Protector

6 A escolha certa


Notas iniciais
Eu andei meio sumida por esses dias, mas uma leitora nova me animou e aqui está mais um capítulo. Dedico ele à Lorena que alegrou o meu dia. Seja bem vinda.

Quando acordei eu estava em um quarto fechado, não tinham janelas só uma porta de ferro bem resistente. Havia alguém no quarto, forcei para ver quem era e vi meu irmão.

Ele estava sentado em um canto, fitando o nada, sua expressão era de culpa.

– Felipe, o que aconteceu, onde estamos? – ele olhou para mim com tristeza.

– Eu não fui capaz de proteger você, eu te levei lá, por minha causa estamos aqui.

– Mas isso é um sequestro? Eu não estou entendendo.

– Não é um sequestro, é quase isso. Talvez seja a hora de lhe contar a verdade.

– Verdade? Que verdade?

Então a porta se abriu e entrou um dos homens que estavam na boate. Segurou o Felipe.

– Você, venha comigo – eu me levantei – e você fique ai, princesinha.

– Felipe! Não! Volte aqui. – comecei a gritar e chorar.

– Vai dar tudo certo confie em mim – ele cochichou para mim enquanto saia, e de repente um súbito de tranquilidade me tomou e me sentei no chão, comecei a fitar a parede pensando em como poderia sair dali. Isso me lembrou dos contos de fadas onde as princesas eram sequestradas e seus príncipes iam salva-las, mas o pensamento de quem supostamente seria meu príncipe eu afastei, já estava mais do que provado que somos só amigos.

Da mesma forma que foram o medo e o desespero voltaram, então eu estava chorando, mas não como costumava chorar, eu estava aos prantos. Como sairíamos daqui, como?

Após alguns minutos a porta enorme de ferro se abriu, e o homem entrou me puxando pelo braço fazendo-me levantar do chão. Do lado de fora havia um corredor largo e branco, o que me fez lembrar a estranha visão que tive na escola, meu Deus, eu estava prevendo o futuro? “Isso mesmo” era a voz do Felipe, olhei em volta, porém ele não estava por perto, da onde vinha sua voz? “Calma, preste atenção, você não pode demonstrar que estou conversando com você, entendeu?”

–Mas com...? – “psiu, não fala em voz alta ele vai perceber” Olhei para o cara alto do meu lado e ele estava olhando confuso pra mim.

“É uma longa historia e não da para contar agora” disse ele, ou pensou

“Você está vindo para onde eu estou e eles não podem saber que estou conversando com você, eles são perigosos, mas não tenha medo, eu não fui capaz de te proteger antes, mas agora luto com unhas e dentes para proteger você.”

Entramos em uma sala, e realmente o Felipe estava lá, sentado em uma cadeira acorrentado. Colocaram-me em uma cadeira igual a dele, e me amarraram também.

– Então, vai contar qual são seus poderes por bem ou por mal? – perguntou um dos homens, ele era alto de cabelos em um tom de mel, tinha uma voz grossa, era assustador, mas por estranho que pareça eu não estava com medo, estava confusa e muito, que historia era aquela de poderes? Olhei para o Felipe. “Eu disse que não da pra explicar agora."

– Não vamos falar nada para vocês – respondeu meu irmão.

– Ah não vão? – uma dor muito forte me tomou por inteiro parecia que meu interior estava em chamas, eu não conseguia respirar, não conseguia falar, não conseguia ao menos pensar.

– Pare, eu falo, eu conto – escutei o Felipe gritando e a dor passou, rápido como veio.

Eu estava mais confusa do que nunca, eu não entendia esse negocio de poderes. Poderes é coisa de criança.

– Acho que tem alguma coisa errada – disse um dos homens, olhei e havia um balcão cheio de tubos e líquidos coloridos, era parecido com um laboratório.

– O que tem de errado? – respondeu o que parecia ser o líder deles

– Acho que vai explodir – apontava para um tubo onde a substância borbulhava muito, e era certeza de que iria explodir. Todos começaram a se desesperar.

E quando dei por mim Felipe estava do meu lado me desamarrando. E com ele estava um rapaz, pele morena clara, cabelos ligeiramente pretos e misteriosos olhos castanhos, ele olhou pra mim como se já me conhecesse há vários anos, Felipe me puxou pelo braço e saímos correndo, o corredor estava frio, como se tivéssemos em uma tempestade de vento, chegamos a uma porta, graças a Deus era a saída.

– Venha antes que exploda, aquela substância é muito tóxica e pode destruir este laboratório inteiro – disse o rapaz de olhos castanhos, quando dei o primeiro passo tropecei e cai, meu tornozelo doía tanto.

– Ei você está bem? – o rapaz de olhos castanhos se ajoelhou na minha frente e me ajudou a levantar, ele foi tão carinhoso comigo, tão atencioso e cuidadoso.

