Protocolo - Bebê Desaparecido

15 Capítulo 15 - Precioso Demais


Notas iniciais
~~ Boa Leitura ♥

Tony estava tentando ao máximo não demonstrar o seu ciúme claro, mas ele provavelmente não estava indo muito bem nisso. É obvio que o Peter teria que falar uma hora ou outra com os outros Vingadores, afinal eles agora moravam praticamente no mesmo lugar. Ele só não estava contando com o entusiasmo claro que Peter tinha.

Ele parecia muito feliz e radiante quando falava com os outro Vingadores, com admiração brilhando em seus olhos. Algo que parecia tão precioso e único. Tony não pode se ajudar, ele estava com ciúmes e se Rhodey estivesse aqui sem dúvidas estaria rindo da sua car.

Era apenas um sentimento no fundo do seu peito, algo que estava deixando ansioso e ao mesmo tempo inquieto. Ele nem conseguiu lutar contra a carranca que dominou suas feições durante três segundos. Uma coisa era Pepper passar tempo com Peter, outras coisas era os outros Vingadores.

Ele realmente queria deixar isso de lado, simplesmente ignorar esse sentimento bobo e sem nexo, mas isso só se intensificou quando Steve chegou perto de Peter.

Era novamente a parte sombria da sua mente agindo, mesmo que lá no fundo ele soubesse que não tinha nada demais em Peter conversar com o super saldado.

Tony resolveu juntar o útil ao agradável e praticamente arrastou Peter para longe dos seus colegas de equipe. Em parte, foi algo bom, porque ele tinha que resolver os problemas o mais rápido possível, se isso mantivesse ele longe dos outros Vingadores então era apenas um bônus.

Claro, ele não tinha dúvidas de que Peter iria se enturmar muito rápido, porque era exatamente como Clint disse: a equipe precisava desse tipo de apoio, precisava de uma criança ao redor. As coisas poderiam melhorar um pouco agora.

Mas por agora, ele precisa realmente resolver diversas coisas em relação ao garoto. A primeira delas é um teste de paternidade que a assistente social certamente vai pedir. As instalações do Medbay têm os materiais necessários para isso, mesmo que tudo esteja parado por causa do ano novo. Com sorte os resultados podem ficar prontos em três ou quatro dias, isso é claro se ele quiser apenas os dados necessários para confirmar que Peter é sim seu filho.

Enquanto isso, Pepper busca uma maneira de falar com a assistente social o mais rápido possível.

— O que você achou daqui? — Tony perguntou, apenas buscando uma forma de quebrar o silêncio que estava se tornando desconfortável.

— Da Torre? — Peter perguntou, seguindo Tony com o olhar quando o mais velho começou a andar ao redor do Medbay. Ele não esteve lá muitas vezes e estava apenas procurando os materiais necessários que ele tinha certeza que estavam guardados em algum armário.

Tony acenou positivamente, não deixando de notar a forma como Peter estava ainda congelado na frente do elevador. O garoto parecia tenso, seus olhos vagando por toda a sala freneticamente antes de parar em Tony.

O bilionário resolveu não comentar, optando apenas por esperar uma resposta deliberada.

— É-É incrível sr. Stark. Eu só não me sinto acostumado com tudo isso, ainda é meio novo. Mas não precisa se preocupar eu posso lidar... — Tony encolheu os ombros quando percebeu que o garoto começou a divagar freneticamente.

O bilionário franziu os lábios, não conseguindo evitar quando, de repente, se sentiu preocupado. Peter não parecia bem, ele estava tenso, meio encolhido em seu próprio canto enquanto falava. Não só isso, mas Tony viu que ele estava quase que desesperado, preocupado com alguma coisa.

Ele resolveu seu aproximar, tentando chamar a atenção do seu filho e ajuda-lo com o que quer que esteja lhe deixando inquieto.

— Você está bem Peter? — Ele perguntou, lutando bravamente para que seu tom de voz fosse gentil e acolhedor, esperando que isso fosse ajudar Peter a se sentir bem-vindo.

Peter se calou, franzindo os lábios e as sobrancelhas. Ele desviou o olhar do bilionário e passou a encarar seus pés. Tony se sentiu mais preocupado ainda quando os segundos começaram a passar e ele não recebeu nenhum tipo de resposta.

