Prometida - EM REVISÃO
2 Capítulo II
CAPÍTULO II
Sasuke foi permitido a entrar no quarto e conhecer sua sobrinha e viu seu irmão com cara de bobo a olhando. O senhor Takahashi tinha os lábios curvados em um sorriso também, Sasuke chegou mais perto do seu irmão para poder olhar a menininha.
— Segura ela Sasuke – disse seu irmão colocando a menina nos braços de Sasuke que nem pode questionar e automaticamente ajeitou os braços para segurar a sobrinha. Ficou hipnotizado com os olhos negros que ela tinha e o cabelinho negro ralinho parecia uma boneca de tão bonita.
— Ela é linda não é? – perguntou Itachi sorridente. Sasuke deu um sorriso de canto e olhou para o irmão mais velho assentindo.
— Parece que não foi dessa vez Fugaku, talvez na próxima tenhamos mais sorte, não é Sasuke? – Sasuke o olhou confuso e Fugaku riu da cara de seu filho.
— Vamos ter que esperar mais um pouco – disse Fugaku fazendo todos do quarto rirem, menos Sasuke que não entendeu.
— Depois eu te explico – sussurrou Itachi nos ouvidos do irmão quando foi pegar a pequena Mai no colo novamente.
Na manhã seguinte o tempo não estava dos melhores, o céu estava cinza com aparência de que logo iria chover e Sasuke pensou que seria bom treinar seu jutsu naquele dia. Decidiu colocar uma roupa mais quente, já que estava um pouco frio. Tomou café da manhã apenas com sua mãe em silêncio, seu pai e seu irmão saíram mais cedo para resolverem coisas sobre o Clã e assim ficando apenas ele e a mãe em casa.
— Depois da escola, você ira trazer Sakura aqui não é? – perguntou sua mãe bebericando o chá. Sasuke assentiu e continuou tomando seu chá também – Já sabe o que dará a ela de presente?
— Não, eu não faço ideia – respirou fundo e fechou os olhos.
— O que ela gosta? – perguntou a mãe interessada
— Eu não sei, não conversamos – deu de ombros
— Por que não?
— Eu não sei...
— Você devia conversa mais com ela, assim conhecera mais sua futura esposa. – Sasuke parou e pensou que sua mãe estava certa. Ele devia conversa mais com ela, mas quando ela estava perto dele ele simplesmente se esquecia e ficava apenas a observando.
— Tenho que ir – disse se levantando e se despediu de sua mãe, que sorriu.
Chegou à casa dos Haruno e tocou a campainha, preferiu não entrar e esperar Sakura ali mesmo no portão. Logo a menina apareceu deixando Sasuke em transe como sempre, estava belíssima mais do que já vira, usava uma calça jeans creme, botas marrões que iam até seus joelhos, uma blusa de mangas cumpridas rosa claro e um cachecol também rosa.
— Bom dia – disse ela baixinho
— Bom dia – respondeu com a voz falha, mas pigarreou limpando a garganta. – Dormiu bem? – perguntou. Lembrou-se do que sua mãe havia lhe dito sobre conversar mais com ela.
— S-sim – respondeu meio confusa, já que ele nunca falava nada.
— Hn. – colocou a mão nos bolsos da calça que usava e fechou as mãos em punho. Estava nervoso e não sabia como conversar com ela.
— Hoje iremos à sua casa certo? – assentiu – você poderia me apresentar Ryo? – sempre teve vontade de conhecer o dragão que Sasuke havia lhe falado quando pequena, mas nunca se atreveu a pedir aquilo.
— Talvez não seja uma boa ideia – refletiu, pensando na reação que ela teria ao ver um dragão tão grande a assustador como o seu.
— Por quê? – perguntou já magoada
— Hoje vamos treinar, está frio e... – mentiu
— Não me importo, estou bem agasalhada, por favor – já estavam próximos a escola e ela parou esperando a resposta dele.
— Tudo bem – disse derrotado. Sasuke ficou estático, quando Sakura lhe sorriu e chegou perto dele dando um beijo cálido em sua bochecha, que a fez corar e a ele arregalar os olhos, pois não esperava aquela reação dela.
— Obrigada – voltaram a andar e Sasuke toda hora olhava para a rosada de rabo de olho, corroendo a vontade de pergunta-lhe por que ela havia lhe beijado.
A aula de Iruka ocorreu normalmente, algumas meninas ainda olhavam para Sakura de cara feia, mas ela se manteve de cabeça baixa quando as via, para não chamar atenção e evitar problemas. Sasuke percebeu que Sakura estava desconfortável com os olhares das meninas e decidiu que iria tomar providencias sobre isso logo, logo.
