Promessas

10 A sinfonia das máquinas, o circo mecânico.


Notas iniciais
Boa leitura! Penúltimo capítulo!

(Foxy)

“Douglas! O corpo chegou!” Juliet entrou no atelier correndo, trazendo consigo uma grande caixa.

“Chegou? Você abriu?” Douglas veio correndo e a ajudou a carregar “Vamos abrir, mas primeiro, vamos lá fora, você não vai acreditar!”

“Porque? O que Erick aprontou? Estou ouvindo uma farra!”

“Ele está montando no Protheus! ELE CONSEGUIU!”

Vi os dois chegarem correndo até os fundos do atelier. Eu estava me deleitando com aquela apresentação do medroso. Todos os meus colegas estavam sentados encostados na parede, assistindo junto comigo. Nunca vi algo tão bonito e tão próximo de nós. Imagine só, uma máquina que não só entretêm crianças e sim a todos, ninguém o teme, todos com certeza iriam aplaudi-lo.

Seu galopar fazia o chão tremer, sua pele reluzia com o brilho do sol, mostrando o efeito estrelado do metal. Ao correr, ver toda a harmonia de seu sistema me deixava louco. Eu queria ser assim. E creio que não era o único. A mudança de Mandy e a futura mudança de Chica dava para nós um grande gostinho de novo começo, nova função.

Estávamos nos acostumando a ser felizes. Até esquecemos de nos vingar do monstro que nos matou.

Bom, eles. Eu ainda era atormentado por aquele apagão que tive. Até agora não sei se isso foi em tempo real, ou foi apenas uma lembrança.

Espero que ele nunca nos encontre. Já afastamos o pai de Douglas.

“ARRASA ERICK!” Juliet gritou.

Erick comandava Protheus com uma facilidade incrível, nem parecia ser obrigado a mexer em várias manivelas e botões enquanto estiver correndo a mil. E é claro, esquecendo o fato de que se a máquina ficar com muita pressão, ela superaquece e desmonta não importando a velocidade. Isso ele não conseguiu resolver.

“EU VOU PULAR!” Erick diz rindo “HORA DO SALTO!”.

“Isso é incrível!” Isabella estava sentada ao lado de Freddy, rindo à toa como sempre. Aquela rolha de poço adquiriu um certo apego pela morena e ela por ele. Talvez porque gosta de ursinhos. Quando fomos assistir filmes da Disney ontem à noite, a menina dormiu em cima dele. Hehe, tinha espaço até demais.

Erick deixou o cavalo ganhar bastante pressão e correu em direção ao primeiro obstáculo: Uma barra de 30 centímetros de altura. Saltou sem problema, nem fizemos festa. A próxima, ele fizera uma curva mais fechada, e saltou 1 metro.

O cavalo se desestabilizou um pouco na descida, mas foi controlado rapidamente, fora erro do medroso mesmo. O outro obstáculo estava em uma linha reta, era só acelerar. Saltou 1,55 metros.

“Nossa! Ele está indo muito bem!” Toy Chica estava sentada ao meu lado, batendo palmas.

Ao cair, puxou o cavalo e o fez marchar, liberando um pouco de pressão para que sua temperatura se estabilizasse. O rapaz nunca pareceu tão confiante, parecia até outra pessoa. Animado, voltou a correr e gritou:

“1 METRO E 90!”

“TÁ MALUCO?!” Douglas gritou “VAI SER A PRIMEIRA VEZ DELE! FAZ ISSO NÃO! ISSO É UMA MÁQUINA E NÃO UM CAVALO!”.

“Vai dar merda, vai dar merda, vai dar merda, vai dar merda, vai dar merda!” Juliet começou repetir, mas não impediu a persistência do rapaz.

Ele correu de uma distância grande, e ao chegar, fez o cavalo quase o jogar para o alto. Erick quase caiu, mas Protheus não desmontou. Deu certo. A máquina estava pronta.

Gritos de euforia vieram de meus colegas e dos dois mecânicos. Erick jamais se sentira tão vitorioso.

Ele fez Protheus trotar, logo o deixou ao passo, liberando bastante pressão de uma vez só, permitindo que a máquina esfriasse. Quando o rapaz desceu, quase que ele tomba no chão.

“VOCÊ É UM GÊNIO!” Douglas gritou “E MUITO DOIDO TAMBÉM!” Ele o ajudou a se levantar.

“Cara isso foi incrível! Da onde veio essa coragem toda? Eu estou impressionada!” Juliet disse rindo.

Quando Erick se aproximou de todos nós, começamos a aplaudi-lo.

“Hey Bonnie, traz a Chica” Douglas disse “O corpo dela chegou”.

O coelho se animou, mas Chica começou a gritar de ansiedade.

Eles a levaram até a sala dos robôs, e como todos nós somos bem curiosos, ficamos esperando do lado de fora.

...

