Promise Me
15 A faísca de um plano.
Notas iniciais
Kurt e Puck continuam carregando o homem. Os três estão andando há mais de um dia e Elliott se encontra mais pálido do que a própria neve que aparece ao redor do reino nos dias de inverno.
–Kurt... – Noah enfim fala depois de horas em silencio
–Sim? – O plebeu questiona acomodando o pescador
–Esqueci de lhe dizer o que o recado do Blaine. – Puck cerra os olhos pelo erro
–O que? – O castanho quase grita – Ele me mandou um recado? Por que você não me disse isso antes? Eu já estava morrendo por dentro! O que ele disse? Vamos, me conte agora!
–Calma, muita calma. – Puck o encara assustado – Blaine disse que está bem mesmo estando preso... – Kurt arregala os olhos
–Preso? Como assim preso? – Hummel questiona assustado
–Alguém o prendeu em seu próprio quarto e ele ficou lá por dias.
–Como ousaram fazer isso com o príncipe? – Kurt indaga irritado – O Blaine as vezes não faz nada em relação ao seu poder, isso me irrita! Eu sei que o conselheiro no fim é o que decide o rumo social do reino, mas o Blaine precisa tomar suas próprias decisões. Ou irão quebrar ele como um ovo.
–Como um ovo? – Puck faz uma cara confusa
–Não é nada demais... – Kurt respira fundo – Mas ele está bem? Não irão solta-lo?
–Ele disse que daria um jeito.
–E apenas me mandou dizer isso?
–O príncipe também falou para que o esperasse ao pôr do sol no refúgio de vocês.
O ladrão consegue retirar um sorriso bobo do castanho que acaba ficando bastante tímido pelo seu comentário.
–Vocês se gostam de verdade, não é? – Puckerman questiona vendo o sorriso bobo nele
–Eu amo ele. – Kurt fala sorrindo mais ainda
Ao mesmo tempo que o plebeu fala tais palavras, Elliott as escuta em silencio. O homem está com seus olhos cinzas abertos e absorve cada informação que os dois fugitivos falam.
No palácio as coisas estão mais serias do que o normal. Todos sem exceção tentam fazer algo para tentar descobrir como o plebeu fugiu e como farão para resgata-lo de volta. O príncipe por sua vez já ouviu o tumulto e não poderia estar mais feliz por isso.
Blaine tem um plano e é exatamente por isso que desde o momento no qual Puck saiu de seus aposentos ele vem quebrando alguns moveis e afinando alguns paus dos quais foram retirados de sua cama. Ele garante a si mesmo que o plano não irá falhar.
[...]
–Precisamos de uma solução. – Sebastian comenta
–Até que quando deixará o príncipe preso? – Sam questiona encarando o asiático
–Garanto que esse será o último dia. – Chang suspira – Blaine precisava de uma boa lição de moral.
Ao mesmo tempo que essa conversa acontece, um som soa do lado de fora do palácio, não é algo comum, na verdade a última vez que algo do gênero fora escutado, foi na chegada da princesa Rachel Berry.
–O que é isso? – O conselheiro questiona desconfiado
–Eles chegaram! Eles chegaram! – Rachel grita em alegria enquanto desce as escadas
–Quem chegou? – Finn questiona correndo logo atrás dela
–Finn! – O loiro corre atrás dele – Onde diabos você estava?
Finn encara o cavalheiro, mas não responde, a princesa continua correndo enquanto levanta seu pesado vestido para que o pano não arraste no chão. Todos que estavam no palácio correm atrás da princesa que em menos de dois minutos já se encontra ao lado de fora.
Uma fileira de pessoas se depara com uma carruagem que provavelmente é do reino da Berry. Os cavalos pretos como a noite arrastam uma carruagem dourada, dos acolchoados brancos, a porta está fechada e permanece assim até o exato minuto em que enfim alguém a abre.
Todos observam duas pessoas dentro da carruagem. A primeira a sair é uma mulher, completamente baixinha e loira, ela usa um vestido bem curto da cor verde e carrega em sua cintura uma bolsa marrom. A baixinha encara todos na sua frente como se estivesse os analisando em questão de segundos.
Logo após ela descer outra perna é vista saindo da carruagem. Desta vez é um homem, que com certeza tem todos os olhares direcionados a ele. O rapaz é completamente bonito, tem olhos claros e usa seus cabelos ondulados em um perfeito topete, também não se deixa passar despercebido a sua roupa, devidamente arrumada e preparada nos mínimos detalhes a ele. O homem também encara todos com um olhar diferente do qual a população de Lionheart está acostumada.