No intervalo Sasuke e Sakura ficaram no mesmo lugar do dia anterior, mas ficaram acompanhados de Naruto que tentava puxar assunto com Sakura, porem ela notara que Sasuke não gostava muito que ela desse confiança para ele.
— Então quando vocês vão casar? – perguntou Naruto com a boca cheia, Sasuke suspirou, sabia que ele nunca tomava jeito.
— Daqui a seis anos – respondeu entediado
— Nossa mais é muito tempo. Pelo menos vocês não vão ser mais crianças até lá. – deu de ombros – quantos filhos vão ter? – Sakura corou e Sasuke socou Naruto furioso.
— Fica com a boca fechada. – disse entre dentes olhando o “amigo” se contorcendo no chão.
Depois do intervalo, todos foram para suas salas novamente. Iruka começou a separar alguns alunos em grupos de três.
— Hinata Hyuuga, Kiba Inuzuka e Shino Aburame. Ino Yamanaka, Shikamaru Nara e Chouji Akimichi. Rock Lee, Tenten Mitsashi e Neji Hyuuga, Sai Uchiha, Keiji Yoshida e Sakura Haruno..
— Não – disse Sasuke se levantando furioso.
— Algum problema Sasuke? – perguntou Iruka indiferente, ainda analisando os papeis em suas mãos.
— Sakura não pode ficar em uma equipe que não seja a minha.
— Sei das regras de seu Clã e Sai também é um Uchiha..
— Isso não quer dizer nada, ela deve ficar na mesma equipe que a minha – um trovão soou e um raio cortou o céu. Iruka não queria arrumar problemas com o Clã Uchiha então decidiu transferir Sakura para a mesma equipe de Sasuke, que era composta por ele e por Naruto.
A aula havia acabado e Sasuke ainda estava nervoso, Sakura ficou constrangida com o comportamento do Uchiha, mas não se pronunciou, nem mesmo podia questionar as decisões de Sasuke, preferiu ficar quieta.
Chegaram a entrada do distrito, era a primeira vez que ia ali, já conhecia a mãe de Sasuke, mas nunca havia ido a casa deles, sempre foram eles que iam a sua casa. Havia alguns moradores nas ruas e sorriram para ela, pois sabiam que ela era a futura esposa do filho mais novo do líder do Clã e o respeitavam, até mesmo o idolatravam.
Mikoto os recebeu sorridente, Sakura a cumprimentou com uma reverencia e sorriu docemente. Sasuke deixou Sakura aos cuidados de sua mãe enquanto ia para o lago invocar Ryo e assim treinar finalmente.
— Querida, não precisa ser tão formal na minha presença. Você sabe que Izumi deu a luz a uma linda menininha ontem? – Sakura sorriu assentindo
— Meu pai me disse hoje pela manhã, mas teve que sair cedo para resolver alguns assuntos e nem pode parabenizar Sasuke, mas ele havia falado com o senhor Uchiha.
— Bom Sakura, vamos da inicio ao seu treino. – Sakura assentiu – No dia da cerimônia, haverá todo o Clã Uchiha presente, nosso Shaman e a presença de alguns lideres dos Clãs que vivem aqui em Konoha. – Sakura tremeu, não sabia que haveria tanta gente. – Não fique nervosa, a pior parte fica com Sasuke, mas ele sabe o que fazer – sorriu a reconfortando.
Mikoto explicou tudo que ela teria que fazer e assim ficaram praticando. Depois de algumas horas a Uchiha disse que por aquele dia estava bom, ouviram um estrondo muito alto, parecido com uma arvore se partindo ao meio.
— Parece que Sasuke está se esforçando com Ryo – sorriu.
— Senhora Uchiha, já que terminamos por hoje eu poderia ir até Sasuke? – perguntou sem jeito
— Bom eu não sei...
— Eu já havia pedido permissão a ele para conhecer Ryo.
— Bom se é assim tudo bem – sorriu – é só ir reto atrás da casa, você verá um lago bem grande, mas acho que isso não será o que ira te impressionar, Ryo é bem notável – riu
—Obrigada – se curvou novamente, se retirou da sala onde estava com sua futura sogra e rumou para o lago Uchiha.
Sakura caminhou até o grande lago trás da casa principal do Clã Uchiha, viu Sasuke no cas ofegante e virar na direção dela. Corou, pois não sabia se era realmente certo está ali mesmo que ele lhe tenha consentido antes, de que poderia ver Ryo, mas o fato dele não tê-la chamado na casa a deixava apreensiva.
