Promise Me
18 A presença do amor.
Notas iniciais
O príncipe entra pela porta do quarto de Kurt. Ele vai em sua direção em passos lentos e delicados, o plebeu continua dormindo do mesmo jeito na qual deitou na noite passada. O moreno se aproxima cada vez mais e só então, se deitando lentamente na cama aproxima a sua mão do rosto dele e alisa a sua pele.
Um sorriso aparece no rosto de Anderson e ele continua alisando o rosto do mais alto até o exato minuto em que junta seus lábios aos dele. Kurt suspira um pouco até que enfim se acorda, porém não abre os olhos, ele simplesmente guia seus braços até o pescoço do mais baixo e se deixa levar pelo beijo.
–Bom dia meu amor. – Blaine fala entre o beijo
–Ótimo dia. – Kurt coça os olhos e enfim os abre — Você não voltou ontem a noite. – Ele fala observando que ainda está na mesma posição da noite passada
–Na verdade eu voltei, porém quando entre aqui você já estava dormindo... e me parecia tão cansado que resolvi deixa-lo dormir. – O príncipe dá um sorriso alisando o rosto dele
–Você trancou a porta? – Hummel ergue um pouco a cabeça e só então vê ela aberta – Blaine! Você não trancou ela?
O plebeu rapidamente se afasta pelo susto que levou ao ver que a porta estava aberta. Qualquer um que passasse poderia muito bem vê-los.
–Eu sinceramente não tenho medo de mais nada. – Anderson rebate com um tom apaixonado
Kurt encara um pouco incrédulo o príncipe. O plebeu não pode estar acreditando que a paixão na qual ambos sentem um pelo outro se torne um meio de perigo para as suas vidas e em consequência a isso um flash passa pela mente do castanho, se lembrando de cada palavra na qual o irmão de Blaine o disse. Se eles dois não tiverem cuidado, estarão mortos.
–Blaine, nós precisamos conversar. – Kurt o encara
–Será que poderíamos fazer isso em outra hora? – O moreno se levanta da cama – Tenho uma surpresa para você.
–Surpresa? Que surpresa? – Kurt o encara desconfiado
–Vá se arrumar no banheiro e logo após isso me encontre no hall do palácio.
–Você está me assustando...
–Confie em mim, você irá adorar. – Com um sorriso no rosto o príncipe se afasta
Hummel respira fundo e só então encara mais uma vez o enorme quarto. A cama é tão confortável que ele mal percebeu que acabou dormindo sem ao menos se despedir do príncipe.
Kurt se levanta e caminha na direção do banheiro, ele abre uma porta que tem no próprio cômodo e acaba se deparando com outro ambiente quase tão grande como o anterior. Seus olhos se arregalam, esse banheiro é maior do que a sua própria casa. O plebeu caminha em frente, passando por algumas toalhas, ele toca nos tecidos delicados de cada uma e após isso agarra em suas mãos alguns sabonetes no formato de rosas.
–Que cheiro horrível. – Ele sussurra fazendo uma careta
Kurt larga os sabonetes mais uma vez na cesta, e volta a encarar outros produtos sobre a bancada. Ele abre diversos potes com diversos cremes, passa um pouco no rosto, mas logo desiste ao sentir o cheiro. Ele se agacha e também observa algumas velas, incensos e perfumes que ficam em um armário abaixo da enorme pia.
O plebeu pega dois desses perfumes na mão e coloca um pouco em seu braço até o exato minuto em que Mercedes aparece na porta:
–Precisa de algo? – Ela questiona
Kurt grita com uma voz mais fina do que o normal pelo susto e só então ele derruba os dois fracos de vidro dos perfumes no chão, dando um pulo para o lado pelo reflexo. A morena tampa as orelhas pelo barulho e logo o encara assustado.
–Você está bem? – Ela anda em sua direção
–Oh meu deus, me desculpe por isso... eu... eu... – Kurt se desespera ao ver tudo quebrado no chão
–Não se preocupe com isso, um pano resolve o problema. – Ela sorri para ele enquanto o mesmo respira fundo ainda pelo susto
–Me perdoe de verdade, não derrubei por querer... – Ele encara o ambiente – Eu só nunca vi coisas do gênero, isso tudo é muito estranho, confuso e fedorento.
