhar meio inchado e doente.

Então, alguém quebrou seu contato visual pulando em sua frente e berrando como Naruto.

Tanto Sakura quanto Ino piscaram surpresas com a intromissão berrante na frente das câmeras.

Momentos antes as duas estavam sentadas no sofá da casa de Sakura comendo bolinhas de chocolate meio amargo como sobremesa e vendo um Sasuke rígido apertando os punhos e olhando para algo que as duas não conseguiam ver, Sakura já se questionava o que havia de errado com ele quando um garoto invadiu o lugar e começou a gritar.

Seu filho está nascendo! Narutooooo!

― Konohamaru? ― Sakura inclinou o corpo para frente e Ino tampou a boca com a mão desacreditada da bagunça que aquilo estava virando ao vivo. ― Mas o que…

― Meu Deus. Parece que…

― O filho do Naruto está nascendo! ― Sakura pulou no sofá sem conseguir tirar os olhos da TV, não tinha reação ainda.

Ali no aparelho elas viam seguranças tentando tirar Konohamaru do palco e pessoas gritando, Naruto puxava os cabelos tentando sair, mas alguns caras barravam ele também. Sasuke apareceu de repente e tanto Sakura quanto Ino seguraram a respiração quando ele quase ergueu um dos seguranças que arrastava Konohamaru. O áudio foi cortado, mas Sakura pode ler os lábios dele dizendo algo como “Ele assume”.

― Cadê a pipoca quando precisamos de uma? ― Ino riu balançando a cabeça.

Sakura não segurou o riso também, ainda mais quando o áudio voltou e um sonoro palavrão foi dito por Sasuke. A câmera não conseguia focar em alguém, era uma bagunça de corpos e grito, até parecia um terremoto de tanto que a câmera se mexia.

.... Meu filho! ― ouviram a voz de Naruto e o cabelo loiro aparecendo por trá de um segurança que estava de costas para a câmera.

― Tenho certeza que aquele imbecil do Kakashi não quer deixar o Naruto sair. ― Sakura disse com os dentes apertados compreendendo a situação. Era a cara de Kakashi fazer uma coisa daquelas, até mesmo já saber a notícia e não contar para não “estragar” a transmissão ― Ah, não sabe a vontade que tenho de dar na cara daquele diretor, Ino.

― Sério? Francamente! ― Ino bufou sem acreditar e as duas viram a apresentador do programa matinal olhar confusa para algo atrás das câmeras como se pedisse instruções com os olhos, atrás dela a confusão se generalizava e Konohamaru tentava entrar no meio do bolo de homens.

― Eu vou lá. ― Sakura se levantou, mas caiu de bunda no sofá novamente quando Ino a puxou de volta pelo braço.

― Ideia genial, doutora Haruno. Vai lá e atiça mais, não está vendo que nem cortaram a confusão? Se você aparece lá eles fazem um especial de duas horas.

Sakura afundou as costas no sofá e gemeu frustrada. Esfregou o rosto com as duas mãos sentindo a cabeça doer só com a força que apertava a mandíbula, não conseguia nem conceber como estaria lá.

― Olha o Sasuke! ― Ino gritou e Sakura abriu os olhos vendo um braço tatuado com um falcão subir e descer com o punho fechado na direção de alguém que estava escondido atrás de outros homens.

Enfia a audiência no meio do seu cu.

E então cortaram a transmissão e deixaram apenas o rosto atônito da apresentadora olhando para os lados tentando se recuperar daquilo. Sakura e Ino olhavam abobadas para a tela, ainda mais que a apresentadora e completamente sem reações. As duas se olharam quando a mulher começou a pedir desculpas pelo ocorrido e tentava salvar a tragédia que aquilo havia sido, as duas ainda chocadas demais para conseguirem falar algo. Pois aquele palavrão não havia sido dito por Sasuke, como deveria se esperar, e sim pelo apresentador gente fina que tinha ganhado o prêmio de sorriso mais bonito da televisão cinco vezes seguidas: chef Naruto Uzumaki.

Sasuke teve que tirar Naruto de cima de Kakashi com medo de que o amigo desse um soco no diretor. Já não bastava ele ter quase agredido o cara de pau que tentava fugir depois de ver que havia sido desmascarado, seria o fim de uma carreira se Naruto o atingisse.

Naruto parecia um berserk, e era completamente compreensível, pois Kakashi sabia que o filho do Naruto estava nascendo e decidiu não contar e eles não saberiam que Boruto estava vindo ao mundo se Konohamaru não tivesse invadido o shopping.

― Eu vou arrebentar quem entrar na minha frente.

