Promises

22 Capítulo 21 - Revelações


Notas iniciais
Então, gostaram do extra pessoas? :D
Espero que sim *.*
Este capítulo era suposto ser apenas o relato do Stefan, mas para não ficar muito aborrecido eu juntei a metade do capítulo seguinte (:
Boa leitura (:

Eu sentia-me mal, muito mal pelo que havia dito. Eles não mereciam ouvir algo assim da minha parte, eu amava os meus irmãos e não se deve magoar aqueles que se ama.

Porém eu tinha guardado tudo aquilo para mim durante anos, sem pode contar a nenhum dos dois como eu me sentia, sem poder contar como eles me tinham magoado de uma maneira que nunca ninguém tinha magoado antes.

Mas agora eu só queria guardar os meus pensamentos, só queria proteger as minhas emoções, não queria que eles vissem o quão vulnerável eu ainda fico perante este assunto e a única maneira que eu encontrei de fazer isso foi defender-me atacando-os, uma parte cruel de mim queria que eles sentissem na pele pelo menos um pouco daquilo que eu senti. Dor. Dor e mais dor. Dor essa que eu nunca tinha conseguido superar. Parece que nem sempre o passado fica realmente no passado.

Stefan vagueava sem rumo pela sala, andando de um lado para o outro, parecia estar prestes a ter um ataque.

Em silêncio levantei-me, Damon olhou-me com curiosidade mas Stefan nem deu conta, e fui até ao quarto para ir buscar, à minha mala de emergências, um xanax.

Entreguei-o a Stefan junto com um copo de água mas ele olhou-me confuso.

- Toma – incentivei com uma voz meiga – Vai-te fazer sentir mais calmo.

Ele hesitou mas acabou por mandar o comprido pela garganta tragando um grande gole de água junto.

Sentou-se à nossa frente, no chão, enquanto eu e Damon seguravamos as nossas mãos lado a lado no sofá. O olhar de Stefan recaíu sobre as nossas mãos dadas e pareceu ficar confuso mas nada disse.

- Eu sei que vocês merecem a verdade, eu sei mas para eu contar como vos encontrei tenho que recuar um bocado está bem? – Nos assentimos e involuntariamente reclinamo-nos na sua direção prontos para ouvir o relato.

- Como vocês sabem, eu fui estudar medicina para a República Checa, e tudo estava ótimo até uma maldita e encantadora morena embater contra mim na biblioteca, quando eu estava no segundo ano e ela no terceiro. Ela era tão linda, vocês deviam ter visto. Tinha uns cabelos castanhos rebeldes e uns olhos claros que me fizeram crescer água na boca – Ele sorriu provavelmente ao relembrar a maneira como se conheceram, mas rapidamente o seu sorriso desmoreneceu e o seu rosto fechou-se numa enorme carranca – Nos começamos a falar e tornamo-nos grandes amigos, os melhores que há na verdade, faziamos tudo juntos, passavamos a vida no cinema, por vezes dormia no apartamento dela e um dia simplesmente toda aquela amizade virou paixão. Nós começamos a namorar e estavamos sempre colados, a sério, até chegava a ser meio doentio, mas eu não me conseguia afastar dela, simplesmente não conseguia.

«As coisas foram ficando sérias e logicamente que acabamos por ir para a cama juntos, e foi ótimo, eu nunca tinha experienciado nada assim, nenhuma outra rapariga chegava aos pés dela. Um maldito dia nós estavamos tão entusiasmados que nos esquecemos de usar preservativo, mas não ficamos em pânico porque ela, felizmente tomava a pílula…

«Infelizmente, três dias antes ela tinha estado bastante doente, febres altíssimas, quase 40ºC então ela estava a tomar antibióticos e tudo o mais.

Ele parou o relato, mordendo o lábio inferior com vergonha. Damon olhava-o em estado de choque, os olhos a querer saltar das órbitas de tão arregalados que estavam, eu tinha a certeza que estava da mesma maneira. O desfecho daquela história era tão óbvio que chegava a ser um clichê.

- Ela engravidou? – Foi mais uma afirmação do que uma pergunta e Stefan olhou para mim corando, tornou a baixar os olhos fitando o tapete e notei que tinha os olhos marejados.

- Engravidou, sim. Nós fomos muito irresponsáveis, eu sei, sei que mereço tudo de mal que me aconteça mas… — Ele calou-se novamente para tentar controlar o choro. Cheia de pena sento-me a seu lado no chão e passo a mão pelas suas costas, numa carícia tranquilizadora.

