Subiram direto a escada para o quarto de Ruki, e ja fechando a porta Takanori disse ofegante.

— Algum de vocês poderiam dizer o que esta acontecendo comigo!?

— Simples, você ta afim dele! Quer dar uns beijos, no mínimo! Deu pra notar pelo jeito que olhava pra ele quando abriu a porta. – disse Yuu

— Ele é bem gato mesmo, sua mãe escolhe muito bem! – completou Aoi.

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— O que!? Como assim deu pra perceber?

— Não se faça de desentendido, você sabe muito bem que tá afim dele! – Aoi deu um leve empurrão em Ruki dando risada – Olha só pra ele que fofo!

— Não, vocês não estão entendendo... Eu... É claro que isso já passou pela minha cabeça, mas nunca havia me sentido tão atraído por um homem assim antes, sabe?

Uruha estava começando a entender, Ruki estava começando a gostar e um homem pela primeira vez na vida. Talvez sua família fosse muito conservadora e ele ainda nunca tivesse se permitido sentir aquilo. Era perceptível a confusão nos olhos do rapaz.

— É... a primeira vez que se sente atraído por um homem? Olha, calma, sua mãe não parece ser do tipo de pessoa que vai ser muito dura com relação a isso.
— Eu não sei, acho que ela vai aceitar. Mas eu não sei, estou tão confuso com tudo isso.


Aquilo tudo era muito informação pra uma tarde só. Mas duas coias eram certas: a primeira era que ele teria um segurança que andaria com ele todos os dias, a segunda era que ele estava, aparentemente, afim dele. Não era uma questão de escolha ou não, com mil caras para se interessar na vida, tinha que ser justamente com quem não poderia se envolver. Além disso, contaria a sua mãe? E o resto da família? Era melhor esconder por enquanto, não rolaria nada mesmo.

— Bom, nós precisamos fazer o trabalho, acho melhor esquecermos isso por enquanto. Qual era o tema mesmo?

Aoi percebeu que o baixinho não estava muito com clima de fazer o trabalho. Os três começaram a fazer, no entanto Takanori não conseguia pensar em nada, suas idéias eram todas ruins e ele mais atrapalhava do que ajudava.

— Vamos fazer assim, eu e o koi* faremos o trabalho em casa, só nós dois e colocamos seu nome nele. O que você acha? Acho que você precisa de um tempo!
— Ta falando sério, Aoi?
— Não, estou treinando agora porque vou abrir um show de piadas. — falou levantando-se – Claro que sim. Você concorda né, amor?
— Claro. É bom que a gente pode fazer umas anotações extras. — Uruha disse aquilo com um olhar tão malicioso, que Ruki entendeu rapidamente quais eram as anotações extras.

Desceram as escadas, Aoi e Uruha agarrados que só eles, Ruki prestou atenção para ver se a mãe lhes trataria diferente vendo aquela cena, mas ela foi receptiva e gentil. Os dois namorados se despediram da senhora Matsumoto, e foram em direção a porta.

— Até mais, Ru-chan.
— Até mais. Nos vemos amanhã então.

E lá se foram os dois, abraçados, entre selinhos e algumas palavras de amor. Ruki ficou observando os dois partirem, desviando seu olhar para o céu logo depois, pensando no que havia acontecido até ali. Não se movia, parecia em estar em transe.

— Ei, ta aí? — Reita ja estava com as mãos no ombro do garoto, ele estava tentando passar pela porta a uns 5 minutos, mas Ruki não o respondia.
— Ah! O que foi!? O que você ta fazendo!? — Seu coração acelerou ao notar a mão do loiro em seu ombro.
— Calma garoto! Eu só vou dar uma volta, posso ir? — Falou em um tom debochado.
— Claro, só preciso de você quando estiver fora de casa.
— Não foi o que pareceu hoje cedo. Cuidado com o ventilador, alguma hélice pode resolver te matar também. — Disse soltando uma risada.

Lágrimas brotaram nos olhos de Ruki, ninguém nunca havia sido tão rude com ele, estava acostumado com mimos por todos os lados. Abaixou a cabeça antes que Reita pudesse ver o que estava se passando com ele, foi direto para o quarto, subindo as escadas correndo. Pôde-se ouvir a porta batendo fortemente, e de alguma forma, aquilo mexeu com o loiro.

Reita saiu da casa e foi em direção a um bar que ele frequentava, era seu refúgio, ele sempre enchia a cara quando não havia mais nada a fazer. Dessa vez, não poderia exagerar na bebida, tinha que voltar aquela casa sóbrio, mas nada o impedia de tomar pelo menos uma cerveja e conversar com Kai, seu melhor amigo e dono do bar: Uke Yutaka, mais conhecido como Kai.

— E aí Yutaka.
— Da pra me chamar de Kai? Sabe que não gosto desse nome, porra.
— Ta nervoso hein, vai infartar! – disse indo em direção ao amigo abraçando-o. – Ja te contei a nova? Todos aqueles anos de defesa pessoal me serviram de algo finalmente! Agora estou trabalhando de segurança pra um garoto.
— Sério!? Virou babá loirão?
— Pára com isso, é sério. É um baixinho mimado, e meio desastrado pelo que vi.

Akira começou a contar tudo que havia acontecido com ele desde que conversou com a mãe de Takanori, com detalhes que poderiam ser cortados, mas ele preferiu contar tudo ao amigo.

— Ta parecendo mais que tu arrumou um namorado Akira... buscar na escola, dormir na casa dele. Nem pra mim você da tanta atenção.
— Mas você é um inconveniente mesmo. Quer calar a boca!? É meu trabalho.
— Claro, claro. Vou aceitar isso como desculpa... Vai ficar vestido todo bonitão assim também? Com essa cara de hétero?
— A roupa é o uniforme de segurança. Além do mais, confesso que fiquei com medo de ser recusado no emprego, você sabe como é... Eita olha a hora! preciso ir! Tchau, Kai!
— Vai la, Reita. Deixa essa cerveja por minha conta. — Gritou para o loiro que estava saindo do bar.

Chegando na casa que seria seu lar por um tempo indeterminado, tocou a campainha, só não esperava que fosse ser recebido por Ruki. Notou os olhos vermelhos do garoto, teria sido pela sua brincadeira? Mas ele era mimado mesmo. No entando, aquilo o deixou mal, não gostava de fazer as pessoas chorarem.

— Entra logo. — Takanori disse isso se afastando, indo em direção ao sofá, onde estava antes de Reita chegar.

O loiro entrou, o garoto estava assistindo TV e comendo um sanduíche.

— Opa! Posso assistir também? Ainda não estou com sono, sempre assisto antes de dormir. Acho que vou comprar uma pro meu quarto com o primeiro salário! – disse sorrindo tentando quebrar o gelo.
"Não da pra acreditar, primeiro ele me responde cheio de arrogância, agora quer ver TV e vem cheio de conversa! Qual o problema dele!?"
— Claro.
— Olha, desculpa se te deixei mal mais cedo.
"Ah, agora você vem se desculpar!?"
— Não tem problema.

Notas finais
*Koi: Namorado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.