(Juliet)

“Erick, dê um jeito na cabeça dela. Douglas, prepare o endoesqueleto. Eu vou tingir a peça nova e as antigas” Eu ordenei “Terminaremos isso hoje!”.

E assim começamos a pôr um fim em nossa trabalheira. Assim que um terminasse seu objetivo, passaria a ajudar o outro em seguida. O mais fácil fora o endoesqueleto, mas a cabeça, nossa, porque não vimos isso com mais precisão. Para colocar aquilo no lugar, precisei parar e pintar e ajudar Douglas e Erick a forçar a mandíbula para baixo. Conseguimos, mas haja óleo lubrificante.

Voltei a pintar. Como vejo que Chica é bem animada, nada melhor do que por mais cores as suas “penas” (Sem transformá-la em um pavão). Fui pintando com o pincel às vezes usando estêncil para destacar as penas, aplicando um Glitter transparente por cima. Fiz o mesmo nos braços e pernas. Deixei secando e aproveitei para dar um jeito na cabeça.

Afinei a sobrancelha com a lixa e com uma serrinha elétrica, para acabar com aquela cara de homem. Passei spray do tom da pele por cima das pálpebras negras (Tive que colocar uma fita sobre os olhos para não acabar danificando a visão), retirando aquelas olheiras fúnebres. Deixei secar mais um pouco, para pôr por cima uma cor mais rosada, puxada pro roxo, fazendo uma “maquiagem”.

Bonnie foi o único que ficou dentro da sala conosco. Ele estava tão feliz em nos ver consertando-a, aposto que se pudesse ele choraria.

“O endoesqueleto está pronto? A tinta do corpo já secou” Eu perguntei.

“Sim, tá pronto, pode trazer!” Douglas respondeu.

Quando encaixamos todas as peças, Erick trouxe a cabeça e a colocamos no lugar.

“E então...?” Bonnie perguntou “Está funcionando?”.

“Eu testei tudo há três dias atrás, não havia nenhum problema com movimento” Douglas disse “Vamos Chica! Tente ficar em pé!”

A galinha ficou olhando para as próprias mãos, logo para o corpo. Uma risada saiu de sua boca e logo ela veio ao chão, em pé.

Passo por passo, não demorou muito para começar a pular feito uma criança. Essa era nossa surpresa. Colocamos molas mais resistentes em seus joelhos, permitindo uma estabilidade maior em suas pernas. Poderia correr feito uma criança.

“BONNIE! EU TENHO MÃOS BONNIE! EU NÃO SOU FEIA BONNIE! EU TENHO CINTURA BONNIE!” Ela gritava rindo.

“EU SEI! VOCÊ ESTÁ LINDA!”

A galinha salta em cima dele, dando-lhe um grande abraço. Ela nos agradece tentando nos dar beijos sem lábios, apenas encostando o bico nas nossas bochechas e fazendo o som de beijinhos. Douglas abriu a porta, e Chica saiu correndo feliz e saltitante para mostrar aos outros.

“CHICA! VOCÊ ESTÁ LINDA!” Toy Chica disse animada.

“Arr! Parece um tesouro de reis!”

“EU POSSO PULAR! EU POSSO CORRER! TENHO MÃOS!”

“Pula comigo, Chica!” Isabella segura as mãos dela e as duas começam a pular brincando.

Marionette veio até nós, como sempre parecendo uma alma penada. Mas desta vez, Golden estava junto com ele.

“Estão de parabéns” Ele disse “Pela primeira vez posso dizer que vocês são o que dizem ser. Creio que posso ter confiança em vocês três”.

“Oh, obrigado...” Erick ficou nervoso como nós, não sabíamos nem o que dizer.

“Espero poder recompensá-los de alguma forma”.

...

(Freddy)

Quando todos preparavam-se para dormir, colocaram todos os animatronics para dentro pois o céu começou a ser coberto por nuvens acinzentadas, desaparecendo com todas as estrelas que tanto atraíam as duas raposas. Seria um bom momento para tentar conversar com o pirata e tentar finalmente tirar a limpo o que ocorrera naquela noite onde ele teve o apagão. Ele nunca morde alguém sem ter motivo. Até quando atacou a criança havia um motivo.

A raposa ia se enroscar com Toy Chica em meio ao cafofo, mas chamei a sua atenção.

“Pulguento”.

“Ah, o que foi desta vez? ” Ele respondeu.

“Precisamos conversar a sós. Me acompanhe”.

“E se eu não estiver a fim? ”

“Quando finalmente aparento estar de bom humor, você arruína tudo? ”

O pirata bufou e virou os olhos, logo me acompanhou até a sala dos robôs.

“Sobre o que você quer falar, rolha de poço? ”.

“Sobre seu apagão. O que você viu? ”.

Ele ficou em silêncio.

“O que você viu? ” Perguntei novamente.

“Vi você pelado”.