— Eu posso ver você pensando daqui — Ele disse, chamando a atenção do menor que voltou a encara-lo com grandes olhos castanhos, que brilhavam com um misto de sentimentos.

Tony sorriu, realmente esperando que fosse o suficiente para incentiva-lo a se abrir.

Ele nunca pensou que estaria se preocupando com os sentimentos de um adolescente em crise, mas apenas a visão do seu filho abatido e meio tristonho foi o incentivo necessário para Tony colocar a outra parte da sua personalidade em ação. Uma parte que ele nem sabia que tinha.

— O que está pensando? — Ele perguntou, se certificando de que sua voz não soasse alterada de alguma maneira.

Peter se encolheu, hesitando antes de responder. Ele abriu e fechou a boca vária vezes, como se estivesse procurando por palavras. Por fim, o garoto olhou para Tony apreensivo, um olhar que não se encaixava com as suas feições e muito menos com a sua idade.

Era preocupação.

Peter não deveria estar preocupado.

— E se... eu não for o seu filho sr. Stark? — Peter perguntou, deixando os ombros caírem em derrota. Seus olhos estavam obscurecidos com preocupação, chegando a ser doloroso para Tony ver essa expressão no rosto do menor.

Era algo que ele não devia se preocupar. Peter deveria se preocupar com videogames e dever de casa, não com o dia de amanhã. Tony sabia que ele não era mais um garoto inocente, ele entendia bem mais da vida do que muitos adultos por aí, mas era difícil encaixar essa visão em alguém tão pequeno e frágil.

Tony engoliu em seco, pensando em uma resposta.

Por mais que a dúvida ainda atingisse Peter, ela estava bem longe de Tony, desaparecendo no exato momento que o bilionário pôs os olhos nele. Não havia dúvidas, Peter era Jean. Tony sentia isso em seu coração; em sua mente. Por mais que ele fosse um cara conhecido por seguir a lógica, Tony era incapaz de deixar seus sentimentos de fora agora.

Tudo em Peter gritava “Jean! ” — os olhos, os cabelos e até mesmo aquela bendita cicatriz. Tony não podia negar isso, ele tinha visto seu filho, analisado ele durante 3 anos antes de desaparecer; diferente de Peter, que nem ao menos se lembra da época em que era apenas um bebê.

Peter podia ter dúvidas, mas Tony não.

O bilionário hesitou por um momento, buscando alguma maneira de repassar seus sentimentos para o menor de forma que ele realmente entendesse. Tony queria tirar as dúvidas de Peter, mas para isso ele precisava lidar com seus próprios sentimentos.

Ele nunca fez isso antes.

— Eu não me importo de ir embora — Peter disse depois de um longo momento de silêncio, onde Tony estava apenas pensando, mas o garoto pode ter encarado como um momento de hesitação. — Sério sr. Stark não é grande coisa. Fico feliz em só ter conhecido vocês. Eu posso sair pela porta e o senhor pode dizer a assistente social que eu fugi. Não é um proble- — A voz do garoto falhou no meio da frase e foi como um soco no estômago para Tony vê-lo daquele jeito.

De repente, os olhos de Peter se encheram de lágrimas, bem na frente do bilionário. Medo e dor estavam brilhando neles, mesmo quando ele estava claramente lutando contra as lágrimas. Tony sentiu sua garganta secar com essa visão, sem saber o que fazer e como ajudar Peter.

Ele parecia com medo, aterrorizado com alguma ideia que tinha surgido em sua mente.

— Só- por favor, não deixa eles me colocarem em algum tipo de centro de reabilitação. Eu posso me virar sozinho, eu fiz isso durante muito tempo — Peter balançou a cabeça envergonhado. Ele coçou os olhos e deu um passo para trás, como se estivesse se preparando para correr.

Tony não sabia o que fazer agora, não sabia como lidar com os sentimentos de um adolescente. Principalmente alguém como Peter, que já tinha passado por tanta coisa. Ele decidiu fazer aquilo que ninguém nunca fez com ele.

Tony se aproximou, estendendo os braços para puxar Peter pelos, enrolando o garoto em um abraço desajeitado. Ele realmente não sabia como agir, como ajuda-lo, então ele fez a primeira coisa que veio na sua mente e afogou os cabelos do garoto, brincando com alguns fios.