–Sei bem como é. – Ela dá uma risada – Não sei se fomos devidamente apresentados, mas me chamo Mercedes Jones.
–Kurt Hummel. – Ele sorri – É um prazer conhece-la.
–O prazer é meu.
–E não pense que eu esqueci o que fez por mim e pelo meu amigo, isso será uma dívida jamais paga por mim.
–Não se preocupe com isso. – Ela suspira – Você não era para estar preso, percebi pelo seu olhar que não cometeu nada de errado.
–Isso é o que você pensa, o restante acha que sou um ladrão, mas eu jamais roubei algo, e se fiz isso para salvar o meu pai.
–Não se preocupe, conheço homens bons quando os vejo. – Ela sorri e só então aponta para a banheira – Quando estava dormindo já enchi a água para o seu banho.
–Muito obrigado. – Ele coloca a mão na água e arregala os olhos – Água quente?
–Sim... por que?
–Eu nunca tomo banho quente. – Ele diz chocado
–Seja bem-vindo ao palácio. – Ela lhe joga outro sorriso – Bom... também lhe trouxe uma roupa que possa lhe servir.
–Muito obrigado. – Kurt se inclina em gratidão
–Não há de que. Agora se eu fosse você, andaria logo, o príncipe quer lhe fazer uma surpresa. – Mercedes se afasta – E vá por mim, isso não alegrou nem um pouco o conselheiro.
A morena sai do banheiro deixando um tom curioso no castanho que rapidamente retira sua roupa e entra na banheira. Após alguns minutos de higiene completa, incluindo bucal e de pele graças aos cremes. O plebeu caminha até o quarto e olha sobre a cama um traje.
Kurt o fica encarando por alguns minutos, ele não é tão escandaloso como o do príncipe — e o castanho está agradecendo aos céus por isso — mas também não é tão simples como os dele.
Uma calça preta que o serviu muito bem está acompanhada de uma camiseta de manga longa e folgada na cor azul escuro com uma gola em formato V. Ele também recebeu um cinto preto, grosso e de couro que é posto em sua cintura. Sendo assim depois de se mexer um pouco para se adequar ao traje o plebeu enfim sai de seus aposentos e caminha até onde o príncipe lhe mandou ir.
A medida em que o plebeu desce as escadas nota de longe uma grande mesa, repleta de comidas na qual o mesmo jamais viu. Os olhos de Kurt se iluminam ao ver tamanha fartura, mas isso não é a única coisa que o deixa intrigado pois o príncipe está parado o encarando com mais cinco pessoas ao seu redor.
–Blaine o que é isso? – Kurt questiona se aproximando
–Kurt Hummel, quero lhe apresentar os melhores vendedores das redondezas. – Blaine aponta para cada um
–Prazer? – Hummel fica confuso
–Queria também que soubesse que são eles mesmos os que irão lhe dar os melhores tecidos no qual um homem poderia ter. – Blaine sorri
–O que? – Kurt arregala os olhos – Do que você está falando?
–Você me contou que adorava criar roupas, no entanto lhe faltava tecidos para fazer isso e também me contou que jamais recebeu um presente, pois bem, esse será o seu primeiro de muitos.
A boca do castanho está literalmente aberta com essa surpresa, ele nunca em toda sua vida recebeu qualquer presente e isso o emociona de alguma forma. Seus olhos ficam marejados e sua respiração fica fraca por isso.
–Você está bem? – Blaine se aproxima dele
–Eu... – Kurt respira fundo, ele está de fato querendo chorar – Eu não esperava por isso... Blaine eu não posso aceitar, de jeito nenhum, agradeço a sua consideração por mim, mas eu não posso.
–Kurt, não me diga isso. – O príncipe aperta o seu braço – Você merece esse presente, aceite isso por tudo que passou durante os anos, por todas as batalhas, por todos os cuidados com o seu pai e o seu melhor amigo, por ser quem você é.
