Proteção
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nós meio que nos empolgamos e começamos outra história hahahaha é síndrome de escritor ou o que? hahahahahahahaha
Essa também é universo alternativo, nada a ver com o universo da série, então...........
Estávamos cavalgando pela estrada de terra. Eu e meu irmão, pela primeira vez em três anos. Os cabelos dele voavam para trás, e ele ria a cada vez que tinha que cuspir um punhado deste. E foi quando escutamos o grito.
Uma menina saiu correndo da mata, segurando as roupas rasgadas contra o peito, seminua, com cortes e um punhado de galhos e folhas misturados com o sangue seco grudados em seu couro-cabeludo.
Dois homens vieram atrás dela e meu irmão pôs-se a persegui-los com o cavalo. Eu desci do meu e estendi o meu casaco comprido para ela, que hesitou. Enrolei-a no tecido enquanto ela tentava se afastar cada vez mais.
- Não vou te machucar – prometi.
Quando terminei de embalá-la no casaco, ela olhou para mim com os olhos verdes mais brilhantes e mais bonitos que eu já tinha visto.
- Qual é o seu nome? – eu havia perguntado, hipnotizado pelos olhos dela.
- Katherine – ela respondeu.
Eu sorri para ela, e então meu irmão voltou, negando com a cabeça, o que significava que a) ele os tinha perdido ou b) os homens o despistaram.
- Vamos levá-la para casa – ele anunciou como se soubesse o que fazer com ela – A mamãe pode dar conta.
E saiu cavalgando, deixando-me sozinho com ela. Olhei para ela, que, em algum momento, arregalara os olhos e olhava para mim suplicante. Peguei a mão dela e ajudei-a a subir no cavalo, por mais que ela tremesse.
- Vamos – eu disse -, minha mãe sabe como curar os seus ferimentos.
Como eu não queria deixá-la com mais medo ainda de nós, deixei-a no cavalo e fui a pé. Demoraria mais, mas ela ficaria mais relaxada.
~.~
Quando o som dos cascos do meu cavalo foi ouvido dentro de casa, minha mãe já nos esperava na porta. Ela ajudou Katherine a descer e entrou na casa com ela nos braços, como se fosse um potrinho recém-nascido. Papai me abraçou e disse que eu estava de parabéns ao não deixá-la para trás, porque eles sabiam que a ideia havia sido minha, não de Thomas.
- Obrigado, pai. – eu respondi, sem saber o que falar. – Vou prender Bombur.
Bombur e Bilbo eram nossos cavalos, que receberam aquele nome quando éramos pequenos e por causa da paixão de papai pela trilogia The Lord Of The Rings e The Hobbit. Mamãe tentou lhe dizer que éramos apenas crianças e que não íamos gostar, mas de qualquer forma, acabamos mantendo os nomes.
Ele assentiu e voltou a caminhar pelo jardim enorme. Segurei as rédeas de Bombur e fui puxando-o para o estábulo, onde encontrei meu irmão acariciando a cabeça de Bilbo. Passei direto e prendi Bombur próximo à bomba d’água.
- Ela está bem mal, sabe. – ele disse.
- Eu sei, fui eu quem a trouxe até aqui. – eu retruquei, enquanto ligava a água para refrescar Bombur.
- Mas não entendi tanta demora.
- Existe uma coisa chamada respeito – eu disse – E eu a deixei ficar no cavalo enquanto eu o ia puxando.
Thomas assentiu e continuou escovando Bilbo, que se retraía a cada vez que ele puxava um nó da crina alaranjada do bicho; eu continuei jogando água em Bombur, que relinchava e batia os cascos no chão.
Mas não acredito que tenha feito um bom trabalho, pois só consegui pensar nela, e em como ela estaria se sentindo sendo cuidada por uma completa estranha.
~.~
Nós estávamos tomando o lanche da tarde e minha mãe apareceu com ela enrolada num dos vestidos antigos de adolescência dela. Eu pus a minha xícara de lado e olhei para ela, admirando o que não tinha conseguido ver.
Apesar de alguns arranhões e machucados um pouco mais sérios, ela era linda. Os cabelos escuros moldavam seu rosto e os olhos pareciam encaixar perfeitamente no perfil dela. Céus, preciso parar com isso.
- Rick, quer mais leite? – meu pai perguntou, e ninguém havia percebido o quanto eu a encarei.
- Uh? – eu balbuciei – Ah, não. Obrigado.
Ela sorriu e se sentou no meio de mim e meu irmão, que comia como um porco. Mamãe repreendeu:
- Thomas! Mais respeito, temos uma dama à mesa. – e papai riu.
- Outra dama à mesa, Martha. Não esqueça de si mesma – e mamãe lhe deu um beijo no canto dos lábios.
Eu sorri e voltei a tocar a xícara com meus lábios. Katherine se manteve quieta até que eu me virei para falar com ela.
- Quer comer ou beber alguma coisa?
- Hã? – ela balbuciou. – Não, não. Obrigada.
- Mas, querida – disse meu pai -, você precisa pelo menos tomar um pouco de leite. Diga a ela, Richard, meu filho.
Ela olhou para mim e reprimiu um sorriso, porque eu não sabia o que dizer. Ao invés de utilizar as minhas próprias palavras, algo em que eu era bom, apenas assenti e tomei um gole do meu leite.
- Ah, sim. Isso aí que ele disse. – e todos riram.
- Certo, pode colocar um pouquinho para mim, obrigada. – ela murmurou, envergonhada.
Meu pai encheu mais uma xícara e colocou-a nas mãos de Katherine. Tom olhou para ela enquanto ela bebia o leite, querendo ver sua expressão.
- Isso não é leite industrializado – ela constatou – Vocês têm vacas aqui?
Meus pais sorriram e assentiram, explicando sobre como a nossa fazenda havia sido passada de geração em geração, e como eles se orgulhavam de tê-la para seus meninos. E foi exatamente aí que eu fiquei vermelho e quis me esconder de todo mundo. Tom estalou as costas e anunciou que ia fazer mais uma cavalgada porque Bilbo estava se soltando.
Minha mãe foi atrás dele para lhe dar sermões e Katherine riu ao vê-la gritando com ele. Meu pai segurou minha mão e olhou nos olhos dela.
- Escute – ele pausou.
- Katherine. – ela sorriu timidamente.
- Escute, Katherine. – ele repetiu – Não precisa ter medo de nós, de nenhum de nós aqui, porque ninguém de nós lhe fará mal. Aonde está a sua família?
- Ah – ela murmurou -, eles têm uma casinha de campo por perto, mas eu não quero voltar.
- Por quê? – perguntou meu pai, soltando a minha mão.
Mas antes que ela pudesse responder, salvando-a pelo gongo, minha mãe apareceu perto de nós e perguntou a mim se eu poderia levá-la para um passeio pela nossa pequena fazenda. Eu assenti e me levantei, ajudando-a a se levantar em seguida.
Quando ela se colocou de pé, eu a ajudei a caminhar. Meu pai gritou para que não fôssemos muito longe e para que eu trouxesse mais um balde de leite para colocar na geladeira. Eu ri e continuamos a caminhar, até que eu tive coragem o suficiente para perguntar a ela:
- Por que não quer voltar para casa?
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