Promessas

2 Lágrimas imaginárias


Notas iniciais
Eu avisei que poderia demorar. Tive que reescrever o capítulo, pois pensei que a fic poderia correr o risco de se tornar infantil e mal escrita. Consertei alguns detalhes que me incomodavam e pude concluir que a fanfic tomará um curso diferente do que estava previsto. (Bom, como não dava para saber o curso da história logo no primeiro capítulo, não irá afetar você, caro leitor, em nada). Caso eu ache que a fanfic ainda não está com uma descrição boa, tentarei novamente no terceiro capítulo. No capítulo anterior, acabei me utilizando de descrições longas para situações idiotas e muitos questionamentos do personagem perante a vida. Isso parecia que eu estava "enchendo linguiça" Resumindo, espero que eu tenha conseguido parar com isso. Boa Leitura.

(Mangle)

Cá estou eu, esparramada no chão, em meio a poeira e a desordem. Algo que era para entreter vermes infantis se tornou um mero quebra cabeça macabro. Todos que vem para essa espelunca são doentes. Acham que tudo é normal e seguro. Não entendo como se esquecem dos horrores que já se passaram por esses corredores. Um deles fui eu, é claro.

Arrasto-me pelos dutos como um verme e penduro-me no teto como uma aranha, daquelas peçonhentas que jamais trarão uma vantagem aos que passarem por perto. Pergunto-me todos os dias porque me deixaram num estado tão deplorável, permitindo que as crianças me destruam a cada dia que se passa.

Socorro, sempre grito a noite. No meio dos chiados vindos de minha danificada caixa de voz.

Ignorando meu sofrimento perante o tempo que passa, algumas noites acabam sendo agradáveis quando Toy Chica ou Foxy resolvem vir falar comigo. Gosto de atacar o segurança junto do pirata, ou quando aquele garotinho de bochecha rosada e sorriso demoníaco impede que as luzes se acendam.

Mas um dia um rapaz veio a mim. Magro e pálido como um fantasma, alto como uma “torre”, cabelos negros longos até os ombros, vestido com um gorro, sueter preto e calça jeans. Estava acompanhado de sua tia e da sua prima mais nova, uma menininha morena de cabelos castanhos, vestida com uma blusa rosa, colete e saia jeans. A criatura o perturbara a manhã inteira para ir almoçar lá.

Enquanto sua tia pedia a pizza, ela veio correndo até mim.

Já estava sentindo a dor de meus membros sendo arrancados, mas quando a menina pôs a mão em meu braço, o rapaz brigou.

“Isabella! O que você pensa que está fazendo?”

“Ué... Vou desmontar ela!”

“E você gostaria de ser desmontada? Gostaria que alguém arrancasse seus braços e o resto dos membros do seu corpo?”

A menina ficou de cabeça baixa, e logo pediu desculpa a mim e ao primo.

“Não precisa ficar triste” Ele se ajoelhou ao meu lado “Porque não a montamos e você mostra para ela suas bonecas? Quem sabe ela goste dos penteados que você faz?”

Um sorriso brotou no rosto delicado dela.

“VAMOS! O QUE QUE EU FAÇO?”

“Pegue aquele olho ali perto dos outros brinquedos, vou arrumar os braços e as pernas dela.”

Com toda delicadeza do mundo, ele foi colocando cada um de meus membros no lugar. Com uma das chaves de seu chaveiro, o rapaz conseguiu apertar alguns pregos meus que estavam frouxos. Deu um jeito em alguns fios expostos e conseguiu encaixar meu olho no endoesqueleto. Mas quando foi colocar meu rosto no lugar, vira que estava faltando algumas peças.

“O que foi Dougie?” Isabella perguntou preocupada.

“Não consigo prender o rosto dela, está faltando peças...”

“Você não tem alguma que sirva nela lá no galpão?”

“Ah, aí eu teria que levá-la lá, eles não vão deixar! Se eu pudesse, aproveitaria aquelas placas de aço que sobraram do robô do Zacarias para terminar o corpo dela, isso é fácil!”

“Tudo relacionado a robótica é fácil para você. Meu tio já falou que isso é perigoso!”

“Tenho todo o material no galpão, se eu montei o Hannibal, posso montar a Toy Foxy numa boa.”

A tia deles apareceu na porta, chamando os dois. A pizza já havia chegado.

“Ah, mas eu não mostrei minha boneca para ela! E se outra criança vier desmontar?”

“A gente volta e monta de novo antes de ir embora. Me ajude a deixá-la sentada, ficar toda torta no chão deve ser desconfortável.”

“É ela parece uma ratazana atropelada!”

“Isabella!”

“Ué, to dizendo a verdade!”

A verdade dói e eu posso fazer com que ela se torne física, criança.

“Qualquer coisa, amanhã eu voltarei aqui para oferecer uma proposta.”

Quando os dois se retiraram, uma grande quantidade de crianças veio me perturbar. E só pararam quando a pizzaria ia fechar. Eu acabei só com torax e cabeça. E nenhum funcionário se deu o trabalho de me salvar.