–Isso é de fato muito comovente de sua parte. – Mike aparece na sala
–Mike, não me venha soltar gracinhas. – O príncipe o encara irritado
–E quem disse que irei soltar alguma gracinha? – O conselheiro rebate incrédulo – Na minha sincera opinião, Kurt deveria aceitar o presente.
–O que você está dizendo? – Anderson rebate sem acreditar no que escutou
–Eu estou dizendo que... – Mike se aproxima – Blaine, você é um dos meus melhores amigos e meu dever é cuida-lo. E se o Kurt é o seu amigo, quem sou eu para dizer o ao contrário?
Um dia atrás...
–Mike, mantenha a calma. – Quinn o persegue pelo quarto
–Como você quer que eu mantenha a calma? – Mike grita em desespero – Ele foi contra aos meus princípios e ainda por cima temos aquele conselheiro de quinta interferindo no meu poder.
–Mike, Mike. – Sebastian dá uma risada enquanto segura um pano em seu braço cortado – Você ainda não entendeu como se joga isso, não?
O conselheiro encara um pouco intrigado seu amigo. E só então se levantando da poltrona Sebastian caminha em sua direção, larga o pano no piso sujo de sangue e leva uma de suas mãos até o rosto dele.
–Não, pelo visto ainda não compreendi, meu amigo. – Mike sente o aroma de sua mão
–Do Blaine, você apenas terá que conseguir a sua amizade, e não é bem isso que o você está alcançando. Como quer que ele assine os papeis se você trata mal a única coisa que lhe importa?
–O ladrão. – Mike o encara
–Exato, o ladrão. – Sebastian suspira enquanto as gotas de sangue caem sobre os ombros do conselheiro
–O Sebastian tem toda razão. – Quinn caminha para trás do conselheiro e só então o abraça pelas costas – Você terá que tratar o plebeu da melhor forma possível, não poderá de nenhum jeito sequer gritar com ele ou o tratar como um ladrão. – Sebastian começa a abrir os botões da camiseta de Mike – Nem que para isso você o tenha que tratar como rei.
–E é exatamente isso que o príncipe quer. – Sebastian abre o ultimo botão ao mesmo tempo que Quinn arrasta sobre os ombros de Chang a sua roupa – Você receberá a confiança do príncipe. – Quinn beija as costas dele – Receberá a confiança do plebeu – Sebastian alisa o seu peito – E receberá enfim a assinatura.
–Então o meu dever é tratar o ladrão bem e resgatar a confiança perdida do príncipe? – Mike respira fundo sentindo a criada levar suas mãos até o pênis dele
–Exatamente. – Sebastian dá um sorriso e só então mela seu dedo com o sangue e o mostra ao conselheiro – E está vendo esse sangue?
–Sim. – Mike arrodeia seus braços na cintura do recruta
–Isso será a única coisa que restará do príncipe e daquele ladrãozinho que ele tanto ama. – Por fim Sebastian leva seu dedo até a sua própria boca, sugando o sangue
Mike sorri para o amigo e só então Sebastian envolve seus braços no pescoço dele, o beijando logo em seguida.
[...]
O castanho encara o conselheiro um pouco desconfiado, há algum tempo atrás ele queria manda-lo direto para a sarjeta sem ao menos julga-lo e agora quer o ver feliz? Para o plebeu isso está fedendo mais do que os cremes do reino.
–Então já que não há implicâncias. – Blaine suspira rindo como nunca – Vamos direto ao ponto Kurt, escolha os melhores tecidos.
–Isso Kurt, os melhores! – Mike pisca para ele
Ainda um pouco desconfiado o plebeu segue com os demais vendedores até uma das salas, para poder ver as amostras dos tecidos. Blaine continua sorrindo ao mesmo tempo que Mike bate com sua mão no ombro dele e o aperta com força.
–Talvez eu possa me tornar amigo dele também. – Mike suspira – Posso ter me equivocado.
–Com certeza se equivocou.
–Bom... Blaine, quando você tiver um minutinho a sós gostaria de resolver uma papelada com você. Não há pressa, pode ser no momento em que desejar.
–Que espécie de papelada?