–Não acredito que vocês vieram! – Rachel corre segurando seu vestido na direção dos dois
–Não podíamos perder as preparações para o seu casamento, minha querida. – O homem se inclina na frente dela e só então segurando sua mão a agarra e lhe tasca um beijo na pele
–Trouxe alguns comunicados importantes para a senhora. – A loira se pronuncia
–Estou louca para escuta-los. – Rachel joga seus cabelos para trás dos ombros
–Quem são esses? – Sam questiona pelo canto da boca a quem quiser escuta-lo
–Não faço a mínima ideia. – Finn rebate encarando os dois
–Sei bem quem esse homem é. – Mike encara o bonito rapaz – Tudo está acontecendo rápido demais.
–Quem são eles? – Sebastian aparece com uma das mãos meladas de sangue e Mike logo o encara, sendo assim rapidamente o recruta limpa elas em sua calça escura
–Não fazemos ideia. – Sam diz
–Oh, me desculpem, não apresentei os dois a vocês. – Rachel comenta puxando os dois – Essa é a Kitty Wilde, a mensageira do meu reino. – Berry a apresenta – E esse aqui é o Jesse...
–St. James. – Mike a interrompe – O conselheiro da vossa alteza. – O asiático encara o homem
–Exato. – Jesse se aproxima – Eu o conheço? – Ele questiona desconfiado
–Presumo que não. – Mike desvia seu olhar para a Kitty – É um prazer conhece-los.
–Eles ficarão até o meu casamento, eu precisava dos meus ajudantes comigo. – Rachel inicia sua caminhada
–E o que nós iremos fazer com o prisioneiro? – Sam questiona um pouco alto
–O que aconteceu com seu prisioneiro? – Jesse dá meia volta
–Ele fugiu. – Finn fala
–Como deixaram um prisioneiro fugir? – St. James os encara – Isso é um absurdo, que espécie de conselheiro o senhor é?
–Não tive culpa. – Chang rebate incrédulo
–Claro que não, ninguém nunca tem culpa. – O rapaz lhe encara – Vamos, me levem até a sarjeta, provavelmente descobrirei algo que vocês não viram pelo desespero.
–Não acho que seja uma boa ideia. – Mike comenta receoso
–Já disse, me levem até a sua sarjeta! – Jesse repete autoritário
Chang apenas faz que sim e só então Sam guia o homem até dentro do palácio, todos os acompanham em uma rápida caminhada. O conselheiro do príncipe não se agrada desse homem, talvez saiba que a autoridade dele neste lugar possa mudar os rumos no qual ele vem impondo a anos.
–Ele tem um temperamento ótimo. – Rachel sussurra para o caçador
–Acho que pela primeira vez vi o Mike sendo domado por alguém, isso me parece ser bom. – Finn retruca atento aos homens
Quando enfim eles chegam a porta da sarjeta apenas o conselheiro da princesa, Mike e Sam descem as escadas. De degrau a degrau Jesse observa cada canto do lugar imundo até que enfim os três chegam ao final da escada.
Cooper que está com os braços apoiados entre os ferros da grade levanta lentamente sua cabeça e encara os três. Jesse faz o mesmo, o rapaz olha para o prisioneiro que lhe retribui o olhar, um silencio se segue e ambos continuam se observando.
–Quem seria este? – Jesse questiona se aproximando
–O irmão mais velho do príncipe. – Mike comenta
–Garanto que quando fiz essa pergunta, queria saber o nome dele e não o que ele é aqui nesse palácio. – Jesse rebate observando o homem
–Cooper Anderson. – O príncipe se pronuncia observando o homem da cabeça aos pés
–Muito prazer Cooper. – St. James lhe dá um sorriso de canto da boca – E qual foi seu crime?
–Será que poderíamos mudar de assunto? – Mike os interrompe
O conselheiro do príncipe não quer que o cavalheiro saiba do verdadeiro motivo pelo qual o filho mais velho está preso, pois o loiro irá de fato contar ao seu melhor amigo.
–Eu adoraria saber o motivo dele estar preso. – Jesse repete olhando para os lábios do príncipe que por sua vez com o dedo indicador o chama
St. James o encara e só então se aproxima da cela, o conselheiro e o cavalheiro observam confusos esse ato, eles não fazem ideia do que está acontecendo aqui.