Damon olhava-o demonstrando claramente que o estava a julgar naquele momento que não estava minimamente contente.

- Então – Começou com uma voz rude – tu foste um completo idiota e abandonaste-a, grávida? Fugiste para as Maldivas e por acaso encontraste-nos. – Era bastante evidente o desagrado no olhar de Damon, claramente ele condenava as ações do irmão.

- Não! – Stefan apressou-se a dizer, espantando-nos aos dois – Eu nunca faria isso, muito pelo contrário.

«Quando descobriu que estava grávida a Hayley, é esse o nome dela, praticamente passou-se, ela falou em abortar e tudo mais mas eu felizmente consegui demove-la dessa ideia. Eu disse-lhe que aquela criança era a nossa responsabilidade e que tinhamos que aceitar as consequências dos nossos erros, matar um ser vivo inocente não seria aceitar essas mesmas consequências. Ela relutou bastante, mas acabou por aceitar, eu prometi que ajudaria com tudo, despesas o que quer que fosse, até fui com ela à primeira consulta de maternidade. A médica disse que com o tempo ela ia-se afeiçoando ao bebé mas à medida que falavamos mais disso mas distante ela parecia estar.

«Um dia simplesmente entrou em pânico, chegou ao apartamento dela a chorar, a chutar tudo pelo caminho. Ela berrou que odiava o nosso filho, ou filha, e que queria que ele morresse e fosse para o inferno por ter destruído a vida dela. Eu não sabia o que lhe tinha dado, mais tarde descobri que ela tinha ido contar aos pais, à procura de conselhos mas que eles não tinham aceitado a criança, disseram que ela era uma “vadia sem vergonha”, que iam parar de lhe financiar os estudos e o apartamento e que ela teria duas semanas para encontrar uma casa e virar-se sozinha, ela “estava morta para eles”.

«Eu tentei tranquiliza-la, dizendo-lhe que eu estaria lá para ela, que iria arranjar um emprego, iria ceder o dinheiro da minha herança… Tudo, mas ela não quis nada. Acabamos por discutir, uma discussão bem acesa, cheia de raiva e frustração. Ela culpou-me pelo ocorrido, disse-me que desejava nunca me ter conhecido… magoou bastante ouvir aquelas coisas da mulher que eu mais amava.

«Enfim, ela decidiu que iria abortar mas dessa vez eu não a consegui fazer desistir dessa ideia mais que estúpida mas, para bem do nosso bebé, a gravidez já ia demasiado avançada e o aborto já não era legal. Novamente nós discutimos, ainda pior que da outra vez, e eu disse que podia cuidar da criança sozinho, eu ia arranjar uma maneira, mas ela acabou por falar da boca para fora, disse que não queria a minha ajuda para nada, que estava melhor sem mim, claro que ela queria a minha ajuda, claro mas ela também era muito orgulhosa então decidiu que ia ter o filho, sem mim, um ato de vingança então eu percebi que não podia deixar o meu bebé aos cuidados de alguém que não estava mentalmente são. Mas de um dia para o outro ela desapareceu sem deixar rasto. Eu procurei-a por toda a República Checa mas nem sinal dela.

«Foi então que eu me lembrei de Sarah, a sua melhor amiga, com certeza ela saberia onde Hayley estava. Dito e feito, ela sabia mas não me queria contar, depois de eu tanto insistir ela finalmente contou-me que tinha comprado dois bilhetes de avião para as Maldivas, os pais dela tinham lá… aqui, uma casa que já não usavam à anos, ela tinha a chave…

«O outro bilhete era para Sarah se ir juntar a ela dentro de um mês e meio, quando terminasse o semestre. Eu ia obviamente comprar um bilhete para ir ter com ela, mas em cima da hora o preço era muito elevado, e apesar da herança eu não podia gastar metade do meu dinheiro e das minhas poupanças nisso. Eu pedi a Sarah o bilhete dela, ela de início não queria dar, ela estava convicta que eu não queria ajudar Hayley em nada mas após duas semanas ela realmente percebeu que eu só queria o melhor para o meu filho e deu-me o bilhete de avião dela..

«Aquele mês que passei a empatar para poder ir ter com ela foi, sem dúvida, o mês mais longo da minha vida, dediquei-me aos estudos e passei com distinção, ao menos, e de repente faltava um dia para eu ir! Tinha tudo combinado com a Sarah, ela disse-me onde era a casa dela e antes de eu embarcar mandou-lhe uma sms a dizer que ia entrar agora no avião e que ia ficar sem bateria por isso quando chegasse ia ter diretamente a casa dela.