“Pare de palhaçada, seu filho da puta! Pare de rir! ” Eu botei o dedo indicador bem no nariz dele, empurrando-o “Lembranças da infância perdida não lhe dão motivo para morder alguém! Principalmente se for conhecido! ” Eu gritei “O que você realmente viu??”.

“Eu vi o Purple guy, marujo. Satisfeito? ”.

“E o que mais? ”

“Ele está atrás da gente... E vai nos encontrar a qualquer custo” Suas orelhas abaixaram quando terminou de falar “Não quero que ninguém saiba disso”.

“E porque não? Isso... Isso! COMO ASSIM? TEM UM ASSASSINO VINDO ATRÁS DE TODO MUNDO E VOCÊ AINDA TEM A CORAGEM DE DIZER QUE É PARA MANTER EM SEGREDO? ”.

“EU NÃO SEI SE É LEMBRANÇA OU UMA MENSAGEM DO ALÉM, COMPREENDEU? NÃO QUERO CAUSAR UM PÂNICO DESNECESSÁRIO! É SÓ ISSO! ”.

Eu bufei e passei a mão em meu focinho.

“Faz um mínimo de sentido... Vou ficar em silêncio por um tempo mínimo. Mas eu vou contar! E você! Seu marinheiro de MERDA! Deveria ter dito isso ANTES! ”.

Assim que eu coloquei a mão sobre a maçaneta para me retirar, ele tornou a falar.

“Eu vi nós dois também” Eu parei de andar assim que escutei, logo me virei “Vi nós dois brincando. Olhando as estrelas na praia. Dois moleques sem medo do amanhã”.

Não respondi nada.

“Porque isso acabou Freddy? ”.

“Acabou. Acabou quando esquecemos de nossos próprios nomes. Acabou quando você matou aquela criança na nossa frente, provando de uma vez por todas, que nós somos monstros, e não dois moleques sem medo do amanhã! ” Eu me aproximei dele segurando seu focinho com força, puxando-o para baixo e olhando bem nos olhos dele “Eu parei de seu teu amigo, quando vi do que você era capaz de fazer. E acredito que a reação tenha sido vice e versa”.

Larguei o focinho daquele maldito e me retirei da sala.

Jamais confiarei naquele pulguento, até ele me dar uma digna prova de seu esforço.

...

(Toy Chica)

De madrugada, começou a chover levemente, o que obrigou Erick a dormir no atelier. Isabella dormiu no cafofo conosco, afundada entre Toy Freddy e Freddy. Bonnie ficou jogando vídeo game com Chica, enquanto eu e Foxy ficamos debaixo das cobertas conversando e brincando feito dois patetas.

“Hey Foxy” Toy Bonnie disse “Não vai falar com Mangle? Quero dizer, Mandy?”

“Porque?” Ele ergueu a cabeça.

“Ela não quer vir para cá, está debruçada naquela janela faz tempo”.

“Ela que quis ficar assim. Eu já chamei”.

“Mas ela quer falar contigo” O coelho concluiu e se sentou no colchonete.

A raposa bufou e olhou para sua colega de canto de olho, abanando as orelhas, nervoso. Ele se levantou e caminhou até ela, e eu sorrateiramente fui atrás.

“O que houve, Mandy? Já te chamei um milhão de vezes!”

“Ali...” Ela apontou na janela.

“Ali o que?”

“Não se aproxima, acho que ele não me reconheceu. Pega o espelho em cima da mesa”

“Ele quem?”

“Pegue a porra do espelho que está em cima da mesa!”

Ele foi até a mesa de jantar e pegou o espelho. Logo, fez com que Foxy olhasse para o lado de fora pelo objeto. Suas orelhas ficaram erguidas, e ele segurou a boca com o gancho para não acabar gritando.

“Quem é ele Foxy? Porque está olhando tanto para cá?”

“Eu acho que é um policial! Ou uma assombração...”

“Mas com aquela roupa negra? Nem dá para ver o rosto!”

“É UM POLICIAL!”

“SHHHHH” Toy Bonnie tentou calar os dois.

A raposa suspirou e tentou se acalmar.

“Aquilo é um policial, tenho certeza. Anda, sai da janela. Amanhã nós iremos alertar Douglas e o resto da tripulação”.

Logo pela manhã, alguém bateu o sino lá fora e Douglas pediu que todos se escondessem no bosque. Nem deu tempo de comentar.

...

(Erick)

“Todos já foram, Douglas. Pode abrir” Eu disse.

Douglas abriu a porta, era o único que havia trocado de roupa.

“Bom dia, Senhor. Posso ajudá-lo?”

“Oh, bom dia! Pode sim! Vim em nome da Fazzbear Pizzaria!”

Nós três ficamos pálidos de repente.

“Oh, mas eu não sou culpado do roubo, eu já falei com meu pai, os policiais já vieram aqui e não encontraram nada!”