–E então? – Jesse questiona com os ouvidos já encostados nos lábios do prisioneiro – Por que foi preso?
–Fui preso por amar um homem. – Cooper sussurra em sua orelha
–Eu deveria me preocupar com isso? – O mauricinho retruca
–Provavelmente sim. – O príncipe rebate
Com um sorriso no rosto Jesse se afasta dos lábios do príncipe e se virando guia seus olhares agora para os outros dois que permanecem confusos no cômodo.
–Bom, acho que deveríamos procurar alguma pista que o outro prisioneiro possa ter deixado. – St. James fala observando o chão
–Acho que o Kurt não iria ser tolo de deixar nada. – O príncipe fala observando o corpo do mauricinho
–Não custa tentarmos procurar. – Sam fala iniciando uma busca – Todos aqui estão bastante desesperados, nunca nenhum prisioneiro fugiu.
Ao mesmo tempo que os homens iniciam uma busca que provavelmente será em vão, tendo em vista que Puck e Kurt não deixaram nada para trás, o príncipe Blaine já está com tudo pronto para dar início aos seus planos.
–Vamos, por favor, apenas pegue. – Ele fala agachado no chão
O moreno usou uma faca que fora trazida em seu jantar para cortar e deixar o mais fino possível alguns pedaços de madeira retirados de sua cama. Ele agora está agachado com os dois pedaços em suas respectivas mãos e tem um pouco longe de si, panos, madeiras e papeis.
–Vamos lá Blaine, como o seu amado lhe ensinou. – Ele fala fechando os olhos e respirando fundo
O príncipe começa a girar os paus entre si, juntando os dois da mesma forma que fez na floresta quando estava perdido com o plebeu. Ele faz força e suas mãos já estão ficando vermelhas pelo atrito, até que enfim depois de mais ou menos uns três minutos ele vê a primeira faísca, sendo assim com delicadeza assopra sobre ela e assim continua pelos próximos minutos. Até que finalmente uma grande faísca sai ocasionando um pequeno fogo logo em seguida.
O moreno quase grita de felicidade, mas se contém apenas mordendo o seu punho fechado. Ele continua assoprando um pouco para o fogo ganhar mais vida e só então juntando mais papeis ele consegue o seu desejo tão esperado. O fogo vai crescendo cada vez mais, aumentando não só de velocidade como também de tamanho ao mesmo tempo que o príncipe cai na gargalhada.
–Isso! – Ele comemora vendo o fogo tomar conta de metade do chão
Até que enfim, respirando fundo, o príncipe cessa a sua risada e caminha na direção da porta e por fim começa a bater forte na madeira.
–SOCORRO! – Ele grita como se não houvesse amanhã – ME AJUDEM! MEU QUARTO ESTÁ PEGANDO FOGO! EU VOU MORRER! ME AJUDEM!
Os homens que estavam procurando as pistas escutam de longe a gritaria vinda da parte de cima e ignoram até o exato minuto em que Finn aparece na escada correndo e apenas grita:
–O quarto do príncipe está pegando fogo!
E só então com os olhos arregalados Mike e Sam se encaram e logo correm pelas escadas. Jesse está a ponto de fazer o mesmo, mas é impedindo por um assobio do prisioneiro.
–Ainda o verei? – Cooper questiona
St. James não responde apenas lhe dá um sorriso sacana no canto da boca e só então se vira, subindo as escadas e deixando para trás Cooper sorrindo como nunca.
Quando o mauricinho chega na área de cima, arregala os olhos ao ver milhares e milhares de pessoas completamente enlouquecidas. Todos os empregados estão com potes de água correndo em direção aos aposentos do príncipe ao mesmo tempo que os guardas tropeçam em seus próprios pés para tentar enfim decidir como abrirão a porta do quarto.
–Esse lugar é uma bagunça. – Jesse fala boquiaberto
–Precisamos ajuda-los. – Kitty se aproxima também observando as pessoas
Mais gritos são escutamos dos aposentos de Blaine, e todos de uma só vez como se estivessem ensaiados correm na direção do quarto. Jesse e Kitty fazem o mesmo correndo logo atrás. Quando enfim chegam no corredor do local estão todos tentando arrombar a porta que está sendo tomada pelo fogo resultando assim na consequência de não poder ser aberta pela chave.