–Uma besteira do reino, nada que você precise se preocupar. – Mike sorri – Bom, vou deixá-los resolvendo o problema dos tecidos, estarei no meu escritório.
–Certo. – Blaine o encara enquanto ele se afasta – E obrigado Mike... por tentar dar uma chance ao meu amigo.
–Apenas fiz o certo, se ele é amigo do meu amigo, então deveria se tornar meu também.
E só então com um sorrido falso no rosto o conselheiro se afasta, caminhando em direção ao seu escritório.
Após uma hora enfim cada vendedor se despede o plebeu o deixando a sós na biblioteca do lugar. O príncipe acerta o preço com eles e entra no cômodo se deparando com o castanho observando alguns livros sobre uma prancha.
–Esses foram presentes do meu pai. – Blaine diz assustando Kurt
–Blaine! – O plebeu se vira assustado e só então observa os livros novamente – Onde está o seu pai?
–Bom... essa é uma história na qual não gosto muito. – Ele se aproxima
–Se quiser não precisa contar, respeito isso. – Kurt se vira sentando logo em seguida no sofá vermelho e elegante da sala
–Não é uma história longa, mas também não é algo bom. – Blaine se senta ao seu lado – A vida entre os meus pais nunca fora a mesma desde que meu irmão foi preso.
Kurt deixa engolir uma saliva a seco só de se lembrar do motivo pelo qual Cooper fora preso.
–Meus pais brigavam muito desde o dia e a minha mãe nunca concordou em mate-lo na sarjeta mesmo sabendo que ele estava errado em roubar o reino. – Blaine suspira – Até que chegou um ponto no qual meu pai não aguentava mais toda a pressão de ter uma esposa assim, um filho ladrão e um reino para administrar. Várias coisas aconteceram durante dois anos como por exemplo a morte dos pais do Mike.
–O que? – Kurt o interrompe
–Os pais do Mike foram mortos, mas ninguém sabe ao certo como isso aconteceu. O pai dele era o conselheiro do meu pai e o Mike acabou se tornando o meu por livre e espontânea escolha da minha mãe.
–Entendo... – Isso intriga um pouco o plebeu – Continue...
–Sendo assim quando eu completei meus 14 anos de idade, escutei alguns gritos vindos da minha mãe, corri na direção do barulho e por fim vi o meu pai em um dos aposentos com uma camponesa bem mais nova que ele. Eu senti uma dor como se tivessem enfiado uma espada em meu peito, foi terrível.
–Sinto muito... – Kurt segura a sua mão
–Sendo assim, meus pais brigaram mais e mais até que enfim o meu pai decidiu simplesmente desaparecer sem dar nenhuma explicação e por coincidência ou não a moça com quem ele estava também sumiu, ou seja, os dois fugiram juntos. Minha mãe nunca mais fora a mesma desde então, já não bastava ter um filho ladrão ainda teve que suportar o fato de ter um marido a abandonando.
–E ele nunca mais apareceu?
–Nunca mais. – Blaine suspira tentando não ficar com os olhos marejados – Às vezes sinto falta do meu pai, ele pode ter sido o pior possível para a minha mãe, mas eu ainda o amo e garanto que faria qualquer coisa que ele me pedisse se isso fosse o trazer de volta.
–Se eu pudesse também faria o mesmo para ter meu pai de volta. – Kurt suspira ao se lembrar do patriarca
–Bom... vamos mudar de assunto. – O príncipe respira fundo – E os tecidos? Comprou os que lhe agradaram?
–Blaine, por favor! Nunca mais faça algo do tipo, eu fiquei completamente envergonhado...
–Mas gostou?
–A questão não é se eu gostei ou não, você me deixou em uma situação...
–Gostou, sim ou não? – Blaine dá uma risada
–Sim. – Kurt relaxa os ombros e dá um sorriso bobo – Esse foi o melhor presente que alguém poderia ganhar, você não faz ideia do quanto a minha barriga parecia ter milhões de borboletas nos momentos em que eles me mostravam os diversos tecidos. Foi magico meu amor, magico. E eu lhe agradeço de coração por isso.
–Esse será o primeiro presente de muitos.