— Eu não vou deixar você ir garoto — Tony garantiu. — Eu sei que você tem algumas dúvidas, mas acredite em mim quando eu digo que não vou deixar você ir embora

Peter estava tenso, claramente hesitante em retribuir o abraço. Tony continuou a afagar os seus cabelos, esperando que isso fosse o suficiente para deixar o garoto saber que ele se importa.

Sim, ele se importa, ele se importa tanto que seu coração chega a doer.

Lentamente, Peter começou a relaxar, retribuindo o abraço com hesitação clara.

— O senhor não precisa fingir que se importa... — Peter murmurou com a voz falha, apoiando logo em seguida a cabeça no ombro de Tony.

O bilionário fez uma careta. Peter tinha falado isso como se não valesse nada, como se não pudesse acreditar que alguém no mundo ainda estava ali por ele. Isso enviou uma onda dolorosa para o coração do maior, que apertou um pouco mais o abraço na esperando de tirar esses pensamentos da cabeça do seu filho.

— Eu não finjo as coisas garoto — Tony disse, como se estivesse repreendendo ele, mas ainda assim havia uma porção considerável de carinho em sua voz.

Tony fechou os olhos, sentindo como se um grande muro tivesse sido desmoronado logo na sua frente quando falava assim com Peter. Ele realmente não se lembra de ter sido tão atencioso com alguém assim antes, mas para o garoto ele está disposto a ser diferente, a ser melhor.

Peter o abraçou com força, mais força do que Tony imaginou que o garoto tinha. Ele não reclamou, tentando em vez disso retribuir mais forte ainda. Ele percebeu então que seu pai nunca tinha lhe abraçado desse jeito, para consola-lo e faze-lo se sentir seguro.

Tony decidiu então que não era nenhum incomodo fazer Peter se sentir melhor, e ele estava disposto a ajudar o garoto em tudo que ele pudesse; não importa o que.

Peter exalou, amolecendo nos braços do bilionário. Foi quando Tony decidiu quebrar o abraço, ainda assim dando espaço caso Peter quisesse puxa-lo de volta, mas ele também deixou ir.

Tony olhou para o rosto do filho, analisando os olhos vermelho que ainda se recusavam a chorar. Peter olhou para ele com intensidade, como se estivesse caçando nos olhos de Tony por algum sinal de mentira, mas ele se certificou de demonstrar sinceridade.

— Bem, garoto, vamos fazer isso rápido, assim você pode voltar lá pra cima e jogar Mario Kart com aquele bobões — Ele brincou, ganhando uma risada leve de Peter em troca, um som tão único e perfeito que fez seu coração vibrar. — E não importa o resultado, eu prometo pra você que você não vai sair dessa Torre e que eu não vou te deixar. E olha que eu não sou de fazer promessas

...

— Como você fez isso? — Clint praticamente gritou, fazendo Tony revirar os olhos com o quão dramático o arqueiro podia ser.

Tony tinha comprido parte da sua promessa e trazido Peter para passar um tempo com os Vingadores — mais especificamente com Clint e Scott já que o resto resolveu dar uma volta por Nova York e ele realmente não estava interessado em saber aonde eles tinham ido —, mas ele resolveu não se afastar como frequentemente fazia.

A essa hora, em qualquer outro dia normal, Tony estaria enfurnado em seu laboratório, tentando criar atualizações para as armaduras ou criando algo novo para as Industrias Stark, como um novo celular, um projeto ainda em andamento. Porém, hoje era um dia especial, e ele estava sentado em uma poltrona, ouvindo seu filho e dois heróis jogarem Mario Kart.

Céus! No que sua vida tinha se transformado?

Tony não estava prestando muita atenção no jogo, mais preocupado em analisar minuciosamente a lista de escolas que Sexta-Feira tinha lhe dado. Ele estava tão concentrado que se esqueceu completamente do café em suas mãos, que agora já deveria estar frio.

Tudo que o bilionário queria era encontrar uma boa escola para Peter em algum lugar em Manhattan, aonde estava mais próximo.

O problema é que a maioria dos colégios de renome eram internatos, o que quer dizer que Tony só poderia ver Peter no final de semana. Depois de passar tantos anos longe do garoto essa ideia fez seu estômago embrulhar.

Fora de cogitação.

Tony deu uma olhada pela lista mais uma vez, franzido os lábios quando não encontrou nada que valesse a pena tentar.

— Você tem que prestar mais atenção — Peter murmurou, ainda com um sorriso no rosto enquanto Clint estava completamente frustrado.

