Chegaram em casa, Mikoto praticamente correu para o sofá e tirou os sapatos que estavam matando seus pés, Fugaku sorriu diante da cena, Sakura desejou-lhes boa noite e foi para seu quarto, subindo a escada em passos lentos e pesados, estava cansada e a raiva que sentia de Sawaii ainda não havia passado.


Caminhava lentamente pelo corredor, olhando para a porta do quarto de Sasuke, passou os dedos na porta e a sentiu fria, combinando perfeitamente com o que aquele cômodo era sem ele, frio, vazio, sem sentido. Suspirou e logo depois foi para seu quarto, sentou-se na cama e tirou os sapatos, os colocou no canto e se desfez do vestido, ficando apenas com sua lingerie. Um vento frio adentrou o quarto pela porta que dava para sacada e sacudiu as cortinas marfim, sua pele se arrepiou, foi até a porta que dava para sacada para fechá-la, mas saiu e olhou para o céu, viu grandes nuvens negras se aproximando, era como se soubessem que Sasuke estava chegando, trovões começavam a soar e logo choveria deduziu. Fechou a porta e foi até o banheiro, pois a banheira para encher, precisava de um banho bem quente para relaxa, amanhã seria um dia cheio. Jogou pétalas de rosas para aromatizar a água e isso faria que o processo tivesse mais sucesso, depois de alguns minutos a banheira já estava cheia, ela se despiu por completa e entrou.


Fechou os olhos, mas novamente sentiu um vento frio, olhou para direção de onde vinha e viu o basculante aberto, suspirou entediada, não queria sair da banheira, a água estava tão quente e fazia seu corpo ficar mole, deixou o aberto e voltou a fechar os olhos, até que o vento gelado em seu rosto era bom.


Sasuke estava no telhado de sua casa, olhando para o céu, quanto tempo longe dali, tantas coisas mudaram, como sentia falta de Sakura, como queria poder ve-la agora. Ele estava tão...diferente.


Para o certo, deveria só chegar no outro dia, mas não estava agüentando mais aquela demora, precisava sair daquele lugar, Takahashi não pode o impedir e nem conseguiria, não agora que ele estava tão forte, havia conseguido a força que seu pai e as pessoas tanto esperavam, talvez até mais do que poderiam imaginar.


Permaneceu ali algumas horas, ninguém poderia percebê-lo, escondera seu chakra e nem o melhor ninja poderia o localizar ali. Ficou olhando o céu, as estrelas, as nuvens negras agora, combinando com ele, os trovões que anunciavam que logo choveria, suspirou entediado e resolveu adentrar a casa. Entrou pela janela de seu quarto facilmente, foi até o banheiro e se despiu, tomou um banho de água fria, acabou se acostumando, eram sempre banhos de cachoeira no mundo dos dragões, já não gostava de água quente, colocou uma roupa confortável e deitou-se na cama. Olhou para a porta de seu quarto que foi aberta e não se surpreendeu em ver seu pai passar por ela.


– Muito bom – elogiou sério


– Hn. – respondeu indiferente, sem desfazer sua postura confortável na cama.


– Está com certeza mais forte e habilidoso Sasuke.


– Não tanto quanto gostaria.


– Por quê?


– Você me descobriu. – deu de ombros, indiferente


– Nem percebi – admitiu


– Então como...- sentou-se confuso na cama e inclinou a cabeça um pouco de lado. Fugaku deu alguns passos em sua direção.


– Você é meu filho e eu lhe conheço, antes mesmo de nascer, sabia que não esperaria até amanhã – sorriu de canto – e se não fosse pelo barulho do chuveiro ligado essa hora – Sasuke permitiu-se sorrir um pouco. – Senti saudades filho. – disse


– Eu também pai – levantou-se da cama e foi até seu pai. Primeiro curvou-se demonstrando respeito ao líder de seu clã, mas logo depois o abraçou. Fugaku fechou os olhos e beijou o ombro do filho, Sasuke estava mais lato que o pai e esse riu por lembrar-se do moreno quando ainda seis anos e estava levando o menininho resmungão para conhecer sua futura noiva, mas agora o menininho rabugento era um homem.