— Sakura não se assusta está bem? – Sasuke gritou. Sakura sem nem mesmo sabe o porquê tremeu devido aquele aviso. Seus olhos varreram todo o lago, mas não viu nada, apenas o lago com águas escuras devido ao tempo ruim. Sentiu uma lufada de ar quente vindo de atrás de si, sacudindo os cabelos e lentamente se virou.
A principio se sentiu paralisada diante dos grandes olhos amarelos a fitando tão penetrante, suas pernas tremeram e engoliu em seco. Jamais sonhara em ver algo tão grande, assustador e belo ao mesmo tempo, sentiu ser segurada antes que viesse ao chão e sentiu mais um lufada de ar quente em sua direção novamente sacudindo seus cabelos. O grande dragão azul parecia divertido com a reação da menina e olhou para o céu, para logo depois voar e sumir dentre as nuvens cinza.
— Você está bem? – perguntou Sasuke preocupado. Sakura ainda mantinha os olhos arregalados sem dizer nenhuma palavra. – Fala alguma coisa! Droga, eu sabia que não devia ter deixado – se repreendeu.
— N-não – Sakura conseguiu dizer – eu estou bem – sua voz mais parecia um sussurro.
— Sei – Sasuke sorriu de canto e a sentou no chão e depois sentou-se de frente para ela.
— Ele é...
— Assustador? – riu
— Também, mas eu ia dizer lindo – ouvi um raio no céu e um estrondo. Sasuke rolou os olhos e bufou.
— Agora que ele não vai mais me deixar em paz – resmungou
— Como?
— Nada. Tudo bem mesmo? Não quer ir pra casa? – ele estava mesmo desconfortável com ela ali e não sabia como agir. Na verdade sabia que Ryo iria pegar no pé dele.
— Bom ainda é cedo. Eu queria saber se você...poderia me ajudar a praticar o que o sensei nos ensinou hoje, a lançar kunais? E se não se importar, eu ainda gostaria de me apresentar para o Ryo – sorriu tímida.
— As kunais podem ficar pra amanhã...e o Ryo, bom tem certeza que não vai desmaiar? – Sakura assentiu sorridente e então Sasuke se levantou, ofereceu sua mão para Sakura se levantar também e ela a pegou se sentindo mais animada.
No momento que suas mãos se tocaram Sasuke ficou a olhando deslumbrado com a animação que ela estava para conhecer Ryo, mas Sakura sentiu algo diferente, o choque que percorreu seu corpo não teria sido mais forte do que se tivesse sido atingida por um raio. Seu coração estava rápido e seu rosto jamais havia estado tão quente como naquele momento. Sasuke por impulso levou as mãos até o rosto da rosada e o afagou brevemente, fazendo Sakura fechar os olhos e apreciar mais sua caricia. Separaram-se bruscamente se assustando com o som de um trovão, mas Sasuke sabia que era Ryo o alertando que estava passando do limite.
— Ryo – Sasuke resmungou entre dentes, mas logo o grande dragão apareceu, pousando em uma distancia considerável deles, para não assustá-la. – Ela é a Sakura.
— Eu sei quem ela é – disse entediado. Sakura ficou admirada com a voz estridente e grave do dragão, mas se manteve atrás de Sasuke. – Menina não vou te comer. Você não faz meu tipo.
— Cala boca – gritou Sasuke
— Ora, você não manda em mim moleque.
— Olá – disse Sakura baixinho de forma doce. Ryo ficou intrigado com a menina e depois olhou pra Sasuke zombeteiro.
— Você é a menina mais bonita que já vi – elogiou, Sakura sorriu tímida. Sasuke tinha a face avermelhada, mas era de raiva, pois sabia que Ryo estava implicando.
— E-eu posso chegar mais perto dele Sasuke? – perguntou de cabeça baixa, imaginava que ganharia um não logo de cara, mas em resposta foi pega pela mão novamente e puxada levemente. Sentiu a cada passo seu coração bater mais forte, sentindo as mesmas sensações de antes ao tocar o menino Uchiha e por estar mais perto de Ryo, que mostrou as grandes presas a fazendo parar no meio do caminho, mas aquele era uma forma de sorriso que ele tinha.
— Ele está rindo, fica calma. Confia em mim? – Sasuke perguntou sério. Sakura olhou no fundo dos olhos de Sasuke e ficou perdida nos ônix como perolas negras. Se ela confiava nele? Sim, talvez mais até do que devia, mas naquele momento suas palavras mesmo duras e talvez um pouco ríspidas eram como algo que a atraia e que iria até mesmo de olhos fechados sem cogitar qualquer outra coisa.
— Não precisa ter medo menina, já disse que não vou te comer – revirou os olhos como seu dono havia feito antes.
