Notas iniciais
Eu sempre ouvi a expressão "Tal pessoa é tão preciosa que eu queria colocar ela em um pote", e decidi escrever algo com base nisso.
Espero que gostem.

Em uma cidade comum, havia um bairro comum.

Nesse bairro comum, havia uma casa comum.

Dentro da casa comum, havia um quarto comum.

Um quarto com a coisa mais preciosa do mundo.

Uma prateleira envolta em extremo zelo, a qual abrigava um singelo pote de vidro fechado.

Um objeto tão pequeno e frágil.

O maior tesouro que alguém poderia possuir.

E eu o possuía, sim, eu o possuía.

Janelas e portas fechadas, ninguém deveria rouba-lo.

Nem a traça e o tempo tinham o direito de tomar sua beleza.

Ela era minha, apenas minha.

Eu encaro sua existência com encanto, pensando no quão sortudo sou.

Você encara minha existência com medo, pensando no que fez de errado.

Mas você não fez nada minha amada, pelo contrário.

O mundo fez, e você sabe disso.

Como eu poderia deixar-te exposta aos perigos do mundo?

Não, eu seria louco se deixasse isso acontecer.

Mas você é ainda mais louca por desejar que aconteça.

Ingrata de todas as formas, apática de todas as formas.

Alguém como você não merece o amor de ninguém.

Mas eu te amo, e você sabe disso.

Te amo até que o tempo comece a te desgastar.

Te amo até que o vidro que te prende comece a se quebrar.

Te amo até que a morte nos separe.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!