Promises
24 Capítulo 23 - De volta
Notas iniciais
Vá é isso, espero que gostem (:
O voo de regresso foi calmo, nenhum de nós se encontrava com disposição para falar, eu segurava a mão de Damon que dormia a meu lado ao mesmo tempo que fitava Stefan com pesar. O meu irmão olhava pela janela do avião, com um olhar deprimido, percebendo que estava a deixar o seu bem mais precioso para trás. Não, ele não estava a deixar a filha para trás, ela fora-lhe tirada, e o mais provável seria que ele nunca mais superasse isso. Ele ficaria dias e noites imaginando como seria a sua pequena, qual seria a sensação de segurá-la nos seus braços, de acalmá-la em noites agitadas.
Stefan vivia um sonho mal sonhado e não dava para não sentir uma compaixão esmagadora.
Por fim concentrei-me no banco à minha frente, querendo desviar a minha mente de assuntos deprimentes mas ela não parecia querer contribuir. Era estranha a maneira como eu conseguia compreendê-lo tão bem sem nunca ter passado por algo semelhante.
Mas eu passei por algo semelhante.
Também eu já fora privada de estar com aqueles que amo, por duas vezes. Pela primeira vez ao fim de muitos longos anos eu pensei nos meus pais biológicos e entendi que eles não passavam de borrões difusos na minha memória, percebi que eles não passavam disso de pais biológicos mas os meus verdadeiros pais, esses nunca iriam ser meros salpicos de tinta, escondidos entre a poeira num canto recôndito da minha mente. Esses permaneceriam para sempre vivos, dentro de mim, alojados no centro do meu peito, carregados comigo para onde quer que eu fosse.
Victor e Jessica foram e sempre seriam os meus verdadeiros pais.
A saudade fez-me encolher no assento e uma lágrima escapou-se escorrendo lentamente pela minha bochecha. Fui acometida por inúmeras memórias, de tempos que eu não iria recuperar.
XxX
- Senta aqui pequena, a mamã quer conversar contigo — Jessica pediu carinhosamente com um sorriso babado no rosto, a senhora amava a menininha de todas as formas possíveis, como uma verdadeira mãe e a pequena não podia deixar de se sentir grata por isso.
- Que foi, mamã? — Ela perguntou na sua vozinha doce de criança enquanto fitava a mãe com interesse.
- Amanhã é o teu primeiro dia de escola, amor, e eu queria que tu me explicasses como te sentes em relação a isso — A senhora estava apenas preocupada com a menina, não queria que ela se sentisse excluída e sabia como os meninos de hoje em dia podiam ser cruéis, ela não queria que Elena deixasse de se sentir incluída na família por causa de comentários maldosos, a verdade corre com muita facilidade nos tempos em que se vivia.
- 'Tou muito muito co'te'te, mamã! Eu vô faze amiguinhos e binca com eles o dia todinho, pode ser? — Ela bateu palminhas completamente extasiada com a ideia de conhecer mais meninos e meninas da idade dela.
- Pode sim, amor — Jessica assentiu fazendo a pequena sorrir animada.
- Obba! — Os seus olhinhos cor de chocolate brilharam entusiasmados e ela tornou a bater palminhas.
- Só não te esqueças que eu te amo muito e tu és a minha filha, a minha filha preciosa, está bom?
- Tá sim, mamã!
- Mãe fica descansada que eu tomo conta dela, não deixo que nada lhe aconteça — Damon apareceu na sala com o seu habitual ar de superioridade e sem querer ouviu a conversa das duas. Elena era o seu mundo, ele não conseguia passar mais de duas horas sem pensar na menina de cinco anos, apesar de ser quatro anos mais velha
- Damon! — Elena gritou assim que o viu chegar, ela saltou do colo da mãe para ir até Damon para poder abraça-lo pela cintura, dado que não chegava ao peito. O rapaz apenas riu da sua reação e pegou na mocinha ao colo. Já era tarde e ele sabia que Elena tinha que dormir, caso contrário torna-se-ia insuportável pela manhã. Deu-lhe um beijo na testa e ela rodeou-lhe a cintura com as pernas pousando a cabeça no seu ombro, bocejando devido ao sono.
- Boa noite mãe — Damon despediu-se e Jessica apenas se limitou a sorrir para a cena. Elena não era uma criança difícil de lidar, muito pelo contrário, mas, como todos os pequenos, tinha as suas crises, os seus momentos menos bons, havia o choro, as birras e tudo mais. Jessica compreendia que Elena era um tanto ou quanto carente, talvez devido aos quatro anos que havia passado no orfanato sem ninguém que lhe desse atenção.