O príncipe sorri para ele e só então olha para um lado e para o outro, se certificando de que ninguém irá aparecer até que enfim, ele se inclina um pouco e junta seus lábios nos do castanho. O moreno leva uma de suas mãos até o rosto dele e alisa lentamente a sua pele, Kurt se deixa levar pelas suas línguas se entrelaçando e com um suspiro calmo ele afasta o rosto e o olha nos olhos.
–Eu te amo. – O plebeu diz
–Eu também te amo muito. – Blaine novamente encosta seus lábios nele
–Acho melhor... – Kurt dá uma risada entre o beijo – Acho melhor nós pararmos... alguém pode aparecer.
–Tem razão. – Blaine suspira encostando sua testa na dele
–Bom... eu não lhe disse isso antes, mas eu já contei sobre nós ao Artie. – Kurt morde os lábios
–O que? Isso é sério? – O príncipe arregala os olhos – E então? O que ele achou?
–Ele aprovou. – Kurt sorri
–Ufa. – Blaine suspira aliviado – Que susto você me deu agora.
Kurt dá uma risada ao ver que Blaine está aliviado, sendo assim por segurança o castanho olha para os lados mais uma vez.
–Eu não consigo ficar sem beijar você. – Hummel diz e logo o puxa para mais um beijo
Blaine segura na nuca dele e os dois suspiram entre o beijo. É como se o tempo parasse na medida em que seus lábios se tocam. Kurt segura no rosto de Blaine que por sua vez sente delicadamente os lábios macios de seu amado. Ambos se afastam ainda com os olhos fechados, juntam as testas e se deixam levar pelo silencio.
Os dois dão mais um sorriso e só então ficam se olhando, Blaine segura as mãos de Kurt e alisa com o dedo a sua pele, sentindo a sua delicadeza. Um silencio se segue no cômodo e eles se preparam para dar mais um beijo até que a porta se abre.
Mercedes entra e encara os dois que ao mesmo tempo dão um pulo se afastando. A morena contém a risada e só então fecha a porta atrás dela. Sendo assim, ela vai caminhando até os dois rapazes que respiram fundo pelo susto e para na frente dos dois.
–Algum problema Mercedes? – O príncipe questiona limpando o suor da testa
–Não... – Ela joga um sorriso para o plebeu – Apenas vim limpar as estantes dos livros.
–Pois bem, eu estava aqui conversando com o Kurt a respeito dos tecidos...
–Claro, claro. – Ela não está conseguindo evitar de rir e isso desperta a atenção do plebeu, pois ele sabe perfeitamente que ela já captou algo.
–Então... é isso, estávamos apenas conversando... – Blaine continua tentando não gaguejar
–É engraçado... – Ela joga um olhar para os dois – Nunca imaginei que poderiam ser amigos.
–Nós somos. – Blaine comenta sorrindo
–Me desculpem, mas parecem namorados. – Ela rebate rindo
–Somos também. – Kurt retruca
Os olhos do príncipe se arregalam, bem como o seu queixo cai. Seu coração bate forte e tudo parece estar em câmera lenta.
–Kurt... – Ele sussurra boquiaberto
–O que há demais príncipe? — Kurt o encara – Ela deve ter notado isso desde o momento em que nós chegamos aqui.
–E pode ter certeza de que esclareci as minhas dúvidas quando me mandou preparar um banho quente para ele. – Mercedes rebate rindo – Não se preocupem, não irei contar a ninguém... até acho vocês dois fofos.
A morena consegue retirar uma risada do plebeu que acaba tampando a boca com a mão. Blaine ainda continua surpreso.
–Me perdoe por estar desse jeito... – O príncipe engole a saliva a seco – Eu só não sabia o que iria acontecer se alguém do palácio soubesse.
–Falou o homem que estava dizendo não ter medo de mais nada pela manhã. – O plebeu rebate fazendo o moreno lhe encarar
–Bom, o que eu acho a respeito disso tudo? – A morena encara os dois – Acho que deveriam ter mais cuidado, do mesmo jeito que eu percebi qualquer um aqui pode ter feito o mesmo. Mas de qualquer forma, contem comigo para o que for.
