Promises
17 Capítulo 16 - Dor da rejeição [Bónus]
Notas iniciais
Este capítulo é todo seu :D
POV Caroline
Acordei especialmente bem disposta ao perceber que tinha três mensagem na caixa de entrada, uma de Elena agradecendo-me por tudo o que fiz por ela, a moça já devia saber que o faço por gosto pois apenas quero a felicidade dela, outra de Klaus dizendo que "infelizmente não vamos poder ir almoçar juntos, fica para a próxima?" — Ok, confesso que esta não contribuiu para o meu humor matinal, mas a terceira sim, essa aí alegrou o meu dia.
De: Tyler
Olá Care, que tal irmos tomar um café? 11:30 no Starbucks? Sabes que mais? Não é um pedido é uma ordem, ahahah. 'Té logo, bjs.
Ri quando vi a mensagem do moreno, havia gostado bastante de Tyler, do seu jeito descontraído e daquele sorriso de dentes perfeitamente brancos e reluzentes. Tratei de responder rápido para me poder preparar a tempo.
Tomei um banho relaxante e escolhi um conjunto bem fofo, que eu amava. Tentei não ficar demasiado formal mas também não queria parecer demasiado simples, na verdade eu estava bastante nervosa, por causa de um simples café.
A minha mente parou em Klaus e na noite que havia passado com o loiro, dois dias atrás. O meu coração saltou uma batida quando me recordei do seu toque quente, da sensação dos seus lábios macios a entrar em contacto com a minha pele febril, tudo isso contribuía para aumentar a minha insegurança quanto àquele ser que tanto me atraía. Eu pensava cada vez mais em Klaus, por onde ele andaria, o que estaria a fazer, se estaria a pensar em mim. E isso não me agradava minimamente. Não queria tornar a sofrer por amor, uma vez fora o suficiente.
E por isso cada vez mais eu evitava estar com ele, tentava fugir às garras da tentação e Tyler era, nada mais nada menos, do que uma ótima distração.
Havia pouca gente no enorme café, o que era de estranhar uma vez que havia sempre bastante movimento. Encontrei o moreno sentando numa mesa distante fixando um ponto qualquer para lá do vidro da parede Norte, como se se perdesse dentro da sua própria imaginação.
– Bom dia — Cumprimentei educadamente, ocupando em frente à sua.
Ele rapidamente voltou a si esboçando um sorriso enorme fazendo-me sorrir também.
– Bom dia, Care — Tentei manter-me neutra face àquele apelido mas ele provocava-me sensações contraditórias na boca do estômago. O que raio se passava comigo, andava assim tão carente? Recompus-me e iniciei uma conversa casual e num instante percebi que tinhamos bastante em comum.
– Fico feliz por Matt ter roubado a atenção de Elena na noite em que fomos sair os quatro — Comentou tentado parecer despreocupado mas pude ler o seu nervosismo nas entrelinhas. Esbocei o meu sorriso mais sedutor, tentando evitar que a conversa caísse num qualquer clichê romântico sobre como o destino nos havia ligado e blá blá blá. Uma data de parvoíces.
– Posso saber porquê, Sr. Lockwood? — Perguntei fingindo-me inocente, mordendo provocadoramente o lábio inferior.
Tyler aproximou o rosto do meu, uns meros centímetros separavam as nossas bocas desejosas de se provar. Percebi que os lábios do moreno não eram, nem de perto, tão tentadores quanto os de Klaus e... porque raio é que eu estava a pensar na máquina sexual do loiro quando devia estar concentrada no Sr.Sexy à minha frente? Estava mesmo a perder o juízo.
Como se pensar num homem enquanto estava numa espécie de encontro com outro não fosse mau o suficiente tudo piorou quando um casal loiro cruzou a porta no preciso momento em que Tyler selou os nossos lábios.
POV Klaus
Com muita pena minha havia cancelado os meus planos com a minha loira favorita, Rebekah estava com uma espécie de crise existencial e precisava desesperadamente da minha ajuda. Não é para isso que serve a família? Para se ajudar mutuamente?
Como Kol estava super ocupado a fazer uma tour pela Europa pelo que de momento estava, logicamente, indisponível para escutar problemas alheios, Finn tinha um caso de extrema importância em mãos e passava a vida no tribunal e Elijah, bem Elijah continuava perdido pelo mundo, sem dar notícia há anos, preferindo "fazer amor não guerra" sabe lá Deus onde numa qualquer comunidade hippie.
Acompanhei a minha irmã até ao café mais popular de zona, o Starbucks não ficava muito distante da minha casa, vinte minutos de carro foi o tempo que demorou para o meu dia se estragar completamente.
Segurei a porta, como um perfeito cavalheiro, para que a minha irmã adentrasse o recinto mas ela estacou à porta olhando para longe, tapando-me a vista.
– Rebekah, planeias andar ou vais ficar aí parada a ganhar raízes? Espero que escolhas a primeira opção porque não trouxe a tesoura de podar — Comentei com sarcasmo.
Ela voltou-se para mim com a confusão estampada no rosto belo.
– Aquela tipa ali a chupar a cara do moreno gostoso não é a Caroline? — Perguntou-me parecendo extremamente chocada com o que vira. Revirei os olhos, a minha irmã às vezes conseguia ser um tanto ou quanto exagerada. Como se Caroline fosse andar a sair com duas pessoas ao mesmo tempo provavelmente confundiu-a, revirei os olhos perante ideia mais descabida e entrei no café prestes a dizer a Rebekah que ela estava enganada mas a minha fala ficou presa na garganta ao ver a cena à minha frente.
