Promise of Reunion
1 Prólogo - Chá, macarons e avisos estranhos
Promise of Reunion
Prólogo — Chá, macarons e avisos estranhos
Passaram-se cerca de alguns anos desde a última exposição do falecido e popular artista Guertena. Depois de ter passado por tanto sofrimento, naquele dia, Mary foi capaz de escapar para o mundo real, mas sem sua “irmãzinha”, Ib. Tanto tempo se passou, tantas pessoas, tantos mundos e realidades alternativas ela pôde vivenciar, mas passou esse tempo sozinha, a causa de suas madrugadas chorosas que tanto preocupava “seus” pais. Se soubesse que teria de deixar Ib sozinha no meio daquele lugar horrível, teria mudado aquele final. Teria feito outra escolha. Quem sabe tudo não seria melhor se ela nunca tivesse nascido? “Não!” ela gritou, afastando esses pensamentos negativos de sua cabeça. Se ela tinha feito algo horrível, ela teria de pagar com suas próprias mãos o seu erro. Mary desde que saiu da exposição dedicou-se a fazer tudo que Ib havia planejado para seu futuro. Ib ainda era muito nova naquela época, mas Mary estava decidida que iria cumprir as vontades deixadas por Ib. Entre elas, algo que a própria Ib disse antes de levar Mary ao mundo real era que ela nunca pudesse esquecer que um dia Garry fez parte de sua história. Só de pensar em seu nome, um arrepio percorria a espinha de Mary. Não é como se ela o odiasse, mas nunca seria capaz de perdoar alguém que lhe condenou tanto, alguém que lhe fez tão mal. Porém, entendia o sofrimento do solitário Garry, pois ela entendia tão bem quanto ele o que Ib significava na vida de ambos. Será que ainda seria possível vê-la novamente...?
Os pensamentos da garota foram afastados ao ouvir seu nome sendo chamado por uma voz grossa. Ele finalmente havia chegado. Por quanto tempo ainda pretendia ficar esperando? Se não fosse pelos laços do destino e do passado que os uniam, Mary nunca se encontraria sentada na mesma mesa que ele, apreciando um – diga-se de passagem — bom chá de capim-cidreira acompanhado de macarons de diversas cores. “Boa tarde” ele disse, de maneira apressada, ainda ofegante de tanto correr. Mary lançou um delicado olhar de desprezo, que seja sorte ou falta de atenção, passou despercebido por Garry. Sempre os encontros típicos das terças-feiras eram silenciosos, trocavam apenas algumas palavras e compravam alguns macarons e chá para não perder a viagem. Em particular, Mary havia reparado na mudança de aparência do homem sentado a sua frente: Na época da exposição ele era ligeiramente mais magro, (não que agora fosse gordo, havia apenas ganhado alguns músculos), não se vestia mais com as “roupas de mendigo” segundo a descrição da garota, embora o cabelo e o olhar cansado tenham permanecido o mesmo. Mary era também suspeita a falar, seus longos cabelos foram cortados e agora formavam pequenos cachos loiros um pouco abaixo de seus ombros, havia trocado o tradicional vestido verde imaginado por Guertena por um uniforme escolar de saia xadrez vermelha e branca e uma blusa branca com o emblema de sua escola costurado em um bolso próximo a seu peito.
Pensou ela que este seria mais um encontro típico das terças-feiras, porém algo realmente chamou a atenção de ambos. “Todos, venham todos!” um homem jovem, vestido de palhaço passava pelas ruas, chamando atenção. Ele logo que encontrou o olhar de Mary, aproximou-se da garota “Olá jovem moça! Por favor, pegue um panfleto! E você também, senhor!” ele entregou um panfleto também para Garry “Aposto que os dois terão muita diversão!”. Com isso o palhaço voltou a chamar mais pessoas. Logo que ele se afastou, Garry pensou em dizer algo para Mary, mas quando ele olhou para ela, percebeu que ela estava muito estranha. Estava pálida, com as mãos trêmulas e o seu rosto esboçava uma expressão de medo e preocupação. “Garry, aquele! Aquele!” ela gaguejou “J-J-Juggling!”. Ele então olhou assustado. Não havia reparado na semelhança do estranho palhaço e o quadro da galeria. Era muita coincidência. Mas talvez fosse mera coincidência mesmo. Até que ele leu o papel que dizia “Grande Exposição de Arte – 100 Anos de Guertena”. De tão assustado que estava Garry deixou o papel cair. Colocou as mãos trêmulas no rosto e em sua cabeça apenas conseguia ver uma imagem: A do rosto de Ib. Olhou devagar para Mary e sentiu (pela primeira vez, diga-se de passagem) pena da garota. Ela também estava chocada. Estava ajoelhada no chão, com as mãos sobre a cabeça e chorava incontrolavelmente. Logo que o olhar deles encontrou-se, eles sabiam o que deveriam fazer: Ir atrás de Ib.
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