“Não meu jovem, vim lhe pedir uma proposta! Seu pai me contou que você faz robôs incríveis! E gostaria de fazer uma encomenda! ”.

O pai dele fizera um elogio...?

“Oh entre, Vamos conversar”.

Os dois se sentaram na mesa de bagunça, e levei o caderno de rascunho para eles.

O homem que entrara pediu para ser chamado apenas de “Guy”. Ele utilizava o uniforme da pizzaria, mas eu jamais vira um uniforme com tom roxo. Parecia um bom homem.

“Vim lhe pedir para rascunhar novos animatronics para minha pizzaria. Desta vez preciso de alguém que realmente consiga desenhar personagens infantis! Preciso atrair as pessoas de volta para lá! Quanto iria ficar quatro bonecos?”

“De mesma altura?”

“Não, estava pensando em diferenciar levemente”.

“Hum... Com material e mão de obra, cada boneco sairia por 3500. Sem programação. Se você quiser ter a programação já instalada: Voz, música e movimentos pré-datados, cada um sairá por 4200”.

“Preço bem apertado, viu?”

“Gosto de fazer tudo com a melhor qualidade possível. Pode nos dar um prazo de 8 meses a partir de amanhã caso aceite. O pagamento pode ser em cheque”.

“Primeiro eu gostaria de ver suas opções para animais. Pelo jeito, você é bem criativo”.

“Bom, as primeiras coisas que vieram à minha cabeça foram animais domésticos: Um gato, um ferret, um labrador e quem sabe uma calopsita”.

“FECHADO! Será duas meninas e dois meninos! Surpreenda-me! ” Os dois deram as mãos e fecharam negócio.

“Mandarei e-mails com fotos do progresso, não irá se arrepender! ”.

O homem se retira, e todos ficam em silêncio.

“E então, vendedor? ” Juliet se debruçou no parapeito da varanda, assim como eu “Livramos a barra dos animatronics?”.

“Eu acho que sim! Imagine! Vou começar a rascunhá-los e você Erick, vá buscar o caminhão de seu pai. Hoje é o grande dia!”

“Vou soprar a vuvuzela para chamar o bonde...” Juliet parecia bem desconfiada “Vem Erick, me ajude a encontrar todos”.

...

(Foxy)

Erick chegou com o caminhão por volta das 18 horas. Juliet foi junto com ele, pois poderia passar na casa dela e pegar seu robô misterioso. Toy Freddy e Bonnie ajudaram a preparar Protheus e Hannibal para serem guardados no caminhão.

Pena que ninguém iria vê-los agir... Bom, todo mundo menos eu! Eu iria me infiltrar silenciosamente dentro do caminhão! Era só se esconder dentro das caixas que iriam levar para trocas e vendas! Simples e fácil!

Procurei o maior caixote e me enfiei dentro. Logo, bastava aguardá-los.

“Pegou tudo, Juliet? Artigos de pintura, maleta de ferramentas, caixas com vestimentas?”

“Sim, vou entregar algumas delas para uma colega minha. O tutu de bailarina por exemplo. O resto eu dou para um senhor que troca por outras”.

“PORQUE TEM DUAS CAIXAS TÃO PESADAS?” Erick gritou quando ergueu a minha.

“Você não pede ajuda! Fica se sentindo machão! Qual o teu problema?” Douglas disse e foi ajuda-lo “Bom, vamos ditar as regras para o pessoal. Isabella, você vem conosco”.

“Ah... Me deixa no caminhão!”.

“Nem pensar! Já para dentro! Aguenta essa ansiedade!” Douglas fechou o caminhão. Me deixando no breu absoluto.

Esqueci como seria entediante e claustrofóbico ficar em uma caixa por muito tempo. 2 minutos parecem duas horas. E nem sabia se eles iriam se mandar agora! Tem vezes que eu tenho um completo cérebro de peixe.

Uma caixa começou a balançar o que me deixou assustado. Empurrei a tampa bem devagar, rascando a pontinha com meu gancho. Logo, vi uma mão arrebentar a tampa com um soco. E Toy Chica sair dali.

“AI ELES NÃO VÃO SAIR NÃO? Gente! Tá horrível ficar aqui dentro!”

“Você também?” Eu botei o focinho para fora.

“FOXY! QUAL O SEU PROBLEMA?”

“O mesmo do seu! Agora faça silêncio! Não quero que eles nos descubram! ”.

...

(Douglas)

A viagem não seria tão longa e nem tínhamos que nos preocupar com tempo. Nossa apresentação seria bem mais tarde. Esses eventos duram até a madrugada, o último terminou às 6 da manhã. Primeiro a apresentar na área “random” seria Erick, logo na área artística viria Julie e por fim, na área de vale tudo seria eu.

“Quem está ansioso??” Erick disse enquanto dirigia.