— Vai, vai, vai! — Scott estava torcendo, claramente para Peter.

Parece que Peter estava à altura de Clint, o que quer dizer que o arqueiro finalmente encontrou algum tipo de desafio naquele jogo; não que Tony se importe.

— Ora seu!

Tony balançou a cabeça negativamente para a dupla, decidindo desistir de encontrar alguma escola em Manhattan. Ele então foi para a área do Queens, onde sabia que Peter tinha vivido a maior parte da sua vida e que consequentemente se sentiria mais à vontade.

— Não é possive-Eu quero uma revanche! — Clint exclamou, arrancando uma risada de Peter que automaticamente captou a atenção de Tony.

O garoto tinha a melhor risada da face da Terra, um tom que fez Tony se sentir completo e novamente ele decidiu que não estava deixando ele ir — não importa o que acontecesse.

— Não, não, não, não. É a minha vez — Scott disse, tomando o controle das mãos de Clint. — Parece que você perdeu Barton

Tony ignorou a breve discussão, optando novamente por se concentrar na tarefa de encontrar uma boa escola. Ele rodou através das suas opções, excluindo uma grande parte das opções, até que seus olhos pousaram em uma em especifico.

Midtown High School of Science and Technology.

Enquanto Peter e Scott duelavam em uma corrida, Tony buscou informações sobre o colégio, descobrindo que ele era conhecido pelos diversos prêmios em campeonatos diferenciados. Além das atividades extracurriculares como o declato, engenharia mecânica, artes, comunicações, entre outros que ele achou que Peter pudesse se interessar.

Por fim ele decidiu que era perfeito, apesar de ficar em Forest Hills e consequentemente um pouco longe da Torre, mas Happy podia muito bem levar e trazer Peter quando Tony não pudesse.

— Droga! Ele é bom! — Scott gemeu em pura frustação quando mais um jogo chegou ao fim.

— Minha vez — Clint estava claramente ansioso para jogar novamente e Tony não precisa prestar atenção neles para dizer que agora Clint estava levando o desafio a sério demais. — Dessa vez não vou pegar leve com você garoto

— Boa sorte então — Peter disse, sem malicia.

Tony sorriu, tomando um gole do seu café agora frio. Ele escreveu um rápido e-mail para a escola, perguntando se existia alguma vaga. É claro que ele estava disposto a mexer alguns pauzinhos, se isso significava que Peter estaria em uma boa escola que não fosse um internato.

Não era necessário que mais um Stark passasse por essa experiência.

...

Peter realmente queria acreditar no sr. Stark. Ele queria se convencer de que cada palavra que o homem disse era verdade, nada além da verdade, mas ele não podia.

Não quando ele sabia o quão azedado ele era.

Tudo na sua vida, desde que ele se lembra, exatamente tudo deu errado, de uma forma ou de outra. As coisas ficam bem por um tempo, mas sempre tem algo ruim para lhe atingir e acabar totalmente com a sua felicidade; era quase que uma regra.

Peter simplesmente não podia viver feliz por muito tempo.

Ele sabia que tinha sinceridade nos olhos do bilionário, sabia que ele não era conhecido por mentir, mas ainda assim a sua mente começou a arrumar mais e mais desculpas.

Peter se sentiu doente por dentro, mesmo sabendo que não existia motivos para isso tudo.

Quando tudo terminou, ele não poder fazer outra coisa senão encarar a figura do bilionário na sua frente, ainda se sentindo tenso por dentro e por fora, mesmo quando o homem lhe ofereceu um sorriso reconfortante.

Peter fez o possível para retribuir, sentindo que estava falhando até mesmo nisso.

...

O resto do dia se seguiu de um jeito calmo, pelo menos para quem estava ao redor de Peter, já que o mesmo não estava se sentindo muito bem, mas foi capaz de esconder isso durante um bom tempo.

Ele conseguiu se divertir um pouco com Clint e Scott e deixar todas as suas ansiedades de lado por um tempo, até que ambos os Vingadores sairam e ele sentiu tudo voltando rapidamente.

Peter não estava com medo de ele não seu o filho de Tony Stark — na verdade, a essa altura, isso era quase que uma certeza — ele estava com medo da mudança que isso iria trazer para a sua vida.