Quando ela tinha as suas "crises" de carência apenas Damon sabia como a acalmar. Ela discutia com Jessica, Victor e até Stefan que era da sua idade e fugia a chorar encontrando apenas conforto junto de Damon.
Algumas vezes Jessica sentia uns certos ciúmes da facilidade que o seu filho mais velho tinha para lidar com a sua pequena, outras vezes sentia-se apenas gratas por tê-lo ali para a ajudar com Elena.
- Não achas que já estás grandinha demais para ainda falares como um bebé? — Damon perguntou à irmã que repousava ainda no seu colo, enquanto caminhava até ao quarto dela. Ela apenas fazia isso quando estava carente e necessitava de saber que mesmo que crescesse iam continuar a amá-la incondicionalmente.
Ela ignorou a pergunta dele, torcendo o nariz em desagrado. E colocou uma nova.
- É verdade aquilo que disseste à mamã? — Perguntou num tom manhoso, apertando o irmão com mais força.
- O quê? — O mais velho perguntou confuso.
- Que vais tomar conta de mim? — Ela continuava com uma vozinha manhosa mas esperava a sua resposta ansiosamente, enquanto mordiscava o lábio inferior, com os nervos.
- Claro que vou, Elena. Vou tomar sempre conta de ti — Ele prometeu e fazia mesmo tenção de cumprir aquela promessa.
XxX
Naquele enorme avião, que rumava a L.A. eu estava perdida no meu canto, perdida em memórias que pensava que nunca mais iria recordar, perdida em momentos doces de pura ternura, amor cálido que me aquecia nas noites mais frias de inverno, um amor único e especial, só meu.
Fechei os olhos e desta vez voltei a viver o passado, só que seguindo as pegadas da inconsciência que me tragava para uma altura há muito tempo passada.
Tanto Elena quanto Damon reviviam memórias, algumas que desejavam esquecer.
XxX
- EU NÃO QUERO VOLTAR MAIS À ESCOLA! — Elena gritou alterada e Jessica não soube o que fazer, Victor não estava em casa, Stefan e Damon estavam nos treinos de Karaté e futebol, respetivamente e ela estava sozinha com Elena que parecia que queria deitar a casa abaixo com a sua histeria. Era um dos raros momentos em que a sua pequena se descontrolava, ela era muito calma normalmente. Stefan era a única pessoa naquela casa mais calma que Elena.
- Porquê, filha? Porquê? — Jessica perguntou com desespero.
- Os outros meninos descobriram que eu era adotada e chamaram-me de orfã, renegada, filha secundária, e tudo mais que possa imaginar. EU NÃO QUERO OUVIR ISSO NUNCA MAIS! — Ela tornou a elevar o tom de voz ao relembrar a crueldade das outras crianças, a maneira como riram dela, como a insultaram e trataram mal.
- Óh meu amor, peço imensa desculpa — Jessica se sentiu terrivelmente mal pelo facto de a sua pequena ter que passar por uma situação daquelas, Elena já andava naquela escola à quase dois anos e nunca ninguém havia descoberto, não que eles tivessem vergonha de ela ser adotada mas sim para evitar situações como esta. — Mas amor tu não podes desistir da escola...
A senhora tentou aproximar-se da filha mas esta afastou-se revoltada e correu para o seu quarto, afogando as suas mágoas numa almofada branca.
Chorou, chorou e chorou e continuaria a chorar por muito mais tempo mas, para alívio de Jessica e Victor que havia chegado recentemente e já estava a par da situação, Damon finalmente chegou e mãe rapidamente informou-o do que se estava a passar pedindo por ajuda.
- Sem problemas — O rapaz acedeu sem parecer nervoso, ele já sabia que Elena se acalmaria assim que ele entrasse pela porta.
Foi até ao quarto da irmã e abriu suavemente a porta indo deitar-se a seu lado. Assim que percebeu a sua presença, Elena enroscou-se no peito do irmão, passando o braço por cima do seu abdómen. Ele fez-lhe festinhas no cabelo, distraidamente.
- Pequena, ouvi dizer que falaste mal com a mãe, é verdade? — Ela escondeu o rosto no peito de Damon com vergonha da sua atitude, ela só queria que o irmão se orgulhasse dela.
- Ela é que não compreende, mano! Só tu é que compreendes. Eu não quero ir mais para a escola mas ela vai-me obrigar, não a deixes fazer isso — Ela choramingou agarrando-se à camisa escura do rapaz.