— Me desculpe – falou baixinho
— Quer da uma volta? – perguntou animado
— Não – Sasuke se alterou – outro dia. Hoje temos que treinar. – Ryo bufou e voltou para os céus.
— Eu posso ver você treinar?
— Não quer ir embora? – perguntou, mesmo querendo que a resposta dela fosse “não”. Acima de tudo também teria que respeitar as regras do pai dela, mas isso estava com os dias contados.
— Podemos ficar somente mais um pouco?
— Tudo bem – assentiu e a levou pra perto de uma arvore ali. – fique aqui está bem? – a menina lhe deu seu melhor sorriso e assentiu.
Sasuke foi para o cas do lago e fechou os olhos, concentrando chakra nas mãos, fez alguns selos e direcionou toda sua energia para o céu. De suas mãos saiam raios azuis que iam até o céu e faziam um som como de uma arvore se partindo ao meio. Ficou com os olhos brilhando pela tamanha beleza daquela cena, logo viu um dragão saindo das nuvens cinzentas, mas não era Ryo, era um dragão de raio e pode ver pelos movimentos das mãos de Sasuke que ele estava o controlando.
Logo o dragão de raio fazia uma dança no céu e Ryo se juntou a ele, mas lançava chamas azuis também em sua volta, ambos se misturavam em um espiral, fazendo o dragão de raio ficar maior que Ryo e Ryo passar por dentro dele simulando suas chamas para que fosse como se o dragão de raio as tivesse produzindo. De repente o dragão de raio de desfez acabando com toda aquela magia.
Sasuke estava ofegante, com as mãos nos joelhos se apoiando. Correu até ele, ficando preocupada achando que talvez ele não estivesse bem. Pois sua delicadas mãos em seus ombros e sentiu ali quente e o corpo de Sasuke tremer ao seu toque.
— Você está bem?
— Sim. Ryo você já pode ir. Por hoje é o suficiente.
— Menina Haruno você devia vir mais vezes, ele conseguiu até fazer o dragão de raio ficar maior, isso tudo pra impressiona você...
— Cala boca – gritou, mas estava corado. Sakura colocou a mão na boca dando risinhos, achava tudo aquilo engraçado, mas não sabia por que da reação exagerada de Sasuke.
Sentiu uma gota gelada tocar seu rosto e olhou para o céu, tinha que levar Sakura para casa antes que a chuva começasse cair de vez.
— Vamos – disse sério para que ela não contestasse ou que viesse com outros argumentos para ficar ali. E assim eles começaram a andar, tendo Sakura um pouco atrás de si vendo Ryo desaparecer em uma nuvem de fumaça.
No dia seguinte na escola ninja, o sensei estava separando a turma por meninos e meninas, o que não deixou Sasuke feliz, já que ficaria longe de Sakura, mesmo que a sua volta estaria somente mulheres. Iruka as avisou que a sensei Kurenai iria as ensinar sobre flores, as venenosas, as que poderiam usar para remédios e suas utilidades. Enquanto Sakura estivesse tendo aquela aula, Sasuke e os outros meninos iriam ter aula de taijutsu com o sensei Asuma.
Sakura caminhava para o campo de flores que havia atrás da escola com as meninas de sua turma. Andava de cabeça baixa, pois algumas meninas a olhavam de rabo de olho.
— Oi – disse uma menina atrás de si. Olhou para ela meio tímida e encarou grandes olhos azuis. A menina tinha um sorriso simpático nos lábios e acreditou que ela poderia ser uma boa pessoa.
— Olá – respondeu baixinho
— Por que você não fala nunca?
— É...não posso falar quando não me dirigem a palavra diretamente e...às vezes Sasuke tem que me permitir. – a menina arqueou as sobrancelhas surpresa
— Mas isso é o fim dos tempos. – Sakura e ela sorriram. A sensei chamou suas atenções para a explicação e dividiu o grupo de meninas em duplas para fazerem um arranjo de flores e por ironia do destino Sakura ficou com a menina que estava conversando com ela no começo da aula.
— É verdade que você e o Sasuke vão se casar? – perguntou indiferente.
— Sim – Sakura sabia que aquilo na sua idade era estranho, estar noiva desde nascida não era algo comum mais.
— Eu gosto dele sabia? – perguntou dando um sorriso sapeca
— Há – Sakura corou e ficou constrangida
— Não precisa ficar assim, eu sei que ele gosta de você, bom na verdade todos sabem. – Sakura estava super constrangida e não sabia o que dizer. A menina estava sendo muito legal com ela, mais do que qualquer outra garota ali foi Na verdade nenhuma garota tinha sido tão legal com ela ali, como aquela menina estava sendo. – A propósito, meu nome é Ino, Ino Yamanaka. – sorriu mais abertamente.