Sasuke não se lembrava de ver Naruto tão bravo quanto naquele momento. Ele andava rápido pelos corredores depois de terem conseguido sair do palco, apontava o dedo para qualquer um que aparecesse na frente deles que desviavam com medo. Sasuke ia ao lado dele, tirando o toque e o avental enquanto andava assim como o amigo.

Naruto não era um homem descontrolado, mas era extremamente passional. Respirava como um touro enquanto andava e Sasuke não precisava perguntar para saber como ele estava. Se ele estava dizendo que iria arrebentar quem entrasse na frente dele, então ele iria mesmo.

― Vamos no meu carro. ― Sasuke se pronunciou pela primeira vez quando Naruto pegou as chaves do carro no bolso da calça que usava antes e agora estava enrolada dentro de uma mochila arrumada às pressas no camarim improvisado.

― Você… ― Naruto respirou fundo, apertou os olhos com os dedos ainda dentro do corredor para funcionários e olhou perdido para Sasuke ― Termina isso aqui, sei lá. Eu nem sei o que eu fiz lá, mas o público...

― Foda-se o público, Naruto. Não vai ir dirigindo desse jeito. ― Sasuke o olhou sério e Naruto assentiu respirando fundo mais uma vez. As mãos do loiro tremiam sem que ele escondesse e os olhos enchiam-se de lágrimas. Sorriu apertado para Sasuke, ambos perto da porta de saída ouvindo sons de confusão em algum lugar, mas nenhum dos dois se importava. Não na mesma proporção, Sasuke também sentia aquela emoção pelo bebê que nem havia nascido e já tinha recebido o convite para ser padrinho, que encheu Hinata de desejos estranhos e Sasuke foi socorrer junto de Naruto. Era praticamente seu sobrinho, assim como Naruto era como um irmão para ele. Então os dois respiraram mais calmos e acenaram a cabeça um para o outro. ― Tá na hora de conhecer seu filho.

― É cara. ― Naruto sorriu e esfregou o braço nos olhos molhados. ― Meu filho.

Sasuke pegou as chaves de seu próprio carro antes de Naruto abrir a porta que dava para o estacionamento. Nenhum dos seguranças que havia antes estava ali, nem ninguém da produção, e nenhum dos dois achou estranho aquilo, na verdade estavam completamente avulsos do mundo real, ainda cheirando lámen e lombo flambado, mas a realidade bateu com os flash quando a porta se abriu e o som de confusão mostrou ser ali.

― Mas que porra…

Os dentes de Sasuke trincaram com a dezena de fotógrafos e gritando perguntas e tirando fotos sem parar, tentando passar pela barreira de seguranças que se mobilizaram contendo-os.

― Não tem medo de ser processado, chef Uzumaki? ― perguntou uma das vozes no meio dos gritos.

― Seu emprego na TV pode estar prejudicado depois da cena ao vivo, o senhor pensa em…

Sasuke olhou para o lado e viu Naruto apertando a boca com força, era uma péssima ideia estarem sendo um obstáculo entre Naruto e seu filho. Sasuke respirou fundo e puxou Naruto o conduzindo pela parte segura, mas o amigo tremia andando rápido e quase não conseguiam andar sem terem suas roupas puxadas e até mesmo o cabelo.

Sasuke precisava se controlar.

― Chef Uchiha, todos questionam se o romance entre você e a doutora é real ou só jogada de marketing. O que tem a dizer?

Sasuke não iria se controlar.

Virou a cabeça na direção do pobre coitado que havia tido a ousadia de cutucar o pavio extra curto do chef. Daquele mesmo chef que começava a considerar a ideia de flambar pessoas que o testavam. Ele virou apenas a cabeça, os olhos injetando puro ódio na direção do fotógrafo que engolia em seco.

― Quer saber da minha vida? Seu abutre imprestável. ― cuspiu crescendo para cima do fotógrafo, o ombro do segurança afobado era tudo o que separava os dois, alguns fotógrafos pararam sem reação, outros apontaram suas câmeras sem hesitar ― Quer saber? Profissionaiszinhos de merda. Eu nunca me orgulharia do meu emprego se estivesse na situação de vocês, bando de pau no cú do cacete.

E ele tinha mais para falar, ele tinha muito para falar, mas Naruto precisava dele e já teria saído com o carro se as chaves não estivessem com Sasuke, ele até mesmo quase arrancava a porta trancada e disparava o alarme.

