Pronta para Viver
2 Ela está fazendo besteira
Notas iniciais
Boa leitura
Heidi, você tem 5 minutos para arrumar essa casa.-Minha mãe gritou, assim que colocou os pés dentro do meu apartamento.
–Não enche, mãe. Estou ocupada.-Esbravejei, colocando o fone. Ela se aproximou de mim e puxou o fone, violentamente.–Ai! Tá louca, mãe?-Perguntei, esfregando a orelha que agora doía.–Você não está ocupada coisíssima nenhuma. Vou no mercado, quando eu voltar quero isso aqui limpo e arrumado. Comecei a resmungar. Apesar de não morar mais com minha mãe, ela sempre exigia que eu mante-se a casa limpa e arrumada.–Pare de reclamar, Heidi. E limpe logo isso.-Ela falou da porta. Quando ela fechou a porta eu suspirei. Resmunguei mais um pouco e peguei uma vassoura. Comecei a varrer a sala.–Odeio faxina! Odeio!-Eu resmungava tanto, que quase não ouvi o meu celular vibrar. Só percebi, porque eu o deixei na ponta da cômoda e ele quase caiu e se espatifou no chão. Quase, porque eu tinha derrubado uma almofada no chão, que o salvou. Que sorte! Quando abri a mensagem era de Clarisse. De: Clarisse Para: Heidi Hey, amiga! Não vou para a faculdade hoje. Eu e o Jimmy marcamos de jantarmos juntos. Eu acho que ele vai me pedir em casamento! Espero que eu esteja certa! Bjs, até depois o/ Fiquei sem respostas. Clarisse ia faltar a faculdade, para jantar com o Jimmy? Isso era sério? Respondia ou não? Era melhor responder. De: Heidi Para: Clarisse Tudo bem, Clarisse. Você sabe o que é melhor para você. ; ) Bjs. Eu, sinceramente, sinto que ela vai fazer besteira. Casar com o Jimmy seria a maior burrada da vida dela. Ela o conheceu no último ano do ensino médio. Ele era o garoto mais popular do colégio. Apesar de não ter admitido inicialmente, ela gostou dele na primeira vez que o viu. Eu também tinha ido com a cara dele. Depois de alguns meses, ele a chamou para sair. Ela me pediu um conselho, e eu disse para ela que era para embarcar. Como eu me arrependo de ter dito isso. Uma semana depois do encontro, Jimmy pediu ela em namoro. Ela aceitou. Foi aí que a vida dela foi por água abaixo. Quando eles completaram 6 meses de namoro, Jimmy foi preso com heroína. Nunca vi minha amiga chorar tanto. Ela terminou com ele na prisão. Depois de 4 meses, ele foi solto. Foi a casa dela, pediu perdão disse que ia mudar. Ela o aceitou de volta. Foram mais 6 meses de brigas, lágrimas e reconciliação. Até que ele, novamente, foi preso com heroína. E, novamente, Clarisse terminou com ele. Mas, foi só ele sair da cadeia, para ela perdoá-lo. Foram mais dois anos. Até ela terminar com ele. E voltar para ele.–Heidi! Terminou de arrumar a casa?-Ouvi minha mãe da porta. Olhei para ela, com os olhos cheios de lágrimas.–Querida? O que houve?-Ela largou as sacolas que estavam em suas mãos.–Ah, mãe. Clarisse vai fazer uma besteira.–De que tipo? Ela me olhou apreensiva.–Ela acha que Jimmy vai pedi-la em casamento. E ela vai aceitar.–Oh, querida. Ela escolheu assim.–Eu sei, mãe! Jimmy já foi preso 3 vezes com heroína. Eu tenho medo. E se ela for presa também?–Ela não trafica.–Eu sei, mas vai que ele esconde na casa deles? Ele vai preso e ela também? Minha mãe acariciou delicadamente o meu cabelo.–Filha, ela quer isso. Você não pode impedir. Ela sabe quem é o Jimmy, ela o conhece. E quer ele assim. Eu assenti, chorando.–Bom... Vou arrumar a casa.-Balbuciei, secando as lágrimas.–Não. Depois te ajudo a arrumar. Agora, me ajude a guardar essas compras. Abri um sorriso e peguei uma sacola.[...] Eu tentava. Juro que eu tentava, mas eu não conseguia prestar atenção na aula. Algo dentro de mim estava me angustiando.–Copia isso para mim. Vou ao banheiro, não estou me sentindo muito bem.-Falei para minha colega de sala, Gabrielle que assentiu para mim. Saí da sala e corri para o banheiro. A angustia dentro de mim aumentava e me assustava. Tinha algo errado. Clarisse! Tremendo, peguei meu celular e liguei para ela. Foi direto para a secretária eletrônica. Eu gravei um recado. "Oi, amiga! Espero que esteja tudo bem. Ainda bem que você não veio hoje, a aula está um saco! Como foi o jantar? Me liga assim que ouvir esse recado. Beijos, tchau." Desliguei o celular e voltei para sala. Gabrielle me entregou uma folha de caderno.–Tudo bem?-Ela perguntou.–Tudo.-Respondi, sorrindo forçadamente. Ela sorriu de volta e voltou sua atenção a aula. Enquanto eu fiquei encarando o celular, a espera de uma resposta da minha amiga[...]–Heidi, vai a festa amanhã a noite?-Victor, gritou no meu ouvido.–É... Acho que sim. Vai depender de umas coisas aí.–Ahhhh, não Heidi! Vai ser legal! Você tem que ir!-Gabrielle protestou.–Eu não disse que eu não vou. Disse que vai depender de algumas coisas.–Quando você diz isso, é porque você não vai!–Eu... Ah, quer saber. Tchau para vocês. Saí rindo, ao ouvir as reclamações e suas vozes gritando o meu nome. Ao sair da faculdade a primeira coisa que eu senti foi: Fome.
Fui para o meu carro e dirigi até uma lanchonete. O cheiro de fast food me chamava. "Pare de comer besteiras, Heidi! Isso faz mal para a saúde!" Lembrei de ouvir minha mãe falar isso uma vez comigo. Desculpa, mãe. Mas, hoje eu estou com muita fome para pensar na minha saúde. A lanchonete estava cheia, pessoas rindo, conversas paralelas. Pelo menos o balcão não estava cheio.–Boa noite.-Eu falei para uma garçonete.-Eu quero... Um hambúrguer, com batata frita e refrigerante por favor. Ela anotou tudo e foi até a cozinha.–Cara, você viu o acidente que aconteceu na avenida? Disse que teve até gente morta.-Ouvi um homem falando para outro.–Eu vi cara! Disseram que foi muito grave!-O outro respondeu. Eu balancei a cabeça. Se esse acidente fosse verdade, eu não queria estar na pele da mãe ou pai da pessoa que morreu. Nunca senti essa dor, e nem quero senti-la.–Aqui está o lanche.-A garçonete chamou minha atenção. Agradeci e a paguei. Resolvi comer no carro, pois a lanchonete estava cheia demais.
Notas finais
Até sábado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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