Desde Skip, Peter não lida muito bem com mudanças. Ele se acostumou com as ruas porque foi obrigado a isso, mas agora ele estava sendo obrigado a se adaptar a uma vida normal novamente. Ele teria que lidar com a escola, com as notas, com amigos — talvez —, com a bendita da reputação e com seus poderes.

Tudo isso ao mesmo tempo em que ele se adaptava a uma vida com Tony Stark, seu pai. Era simplesmente muita coisa para ele lidar e ainda assim ficar bem.

Ele estava ansioso, ansioso pelo o que iria acontecer no dia de amanhã e se ele seria capaz de passar por isso sem grandes problemas.

Ele estava com medo de que algo desse errado.

Peter tentou se distrair, tentou deixar a ansiedade de lado e pensar em outras coisas, mas tudo ao seu redor fazia seus pensamentos voltarem do mesmo ponto de antes. Ele simplesmente não conseguia pensar em outra coisa.

Tony, por outro lado, deve ter notado seu estado de aflição, porque em certo momento depois do almoço, quando estavam somente os dois sentados na frente da televisão enquanto Friends tocava na tela, ele se aproximou de Peter e disse algo que levantou seu humor na mesma hora.

— Quer conhecer o meu laboratório?

...

— Wow! Isso é tão incrível sr. Stark! — Peter exclamou assim que as portas do elevador se fecharam, deixando ambos no laboratório pessoal do bilionário. Seus olhos estavam brilhando de admiração e ele se viu avançando dentro do enorme cômodo.

O lugar era imenso e não importa para onde Peter olhasse, parecia sempre ter algo interessante para olhar. Ele se sentia como se estivesse novamente na Expo Stark, curioso pelas invenções que o rodeavam.

Ele arfou quando viu as assas do Falcão em cima de uma mesa, desativadas. Haviam circuitos a mostra e Peter imaginou que o sr. Stark estava trabalhando em algumas atualizações. Peter estava tão admirado, ele tinha quase certeza que estava parecendo uma criança no meio de um monte de brinquedos, mas simplesmente não pode evitar.

Tudo aquilo era quase que um paraíso para ele.

Peter deu um pulou quando, de repente, sentiu alguma coisa cutucar suas costelas, não chegou a machuca-lo e nem ao menos chegou a ser uma ameaça, já que seu sentido aranha não lhe avisou. Ele se virou, dando de cara com um robô estranho que agora estava acenando para ele com uma garra.

Seu coração se apertou no mesmo instante e Peter arregalou os olhos. É claro que ele conhecia esse robô, ele se lembra de ter visto esse mesmo robô em seus sonhos, por mais que sua figura parecesse distorcida. Ele ainda se lembra.

Ele de fato se lembra.

— Esse é Dum-E — Tony disse, se aproximando de Peter com passos lentos. O jovem aranha se virou e encarou seu pai, o coração ainda apertado dolorosamente. — Ele é como um assistente... pelo menos essa era a ideia inicial

Peter não respondeu de imediato, em vez disso ele se virou novamente para o robô, dessa vez estendendo a mão para tocar na estranha garra, esperando que aquilo confirmasse que ele estava acordado e que isso não era mais um dos seus diversos sonhos.

Para a sua surpresa, o robô soltou um zumbido alegre e começou a girar ao redor de Peter. O movimento repentino o assustou.

— Ótimo, agora ele não vai largar do seu pé — Tony disse, lançando um olhar desaprovador para o robô. Peter sentiu a risada borbulhar em seu peito e ele não se conteve.

— Você já ameaçou doa-lo para uma faculdade...? — Peter perguntou, agora estampando um enorme sorriso em seu rosto.

— Pelo menos três vezes por semana. Por que a pergunta? — Tony passou por Dum-E e por Peter, andando até uma mesa com um computador em cima. O menor tentou segui-lo, mesmo que o robô ainda estivesse particularmente animado com a sua presença e bloqueasse seu caminho.

— Eu acho que... eu já sonhei com ele... algumas vezes — Peter disse, conseguindo em fim chegar até Tony, que agora estava lhe encarando com um olhar apreensivo.

— Você já sonhou com Dum-E? — Tony perguntou, puxando uma cadeira livre para que Peter pudesse se sentar ao seu lado.

— Acho que sim... com você também. É como uma lembrança antiga na verdade, eu nunca fui capaz de entender o que estava acontecendo — Peter murmurou, se sentando ao lado de seu pai.