― Eu juro, Sasuke ― Naruto apertou a testa quando os dois conseguiram entrar no carro e conseguiram sair sem atropelar ninguém. Naruto ainda tremia, nem conseguia colocar o cinto de segurança e já havia desistido para tentar ligar para o sogro ― Eu nunca tive tanto nojo desse mundo. Depois disso, eu nem sei se vou querer fazer a próxima temporada… Eu não sei. Hiashi? Como ela está?

Sasuke olhou Naruto de canto, ainda usando sua dólmã branca, enquanto falava ao telefone num tom baixo que raramente ele usava e secando as lágrimas no toque branco amassado nas mãos cheias de cicatrizes da profissão, mas no rosto estava o sorriso aliviado e de felicidade que várias vezes deu esperança para as pessoas.

Não era somente Sakura quem conseguia trazer algo bom para dentro de Sasuke, Naruto e sua família também, mas era somente ela que havia conseguido aquilo sem ter laços sanguíneos ou insistência (como no caso do Naruto). Agora ele sentia inveja do amigo, não de forma ruim, estava sim muito feliz por Naruto, mas invejava aquela felicidade de ter uma família e queria sentir aquela sensação de saber que parte de si estava vindo ao mundo, cuidar, criar, amar. Uma criança conseguia acalmar duas tempestades que eram aqueles dois homens momentos atrás, e ainda trazer lembranças em Sasuke sobre uma filha que Sakura e Naruto disseram uma vez, uma garotinha que pudesse ser amiguinha — não namoradinha — do Boruto. Sua menininha.

Ele queria aquilo na vida dele, estava ficando velho e talvez se esperasse muito não conseguisse curtir a infância dele ou dela com a energia que ainda tinha. Poderia ser Sakura a mãe de seus filhos? Ainda era muito cedo para ter certeza, mas o pensamento o fez sorrir.

Suigetsu sorriu com todos os dentes quando Sakura passou pelas portas da cozinha do Amaterasu. Era irritante e, na opinião dele, desnecessário, mas Sakura insistira que era melhor que tivesse mais pessoas junto aos dois durante os treinos para que não desse margem para conversinhas na mídia. Sasuke não negou, claro, mas pelo menos esperava que Juugo pudesse ser uma das pessoas ali na cozinha, não Suigestu e sua sub chef Karin.

― Boa noite. ― Sakura segurava a carteira grande em frente ao corpo e sorria um pouco tímida para Karin que ainda não conhecia.

Karin balançou um pouco a cabeça e ajeitou os óculos antes de voltar aos que estava lendo. Ela era desconfiada e um tanto fechada, Sasuke não estava surpreso com a atitude dela e já havia avisado Sakura sobre.

Já Suigetsu não surpreendia ninguém:

― Quer que eu guarde seu casaco, doutora? Está muito linda hoje, aliás.

Sasuke desencostou da bancada e descruzou os braços enquanto Sakura agradecia rindo e entregava o casaco e a carteira para o solícito cozinheiro. Sasuke não revirou os olhos pela atitude de Suigetsu, como Karin estava fazendo, muito pelo contrário, pela primeira vez concordava com Suigetsu em suas observações espirituosas.

Ela estava linda, usando uma calça apertada em suas coxas e sapatilhas que aprendera a gostar depois de perceber o quão cansativo era ficar em pé enquanto treinava, usava uma camiseta com detalhes delicados mas que parecia confortável, o que chamava a atenção, entretanto, eram os olhos bem delineados oferecendo ainda mais foco àqueles olhos verdes, e as bochechas rosadas trazendo ainda mais graça.

Não segurou a vontade de cumprimentá-la como realmente tinha que ser e a segurou pela cintura puxando para um selinho que pedia mais, mas ambos sabiam que até que aquilo tudo acabasse, era melhor que se contivessem. Sakura sorriu contra seus lábios e sussurrou um “oi, querido”.

― Oi ― sussurrou de volta e se afastou o mínimo para que eles pudessem ir andando até a pia para que ela lavasse as mãos e colocasse o avental. ― Suigetsu você já conhece e esta é Karin, minha sub chef no Amaterasu, atualmente. ― apontou para a ruiva que olhou por cima do ombro por segundos antes de voltar para os livros.

Sakura ergueu as sobrancelhas segurando o sorriso para Sasuke e não disse nada para a moça que parecia concentrada no que lia. Suigetsu voltou instantes depois elogiando o perfume de Sakura.

― Você estava cheirando o casaco dela, Suigetsu? ― Sasuke perguntou fechando a cara e o cozinheiro ergueu as mãos na defensiva. Sakura sabia que Sasuke estava brincando, mas o rapaz não tinha ciência daquilo e gaguejou antes de responder em seu tom malandro.

― Que isso, chef? Eu lá sou homem de fazer esse tipo de coisa? O perfume dela pode ser sentido lá na despensa.

