Promises

31 Capítulo 30 - Choque


Notas iniciais
Olá olá, atualizei bem rapidinho não?? :D
POV Damon :))
Espero que gostem :))

"A verdadeira afeição na longa ausência se prova"

- Luís de Camões

- Elena? — Rebekah chamou naquela fatídica terça-feira, novamente eu estava agarrada à pia a deitar fora todo o almoço, sentia a cabeça latejar violentamente e o mal estar agora acompanhava-me praticamente todos os dias.

Lavei o rosto e os dentes e saí da casa-de-banho para encontrar a loira em pé, junto à minha cama.

- Sim?

- Tens consulta no médico hoje à tarde, eu liguei para lá e não dava para ires mais dia nenhum por isso... Espero que não te importes — Claro que me importava, a minha única vontade era ficar em casa a deprimir, como fazia todos os dias, só queria gritar, chorar e ir-me abaixo, tudo no conforto dos meus lençóis, mas o sorriso simpático de Rebekah proibiu-me de a desiludir.

-Claro, dás-me boleia? A que horas é? — O meu interesse era nulo mas tentei fazer um esforço para não ser rude.

- Daqui a duas horas saímos, está bom para ti?

- Ótimo. — Murmurei a contragosto e tornei a deitar-me. Ao longo ouvi o choro de Gracie mas nem quis saber, não estava com vontade de fazer nada, a única coisa que eu queria era descansar em paz enquanto pensava nos ótimos momentos passados com o amor da minha vida. Momentos esses que agora haviam sido esquecidos, deixados para trás, momentos irrecuperáveis perdidos num tempo distante, quando a vida era digna de ser vivida e os segundos passavam a correr. Agora o tempo arrastava-se languidamente numa preguiça dormente e dolorosa, recusava-se a andar mais rápido aumentando o meu sofrimento.

Fitei o teto branco do meu novo T0, não queria comprar nada demasiado grande dado que eu era apenas um e não ficaria ali muito tempo. Olhei o relógio que repousava serenamente na mesinha de cabeceira e percebi que já deveria estar a dormir à quatro horas, amanhã nem me iria conseguir mexer. Lembrei-me que tinha que ligar a Stefan, iria fazê-lo no fim-de-semana.

Mas sempre que fechava os olhos e deixava que a consciência me tragasse o meu cérebro torturava-me com memórias, memórias de quando eu ainda podia sentir o seu cheiro, beijar os seus lábios, sentir o seu corpo pequenino de encontro ao meu.

Ah Elena...

Como é que duas almas gémeas como nós pudemos deixar romper a nossa ligação? O que aconteceu connosco? Não eramos perfeitos um para o outro? E o que aconteceu ao "vamos ficar juntos para sempre"? Mentiras, tudo mentiras e mentiras. Mentiras que contamos no nosso leito para sossegar as inseguranças e acalmar o espírito. Eu sou teu e tu és minha, mas agora não te tenho agora eu sou meu e tu és tua. Dois corações independentes batendo e construindo diferentes melodias, dois corações que outrora cantavam a mesma canção.

Imaginei como seria ter um terceiro coração junto ao nosso, fruto do nosso amor e senti lágrimas arderem-me nos olhos.

Porque é que não conseguia aceitar? Era uma ideia assim tão descabida? Mas nós eramos tão novos para lidar com tamanho fardo.

Ah Elena...

O que eu faria por ela. Se era um filho que ela queria, um filho ela teria. Como é que eu não havia percebido mais cedo que perde-la custaria mais que lidar com um batalhão de recém-nascidos? O que ela me pedia era assim tão descabido? Consumar o nosso amor da forma mais pura e antiga que este mundo já viu. Uma vida, gerar um pequeno ser, uma capacidade tão única e tão singular.

Temia que ela não me aceitasse de volta, temia desistir do meu outro sonho aqui na Alemanha para voltar e adormecer desta vez para um pesadelo.

Amor dói e amar fortalece.

Eu ficaria aqui e ela ficaria lá porque nenhum de nós e forte o suficiente para correr atrás, dois covardes vitimas do amor e da saudade. Se realmente eramos feitos para ficar juntos? Só o tempo diria, mas o tempo arrastava-se a arrastava-se sem fim destruindo as nossas fortalezas e provocando insegurança.

E se ela conhecesse alguém que lhe desse o que ela mais queria? Alguém que também a amasse incondicionalmente, visionando futuros em comum que agradasse a ambos?

Não, eu não podia deixar isso acontecer, simplesmente não podia, mas iria impedir como?