–ME AJUDEM! – Blaine grita tentando evitar de dar uma gargalhada – EU VOU MORRER! SOCORRO! ME AJUDEM!
–Alguém ajude ele! – Rachel grita em desespero – Por favor!
–Arrombem essa porta! – Mike grita
–Você é o responsável por isso! – Finn grita em sua direção – Se ele morrer será sua culpa!
–Ele vai morrer? – Berry se desespera – Não deixem ele morrer! Blaine! Blaine!
Jesse continua encarando todos com uma expressão confusa ele não está acreditando que um reino tão famoso como Lionheart se encontra dessa forma.
Finn por sua vez encara uma última vez o conselheiro e por fim vai na direção da porta, empurrando com força todos que estão na sua frente, sendo assim ele joga seu corpo contra a madeira uma, duas e na terceira vez consegue enfim arromba-la.
–ME AJUDEM! – Blaine diz em desespero
O príncipe está em cima da sua cômoda de roupas e o caçador entra de uma só vez no quarto. Finn atravessa entre o fogo e corre na direção do moreno, ao mesmo tempo que os empregados conseguem enfim jogar água no incêndio.
O caçador agarra o moreno pelas pernas e o coloca deitado sobre as suas costas, Blaine faz de tudo para não rir, mas isso está sendo quase impossível.
–Saiam da frente! – Finn grita para todos
Quando enfim Hudson sai pela porta, ele larga com força Anderson no chão que agora sim muda sua expressão pela dor sentida por conta do impacto.
–Peguem água para ele! – Finn grita
–Você está bem Blaine? – Rachel desaba no chão na sua frente e começa a toca-lo no rosto
–Não me toque! – Ele grita afastando seu rosto dela
–Como você está? – Mike questiona assustado
–Você foi o responsável por isso! Se não tivesse me prendido nada disso estaria acontecendo! – O príncipe grita para o conselheiro
–Você prendeu o príncipe no quarto? – Jesse questiona se aproximando e todos ficam em silencio – Como pode fazer isso com ele? Isso não é certo e não importa se você é o conselheiro dele ou não, você está errado!
–Eu sinto muito. – Chang diz arrependido
–Acho bom você sentir mesmo. – St. James o encara e logo após de agacha ao lado do príncipe. – Muito prazer, Jesse St. James, conselheiro da sua futura esposa. – E só então ele aperta com força a mão do príncipe que lhe olha surpreso
–É bom ver alguém com tamanho temperamento aqui. – O moreno sorri – Muito prazer conselheiro.
Jesse faz um sinal de continência com a cabeça e só então Blaine desvia seu olhar para Sam que está um pouco afastado do lugar e lhe olha de uma forma triste.
–Sam. – Blaine se levanta rapidamente – Precisamos conversar!
–Sua água! – Mercedes grita, mas o príncipe a ignora
O príncipe corre na direção do seu melhor amigo que continua sem responder uma palavra sequer. Blaine ao chegar próximo dele lhe puxa pelo braço para bem longe das pessoas que aos poucos se dispersam.
–Precisamos conversar. – O moreno inicia
–Eu não tenho nada para falar com você. – O loiro retruca
–Sam, me escute, tudo que eu disse naquele dia foi sem pensar. Eu não penso aquilo de você, jamais pensei, me entenda! Eu estava com medo do que poderiam fazer ao Kurt e eu não estava lá para protege-lo.
–Por que defende tanto ele? – Sam cerra os olhos – Por acaso está trocando a minha amizade pela dele?
–Do que está falando? Eu lhe disse o motivo naquele dia. – O príncipe comenta desconfiado
–Não, você não me disse. – O cavalheiro rebate – Apenas gritou comigo e falou barbaridades que me deixaram magoado.
–Eu falei o motivo após isso. Eu lhe pedi desculpas e disse o porquê deu estar tão próximo do Hummel.
–Você só pode ter dito isso aos ventos, pois assim que me falou aquelas palavras sai de lá. – Sam retruca e deixa o moreno confuso – Mas já que eu estou aqui, me diga a causa pelo qual defende tanto aquele homem.
O moreno encara o seu amigo, ele pensou que metade de seus problemas já estivessem resolvidos, tendo em vista que se o Sam soubesse poderia muito bem ficar ao seu lado, mas pelo visto isso ainda não irá acontecer.
–Ele é apenas um bom homem. – Blaine o responde intrigado
[...]