«Foi o que eu fiz, eu só ia conversar com ela mas ela, quando me viu, tive um relação completamente insana, desatou aos gritos, chamou-me de perseguidor, violador, todos os nomes que possam imaginar, a sério! Ela expulsou-me de casa, e no dia seguinte emitiu uma providência cautelar, eu não me podia aproximar dela a menos de 100 metros.

«Claro que tive que esperar três meses para voltar, comprei o bilhete de volta no mesmo dia, para ser o mais barato possível e no dia da partida vi-vos na área de chegada. Eu de início nem queria acreditar que eram vocês, pensei que tinha perdido o juízo, a sério, pensei mesmo. Mas pedi a um táxi para vos seguir e vi que estavam instalados num Hotel, foi só pedir o número na receção e demorar seis dias a ganhar coragem para vos ligar e pronto, aqui estamos nós…

«Claro que vos pedi para não contarem a ninguém que me encontraram, eu sinto tanta humilhação, engravidei a rapariga que mais amo, desiludi os meus irmãos, tenho cadastro por causa de uma maldita providência sem o menor sentido... Eu não sei o que mais fazer — Ele enterrou o rosto nas mãos e desatou a chorar.

Eu não sabia o que dizer, nem sequer imaginava que o meu irmão pudesse ter passado por algo semelhante, todo este tempo, quando eu pensava em Stefan imaginava-o a ser o melhor da classe, a viver uma vida mais que normal de estudante e no entanto era algo completamente diferente.

- Era isso? – Ouvi a voz espantada de Damon e olhei-o completamente chocada, como assim ? Ele não tinha passado por suficiente era? Sinceramente, este meu menino era completamente fora da realidade às vezes.

- Damon! – Gritei ainda atordoada com a sua atitude ridícula, será que ele não via a dor espelhada nos olhos verde esmeralda de Stefan? Será que ele não notava que o sofrimento do irmão atingia dimensões gigantescas?

Ele sorriu descontraído e olhou Stefan nos olhos, a saudade refletia-se no seu olhar azul, uma mistura agridoce de várias emoções.

- Quando te encontramos, rodeado de todo este drama, eu pensei que, sei lá, tinhas cometido um homicídio, violação, pedofilia, sei lá… Por isso é que tinhas vergonha! Mas, irmãos, tu simplesmente apaixonaste-te e, acidentalmente, comestes-te um erro. Mas foste até ao fim do Mundo para tentar emendar esse erro, tu lutaste por uma rapariga que, a meu ver, não te merece, lutaste pela tua criança que ainda nem nasceu... Tu tem é orgulho Stefan, tem orgulho de ti mesmo que neste momento é o que eu mais tenho de ti, orgulho. A tua atitude foi nobre e acredita que muito pouca gente fazia o que tu fizeste! — Stefan olhava-o, tentando, a todo o custo, conter as lágrimas, eu via, no seu olhar, que ele estava emocionado com as palavras do irmão, até eu estava. E Damon tinha razão, Stefan era um herói, disso não havia dúvidas.

- E nos vamos ajudar-te a resolver isto, acredita — Disse com convicção e sorrindo de modo tranquilizador.

- Obrigada, por tudo! É bom ver que continuamos a ser uma família.

Abraçamo-nos com carinho e ternura e no meio de lágrimas soltaram-se risos e sorrisos, estavamos juntos outra vez e nada poderia mudar isso, juntos iriamos lutar contra todas as adversidades.

XxX

- Então, de quanto tempo é que ela está? — Perguntei, andando pela sala, eu tinha que arranjar maneira de ajudar Stefan, simplesmente tinha...

- Trinta e nove semanas! — Olhei-o surpreendida, não pensei que a gravidez já estivesse tão avançada, se tudo corresse bem o bebé nasceria em menos de três semanas, isso reduzia consideravelmente o tempo disponível para pensar.

- E isso quer dizer o quê? — Damon perguntou completamente desnorteado, tentei não me rir, pois não sabia até que ponto a psique de Stefan aceitaria isso, dado a situação atual.

- Quer dizer que a Hayley dentro de pouco tempo terá que ir para o hospital ter a criança — Alertei e vi a preocupação nos olhos de Damon.

- E menino ou menina? Só por curiosidade — Eu fuzilei Damon com o olhar, como se isso fosse importante agora!