– Bom treinamento. – se afastaram e Sasuke deu de ombros, os ombros estavam mais largos e musculosos, Sasuke realmente havia se tornado um homem forte, disciplinado e focado.


– Digamos que Takahashi pegou pesado.


– Ayako me disse, você foi muito bem.


– Hn.

– Acho que está um pouco tarde para conversas, amanhã será um longo dia pra você. Nem quero imaginar o escândalo de sua mãe – Sasuke riu, Fugaku colocou a mão nas têmporas massageando-as – Bom, seja bem vindo e...se comporte.


– Acha que eu não irei me comporta? – perguntou zombeteiro


– Algumas coisas não mudam, então é melhor alerta – disse sério. Sasuke bufou e voltou para cama – tenha uma boa noite.


– O senhor também.


A chuva era forte lá fora, podia se ouvir o vento sacudindo os galhos curvando e as folhas contra a água. Sakura dormia aconchegada na cama quente, mas no quarto a frente, Sasuke não conseguia pregar os olhos, pensando em como Sakura estaria naquele momento, tão...mudada.


Um raio cortou o céu e fez um barulho ensurdecedor, mas logo veio somente o som da chuva continuava. Perguntou-se se Sakura estaria dormindo ou acordada com medo. Não agüentou e levantou-se da cama, ficou andando de um lado para o outro e passava a mão nos cabelos o puxando. Grunhiu e bufou, levou a mão no rosto e esfregou os olhos, agoniado, deu passos apressados até a porta e a abriu, lembrou-se do que seu pai havia dito e não se importou, ele já era um homem e arcaria com as conseqüências caso algo desse errado nos planos.


Abriu a porta do quarto da rosada lentamente e logo a fechou, viu deslumbrado, como sempre ficava quando via a menina, mas agora era diferente, ela estava diferente, mais linda do que nunca, encolhida na cama, com o ombro parcialmente descoberto e os cabelos rosados longos espalhados pelo travesseiro ao lado. O rosto estava sereno e tinha um leve rubor nas bochechas, perguntava-se com o que ele poderia estar sonhando, ou pior com quem?!


Caminhou até a beira da cama e permitiu-se um leve roçar de seus dedos no rosto delicado e de mulher da rosada, que se mexeu levemente o assustando.


– Sa-sasuke – sussurrou ela. Por um momento ele pensou que poderia estar sonhando, mas logo ela mostrou que não – Sasuke – disse nitidamente, como se ela soubesse que ele estava ali, mas o que o deixou mais alegre, foi o fato dela estar sonhando com ele.


Achou melhor sair dali, antes que fizesse uma besteira, precisava agüentar só mais uns dias e depois as coisas finalmente estariam arrumadas e certas para sempre.


Na manhã seguinte, Sakura estava mais confiante e segura para ver Sasuke quando fosse à hora certa. Havia dormido significativamente bem na noite anterior, o que a estranhou, pois a tempestade estava castigando a noite.


Toda família Uchiha estava sentada a mesa para o café da manhã, Eiko, Itachi, Mikoto, Mai e Fugaku, juntamente com Sakura que encarava seu prato.


– Está bem Sakura? – perguntou Itachi curioso, com a rosto pensativo da cunhada. Sakura despertou-se meio alarmada e olhou desorientada na direção da voz.


– Hã? Sim – sorriu sem vontade


– Por que não estaria? – Sakura sentiu um arrepio na espinha quando ouviu a voz grave e fria atrás de si, seus olhos arregalaram, sua boca abriu um pouco pelo choque e sua garganta ficou seca – finalmente em casa...- o coração da rosada, parecia que iria explodir de tanto que batia rápido e a coragem não existia mais em seu corpo para olhar pra trás e ver o dono daquela voz agora mais grave do que antes, mas ela sabia que era o mesmo dono do seu coração.