— Sa-Sakura Haruno – esticou a mão para cumprimentá-la formalmente e assim selando o inicio de uma grande amizade.
Depois da aula Sasuke e Sakura foram novamente para o Clã Uchiha, Sakura ainda teria que treinar mais e Sasuke também. Sakura andava pelas ruas ao lado do Uchiha, mas sua mente estava na sua nova amiga. Pensava em como ela foi gentil e muito sincera ao falar que gostava de seu “noivo”, mas o que a intrigou foi o fato de sua revelação a incomodar de certa forma.
— Como foi com a sensei Kurenai? – Sasuke estava agoniado, com a face confusa da rosada e resolveu quebrar o silêncio.
— Bem.
— O que aprenderam?
— Sobre plantas e flores venenosas, quais nós podemos usar para fazer remédios e venenos.
— Hn.
Sakura estava muito confusa e se sentia ainda mais confusa pelas novas sensações que sentia desde que tocou a mão de Sasuke. Chegaram ao distrito Uchiha e Sasuke novamente deixou a garota aos cuidados de sua mãe, enquanto fosse treinar.
Sakura estava na sala com a senhora Uchiha e se mantinha calada enquanto tomava um pouco de chá, mas logo teve que se levantar e começar seu treinamento.
— Sei que ficara nervosa quando tiver que fazer esse tipo de coisa na frente de todos, mas é costume do nosso Clã e acredite, eu também fiquei muito nervosa – Sakura sorriu e continuou seu treinamento. Não era algo muito ousado, mas como não tinha costume e certa concentração, precisava praticar mais.
— Senhora Uchiha como foi à cerimônia da senhora e do senhor Uchiha? – Sakura perguntou um pouco tímida. Mikoto sorriu para sua futura nora.
— Foi linda, nossa cor era branco e havia muitas flores brancas pelo lago e por todo lugar onde seria a cerimônia – Mikoto lhe falava com os olhos brilhando e como se estive revivendo todo aquele momento. – Fugaku estava nervoso, pois era difícil fazer um dragão com seu elemento e eu ainda mais por ter que dança pra toda aquela gente e principalmente pra ele. – Sakura prestava bastante atenção em tudo que ela falava e se sentia deslumbrada com toda aquela cultura dos Uchihas. – Naquele dia meu orgulho foi por água a baixo – riu
— Como assim? – perguntou confusa
— Bom, eu não queria me casar, eu sempre sonhei em conhecer tudo e todos, mas eu era uma Uchiha e tinha meu dever a cumprir. Eu e Fugaku não nos dávamos bem e eu dei bastante trabalho a ele – confessou – eu me recusava a me casar e ainda mais me casar com alguém que eu não amava, mas no dia da cerimônia eu vi o quanto que aquilo era importante pra ele e do quanto ele também se sacrificaria, mesmo gostando de mim. Quando olhei em seus olhos, no momento em que tive que dançar pra ele e para todo o Clã percebi que meu lugar era a seu lado e de que ninguém jamais iria me amar como ele me ama e eu reconheci que de certa forma o amava também.
Sakura se surpreendeu, jamais iria imaginar que a doce e meiga senhora Uchiha era uma rebelde que reivindicava seus deveres, mas também que no final o seu amor falou mais alto, mais alto até que seu sonho. Perguntava-se se isso iria acontecer com ela, se ela iria abrir mão de seu sonho de ser uma grande ninja, para ser a melhor esposa de um Uchiha. De qualquer forma seu destino estava traçado e querendo ou não ela iria se casar e se tornaria a melhor esposa para Sasuke, como havia prometido caso ele a deixasse entrar na escola ninja.
— Ah – disse coma voz fraca
— Sakura, saiba que Sasuke a ama muito, mas apesar de tudo ele ainda é um Uchiha e foi criado para seguir as regras a risca. Sei que talvez isso não seja justo com você, como também não foi comigo, mas aprenda a conciliar as coisas.
— Vamos? – Sasuke chegou onde elas estavam e interrompeu a conversa. Sakura o olhou assustada por sua aparição repentina e depois de ver os olhos negros rigorosamente direcionados pra si, assentiu.
Sakura seguia atrás de Sasuke, mas achava estranho o fato de não estarem seguindo pelo caminho costumeiro que usavam para ir para sua casa. Ficou em silencio todo o caminho e por fim pararam em uma grande clareira, Sasuke se virou para ela a encarando sério.
— Vamos ver o que você pode aprender. – a voz fria que ele havia falado com ela a deixou arrepiada e se sentiu angustiada.