- Menina — Stefan esboçou um sorriso tão lindo e satisfeito que apenas aumentou a minha motivação, eu tinha que ajudá-lo, eu queria conhecer a minha sobrinha e apaparicá-la com tudo e mais alguma coisa, queria brincar às casinhas com ela e vê-la crescer e tornar-se uma grande mulher.

- Stefan, tu não te podes aproximar dela, mas nós podemos, certo? Ela deve estar cheia de dores, a precisar de ajuda e tudo o mais e mais cedo ou mais tarde vai-se arrepender de ter rejeitado a tua ajuda, nós podemos falar com ela e fazê-la entender, mais cedo, que precisa da ajuda... Eu sei que não é uma ideia genial mas eu não sabia que a gravidez estava tão avançada, a qualquer momento a tua menina pode nascer, pode ocorrer hoje mesmo! — Tentei não soar muito alarmada mas eu entendia a gravidade da situação ao contrário dos dois homens naquela sala.

- Eu sei que não é o ideal, mas é alguma coisa. Eu digo-vos onde é a casa dela e vocês já vão fazer mais do que o que eu mereço.

- Na verdade, eu estava a pensar em ir sozinha... — Damon olhou-me aborrecido, claramente ele não concordava com a ideia.

- É que nem pensar. Não é por nada mas é mais que lógico que essa fêmea é lunática, sem ofensa Stefan!

- Damon, que mal é que ela me pode fazer? Ela está grávida de praticamente nove meses! — Ele rolou os olhos, como se esse facto não fosse minimamente importante.

- Olha, pode dar-te com a sua barriga de nove meses na testa, tu ficas inconsciente e ela tortura-te até à morte — Um riso escapou da minha garganta quando percebi que ele falava ligeiramente a sério.

- Não estou a ver onde está a piada! — Ele sentou-se no sofá, de braços cruzados, fazendo um biquinho adorável.

- Vocês discutem como um casal — Stefan comentou, olhando-nos de olhos arregalados.

- Pois, quanto isso... Esse assunto fica para depois, está bem? Agora Stefan diz-me onde fica a casa dela que eu vou lá agora mesmo. Sozinha! — Frisei a parte do sozinha para que o meu amorzinho entendesse que eu não ia dar o braço a torcer.

- Está bem.

XxX

Em poucos minutos eu estava parada em frente a uma bonita casa de pedra, coberta por elegantes heras que trepavam habilmente as paredes, dando um toque romântico à habitação. Havia uma pequena escadaria, também de pedra, que levava ao alpendre, uma porta de madeira, completamente deslocada do resto da decoração, estava encaixada entre as paredes paralelas às escadas, subia-as e bati suavemente à porta.

Ouvi passos arrastados do outro lado e uma voz apagada e cansada fez-se ouvir através da pesada porta.

- Quem é?

- Olá, Hayley, o meu nome é Elena, sou irmã do Stefan, podemos falar só por um segundinho? — Perguntei calmamente, num tom de voz meigo e compreensivo.

- Não! Não quero contacto nenhum com ele nem ninguém relacionado. Por favor vá embora — Ela rosnei, bastante ofensiva. Fiquei chocada com a raiva que ela guardava do meu irmão quando tudo o que ele tinha feito fora tentar ajudá-la.

- Por favor, Hayley, é só um minuto, não lhe peço mais nada. — Insisti, desta vez com uma voz firma e decidida, tentando transmitir que não me ia embora sem falar com ela.

Ela hesitou, estava prestes a insistir novamente, quando por fim, ela falou.

- Tudo bem — A porta abriu-se e uma linda morena surgiu do outro lado — Pode falar aí de fora, e tem apenas um minuto.

Notas finais
Compreendo que não tivessem à espera que Hayley surgisse, muito menos envolvida com o Stefan! Mas eu pensei, já que a moça anda prai a carregar o bebé de Klaus já tá habituada e carrega também o de Stefan kkkk
Como será que vai correr a conversa? :b
E que tal, mereço reviews? Recomendações? (:
Para hoje o extra será um hot Delena, parece bem? Hehehehehe ^^
E já agora, visistem o tumblr de Promises :D Podem fazer perguntas às personagens que eu respondo como se fosse elas!
http://promisesfanfiction.tumblr.com/ (:
E já agora, se querem o extra tem que pedir por MP também, mas não se esqueçam, sem review não há extra para ninguém uhuh ^^
Beijinhos*