O médico, conclui, era uma pessoa sexualmente ativa. Não entendia o porquê de estar a pensar numa coisa dessas quando a única pessoa com a qual eu queria estar estava a um oceano de distância, mas sim, Paul era uma pessoa sexualmente ativa. Emanava uma aura de conquistador, com os olhos cor de mel e o cabelo loiro queimado. Um tronco largo que se notava por debaixo da bata branca e um sorriso de molhar cuequinhas.

Era tentador, mas não para mim, eu preferia morenos, sem dúvida.

- Elena vou-te pedir que faças análises ao sangue e à urina, tudo bem? Deve ser apenas algo de estômago mas com enjôos tão violentos é melhor prevenir.

- Certo — Limitei-me a dizer, sem estar minimamente preocupada com o que eu tinha, provavelmente era saudade e arrependimento a manifestarem-se de uma forma mais... palpável.

Fui obrigada a ir a uma casa-de-banho fazer pontaria para um copo pequeno com uma tampa vermelha, algo que eu odiava porque sujava sempre um bocado as mãos, de seguida retiraram-me sangue e estava de volta ao consultório.

- As tuas análises estarão prontas, em princípio na quinta pelo que podemos marcar consulta para sexta, que tal?

- Ok.

- 16h? Está bom para ti ou tens algum compromisso? — Ele perguntou amável, continuei a fitar os meus pés sem sequer desviar o olhar.

- Nenhum.

Quando, pela primeira vez em muito tempo, eu desejei que o tempo continuasse a passar devagar ele decide passar a correr e quando dei conta abri os olhos para sexta-feira, como rotina vomitei o jantar do dia anterior sentindo as entranhas a contraírem-se.

Passei o dia no quarto sem comer lendo e revendo a carta de Damon, chorando copiosamente de cada vez que entendia a dimensão dos meus erros, eu era uma idiota.

Tinha que o recuperar, eu ia recuperá-lo. Já havia desistido de ter um filho e estava determinada a ir atrás de Damon nem que me perdesse naquela imensidão desconhecida.

Mas primeiro tinha que me curar, tinha que ficar boa.

Com uma nova determinação vesti-me apressadamente e pedi a Rebekah que me levasse para não chegar atrasada, vi que ela ficou contente com a minha atitude.

Aguardamos pouco tempo na sala de espera e mal ouvi o meu nome entrei, acompanhada de Rebekah.

- Elena Salvatore, certo? Bom os teus resultados já chegaram — Ele sorriu carinhosamente e sentou-se à minha frente na cadeira da sua secretária.

- E então? — Perguntei ansiosa, esperando que fosse algo simples para que eu recuperasse num instante e partisse para a Alemanha.

- Não tens problema nenhum. Estás grávida mas os teus enjôos são muito violentos por isso aconselhava-te a consultares um ginecologista.

Nem me dignei a responder, o chão debaixo dos meus pés deixou de existir e perdi-me no infinito.

Grávida?

Um sonho finalmente concretizado, mas porque é que nada parecia estar no lugar? Faltavam peças neste puzzle, faltava Damon.

Não foi por isso que desistis-te dele, por um filho?

Retorquiu a minha consciência com veneno. Comecei a chorar e perdi a noção de tudo quando Rebekah me arrastou para fora do consultório e me levou até casa, ajudando-me a sentar no sofá. Tinha a visão turva mas reparei que na mesa de apoio à minha frente estava uma fotografia minha, de Damon e de Stefan, a sorrir todos abraçados e as saudades atrofiaram ainda mais o meu pobre coração.

Levantei a blusa e notei o papo provocado pelo meu bebé, o meu pequeno ser que eu sempre desejei.

Eu iria ser mãe solteira, ia lidar com todo aquilo sem o apoio de Damon mas eu ia conseguir, se ele realmente me amasse nunca me teria deixado para trás e quebrado todas as nossas promessas.

Estava na altura de crescer e ganhar maturidade, a vida não era um conto de fadas.

- Elena... vais tirar o bebé? — Rebekah perguntou tentando disfarçar as lágrimas que ameaçavam cair, sabia que tudo o que loira mais queria era estar como eu, grávida mas isso era um sonho que ela teria que esquecer.

- Sim... — Ela soluções e desviou o olhar recusando-se a olhar para mim, pelo que ela não viu o sorriso divertido no meu rosto — Quando ele tiver nove meses.

Rimos as duas e ficamos assim abraçadas. Aquele pequeno ser que aos poucos crescia dentro de mim fazia-me sorrir como há muito tempo não sorria.

O meu pequeno.

- Uau, tanta felicidade junta. Ganhamos o Euromilhões? — Perguntou Stefan animado quando chegou à sala com Gracie no colo.

Peguei em Gracie e abracei o moreno.