“EU ESTOU! ” Juliet respondeu rindo “Cara! Estou louca para apresentar! Mas será que os animatronics vão ficar bem? ”

“Não se preocupe, eles irão nos assistir pela televisão e deixei todos trancados. Ninguém irá se perder ou botar fogo em tudo. Isso eu garanto” Eu respondi.

“Você viu o Foxy e a Toy chica? ” Isabella me perguntou.

“Não, deveriam estar de baixo das cobertas de novo” Respondi.

“Hm... Tendi...” Ela voltou a observar a janela.

Quando avistamos as luzes do salão de eventos, nossa! Quanta alegria! Aquelas luzes coloridas que nos lembrava uma grande espaçonave eram emocionantes de se ver. O salão possuía um estilo moderno, bem criativo. Parecia arte de Oscar Niemeyer. Em volta da construção havia um extenso campo aberto, onde as pessoas sentavam para conversar, trocar ideias, ou testar seus robôs menos perigosos. Dentro da construção, só haviam os estandes de venda e apresentação de robôs para benefício humano. Na área de trás, três arenas. Uma ao lado da outra, três cúpulas de vidro blindado onde ocorriam as apresentações maiores e mais perigosas.

Nossa, ir apresentar era como se estivesse se mudando para um futuro distante.

Pegamos um leve engarrafamento para entrar, mas só não demorou mais pois tínhamos o passe vip. Estacionamos um pouco distante da entrada, pois não queríamos ter dificuldade para manobrar o caminhão. Isabella saiu numa euforia só, tive que segurá-la pelo braço para não acabar se perdendo.

Abrimos a mala, puxando a rampa e descendo com os três robôs. O misterioso segredinho de Juliet ainda estava coberto por uma capa, pois só queria que nós víssemos na hora da apresentação. Urgh... Mulheres...

Enfim, prendi as rodas do Protheus Nas rodas do Hannibal, para que puxássemos os dois com uma corrente só. O robô da Julie era leve, então prendemos na frente de todos.

A japonesa levaria um carrinho com as caixas que faria venda e troca, porém...

“FALA MARUJO! ” Foxy saltou de uma das caixas.

“O QUE?! ” Gritei “O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? SEU PUTO! ”

“FOXY NÃO ERA PARA VOCÊ ESTAR AQUI! ” Juliet gritou.

“Ué, eu queria assistir! ”

“ASSISTIA EM CASA, PELA TELEVISÃO! ” Eu gritei “Como todos os outros! ”

“Mas eu também estou aqui! ” Toy Chica saiu de outra caixa.

“Ai, meu pai. São dois...” Erick passa a mão no rosto, desesperado.

“E então, o que faremos? ” Juliet me perguntou.

“Eles vão ficar dentro do caminhão e PONTO” Respondi.

“AH NÃO! ” Os dois animatronics disseram juntos.

“Espere...” A japonesa começou a revirar as caixas “Foxy, coloca isso” Ela o entregou uma vestimenta de samurai e uma máscara de Amaterasu. Deu certinho.

“Mas eu sou um pirata! E não um ninja! ”

“Você vai ser paralítico se ousar me questionar de novo” Juliet puxa o focinho dele e solta “Agora vamos a Toy Chica” Ela tira o bico dela, mas deixa os olhos. Logo, pega outra máscara na mesma caixa, desta vez, uma máscara veneziana branca com detalhes dourados. Para esconder o corpo, pegou o conjunto, um traje veneziano da mesma cor.

Toy Chica ficou mais assustadora do que já é, até Foxy ficou com um certo pânico.

“Estão prontos, vamos”.

Seguimos em direção aos fundos do evento para entrar na área dos participantes. Era um salão dividido em várias garagens, onde se armazenavam os robôs participantes. Podem ser divididos em equipes ou em indivíduos. Preferimos ser uma equipe, os Imortais.

Fomos recebidos de forma bem espontânea! Muitos vieram nos cumprimentar, amigos, conhecidos, parceiros que já fizeram patrocínio conosco.

Mas o que me incomodava era quando perguntavam sobre os robôs que nos seguiam.

Enquanto folheava o folheto com as informações e os horários do evento, um colega meu de outra equipe veio conversar comigo. Seu nome era Roger, integrante da equipe Guardiões, vestido sempre de forma jogada, com os cabelos negros bem armados escondidos por um boné e pele negra quase azul. O apelido dele já foi Smurf.

“Cara, qual a novidade que Hannibal trará desta vez? ” Roger perguntou “Braços com serras? Dentes que expelem ácido? ”

“Não e não! Não contarei! ” Eu disse, rindo à toa “Como vai o Cheetah? ”

“Rápido como o vento. Caliente fez seu corpo mais aerodinâmico. Trocamos TUDO! ”.

“Usar um aerodinâmico em um espaço limitado é um pouco arriscado, não acha? ”

“Se Big Buffalo consegue lutar sem quebrar tudo, Cheetah pode correr como o vento e não se quebrar toda”.