- Ela já me contou o que se passou, desculpa não ter estado lá para te proteger Elena mas o Peter quis que eu o ajudasse com uns trabalhos da escola e não pude ir ao recreio, eu prometo que da próxima vez estou a teu lado — Ele apertou-a nos seus braços sentindo o seu corpinho pequeno encaixar-se no seu, sentindo o calor na sua irmã e roubando-o para si.
- Assim já quero ir — Ela sorriu satisfeita e deitou-se em cima da barriga de Damon deixando o rosto a escassos centímetros do do irmão, dei-lhe um beijinho no canto da boca e pulou da cama arrastando-o consigo — Vamos, Da, vamos brincar as casinhas com o Stefan, podes ser o meu marido?
- Por ti, posso ser tudo.
Eles brincaram durante horas seguidas até que Elena finalmente deu sinais de estar cansada e quis ir dormir.
Ao invés de ir para o seu quarto ela seguiu para o de Damon que teve que praticamente arrastá-la de tão cansada que estava, ela fazia isso imensas vezes, adorava dormir com o irmão e eram raras as vezes em que não o fazia.
Ela quis se deitar na cama mas Damon não permitiu.
- Primeiro tens que tomar banho — Ele alertou e ela arregalou os olhos claramente descontente com aquela ordem.
— Não quero! — Teimou fazendo um biquinho que Damon achava adorável, com um gesto meigo arrumou os cabelos desalinhados de Elena atrás da orelha e deixou ali um beijo.
- Mas tem que ser! — Ele falou autoritário e a pequena cruzou os braços amuando.
- Então podes-me dar banho, Da? — manhou passando os braços pelo pescoço do irmão e encostando a testa dos dois.
Ele suspirou cansado mas feliz por a sua irmã ser tão dependente dele, ele amava a relação dos dois, era tão ingénua, tão fraternal que lhe aquecia o coração de cada vez que pensava nisso.
Depois de dar um banho relaxante a Elena ele vestiu-lhe o pijama e deitou-a na sua cama deitando-se a seu lado e puxando automaticamente o corpo dela para junto do seu, para poderem dormir de conchinha.
Sorriu feliz e antes de adormecer desejou que os dois nunca se afastassem.
Infelizmente os seus desejos não foram atendidos e tudo se alterou por completo quando Damon tinha treze anos e Elena nove.
Damon já era um pré-adolescente e isso fazia o seu peito encher de orgulho pela maturidade quase adquirida, ele começava a alterar a sua personalidade e a entrar numa fase da qual os seus pais tinham receio. Mas Damon, apesar de ser bastante traquinas não era rebelde, pelo contrário, era bastante aplicado e brincalhão. Era orgulho de Jessica e Victor.
Damon sentia-se muito mais consciente daquilo que o rodeava, sentia-se mais maturo e muito mais homem, com uma nova mentalidade recentemente adquirida. A única coisa que não mudara era a sua irmã.
- Damon! — A pequena, que agora estava enorme de tanto que havia crescido ao longo de cinco longos anos naquela casa, correu para abraçá-lo mal ele chegou do treino de futebol. — Vens-me ajudar a treinar? — Pediu numa voz meiga sorrindo satisfeita para o rapaz de olhos azuis.
Elena tinha ido ver um treino de Stefan e ficara apaixonada por combates de tal forma que não descansou até entrar no karaté também e agora queria ser melhor que o irmão, para que Damon se orgulhasse.
Ela podia ter mais técnica que Damon que nunca praticara nenhum tipo de luta mas ele era muito maior e subjugava-a com relativa facilidade, desviando-se dos golpes com as mãos sem saber realmente como fazia. Elena tentou derrubá-lo, pontapeando-lhe os pés e ele acabou por cair em cima da irmã que estava exausta.
Damon fitou o rosto belo da rapariga e algo se agitou dentro dele.
Vê-la assim, por baixo dele, ofegante e com o rosto vermelho, os cabelos cobertos de suor, os olhos cerrados com violência e as mãos firmemente presas à sua camisola deixou-o num estado caótico.
Todo o seu ser se agitou e sentiu-se desfalecer perante aquela visão tentadora, sem que percebesse bem porquê o seu corpo reagiu ficando extremamente excitado, a sua ereção pronunciava-se através das calças e o facto de ela se debater debaixo dele para se libertar não contribuí-a em nada para manter a sua sanidade que o deixava aos poucos.