— Como assim? – perguntou, Sakura se sentia sufocada de certa forma, como se algo fosse acontecer a qualquer momento. O céu estava em uma cor laranja e rosa muito bonito, mas o clima e o vento frio não eram nada agradável.
— Você não queria aprender como ser uma ninja? Pois agora vamos treinar.
Sakura estava nervosa, de um jeito que jamais havia ficado. Sasuke a olhava desafiante e em seu interior já havia tomado uma decisão. As mãos da menina se juntaram e tremiam, ela as levou até seu peito, como forma de defesa e nervosismo.
— Você precisa controlar suas emoções – disse ele firme – não pode demonstra a seu inimigo que esta abalada, seja qual for à situação. Jamais abaixe a guarda.
— Sa-Sasuke, você não é me-meu inimigo. – sua voz era tremula e seus olhos estavam marejados. Aquela pressão a deixava completamente sem saída.
— Você precisa me ver como um inimigo a partir de hoje, mas pra um começo vamos aprender apenas a lançar kunais e shurikens. – Sakura não sabia o que dizer, jamais esperou tal atitude de Sasuke, ele estava de um jeito que a assustava de certa forma. – Amanhã vamos treinar seu taijutsu, como eu sou um Uchiha e em breve você se tornará uma também, você ira aprender nosso estilo de luta. – a cabeça de Sakura girava com suas palavras e sentiu um nó na garganta. – Então traga uma roupa apropriada, não conte a ninguém o que vamos fazer, talvez isso traga problemas para nós dois – refletiu.
— Ma-mas Sasuke, eu não sei que tipo de roupa eu devo trazer e como agir – abaixou a cabeça envergonhada.
— Use em short ou uma calça, uma blusa que facilite seus movimentos.
— E-eu estou nervosa – disse, mas queria ter dito na verdade que estava com medo. O que não passou despercebido pelo garoto que deu um sorriso de canto zombeteiro.
— Se isso é seu sonho não devia estar com medo de vivê-lo. A partir de hoje você deixara de ser Sakura Haruno, pra se torna uma ninja, Sakura Uchiha. – Sakura sentiu um frio percorrer por sua espinha e respirou fundo, precisava se controlar. Sasuke tinha toda razão, ela não poderia ter medo de seguir seu sonho.
— Tudo bem – o olhou sério e assentiu. Sasuke assentiu também, aprovando sua postura, agora mais decidida.
Sakura e Sasuke se posicionaram diante de uma árvore e a fizeram de alvo. Sasuke fez um ponto especifico no centro da árvore e entregou algumas kunais e shurikens a Sakura.
— Você terá que acerta o alvo, mas isso é meio obvio não. – sorriu sarcástico, Sakura ainda se mantinha séria e tentava se concentrar. Respirou fundo e serrou os olhos mirando no ponto do alvo como o sensei havia lhe ensinado, lançou a kunai, mas essa acertou muito abaixo de seu objetivo. – Você precisa ter mais postura e lançar com mais força. – tentou novamente, mas no modo como Sasuke havia lhe dito e a kunai acertou mais perto do alvo. – bom, agora você deve praticar até acerta o alvo. – Sakura sorriu animada, por ter feito um progresso, mesmo mínimo.
Enquanto Sakura lançava as kunais, Sasuke ficava sentado na grama a observando admirado em como ela era determinada. Riu quando Sakura tentou lançar uma shuriken e essa nem ao menos acertou a arvore. Levantou-se do chão pegou uma shuriken, se posicionando ao lado da rosada que o olhou confusa.
— Quando for lançar a shuriken, tem que girar o pulso, assim você faz ela girar também – lhe mostrou como segurar a arma e o movimento no pulso, a lançou e acertou o alvo, bem no meio. – Sakura estava deslumbrada com a facilidade que ele fazia aquilo e isso a motivou a tentar novamente, mas apenas conseguiu acerta a arvore, o ponto desejado estava muito acima. – não precisa forçar, fica calma, assim.
Sasuke andou até ficar atrás de Sakura e sentiu o perfume de seus cabelos, seu coração batia rápido pela aproximação, seu braço foi de encontro ao dela e pegou na mão que ela lançava as armas. A rosada novamente sentiu seu corpo arrepiar com o toque de Sasuke em sua mão e um calor que ainda era desconhecido por ela atingir seu coração o acelerado, como o dele.
Sasuke guiou todo o movimento e Sakura nem ao menos percebeu que havia acertado. Sua atenção estava direcionada na respiração que batia em seu pescoço, Sasuke ainda manteve a mão na dela, que também não tinha notado que ele ainda segurava. Sakura se virou pra ele, com os lábios entre abertos e respirava pela boca, sentia que se respirasse normalmente não a acalmaria. Sasuke manteve os olhos sem desviar dos dela e se aproximou mais de seu rosto, depositou as mãos nos ombros da garota que não fez abjeção ao novo toque.