“Aquele Buffalo foi aceito? ” Juliet diz irônica “É, ainda tem gente que acha que não existe corrupção nesse evento”.

“Porque você diz isso, Julie? ” Erick disse.

“Sempre facilitam a vida para os Behemoth. Eles não possuem limitações. Tudo pode! ”

“Deve ser por pena” Respondi rindo “Eles só fazem robôs brutos. Velocidade é um ponto fraco para qualquer criação deles”.

“Mas eles estão ganhando todos os torneios menores e médios! Com certeza vão detonar todo mundo aqui! ” Roger disse desesperado.

“Meu caro Roger. ” Eu botei a mão em seu ombro “Aqui é um torneio GIGANTE. Ou seja, todos aqui são fortes. Incluindo você. Vai abaixar a cabeça para os babacas? ”.

“ARR! É ISSO...” Toy chica deu um tapa tão forte no focinho de Foxy que o estalo foi até o portão de saída. Eu juro. Pelo menos ela salvou minha pele.

“O que foi isso? Pensei que fossem manequins! ” O rapaz disse impressionado.

“S-são ajudantes! Estão em fase de teste! Espero que funcionem bem! ” Eu respondi em pânico “O samurai se chama Wasabi e a carnavalesca ali se chama Pandora”.

“Criatividade de 7 segundos, viu? ” Foxy resmungou.

“CALE A BOCA! ” Toy Chica reclamou.

“Evoluí de senhor dos mares para pateta japonês... ” A raposa resmungou.

O celular de Roger toca, e ele se retira pois seus companheiros estavam procurando por ele.

Respirei fundo, logo tentei dar um jeito na besteira que os animatronics arrumaram.

“Olha, vocês dois vão ficar aqui junto com o Erick e a Isabella. Ele será o primeiro a apresentar, então ajudem-no a aquecer o Protheus. Eu e Julie vamos nos estandes comprar as coisas que queremos. Daqui a pouco nós voltamos”.

“Pode deixar! ” Toy Chica disse confiante “Prometo que nada de ruim irá acontecer! ”.

“Assim espero” Juliet concluiu e nós dois seguimos em direção aos estandes.

...

Apesar do espaço grande dos corredores, o local continuava apertado. Eram muitos fãs da robótica de todos os cantos do mundo, principalmente na área de vendas. Nada melhor do que uma feira para conseguir materiais com preços mais em conta.

Fui anotando o preço das peças e dos artigos que eu queria de loja em loja, decidindo qual era o mais barato e com maior qualidade. Era difícil decidir, mas Juliet sempre me dava bons conselhos.

O estande onde ela faz as trocas é um dos mais famosos do evento. O armarinho do Merlin é um dos melhores quando se está procurando vestimentas e artigos para decoração de suas máquinas (Adesivos, sprays, estêncil, cabelo falso, pele sintética...). Seu estande é todo de madeira, e dá para entrar nele como se fosse uma lojinha.

“Boa noite, Seu Tavares! ” Juliet disse “Trouxe as roupas... Quem é você? ”.

Havia outra pessoa em seu lugar. Alguém mais jovem, bem familiar, mas não conseguia reconhecer. Talvez o motivo fosse sua franja junto com o boné roxo cobrindo seus olhos. Ele estava enxergando?

“Oh! Você deve ser a Juliet! ” Ele disse “Sou amigo do Tavares, ele me avisou que você viria! ”

“Vem cá... Eu te conheço? ” Julie perguntou.

“Olha... Eu não te conheço! Mas é um prazer conhece-la! Você deve ter me visto em outro evento! ”.

“Hum... Pode ser. Enfim, posso fazer as trocas? Dê uma olhada aqui nas caixas e vamos negociar! ” Ela respondeu, mas mal escolheu uma vestimenta para trocar e já veio outra pergunta “O que houve com o Seu Tavares? ”.

“Ele não estava se sentindo muito bem... Pediu para que eu ficasse no seu lugar e deixou todos os clientes de honra dele bem anotados aqui no caderno! Fora os preços e avisos! ”.

“Haha, típico! ” Juliet ri “Eu troco esse rolo de pelo sintético por 5 cartelas de adesivos impermeáveis. Pode? ”.

“Feito, andam procurando muito esse tom de pelo. Um laranja bem forte! ”.

Enquanto estavam negociando, tornei a observar os produtos a mostra. Eu gosto de fazer a parte mecânica, a arte eu deixo para ela. Julie nunca me deixou na mão.

Mas em um cesto bem no cantinho do estande, algo me chamou a atenção. Em meio a um emaranhado de máscaras, quem diria.

Era o rosto do Bonnie.

“Juliet...” Eu a chamei quando trouxe o rosto em mãos.

“O que foi...AI MEU DEUS! ” Ela saltou “ONDE VOCÊ ACHOU ISSO? ”.

“Eu ia perguntar para o vendedor agora. Onde você conseguiu isso? ”.