–Obrigado Mercedes. – Blaine sorri
–Muito obrigado. – O plebeu lhe joga um olhar de gratidão
–Apenas faço o certo. – Ela se afasta um pouco – Agora irei deixar os pombinhos a sós, outra hora venho limpar toda essa poeira.
Os dois acenam em positivo com a cabeça e a morena se afasta, mas antes que sequer abra a porta para sair ela dá meia volta e fala:
–E príncipe, cuide bem desse moço, outro como esse o senhor não irá encontrar. – A morena pisca para Kurt
–Eu sei disso. – O moreno segura a mão de Hummel
E só então deixando os dois rapazes com sorrisos estampados nos rostos, Mercedes fecha a porta ao sair. Ao mesmo tempo que Kurt e Blaine ficam sozinhos mais uma vez, Elliott recebe uma visita não tão esperada.
Santana simplesmente empurra com uma força surpreendente a porta do chalé de Kurt entrando logo em seguida nele e pegando desprevenido o seu ajudante.
–Santana? – Elliott se levanta do sofá desajeitadamente – O que a senhora está fazendo aqui?
–Onde está o plebeu? – Ela questiona irritada
–Bom... – Elliott engole a saliva a seco e fecha a porta atrás dela – Ele foi ao palácio.
–Ele foi ao palácio... ele foi ao palácio... – Ela cai na gargalhada – Por que ele foi ao palácio? – Ela grita – Ou melhor, por que você deixou ele ir ao palácio!?
–Você pode estar pensando de outra forma, mas eu não tive culpa. – Elliott a encara – Ele simplesmente foi.
–Há, claro. – Ela sorri observando o pequeno chalé do plebeu – Você o deixou ir, não fez nada para impedi-lo, esse não é o nosso acordo.
–Minha querida.- Elliott se aproxima dela, e muito ao contrário dos demais, ele não está com o menor medo – A senhorita nunca escutou aquele ditado que fala “ A pressa é a inimiga da perfeição? ”
–Não sei o que isso tem a ver com a situação. – Ela cerra os olhos em sua direção
–É tão simples, basta apenas pensar um pouco. – Ele sorri – Kurt irá ao palácio, no entanto garanto que os preparativos para o casamento o impedirá um pouco de ter o seu amado junto a si.
–O que está querendo me dizer? – Ela parece interessada
–Estou querendo dizer que os dois irão brigar, e quando isso acontecer o Kurt voltará para a vila e quem estará à sua espera de braços abertos?
–Você. – Ela lhe joga um sorriso
–Exato. – Ele lhe retribui – Como eu lhe disse, o perfeito se faz calmamente e cautelosamente, sem pressa.
–Gosto de você Elliott. – Ela o observa – Só espero que não esteja enganada em sua relação.
–Isso será a última coisa que irá lhe acontecer. – Ele suspira – Até lá, acharia de bom agrado a senhorita observar o que irá acontecer, veja o futuro, se demorará muito para eles brigarem, se alguém irá aparecer em suas vidas.
–Não gosto de fazer algo desse tipo, fico fraca, como se ao ver as imagens, mesmo que sejam embaçadas, toda a minha energia se esvai.
–Santana, isso é por uma boa causa. – Elliott a encara sorridente
–Você tem razão. – Ela acena a cabeça de uma forma lenta em concordância
Santana se afasta um pouco do pescador e só então ainda em pé ela abre um pouco os braços e respira fundo fechando os olhos logo em seguida. Um silencio se segue ela suspira ao mesmo tempo que parece se perder nos pensamentos. Gilbert continua a observando atento, ele está encantado com isso e gostaria muito de poder ter o mesmo dom.
–Estou vendo... – Santana diz ainda com os olhos fechados
–O que vê? – Ele questiona se aproximando
–Vejo uma briga... uma briga seria por alguém que chegou... alguém irá entrar na vida dos dois..., mas não em relação a romance... é alguém que o príncipe não vê há anos... essa pessoa irá interferir no amor dos dois e o plebeu ficará com muita raiva... Blaine irá descumprir uma promessa feita ao Hummel... Kurt voltará com o coração destruído a essa vila... Blaine correrá atrás dele... mas será tarde demais... – Santana abre os olhos lentamente ao mesmo tempo que um sorriso aparece em seus lábios
–Viu, eu disse. – Elliott sorri – E quando ele voltar será a minha vez de tornar tudo isso pior ainda.