–Chegamos, chegamos. – Kurt fala já sem forças
–Onde podemos largar ele? – Puck questiona já querendo soltar o homem
–Vamos leva-lo até a Tina, ela é a curandeira daqui. – Kurt dá mais um passo
Os rapazes arrastam o pescador em seus braços, a cada passo dado mais e mais pessoas percebem que Kurt está de volta e isso desperta sorrisos em seus rostos.
–Tina! – Kurt grita se aproximando da sua casa
A curandeira aparece na janela do seu chalé e arregala seus pequenos olhos na direção do plebeu e com um sorriso de orelha a orelha ela rapidamente sai e corre na direção dele.
–Kurt! – Ela grita se aproximando – Como você está? Foi liberto? Mas que espécie de confusão foi aquela?
–Tina, digamos que sim eu fui liberto, mas prefiro deixar para lá toda essa confusão, certo? – O castanho rebate acomodando o homem – Por favor, precisamos de ajuda.
–O que houve com ele? – Ela questiona olhando a ferida
–Eu não faço a mínima ideia, mas ele está ferido, então trate de cura-lo. – Kurt diz
–Certo. – Tina abre a porta de seu chalé
Puck e Kurt levam o homem para dentro do chalé da curandeira. O ambiente é bastante confortável, há uma espécie de maca feita de madeira onde são colocados os pacientes, ao seu lado uma simples lareira aquece o lugar, que também tem como decoração várias flores azuis e vários tipos de ervas.
–Coloquem ele aí em cima. – Tina ordena
Os dois colocam Elliott sobre a maca de madeira, respiram fundo e aliviados por se livrarem do peso. A curandeira por sua vez caminha até a sua prateleira e dela tira uma espécie de pasta branca, dois tipos de erva e um pano.
–Será que eu posso descansar agora? – Noah questiona encarando Kurt
–Sim, vou lhe mostrar a minha casa. – Hummel fala andando até a porta – Tina, vá tratando dele que já volto.
A moça apenas faz que sim e só então caminhando os dois fugitivos andam em direção a casa de Hummel.
–Bom... – Kurt abre a porta – Como prometido você ficará em minha casa, mas como eu também já lhe disse... – Ele se aproxima do quarto – Acho que não vai querer ficar na minha cama.
–Nossa. – Puck arregala os olhos – O que aconteceu com a sua cama?
–Nada demais. – O castanho segura a risada
–Você e o engomadinho não... – Noah arregala os olhos – Não acredito... – Ele está literalmente boquiaberto – Eu não quero nem chegar perto desse quarto! – Ele rapidamente corre para fora do cômodo ao mesmo tempo que Kurt cai na gargalhada
–Você é hilário. – Kurt continua rindo e o segue – Bom, se não quiser ficar aí pode se estabelecer no quarto onde meu pai morreu.
–Então você está mandando eu decidir entre o lugar onde seu pai faleceu ou o lugar onde você e aquele engomadinho praticaram o coito? – Ele indaga
–Sim. – Kurt dá outra risada
–Acho que vou ficar com o sofá mesmo. – Puck rebate
Hummel dá outra risada e logo após isso respirando fundo seu mais novo amigo questiona:
–Quando irá ver o seu homem? – Puck se acomoda no sofá
–Não sei... só espero que seja o mais rápido possível. – Kurt suspira – Será que ele está bem? Fiquei preocupado quando me disse que ele estava preso.
–O príncipe sairá dessa. Ele não me parecia tão esperto na primeira vez que o vi, mas algo mudou, talvez você tenha transformado ele em alguém mais corajoso.
Kurt dá um sorriso bobo. O plebeu jamais pensou que pudesse fazer parte de fato da vida de alguém que não fosse o seu falecido pai e ele está achando incrível que pode de alguma forma contribuir para o príncipe.
–Bom. – O castanho suspira – Vou ver como o homem está e logo após isso, não prometo, mas tentarei arranjar alguma comida para nós dois.
–Faça isso! – Noah se espreguiça – Estou morto de fome.
Hummel sai de seu chalé e caminhando vai novamente em direção ao de Tina. Todos que passam pelo castanho os cumprimenta e isso deixa ele feliz por saber que é querido nesse ambiente.
–Tina? – Kurt entra na casa e se depara com o homem ainda deitado, porém sem a camisa enquanto tina fecha o seu corte
O corpo do pescador de fato é um dos mais bonitos no qual Kurt já viu, mas isso não meche com a sua cabeça, ele apenas se aproxima e espera a curandeira terminar seu trabalho.