“História engraçada, meu caro. Um maluco vendeu para o Tavares. Como ninguém sentia atração por essa coisa, ele jogou ali nas máscaras em liquidação. Tem interesse? ”.

“Tenho sim... ”

“Isso é da Fazzbear, não é? Pensei em dar para eles, mas pensariam que eu teria roubado os bonecos! ” Ele riu de forma estranha “Souberam de alguma coisa? ”.

“Vimos no jornal, essa pizzaria se torna um mausoléu quando a gente cresce...” Juliet começou a tentar se esquivar do assunto do roubo.

“Eu vou levar. A Pizzaria ofereceu uma proposta para minha equipe criar novos animatronics para substituir os roubados e vamos ganhar uma grana. Posso usar esse rosto aqui como base para algum deles...”.

Criar uma justificativa para levar a máscara sem criar suspeitas era crucial.

“Oh que bom! Mas isso não irá impedir a busca pelos bonecos! ”.

“Porque não? ” Perguntei.

“Porque eles tão perto que talvez nem precise mais de sua ajuda”.

Senti um frio descer a espinha e acredito que Juliet sentiu o mesmo.

Erick é chamado a arena 1 através das caixas de som espalhadas pela construção. Nós tínhamos que ir acompanha-lo.

“Já fiz as trocas que queria, vamos Douglas” A japonesa saiu da loja me puxando pela mão e mal se despediu do vendedor. Jamais senti uma pele tão gélida.

...

“QUE VENHA O PRÓXIMO COMPETIDOR NA CATEGORIA ABSTRATA! ERICK MONTEIRO COM SEU MAGNÍFICO PROTHEUS! ”.

Ficamos sentados na área vip da arena. Dava para ver tudo dali e Erick poderia facilmente identificar onde nós estávamos. A ideia de montar no cavalo foi brilhante! Ninguém esperava algo assim! Quando viram a altura dos obstáculos, os críticos começaram a debater, antes mesmo da apresentação começar.

Erick entrou com Protheus marchando, quase posando para as câmeras. Ele parou no centro da arena e um dos jurados falou pelo microfone.

“Meu jovem, o que lhe veio à cabeça para fazer um cavalo robótico? ”.

“Gosto muito do animal, é uma inspiração para mim, Senhor ”.

“Bom, muito bom... Mas isso ainda não me convenceu. Porque você fez um cavalo mecânico? ”.

“Senhor, sempre participei de competições de equitação. É um esporte que na qual eu venero, acho uma obra prima! Mas o que sempre me deixou em pânico era quando um animal se acidentava, e o que lhe restava era o sacrifício. Esse robô pode ser a substituição para essa crueldade! Provarei que suas peças podem ser utilizadas como próteses! ”.

Os críticos voltaram a debater, logo, permitiram que a apresentação seguisse.

Erick fez Protheus ganhar bastante pressão de uma vez só e o disparou em direção ao primeiro obstáculo, sempre com a mão no controle da pressão e nas rédeas ao mesmo tempo. Primeiro salto, o cavalo se ergueu totalmente e não esbarrou em nenhuma das barras, caiu sobre o chão perfeitamente, sem desequilibrar o cavaleiro.

A plateia começou a gritar animada, quem diria? Deu certo!

Ele faz a curva e salta o próximo, um pouco mais baixo, mas com pouca distância do seguinte, rendendo-lhe dois pulos seguidos.

“NOSSA! ” Toy Chica gritou “Olha como todos estão aplaudindo! ”.

Foxy só balançou a cabeça concordando. Com certeza estava sem palavras também.

Faltava apenas mais três obstáculos para ele saltar. Os mais altos, onde há um maior risco do cavalo se desestabilizar.

“VAI ERICK! ” Juliet gritou e eu a acompanhei.

O cavaleiro deu mais pressão ao cavalo, fazendo-o liberar fumaça pelas narinas. Protheus acabou saltando alto do que o esperado, fazendo Erick gritar.

“FUDEU! ” Gritei, mas ele conseguiu parar chão, quase caindo do cavalo.

Imediatamente Erick retirou pressão do cavalo em movimento, fazendo-o pular no último obstáculo derrubando uma das barras. Era o fim da apresentação.

“Que merda... ” Foxy disse.

Os críticos voltaram a falar com Erick.

“Parece que seu cavalo se descontrolou ali no final...”

“Eu sei, foi um erro meu”.

“E no final você derrubou aquela barra, isso retiraria bastante ponto se fosse uma competição de salto, não acha? ”

“Mas Protheus não se desestabilizou ao acertar a barra. Ele foi resistente como o animal. Em nenhum momento ele me levou ao chão”.

Isso os silenciou, e um sorriso veio no rosto do cavaleiro. A nota veio no quadro de led, bem grande no topo da arena: 9.7

Toda arena começou a gritar. E vitorioso, o cavaleiro fez Protheus se empinar nas duas patas e relinchar, sem ameaçar cair de costas no chão.