Um ódio alastrou-se pelas minhas veias e a única coisa que eu conseguia ver à minha frente eram as mãos daquele imbecil na minha miúda.
Aproximei-me da mesa dos dois, com Rebekah a seguir-me tal e qual uma sombra. Tossiquei chamando atenção dos dois. Eles separaram-se e Caroline olhou-me em choque, provavelmente querendo enfiar-se em algum buraco.
– Não sabia que estavas aqui, é bom ver-te — Esbocei um sorriso sínico e ela mexeu nos cabelos, nervosa.
– Igualmente — A sua resposta rápida e breve apenas indicava que ela desejava que eu saísse dali, algo que não estava nos meus planos.
– Estão num encontro ou podemos juntar-nos a vocês? — Perguntei educadamente sorrindo para os dois, a loira olhou-me desconfiada e o outro paspalho limitou-se a sorrir.
– Na verdade... — Caroline ia começar mas o troglodita adiantou-se.
– Estejam à vontade. Chamo-me Tyler, é um prazer conhecer-vos. — Sorri e puxei uma cadeira para Rebekah, sentando-me em seguida a seu lado. — São amigos da Care?
Care? Caralho só se for, que merda é esta de andar a inventar apelidos como se fossem íntimos? A realidade atingiu-me como um raio, Caroline andava a rebolar no feno com aquele ser acéfalo e eu nunca desconfiara.
Parabens, Klaus, ganhaste o prémio de mais ingénuo do ano! Afinal ela nunca me dissera que eramos exclusivos, pois não? Era só sexo, pelo menos para a loira. Eu é que me enganara a mim pensando, fantasiando com felicidades conjuntas e pedidos de namoro mirabulantes, ainda bem que percebera a tempo que eu não significava rigorosamente nada. Era sempre ótimo perceber que o objeto do nosso amor nos via apenas como uma fonte de prazer.
– Somos sim — Respondeu Rebekah ao perceber que eu me iria manter em silêncio.
– Estão juntos?
– Não, somos apenas irmãos. Além disso, ele está apenas interessado numa rapariga — Não percebi qual o objetivo da minha irmã mas mesmo assim corrigi-a.
– Estava. Não estou mais interessado — Lancei um olhar cheio de significado para Caroline mas logo me voltei para Tyler — Ela era uma vadia — Constatei, ácido, e ele riu ao passo que a loira se entalava com o cappuccino.
– Há muitas assim, é preciso estar atento.
– Klaus, posso falar contigo? — Caroline levantou-se de supetão e puxou-me pelo braço sem me dar tempo de responder, guiou-me até ao exterior do estabelecimento e mal saímos cruzou os braços e olhou-me com raiva — O que pensas que estás a fazer?!
– Estou a expandir horizontes, é sempre bom conhecer novas pessoas, ora essa! — Comentei com azedume.
– Porque é que estás chateado por eu ter beijado o Tyler? — Foi bastante direta, ignorando completamente a minha resposta sarcástica.
– Não estou — Menti.
– Então porquê tudo isto? — Retorquiu deixando-me encurralado.
– Eu... Eu... Tens razão, eu estou chateado, estou mesmo, porque não gosto que a rapariga com quem ando a dormir ande por aí a comer cada desgraçado que lhe caí no colo! — Rosnei olhando-a com fúria. Será que era assim tão difícil entender os meus sentimentos? Como é que alguém conseguia ser tão cego.
Caroline pareceu ofendida com as minhas palavras mas nãos se deixou abater.
– Ouve lá, eu nunca te disse que nós eramos exclusivos, pois não?! Eu não ando a comer cada desgraçado que me aparece à frente, da última vez que verifiquei não era uma vadia — Berrou com desdém.
– Talvez precises de verificar outra vez! — Ripostei antes que tivesse tempo para pensar no que dissera, no momento em que as palavras saíram eu arrependi-me. Senti a mão de Caroline entrar em contacto com a minha bochecha e a minha cara voltou-se 90º por causa do impacto da estalada.
Os seus olhos marejados fitaram-me e pude ver a dor contida naquelas duas pérolas cintilantes.
– Caroline... — Tentei começar mas ela fez sinal para que eu me calasse. Fechei os punhos sentindo raiva de mim mesmo, como é que eu pudera magoar a pessoa que eu mais estimava neste mundo? — Desculpa, eu não queria dizer isso!
– Querias sim — Respondeu cerrando o maxilar e olhando-me fundo nos olhos — Eu compreendo que estejas magoado, Klaus, mas o que te fez pensar que eu era só tua?
Engoli em seco e decidi que devia ser honesto mesmo que isso me custasse futuras noites no seu leito.
– Eu amo-te, Caroline e pensei, num momento de completa insanidade, que talvez me amasses de volta, que talvez tu também sentisses este aperto no coração de cada vez que estamos separados, que também te sentisses completa de cada vez que nos unimos... Mas não te preocupes, eu percebi que estava errado. Não volto a cometer esse erro. Desculpa se te causei algum problema. Fica bem, amor.
E fui-me embora, deixando para trás uma loira completamente sem fala, para que ela não pudesse ver as lágrimas que escorriam pelos meus olhos.
Parte de mim morreu naquele momento.
Céus, como dói ser rejeitado.
Notas finais
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