― Para de ser ridículo, Suigetsu. Senta aqui, logo. ― Karin se pronunciou pela primeira vez, verdadeiramente brava e segurando a armação vermelha dos óculos enquanto olhava o cozinheiro que tinha um sorriso esmaecendo.

Os dois se concentraram em livros de culinária que estavam estudando e Karin fazia anotações esporádicas, enquanto isso Sasuke conduzia Sakura no preparo do seu prato preferido e ambos mantinham em mente e nas ações que tinham que se concentrar na prova para não ser um fiasco. Aquela prova em particular tinha que ser vencida por questão de honra, tanto de Sakura por ser a pupila que deve aprender a cozinhar, quanto por Sasuke por ser sua especialidade.

― Konohamaru se saiu muito bem terminando o que vocês haviam começado. Ficou aquele climão, mas ele é bem divertido e espontâneo, as pessoas amaram os pratos. ― Ela sorriu um pouco e suspirou. ― Vocês estão bem? ―Sakura perguntou em tom baixo, assim como estavam usando em todas as instruções. Já havia perdido o ponto de dois lombos e agora Sasuke dava uma pausa para lavar a louça suja.

Ele a olhou por cima do ombro quando ela escorou o quadril ao lado dele na pia e olhava-o lavar as panelas com palha de aço. Sakura adorava aquela cena.

― Está falando sobre…?

― De você e do Naruto depois da confusão.

― Tudo foi ao ar? ― ele perguntou já temendo a resposta positiva. Em sua cabeça, e até mesmo na de Naruto, acreditavam que aquilo teria sido cortado na hora em que Konohamaru apareceu e começou a confusão, mas pelo jeito não.

― Foi sim. Fiquei preocupada. Bateu em alguém? ― ela perguntou com os olhos passando exatamente o sentimento que ela disse ter tido.

― Não ― ele soltou o ar pela boca e olhou para as panelas que começava a enxaguar ― Por pouco eu não dei na cara de Kakashi.

― Imaginei que fosse ele o alvo. Eu quase fui dar na cara dele. ― Sasuke soltou um riso pelo nariz acreditando naquilo. ― E o bebê?

E havia, então, um sorriso bobo no rosto de Sakura, o mesmo que Sasuke sustentou quando secou as mãos e se virou para ela.

― O vi apenas pelo vidro, mas já dá para perceber que é a cara do Naruto. O pai babão chorava mais que a criança. ― os dois riram voltando juntos para a bancada de trabalho. ― Não vi Hinata, mas a irmã disse que ela estava bem. Amanhã já estarão em casa e querem que você vá visitá-los.

― Se não for incomodá-los e não der problema com a emissora, claro que eu vou.

― Não ligue para a emissora por enquanto. ― balançou a cabeça e ambos pegaram as facas para ele ensinar o corte mais uma vez. Ela foi o acompanhando com os olhos e daquela vez havia chegado muito perto de sair perfeito, ele a elogiou e começaram a preparar o molho de especiarias. Ele não falaria naquele momento sobre Naruto querer largar o programa que ele já apresentava há quatro anos, tendo duas temporadas por ano. Não com Karin e Suigetsu ali do lado podendo vazar a informação mesmo que de forma inocente. ― Lembra quanto de vinagre deve usar para temperar?

Sakura balançou a cabeça atenta à carne a sua frente e começou a temperar de acordo com as instruções iniciais dele. Sasuke observava com a cabeça um pouco longe, até um pouco preocupado com o impulsivo desejo de Naruto em largar o programa que ele tanto amava fazer quando Sakura o pegou de surpresa com uma pergunta que não esperava ouvir:

― Eu o percebi estranho antes de Konohamaru invadir o palco, o que aconteceu?

E havia inocência na voz dela, preocupação curiosa sim, mas muito mais inocência.

Respirou fundo antes de responder, em momento algum pensou em mentir, mas se ela não tivesse percebido, ele não contaria.

― Sasori estava lá. ― fez uma pausa esperando que ela fosse reagir exatamente da forma que reagiu, a boca abriu-se com surpresa, os olhos se arregalaram e uma exclamação alta o suficiente deixou seus lábios chamando a atenção de Suigetsu e Karin no outro lado da cozinha. ― Preste mais atenção ao que está fazendo, esse vai ser o último por hoje. ― apontou a carne e Sakura o olhou mostrando a prioridade em sua atenção naquele momento, ele suspirou ― Era um shopping, por isso estou tentando relevar a coincidência. Ele tentou te procurar novamente?