A feiticeira lhe retribui com mais um sorriso de satisfação até que enfim alguém bate na porta.
–Quem é? – Lopes se afasta rapidamente
–Deve ser o amiguinho do Hummel, aquele que o ajudou a fugir da sarjeta. – Elliott caminha até a entrada
O pescador abre a porta, mas não se depara com Noah e sim com a bela loira dançarina.
–Quem é você? – Ele questiona assustado
–Quero saber se o Kurt já retornou. – Ela empurra o pescador e entra no chalé
–Não, ele ainda não voltou... o julgamento dele não deve ter sido realizado. – Elliott a observa – Será que você pode me dizer quem é?
–Sou a futura esposa dele, Brittany. – Ela o encara e logo após tem sua atenção voltada a um vulto que passou pela sala – Você está com mais alguém em casa?
–Não...
–Olha aqui. – Ela o encara – Não é porque o meu noivo está fora que você pode trazer quem bem entender para a casa dele, está me escutando?
–Claro... – Elliott está confuso em relação a loira – Não sabia que o Kurt tinha uma noiva. – Ele lança um olhar de longe para a feiticeira – Isso trará mais trabalho a mim...
–Do que você está falando? –Brittany o olha confusa
–Ele... – Santana aparece – Fala em relação a uma morada, se o Kurt se casar, onde ele irá ficar?
Brittany encara a mulher, seus olhos são rapidamente levados pela sua beleza. A loira observa a morena dos pés à cabeça, parando a visão em seus olhos.
–Sua... namorada? – A loira questiona a Elliott sem ao menos retirar os olhos da estranha
–Não. – Elliott encara as duas que continuam se observando
–Seu cabelo é maravilhoso. – Brittany se aproxima dela rapidamente e toca nos cabelos negros da feiticeira que por sua vez recua em um passo para trás – Suas unhas, são perfeitas. – A loira abre a boca em choque e só então segura na mão da feiticeira que observa assustada esse ato – O que foi? Parece assustada.
–Não... – Ela continua encarando a loira – Não sou de receber muitos elogios.
–Como não? Você é completamente exuberante. – Brittany encara os seus olhos negros arrodeados de uma grossa camada de sombra escura – Veja só esse seu traje.
Brittany observa o vestido longo e preto de Santana que por sua vez está tímida e mal sabe o que falar em resposta.
–Sua roupa é linda. – Brittany toca no tecido
–Obrigado... – A feiticeira deixa escapar um sorriso em direção a moça
–Santana? – Elliott diz suavemente para chamar sua atenção – Você está bem?
–Acho que estou. – Ela continua sorrindo para a loira – Você disse que se chama Brittany, certo?
–Sim. – A loira levanta seu olhar na direção da mulher – E pelo que escutei você se chama Santana.
–Exato. – A morena sorri – Bom... Brittany... eu estou de passagem por aqui, na verdade apenas vim dar um recado ao Elliott. Mas... eu adoraria ver você de novo.
–Eu também adoraria vê-la mais uma vez. – A dançarina sorri – Na verdade... meus pais estão fazendo um jantar até comestível, se quiser se juntar a nós.
–Não sei bem... – A feiticeira incrivelmente se acanha ao mesmo tempo que Elliott observa isso realmente chocado
–Vamos, não irá demorar. – Brittany segura na mão dela
–Se insiste. – Santana solta mais um sorriso e só então é puxada pela loira
As duas saem pela porta sem ao menos fecha-la, Elliott continua boquiaberto para o que acabou de acontecer, ele está realmente pasmo.
–Elliott? – Puck entra na casa comendo um pão – Roubei isso aqui você quer... – Ele encara o pescador – Está tudo bem? Parece que viu um fantasma.
–Acho que acabei de presenciar algo pior do que isso. – Elliott diz ainda chocado – O amor.
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