Sasuke não sabia o que estava fazendo, apenas seu corpo o guiava, sentiu que Sakura tremeu quando ele a tocou e se sentiu feliz em saber que talvez ele tenha o mesmo efeito que ela tem sobre ele. Chegou seu rosto mais perto do dela, os olhos de Sakura estavam marejados e confusos, mas nenhuma palavra saia de sua boca.
Sakura não sabia o que estava acontecendo, nada vinha em sua mente e como se tivesse sido empurrada ou controlada por algo deixou seus lábios encostarem levemente no do Uchiha que ficou surpreso por ela ter tomado atitude, jamais esperaria que ela o fizesse. Não acreditava que estava fazendo aquilo, que seus lábios estavam tocando os da garota que ele tanto amava.
Fechou os olhos e colou seu corpo mais ao dela. Sakura permitiu que seus olhos fechassem lentamente, e deixou que as armas caíssem no chão e levou suas mãos até o peito de Sasuke. O beijo era apenas um toque de seus lábios, um leve roçar, mas que significava muito pra Sasuke e que de certa forma deixava Sakura assustada, pois jamais pensou em tal contato com alguém, mesmo que esse seja seu futuro marido.
Sasuke queria mais, então tentou abrir os lábios da menina com os seus, para descobrir até onde poderia ir, e o que eles poderiam alcançar, mas sua tentativa foi algo que Sakura não esperava e por reação mordeu com força o lábio inferior do Uchiha, que por reflexo se afastou bruscamente dela.
— Me-me desculpe – disse apresada. Sasuke tinha mão na boca e sentiu gosto de ferrugem e sal, sabia que estava sangrando. Quis rir do desespero e preocupação de Sakura – e-eu não queria... Vo-você está bem?
— Vamos, já está tarde – disse ainda com a mão na boca.
Sakura estava muito envergonhada pelo beijo e ainda mais por tê-lo mordido. No caminho pra casa, eles não falaram nada. Sakura queria saber se ele estava bem, mas seu constrangimento era maior e não deixava quebrar o silencio.
Sasuke deixou Sakura em casa, cumprimentou o senhor e a senhora Haruno que não questionaram o atraso da filha, pensavam que ela estava ensaiando ainda com a futura sogra. Sasuke não disse nada a Sakura quando foi embora, nem mesmo um olhar o que fez a menina pensar que ele estaria com raiva dela.
Sasuke foi pra casa, encontrou Itachi no caminho com o semblante sério.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado
— Não...apenas coisas do Clã, mas fique tranquilo. – Sasuke odiava ficar de fora dos assuntos de seu Clã, ansiava para que a cerimônia com Sakura fosse logo executada e ele fosse considerado responsável e um Uchiha completo.
— Lembra do dia do nascimento da Mai certo? – sua mente foi para um assunto que havia esquecido há algum tempo, mas que por algum motivo o fez se lembrar naquele momento.
— Sim, claro – sorriu.
— Então se lembra que ficou de me explicar à piada que só vocês entenderam. – Itachi ficou surpreso, mas logo relaxou ao notar algo diferente no irmão mais novo.
— Depois de você me explicar que machucado é esse na sua boca. — Sasuke corou violentamente, ao escutar a frase de seu irmão e se arrependeu amargamente de ter puxando assunto com o mesmo. Itachi percebeu que algo de errado havia com seu irmão e de que tinha haver com o pequeno corte no seu lábio inferior. Sasuke sentiu suas mãos suarem e quis mudar de assunto o mais rápido possível.
— E então? – perguntou Itachi risonho
— Eu me machuquei treinando com Ryo – deu de ombros, mas seu rosto continuava corado.
— Sei...- Itachi o olhou desconfiado, mas decidiu que depois iria conversar com Cho, pra ver se ela tirava algo de Ryo sobre aquela história.
— E então? – Sasuke repetiu a mesma pergunta de seu irmão
— Então o que? – perguntou confuso
— A piada – Itachi respirou fundo e fechou os olhos, não estava muito a fim de conversar sobre aquilo com o irmão, mas uma hora eles teriam que falar daquele assunto.
— Quando chegarmos em casa conversamos sobre isso no seu quarto.
— Tudo bem.
Ambos continuaram a andar pelas ruas e logo chegaram ao distrito Uchiha. Itachi foi para sua casa, ver sua esposa e filha. Sasuke foi pra sua casa também, tomar um banho.
Durante todo o banho ficou pensando no beijo que havia ganhado de Sakura e sem perceber tocou o lábio machucado, dando um sorriso.