Quando pus o pé no chão era como se eu tivesse levado um choque e eu quase cai, mas o rapaz me segurou.

– Você consegue andar? – perguntou

– Acho que não – sem pensar duas vezes ele me pegou no colo e saiu correndo.

E dois minutos depois o laboratório inteiro explodiu, avistei um carro ali perto, entramos no carro, eu estava exausta, passamos a noite nesse laboratório, me colocaram no banco de trás do carro.

– Espera quem é você? – perguntei ao rapaz de olhos castanhos.

– Eu sou Gabriel, e você é a Marjory não é?!

– Como sabe meu nome?

– Ele é um amigo meu, Marjory. Agora sente ai e descanse, vamos levá-la ao hospital para ver esse tornozelo.

Sentei-me no banco e olhei para janela, a floresta era densa sem sinal de civilização, meus olhos estavam tão pesados, e eu adormeci.

Era uma cidade bem grande, cheia de prédios, prédios enormes, ali estava Gabriel, eu não o conhecia, mas parecia ser bem legal, e do outro lado da rua estava Eric, meu coração disparou instantaneamente, senti vontade de correr e me jogar em seus braços, mas alguma coisa me prendeu no lugar e escutei uma voz:

"Você esta fazendo a escolha errada querida, olhe para o outro lado”

Obedeci e olhei para o Gabriel, eu não entendia, estava confusa, escolha errada? Que escolha? De repente a imagem se destorceu e agora eu estava naquele laboratório de novo, e do meu lado estava Eric, alguns passos à frente estavam os homens que me sequestraram, mas não senti medo, já que Eric estava comigo, quando chegamos aos homens, Eric entregou minha mão que estava segurando ao líder deles.

“Pense bem antes de escolher, meu bem, as coisas não são o que parecem”

Acordei assustada, arfando, apenas um sonho, apenas um sonho, eu repetia a mim mesma, mas naquele semana meus sonhos não eram apenas sonhos.

– O que foi? Teve um pesadelo? – perguntou Gabriel

– Sim, mas já passou – respondi simplesmente, não queria conversar sobre isso.

– Quando eu era mais novo e tinha um pesadelo minha mãe cantava para mim – ele disse, e seus olhos radiavam afeição.

– É? E como é a música? – perguntei interessada

– É assim “Feche os olhos, meu bebê, vou estar aqui até o sol voltar, sonhe com os anjos meu bebê, nenhum monstro vai te assustar” – seus olhos brilhavam com a lembrança.

– Nossa é linda, ela ainda canta para você? – perguntei com um sorriso no rosto.

– Me mudei de casa quando ainda era muito pequeno, raramente a vejo, sinto muito a falta dela, ás vezes ligo para saber como estão ela e meu pai, ela sempre diz que estão felizes e que me ama – seus olhos se encheram de saudade. – Ela tem a voz de um anjo, meu anjo sem asas.

Eu ouvia o Gabriel falar de sua mãe com tanto carinho e amor, que um sorriso involuntário se formou e meus lábios, ele sentia mesmo muita saudade deles. Tudo ficou preto e de repente vi uma praça e lá estava Gabriel com uma mulher e um homem, e então voltei ao carro.

Balancei a cabeça meio confusa, mas decidi deixar pra lá, devem ser só alucinações.

– Chegamos ao hospital – disse Felipe

Eles me ajudaram a sair do carro e me levaram até a emergência, estava vazia, não havia muitas pessoas machucadas. Logo fomos atendidos, enfaixaram meu pé, pois havia trincado o osso e logo depois voltamos para casa.

A expressão de preocupação dos meus pais era perceptível ao longe, afinal sumimos por um dia.

– Calma mãe, já estamos aqui, se acalme. – disse Felipe com jeito tentando acalmá-la.

– Tudo bem, mas me conte tudo o que aconteceu – disse ela mais calma

– Então, eles nos pegaram e nos levaram para uma espécie de laboratório, ficamos lá a noite toda trancados em uma cela, e no outro dia nos levaram à uma sala, queriam que falássemos qual eram nossos poderes, mas antes de respondermos Gabriel colocou alguma substância em um dos tubos, a união das duas composições poderia explodir o laboratório inteiro, enquanto eles se desesperavam com o liquido azul que borbulhava muito Gabriel nos soltou e conseguimos fugir, mas no caminho Marjory tropeçou e trincou o osso do tornozelo, a levamos ao hospital e enfaixaram, ela tem que ficar com o tornozelo enfaixado por duas semanas.

– Eu disse que iriam encontrar eles, Catarina – meu pai disse.

– Mas esse é o lugar mais seguro da terra – respondeu minha mãe.

– Já chega, eu fiquei calada esse tempo todo, mas eu mereço saber o que está acontecendo.

– Acho melhor contarmos

Notas finais
Comentem!!! Beijocas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.