“Precisa de ajuda...?” Foxy apareceu na porta, em meio a confusão dos outros bonecos tentando deter o segurança. Eu levantei apenas uma sombrancelha, estava bastante óbvio, não acha? Ele se aproximou de mim, pegando cada pedaço de meu corpo que encontrava. Mesmo com apenas uma mão, conseguiu encaixar o suficiente para permitir minha locomoção pelo telhado. Mas... Eu realmente não estava afim.

“O que foi? Não quer atacar comigo?”

“Não, me deixe aqui.”

Fiquei deitada, nem ousei levantar. Preocupado(aparentemente), a raposa se sentou ao meu lado.

“Os meus colegas não gostam muito quando você vem interagir comigo.”

“Ah, sabe aquela palavrinha com F?”

“Sei, sua predileta. Responde tudo assim. Você sabe que isso não irá resolver todos os problemas para sempre!” Quando aumentei meu tom, minha voz tornou-se mais confusa e embaralhada em meio a interferência. Não podia me exaltar, ou ninguém entenderia uma vírgula do que eu dissesse.

Ao ver como me incomodei com a caixa de voz danificada, Foxy ficou em silêncio e se ajoelhou ao meu lado, esfregando seu focinho no meu, dando-me um pouco de carinho.

“Aqueles patifes te machucaram, não foi?”

“Isso é o de menos. É outra coisa que está me aflingindo.”

“ “O grande pirata” poderia saber o que é?”

“Um rapaz. Ele ensinou a irmã que ela não deve me desmontar e sim me tratar com carinho.”

“Que coisa maravilhosa...E bizarra ao mesmo tempo.”

“Eu sei, ele mesmo era meio esquisitinho. Magro, pálido...”

“Cabelo preto? Olho fundo?!”

“Sim... Porque?”

“EU SABIA QUE AQUELA VOZ ERA FAMÍLIAR!”

“Sério? Ele já entrou lá nos fundos e falou com você?”

“Não, não. Foi antes de reinaugurarem a pizzaria. Ele era criança ainda.”

“Nossa, faz tempo então.”

Foxy tira um pedaço de guardanapo de dentro de seu short. “Não tinha onde esconder, daí acabei guardando aqui. A tinta está desbotada, mas ainda está legível.” Ele me entrega, me deixando surpresa ao ver que os dois tiveram uma conversa, e a criança aparentou não se importar com o tamanho absurdo.

“Será que é a mesma criança?”

“Se for, ela me deve uma promessa.”

“HÁ! Já deve ter esquecido!”

“Não, se ele te consertou, creio que ele não se esqueceu de mim, só não me viu.”

“Gosto da sua perseverança.”

“Toy Chica é mais perseverante que eu.”

“Perseverança é diferente de teimosia. E você tem um pouco dos dois.”

Ele sorriu e apertou meu focinho. “E você não é teimosa não? É a mais certinha daqui, não é?” O pirata morde minha orelha brincando e eu revido o empurrando.

“Pare! Seu doido!”

“Sou doido mesmo!”

“Os dois estão se divertindo aí?” Toy Bonnie apareceu na porta com a expressão mais sínica que eu já pude presenciar.

“Estamos. Algum problema?”

“Somente um ultrapassado tentando dar esperança onde não existe.”

“O que você quis dizer com isso?” Foxy rosnou.

“PAREM DE NAMORAR E VENHAM COM A GENTE DETER A MELECA DAQUELE GUARDA! Enquanto não convencermos ao mundo que essa espelunca é um purgatório, jamais poderemos ter um momento de descanso!”

Fiquei de orelhas baixas, engolindo o que o coelho dissera.

“Freddy tenta dizer que nós só queremos ajuda.”

“Em meio a aquela risada insana? Olha, esse aí já perdeu o resto de sanidade que lhe restara.” Toy Bonnie ri sínico. “Pare de sonhar, Foxy. Você já fez merda antes, não tente repetir.”

“BONNIE!” Eu rosnei.

“O que? Eu disse a verdade!”

“SE MANDA!”

O coelho saiu da sala, deixando nós dois a sós novamente. Agora era Foxy que estava de orelhas baixas, olhando para seu próprio reflexo no chão polido. Ergui-me e fiquei sentada com muito esforço, ao ameaçar cair, ele enganchou o gancho de sua mão na minha cintura e ficou me segurando, dando-me sustento.

“Talvez... Nós somos os mais quebrados daqui porque somos os únicos a querer tomar uma atitude.”

“Estar certo sempre está errado, Toy Foxy. Sempre está errado.”

“Talvez eles não tenham tanto controle sobre o corpo quanto nós.”

“Ah eles tem, só querem ir pelo meio mais fácil. Desistiram de procurar uma alternativa para ganhar felicidade. Querem apenas a morte.”

“Não é isso que nos resta?”

“Quem sabe? Eu não sei. Sempre há outra alternativa, não acha?”

“...”

“Bom, eu acho.” Ele sorri.

“Amanhã o rapaz vai voltar, ele quer me consertar.”

Foxy sorri e acaricia meu focinho novamente, mas desta vez eu o retribuí da mesma forma.

O sinal sooa pela pizzaria, alertando ser seis horas. Estava começando mais um dia naquele inferno.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado. Tentarei fazer com que o terceiro capítulo seja um pouco maior.