Terminou o banho, colocou uma roupa simples e desceu para a sala de jantar, onde já se encontrava seu irmão, sua cunhada, sua mãe e seu pai. Jantaram em silencio e Itachi fingia que não percebia os olhares do irmão sobre si.
— Terminei – anunciou Itachi. Sua esposa já havia terminado sua refeição também e lhe deu um sorriso doce. – vamos? – perguntou a olhando, mas Sasuke o interrompeu.
— Itachi, vamos ao meu quarto – Itachi fechou os olhos quando escutou a voz de seu irmão, mas se recompôs logo.
— Vamos – disse entre dentes. Aquela era a função de seu pai, mas promessa é promessa. Sasuke saiu da mesa, deu um beijo na testa de sua mãe e lançou um olhar respeitoso para seu pai, que assentiu para o mesmo. Itachi também deu um beijo em sua mãe, antes de sair da mesa e foi até seu pai, quando Sasuke não se encontrava mais a sala de jantar.
— Você me deve essa – sussurrou no ouvido do pai que ficou confuso.
— O que ouve? – perguntou
— Aquela conversa – disse simplesmente. Seu pai sorriu, um sorriso que raramente dava e deu tapinhas no ombro do filho mais velho.
— Faz parte do trabalho de ser irmão mais velho – disse simplesmente, Itachi revirou os olhos e as mulheres a mesa os olhavam sem entender nada.
— O que ouve querido? – perguntou Mikoto, mas seu marido apenas fez um gesto com a mão, para que ela deixasse para lá.
Itachi entrou no quarto do irmão e o mesmo estava sentado à beira da cama. Pegou uma cadeira que havia ali e a colocou de frente para o irmão, sentou-se e o olhou nervoso.
— Bom, como eu vou começar.
— Todo esse drama pra explicar uma piada idiota? – Sasuke já estava impaciente e cruzou os braços, na frente do peito.
— Não é idiota, é piadas que adultos estão costumados a fazer.
— Então desembucha – revirou os olhos. Todo aquele drama estava deixando mais curioso.
— Bom, quando um homem e uma mulher se casam...
— E o que isso tem haver?
— Cala boca, se não eu não vou termina – disse irritado.
— Ta, ta. Continue – pediu
— Então, como estava dizendo. Quando um homem e uma mulher se casam, depois do casamento eles fazem uma coisa. – gesticulou com as mãos. – daí ela fica grávida.
— E o que exatamente eles fazem? – Itachi corou violentamente, estava odiando ter aquela conversa com seu irmão, era muito constrangedor.
— Eles consumam o casamento.
— E o que seria consumar um casamento? – tombou a cabeça de lado analisando o nervosismo do irmão.
— Sexo.
— E como se faz sexo? – já estava tonto e não sabia mais como explicar as coisas a Sasuke, que não parava de olhá-lo desafiadoramente.
— Bom, há algo que você tem que as meninas não tem, então quando se casam, vocês meio que – juntou as mãos, as encaixando, mas Sasuke entendeu o que ele quis dizer. O menino arregalou os olhos, o que fez Itachi respirar aliviado, pois sabia que ele havia entendido seus gestos.
— Isso é impossível – deixou sair de seus lábios.
— Não – riu sem humor
— Mas como podem? O que leva alguém querer fazer isso?
— Bom, à vontade. – deu de ombros.
— Como alguém pode ter vontade de fazer algo tão...
— Você diz isso agora, porque ainda é novo, mas quando estiver com uma certa idade vai entender. Como o senhor Takahashi disse, você será o próximo.
— Eu não. – disse convicto.
— Sei que depois dessa, haverá outra conversa relacionada a isso, mas você não saberá. Daqui a uns...- colocou a mão no queixo e olhou para o teto do quarto, pensando – uns dois anos, vamos conversar mais uma vez. Sasuke fez uma cara de nojo, foram interrompidos por batidas leves na porta.
— Entre – pediu Sasuke. Era esposa de seu irmão Izumi, com a pequena Mai dormindo em seus braços.
— Vamos Itachi? Já está tarde – Itachi assentiu – Boa noite Sasuke. – disse.
— Boa noite – disse a ela. Itachi se levantou e colocou a cadeira no seu devido lugar.
— Até amanhã – sorriu para o irmão e no fundo se sentiu feliz, pois sentia uma sensação de dever cumprido, mas a outra conversa, deixaria a cargo de seu pai.
— Até.
Viu seu irmão saindo do quarto e fechando a porta atrás de si, ficou pensando no que ele havia falado, mas acreditava fervorosamente que jamais iria fazer algo tão...repugnante com uma mulher, e nesse caso seria Sakura.
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