Completamente aturdido com o que acabara de acontecer Damon fugiu e trancou-se no quarto ainda completamente duro. Não sabia o que fazer, só sabia que precisava de um banho gelado para refriar a sua excitação mas ao entrar na banheira e encarar o seu pénis completamente teso teve outras ideias. Tocou-se, de início a medo e foi ganhando confiança à medida que revivia a cena na sua mente e se dava prazer, rapidamente o seu orgasmo escorreu pela parede da banheira e ele sentiu-se imundo, imundo por fazer aquilo a pensar na sua irmã.
Desde esse fatídico dia as coisas apenas pioraram, cada gesto, movimento e até expressão de Elena apenas contribuíam para o enlouquecer. Era uma tortura dormir com ela à noite e ter todos aqueles sonhos molhadas com ela a uma distância tão reduzida.
Sabia que não podia continuar assim mas era fraco demais para a afastar, apenas uma noite fez com que a relação deles se alterasse por completo.
Elena dormia a seu lado enquanto Damon lia calmamente o livro, ele tinha agora dezanove anos e a sua irmã quinze, já estava uma mulher, simplesmente irresistível.
Do nada ouviu um gemido rouco e ela retraíu-se a seu lado tornando a gemer.
Ele olhou-a a percebeu que ela estava a ter um sonho erótico.
Ele tornou a gemer e apertou Damon com força contra si roçando-se impiedosamente nele, vertendo excitação. Isso apenas serviu-se para que Damon ficasse completamente fora de si, o seu membro era submetido a uma enorme pressão por parte da coxa da irmã enquanto ela se roçava cada vez mais. Ela parecia desesperada para se aliviar e Damon mordeu o lábio perguntando-se se seria assim tão errado fazer aquilo que estava a pensar.
Cego de excitação levou a mão até ao meio das pernas da irmã e ela gemeu alto trilhando os seus dedos com as coxas sedutoras. Incentivado pela sua reação, baixou-lhe os calções largos do pijama e percebeu que ela dormia sem roupa interior, o seu membro latejou tamanha era a tesão que sentia naquele momento. Era impossível estar longe dela, impossível resistir-lhe.
Lentamente encaminhou os dedos para a virilha da sua pequena e tocou onde ela mais queria. Sentiu a sua excitação toda e foi como se um balde de água fria tivesse sido despejado pela sua cabeça, o que é que ele estava a fazer? Era errado! Eles eram irmãos, afastou-se dela o mais que pôde e percebeu que as coisas não podiam continuar assim.
Desde esse dia Damon alterou por completo a sua relação com Elena, começou a provocá-la, a irritá-la sempre que podia, na brincadeira e a relação deles passou a ser uma relação de amizade apesar de Damon ainda ter aquele desejo avassalador ele estava trancado nos confins do seu coração, à espera para ser libertado.
Mesmo assim havia ainda dias, quando ele sentia que a besta estava controlada, que se permitia aproximar mais dela, quando dormiam junto ou algo assim sem que isso causasse danos irreparáveis na sua mente.
Ele assim sempre teria a sua pequenina sem estragar aquilo que eles tinham e isso era mais que bastante, era perfeito.
XxX
Damon acordou com a aterragem do avião, finalmente haviam chegado. Ficou espantado por ter sonhado com lembranças que havia enterrado há muito, havia voltado, estava de volta não só a casa mas também ao passado. Sorriu lembrando-se dos tempos com a sua menina linda e segurando a mão dela saiu para fora do avião, pronto para ir para casa.
Eles haviam decidido, os três, que viveriam juntos, e já começaram a procurar casa, não queriam nada de muito grande mas também não queriam um cubículo minúsculo.
Estavam os três sentados em frente ao computador, no loft de Damon, com as malas ainda por desfazer quando o telemóvel de Elena tocou.
- Caroline, olá! desculpe por ainda não ter dito nada mas cheguei à mesmo pouco tempo e estava a ver aqui uma coisa com Damon e Stefan...
- Stefan? Ele está de volta? — A minha amiga perguntou e lembrei-me que ainda não lhe tinha contado sobre isso.
- Pois, é uma longa história... — Ri sem graça triste por me ter esquecido de pôr Caroline a par de tudo.
- Em nossa casa, quinze minutos. Até lá, Gilbert. Nao te atrases.
E desligou.
Não se esqueçam de dar uma vista de olhos em Damn You, a minha outra fic.
Notas finais
Deu para perceber como tudo começou? ^^
Damon You será atualizado amanhã (:
Comentem e recomendem, façam uma escritora muitooo feliz :D
Quem quiser o extra já sabe (:
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