Sakura balançou a cabeça em negativa e voltou os olhos para a carne que iriam começar a preparar na frigideira, aparentemente tentando levar da mesma forma que Sasuke a aparição de Sasori justamente naquele lugar e naquela hora. Haviam coisas demais para Sasuke se preocupar naquele momento, e Sasori era um dos últimos em sua lista de prioridades.

Os dois se concentraram no que deveriam fazer e suas atitudes dentro da cozinha, felizmente, não davam margem para picuinhas e matérias sensacionalistas sobre suas vidas particulares. No fim, havia sido uma boa ideia ter Suigetsu — alguém que adorava se aparecer, mas que não mentia — ali assistindo tudo. Ele poderia pelo menos amenizar as curiosidades da mídia sobre o relacionamento dos dois e mostraria como não há nada demais tentando “puxar a sardinha” para a sua direção. Aquilo era bom, uma das preocupações a menos.

Voltando a cozinha, os três cozinheiros olhavam com atenção, e dois deles com apreensão, Sakura flambar o lombo pela primeira vez e dar um gritinho com a altura que o fogo subiu. Sasuke se adiantou e segurou a frigideira junto a mão dela firmemente, e chacoalhou o conteúdo aproveitando as chamas que balançavam e traziam um sabor ímpar para a carne.

As chamas da flambagem quase mal sucedida de Sakura levantou o cheiro de conhaque e carne de porco temperada pela cozinha e o som e imagens arrepiantes e ao mesmo tempo suculentas do fogo levantando-se atiçava a vontade de provar aquele suculento pedaço de carne.

Era uma visão deslumbrante a flambagem, ninguém poderia negar, mas também era perigoso e Sakura repetia aquilo sem parar olhando as chamas se extinguirem até sumirem entre o molho de especiarias. O fogo parecia muito maior do que aquele que havia feito no lámen.

― Eu vou incendiar o programa, Sasuke! ― choramingou assustada.

Sasuke soltou o cabo da frigideira e sorriu para ela.

― É o mínimo que espero. Vamos empratar e provar esse lombo. Temos dois juízes hoje.

Suigetsu se mostrou empolgado e Karin contrariada, mas ambos provaram o lombo sendo sinceros nas caretas já na primeira garfada. Sasuke não sabia exatamente onde ela havia errado e seu paladar já não estava mais tão apurado depois de provar tantos sabores diferentes, mas não podia culpá-la inteiramente sobre aquilo quando ele mesmo não tinha cabeça para cozinhar naquele momento e mesmo que tentassem se focar inteiramente ali, as suas cabeças iam para longe.

― … nem sei se posso estar te dando dicas, mas vai provando o molho enquanto encorpa ele. ― Karin provou apenas o molho mais uma vez intensificando a careta e Sakura encolheu os ombros um pouco chateada olhando para o prato. ― Muito vinagre.

― Decididamente isso é alho queimado. E se você… ― Suigetsu se adiantou dando seu parecer também.

Sasuke não iria falar nada sobre o prato naquele momento, já havia perdido sua pupila para os dois cozinheiros que discutiam entre si de forma tão infantil e que traziam um pouco de graça para Sakura, ao menos isso quando ele não conseguia ficar tão relaxado.

Bufou pela boca e passou a mão pelo cabelo virando-se para os três em frente ao prato, dentro de toda aquela confusão trazida pelo programa, o cansaço mental e físico, além das preocupações do que poderia acontecer nos dias seguintes, duas coisas o traziam alívio: Sakura e a percepção de que tudo acabaria na semana seguinte.

Bateu com uma mão no granito e chamou a atenção dos dois que discutiam, mas Sakura já o olhava antes disso. Ele sorriu cansado para ela e puxou as mangas de sua dólmã até os cotovelos.

O caldeirão da realidade fervia, tudo o que ele não podia era perder o ponto e queimar tudo. Uma coisa de cada vez. Então, pegou mais uma peça de lombo e colocou em cima da tábua de corte. Ignorou a cara de sofrimento de Sakura e Karin e a empolgação de Suigetsu.

― Mais uma vez.

betado por MillaSenpai e Mirys

Notas finais
Teve pouco de SasuSaku nesse capítulo, mas prometo que nos próximos vai ter mais do nosso casalzão ;) Naruto ficou puto, mas tbm né? E vcs acham que ele vai largar o programa depois que acabar essa temporada? E Sasori? Ele vai aparecer em breve para ter o seu fim, prometo!!!! E estamos pertinho do fim, pelas minhas contas mais 4 capítulos. E tirando o fim do Sasori, o que vocês querem ver? Um grande beijo e até semana que vem!!! ♥