- A Gracie vai ter um priminho, ou priminha! — Ele sorriu tornando a abraçar-me.

- Parabéns mana! E o Damon? — Aquela pergunta arrancou um bocadinho da minha felicidade. O meu sonho nunca estaria completo, ele estaria sempre a faltar.

- Ele não precisa de saber, ele não quer a criança e não. Não lhe daremos problemas não é? — Fingi um sorriso e desviei o olhar para Gracie imaginando-a a brincar com o meu bebé de olhos azuis, sim porque ele teria que ter olhos azuis, o meu pedacinho de Damon, tudo o que restava dele.

- Ele pode mudar de ideias...

- Ele teve imenso tempo para mudar de ideias e não o fez, não quero que ele saiba. vou ter com Caroline, tenho que lhe contar! — Exclamei novamente animada e segui para casa da loira.

Peguei o telemóvel e fiquei animado por finalmente poder ligar para Stefan.

Ele atendeu ao primeiro toque.

- Irmão, finalmente! Estava a ver que já te tinhas esquecido de nós. — Ouvir a voz do meu irmão apenas serviu para aumentar a minha saudades.

- Achas mesmo? Claro que não, tive apenas a ambientar-me. Há novidades por aí? — Ele hesitou tanto que por momentos não achei que me fosse responder.

- Nada de mais... E tu?

- Stefan...

- Sim?

- Desembucha.

- Não é nada a sério! E tu como estás? — Dei o assunto por esquecido.

- Bem, dentro do possível. Cheio de trabalho e coisas para fazer, isto aqui é um mundo novo. Nem imaginas, saio todas as noites e há sempre coisas novas a descobrir! — Menti, na verdade passava a vida enfiado no apartamento tentando tirá-la dos meus pensamentos.

- A sério? Que bom mesmo! Fico feliz por saber que estás bem.

- Muito mesmo — A mentira saía naturalmente e desejei estar nos braços de Elena em vez de a quilómetros de distância dela mas já não havia nada a ser feito. — Bem tenho que ir indo, fica bem irmão, um abraço. Beijinho para todos — Um especial para ela, acrescentei mentalmente.

- Outro, vá fica bem — E desligou.

Atirei-me para cima do sofá enterrado em auto-comiseração.

- Olha quem decidiu sair da caverna e vir ver a luz do dia — Comentou Caroline quando cheguei a casa dela dando-me um abraço apertado — Posso saber o que te trás aqui?

- Tenho novidades — Mordi o lábio ansiosa para lhe dar as últimas mas decidi exasperá-la um bocadinho.

- Elena Salvatore, não podes simplesmente dizer "tenho novidades" e depois ficar calada, a ideia é dizeres-me quais são essas novidades não achas? Ou queres que morra de expectativa?

- Sim, realmente tens razão.

- Então...?

- Então o quê? — Perguntei fazendo-me de inocente.

- Elena eu vou-te estrangular!

Ri bem humorada e pisquei o olho à minha amiga.

- Ai Caroline és demais... Bem, eu estou grávida. — Ela deixou literalmente o queixo cair e fitou-me boquiaberta.

- O QUÊ?

- O que tu ouviste!

- Ah amiga parabéns! Fiquei tão contente por ti, espero que seja uma menina para eu enche-la de roupinhas rosa! Vou ser tia e ela vai ser a sobrinha mais mimada do mundo! — Nunca tinha visto Caroline tão animada. Quando inicialmente lhe contara da gravidez ela pareceu um pouco apreensiva mas agora ela estava tão contente comigo que cheguei mesmo a emocionar-me. — Elena estás a chorar?

- Hormonas — Respondi e desatamos as duas a rir.

Para meu grande alívio Caroline veio comigo no sabádo, a loira continuava super animada e isso deixava-me animada a mim também. Eu já tinha um volume considerável e tinha a noção que não estava grávida assim à tanto tempo e isso preocupava-me juntamente com os enjôos e vómitos excessivos e violentos.

- Elena — Chamou a médica fazendo-me olhá-la — Eu de facto estou preocupada com esses enjôos por isso vamos fazer uma ecografia para ver um bebé e alguns exames caso seja necessário.

Deitei-me e a médica passou um gel bem frio pela minha barriga encostando depois o aparelho, surgiu algo no monitor mas eu não conseguia perceber nada. Ela soltou um riso baixinho e olhou-me animada.

- Podes ficar descansada, e habitua-te aos enjôos e vómitos deste calibre e também à tua enorme barriguinha, é tudo normal. São gémeos.

Notas finais
Nova fic:
http://fanfiction.com.br/historia/414939/Last_Love/
Leiam :D