–Preciso pegar um pouco de goma aqui fora para fechar esse curativo. – Tina diz saindo – Tome conta dele.
O castanho apenas faz que sim com a cabeça e só então continua parado na sala com os braços cruzados até o exato minuto que Elliott quebra o silencio.
–Como se chama? – Ele questiona com a voz fraca
–Kurt Hummel. – O plebeu se aproxima dele – E você?
–Elliott Gilbert. — O pescador suspira – Muito prazer em conhece-lo.
–O prazer é meu. – O castanho sorri – Corte bastante feio esse seu, hein?
–Um pouco profundo. – Elliott dá uma risada dolorida
–Quem lhe fez isso?
–Um ladrão qualquer que eu encontrei na mata. – Ele olha para o castanho – Nada que seja de tamanha importância.
–Ainda bem. – Kurt se senta ao lado dele
–Você me parece ser uma pessoa muito boa Kurt. – Elliott lhe observa – Serei eternamente grato pela ajuda.
–Apenas fiz o que me foi ensinado.
–Espero que nós dois possamos nos tornar amigos um dia. – Ele sorri para o plebeu que observa esse ato
–Será uma honra ser seu amigo. – Kurt retribui o sorriso
–Kurt! – Tina diz abrindo a porta – Pode me ajudar aqui por favor?
O plebeu se levanta rapidamente e corre na direção da curandeira, segura os potes com a goma que ela irá usar e sendo assim, caminha juntamente com ela até o ferido.
–Bom, preciso que me deixe a sós agora. – Ela se senta na cadeira – Quando ele estiver bem lhe chamo.
–Muito obrigado Tina. – Kurt se inclina em gratidão – Assim que eu tiver moedas lhe pago.
–Não se preocupe com isso, digamos apenas que eu deveria ter feito o mesmo com o seu pai. – Ela suspira triste – Aprendi com esse meu erro. – O castanho dá um sorriso para ela e logo após assente com a cabeça em positivo
O rapaz sai rapidamente do chalé da curandeira e vai agora em direção ao do seu amigo. Kurt abre a porta lentamente e vê que mais uma vez Artie está a sós e parece cochilar, sendo assim entrando em seu quarto silenciosamente o plebeu se aproxima e apenas faz uma coisa:
–ARTIE! –Ele grita para assustar o amigo
–O que? – Artie se acorda assustado na mesma hora – Kurt! Qual é o seu problema? – Ele diz levando as mãos até o peito e respira fundo
–Como você está? – O plebeu se joga na cama do amigo
–Eu estava bem... até que você quase me matar de susto, o que há de errado com você? – Ele respira fundo e só então percebe que o seu melhor amigo está bem na sua frente – Espera aí. – Ele arregala os olhos – Você está aqui! Por que você está aqui? Você não estava preso?
–Estava. – Kurt sorri
–Como foi que escapou? Meu deus, você está bem? Eu fiquei muito preocupado com você, seu tolo! – Artie bate com a palma da mão na cabeça do amigo que sorrindo se massageia
–Não precisa me bater! – O castanho continua massageando a cabeça – E respondendo a sua pergunta, eu estou aqui porque fugi na prisão, com a ajuda de um outro ladrão.
–Como você fez isso? – Artie ilumina os olhos
O aleijado sempre adorou escutar as histórias de seu amigo. Como Artie não pode sequer sair direito de sua cama, ouvir as aventuras de Kurt lhe traz um pouco de vivencia o que o mesmo precisa ter urgentemente.
–Bom, basicamente um novo amigo meu me salvou de lá. – Kurt se deita de barriga para cima – A história é bem comprida e eu estou morto de cansaço, será que eu não poderia conta-la depois?
–Vou aguardar ansioso por isso. – O amigo dá um sorriso – Mas... e o príncipe? Onde ele está?
–Ele ficou no palácio. – Kurt suspira – Prenderam ele em seu próprio quarto.
–Que tipo de animal faria isso? – Artie se revolta
–O conselheiro dele eu acho. – O castanho suspira mais uma vez ao se lembrar do moreno
–Bom... – Artie tenta quebrar o clima – Agora que você está aqui e longe do palácio, do príncipe e de todos daquele lugar, pode muito bem se casar com a Brittany e ter vários filhos, eu estou louco para que isso aconteça.