— Por que não me disse antes? — Tony perguntou, se virando parcialmente para encarar o menor que apenas encolheu os ombros.

— Eu- eu nunca tive certeza. Meus sonhos costumam ser bem estranhos na verdade — Peter admitiu com um encolher de ombros. — Achei que não fosse importante

Algo cutucou suas costelas novamente e Peter se virou na cadeira para ver Dum-E ao seu lado, zumbindo para ele como se estivesse pedindo alguma coisa. O jovem aranha demorou um pouco para entender, e isso levou o robô a cutuca-lo mais algumas vezes.

Franzindo o cenho, mas ainda com um sorriso divertido no rosto, Peter estendeu a mão e brincou com a garra novamente.

— Se eu fosse você eu não faria isso... — Tony disse, um aviso claro, mas que Peter optou por ignorar.

— Isso é tão legal — Ele disse com admiração, vendo como o robô parecia ter sentimentos.

Peter afastou a mãos, um pequeno teste. Para a sua surpresa, o robô voltou a cutuca-lo.

— Tá bom, já chega — Tony resmungou, praticamente expulsando Dum-E de perto deles. — Vá limpar as vidraças!

Peter franziu o cenho e ainda assim uma risada floresceu em seu peito, de fato, o robô se afastou com um zumbido triste.

— Isso vai manter ele ocupado durante um tempo... — Tony disse em um resmungo baixo.

Peter se voltou para o mais velho, curioso quando encontrou com o computador na frente deles ligado. Ele não sabia ao certo o que Tony queria lhe mostrar, mas sem dúvidas deveria ser algo interessante.

— O que você está fazendo? — Ele perguntou, se inclinando sobre a mesa para poder ver melhor o monitor.

— Eu estava pensando em iniciar um projeto junto com você. O que acha? — Tony perguntou, se reclinando em sua cadeira para poder olhar melhor para Peter.

O garoto, por sua vez, sentiu seu coração gaguejar no peito.

De repente tantas possibilidades vieram na sua mente que ele se sentiu levemente em êxtase, sem saber o que dizer. Por fim, um pequeno sorriso floresceu em seu rosto e Peter sentiu o entusiasmo dominar seu corpo

— Você- você quer trabalhar comigo...? — Peter perguntou incrédulo, apontando para si mesmo. Seus olhos estavam arregalados e ele se sentiu confuso.

Tony ofereceu um sorriso, acenando com a cabeça antes de confirmar verbalmente.

— Claro, podemos fazer algo simples. Só pra mostrar o que você pode fazer aqui na Torre — Ele pareceu pensar por um instante, antes de olhar para Peter como se esperasse pela opinião do menor. — O que você quer fazer?

Atiradores! Sua mente gritou, mas Peter reprimiu essa ideia logo em seguida.

Ele parou um instante para pensar, considerando as suas opções com calma. Peter não tinha nenhum outro projeto além dos atiradores e pisca-piscas que funcionam com uma bateria de carro, sendo assim ele realmente estava limitado.

Um pouco envergonhado, Peter olhou para cima e encarou o sr. Stark, respirando fundo antes de falar novamente.

— Eu não tenho um projeto... — Admitiu com um encolher de ombros. Peter passou a encarar as suas mãos e a brincar com os dedos, se sentindo um pouco deslocado.

Sr. Stark bagunçou os seus cabelos — ele tinha realmente perdido as contas de quantas vezes isso aconteceu hoje — e se ajeitou na cadeira, chamando a atenção de Peter quando pigarreou.

— Vamos começar com o básico então — Ele disse, algo seu tom deixou claro que ele estava tentando a qualquer custo animar o menor. — Que tal uma I.A? Não é tão difícil quanto parece

Peter franziu as sobrancelhas.

— Mas e Sexta-Feira? — Ele perguntou, apontando para cima.

— Essa I.A pode ser só sua — Tony deu de ombros, despreocupado. — Acho que você vai gostar de ter uma

Peter encolheu os ombros mais uma vez, considerando se era ou não uma boa ideia. Ele não podia negar que ter uma inteligência artificial só para ele seria algo legal, porque de fato seria.

Ele pensou por mais alguns segundos, decidindo que valia a pena tentar.

— Por onde começamos?

Notas finais
Estamos nos aproximando do fim! Mas isso não significa que acabou! ~~ See Ya Later