O castanho se vira para o amigo, Kurt não pretendia falar tudo o que aconteceu entre ele e o príncipe, mas como ele também não pretende se casar com Brittany a ajuda de Artie pode lhe trazer um pouco mais de felicidade.
–Posso lhe contar uma coisa? – Kurt questiona ficando sentado
–Claro que pode. – Artie fica atento
–Se lembra quando a feiticeira disse que eu encontraria o amor da minha vida? – O plebeu questiona e o amigo responde em concordância – Bom... eu acho que encontrei.
–Kurt! – Artie se alegra – Isso é verdade? Oh meu deus! Quem é a moça?
–Bom... – O castanho respira fundo – Várias coisas aconteceram no período em que eu estava fora e nesse tempo eu conheci uma pessoa que acabou me trazendo muita felicidade e eu sinto que realmente a amo.
–Kurt Hummel, vamos sem voltas, me diga quem é ela! – Artie suplica alegremente
–Não é exatamente ela e sim ele... – Kurt diz e Artie fica confuso – É o príncipe.
A expressão do aleijado muda completamente, seu sorriso se fecha devagar e ele encara o plebeu como se não estivesse acreditando no que ele acabou de falar.
–Você não vai dizer nada? – Hummel questiona lhe observando – Vamos Artie, por favor me diga algo. Eu não poderia lhe esconder uma coisa dessas.
–Você... – Ele encara o castanho e leva uma de suas mãos até o queixo passando ela sobre ele – Você está apaixonado por um homem?
–Sim, eu estou. Artie eu sei que isso é um erro, mas eu realmente amo ele e não posso esconder isso, pelo menos não de você.
O aleijado está completamente surpreso, ele não sabe como agir a tamanha informação.
–E a Brittany? – O amigo questiona
–Eu não sei.
–Você ainda irá se casar com ela? E o príncipe também não ia se casar? Kurt isso é loucura!
–Artie, eu não pensei em nada disso do que você está me falando. Quando vim me tocar que eu estava apaixonado por ele já era tarde.
–Você só pode estar brincando comigo. – O aleijado suspira soltando o ar pela boca
–Se ele apareceu no meu caminho, deve haver algum motivo, algum plano do destino. Por isso estou disposto a abrir mão do meu orgulho e abrirei mão do que for preciso apenas para ficar livre e poder lutar até o fim pelo amor que sinto por ele.
O amigo encara o plebeu, jamais o castanho disse algo do tipo, nem sequer para o seu pai e isso de alguma forma intriga Artie. O aleijado parece perceber o tamanho do amor que o castanho sente pelo príncipe e mesmo sendo errado Abrams precisa aceitar, afinal de contas, amor é amor.
–Se você o ama quem sou eu para impedir isso? – Artie enfim se pronuncia
–Oh meu deus Artie! – O plebeu pula sobre o amigo
Kurt lhe dá um abraço completamente apertado, como jamais fez com qualquer pessoa. Abrams também nunca recebeu tamanho carinho e é exatamente por isso que ele se deixa levar pelos apertos do amigo.
–E como você fará para vê-lo? – Artie questiona terminando o abraço
–Ele disse para nos encontrarmos no nosso refúgio. – Kurt se levanta da cama e percebe que logo o sol irá se pôr
–Refugio? – O aleijado questiona confuso
–Onde fizemos... – Hummel lhe joga um olhar sacana – Pela primeira vez.
–Certo, certo! – Artie tampa as orelhas – Já escutei demais por hoje! – O amigo aponta para o chão – Veja o que mandei lhe fazer de presente. – Kurt olha na direção do objeto
–Oh meu deus Artie! – Ele quase pula em cima do instrumento – Um arco novo? Muito, mas muito obrigado! – Kurt sorri como nunca
–Não me agradeça, você precisava de um novo. – Artie sorri – Agora sim, vamos, vá encontrar o seu príncipe.
Hummel lhe dá outro sorriso, coloca seu arco nas costas e só então sai em disparada da casa do amigo. Sendo assim ele inicia uma caminhada de mais ou menos três horas.
Depois de já estar cansado ele enfim chega lá e respira fundo, o sol de fato já está se pondo e ele aguarda ansiosamente para ver se Blaine irá aparecer. Kurt se senta numa das pedras do local e fica observando e observando, até que enfim, ele avista um vulto negro passando e com certeza não é o seu amado. Isso desperta a sua atenção e por isso ele se levanta da pedra e cerra os olhos na direção das matas.
Afinal de contas, quem está ali?
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