Ele se retirou marchando, do mesmo jeito que entrou.

Nem fomos ver as outras apresentações, queríamos parabenizar o vencedor. Descemos correndo da arena e voltamos a área dos participantes, onde Erick limpava as patas de seu robô. Eu o abracei com força, quase jogando o rapaz para o alto. Outros competidores vieram lhe parabenizar também, e dava para notar muito bem quem estava com inveja.

“A vitória já está entregue! Não há como alguém bater sua invenção, cara! ” Eu disse animado, mas Erick aparentou não ter a mesma certeza.

“Vamos esperar as notas dos outros, amigo... Não fique tão convencido”

...

“A próxima competidora da categoria artística é da equipe Imortais! Uma salva de palmas para Juliet Wakabayashi e seu robô Millenium! ”

Se todos os participantes estavam ansiosos para saber quem era o tal robô, imagine nós dois.

O tempo entre a apresentação do Erick e a de Julie era mínimo, só deu tempo para comermos alguma coisa e comprar um brinquedinho para Isabella sossegar. Ela é toda educada, mas não deixa de ser uma criança.

Juliet veio andando carregando um teclado, e bem ao lado estava seu robô ainda coberto por um lençol. E ao chegar ao centro da arena, ela o retirou, mostando a todos um pavão colorido, com penas metálicas que emitiam um som de sino ao se locomover. Suas cores eram um pouco transparentes, mostrando um acabamento branco por dentro. Parecia um sistema de LED.

As penas de sua cauda abriram junto com suas asas, mostrando vários tubos de órgão.

“Apresento a vocês: Millenium! ” Juliet gritou e preparou o teclado, começando a tocar a música do Coldplay: Charlie Brown.

Quer saber de uma coisa? Eu realmente pensei que ela fosse tocar música de igreja. E pensei que fosse ser tedioso. Mas o sistema de funcionamento daquele robô era incrível! A música não importava! Mesmo estando ótima! Maravilhosa! Mas como o som funciona, de acordo com o que eu entendi, era um sistema de infravermelho entre o teclado e o robô.

No peito do pavão havia vários ventiladores, um para cada tecla do teclado. A cada tecla tocada, isso ativa um ventilador, que manda o vento com a intensidade que o botão fora pressionado, exalando o som pelo tubo.

Quando música entrava no refrão, o pavão reproduzia um show de luzes em sua pele, vários desenhos aleatórios em cores neon, logo substituía para uma galáxia e no fim para fogos de artifício. Um dos responsáveis pela arena começou a diminuir a iluminação, permitindo que a ave espalhasse suas luzes por toda a escuridão.

Música e imagem ao mesmo tempo. Juliet conseguiu criar a sensação de estar numa rave apenas com uma ave.

No fim, as luzes voltaram a sua intensidade normal e o pavão fechou todas as penas. Uma salva de palmas fez o ego de Juliet se tornar maior do que já é. O problema foram os críticos. Na área artística, eles são bem mais sérios do que a Abstrata e a Vale Tudo juntos.

“Bom, bela epilepsia” Uma mulher que parecia mais um louva deus disse “O que você quer expressar com tudo isso? ”.

“Diversão e alegria através da música, Senhora”.

“Muito bom, de todos o que eu vi aqui, você foi uma das que menos me impressionou” A louva deus concluiu de forma cruel.

“Mas Madame Carmo! Não diga isso! ” O segundo crítico disse “Viu que maravilhosa máquina ela criou? ”.

“E o que irei fazer com um pavão dentro de casa? Não tenho boate, tenho uma coleção de arte. Isso não é arte. É brinquedo que nós encontramos em loja de informática barata. Não quero mais assunto. Retire-se minha jovem. Eis a sua nota”.

No quadro, apareceu um cruel 4.5.

Juliet se retirou em silêncio, sem questionar. Era melhor um 4.5 do que um zero.

“Coitada...” Foxy disse “ Mas isso foi injusto! A apresentação dela foi ótima! ”

“Não, não foi tanto assim. Ela fez muito suspense por algo que não surpreendeu a plateia de verdade” Eu disse coçando a cabeça, nervoso “Aplausos podem ser apenas educação aqui. Vamos atrás dela, já vi que hoje à noite vai ser foda animá-la”.

...

Na área dos participantes, a encontramos sentada debruçada sobre a mesa, com as mãos no rosto.

“Julie... Sinto muito. Você deu o melhor de si, mas...” Erick tentou falar, mas ela o interrompeu.

“Destrua esse pavão. Me recuso a levar essa agonia para casa”.

“Juliet, pare com isso! É por isso que você não pode fazer as coisas escondido! Tem que ter uma opinião antes de apresentar! Principalmente de sua equipe! ” Eu disse.

“Tia Julie... Não fica triste não! Você terá outras oportunidades! ” Isabella dá um abraço forte nela.

Não queria prestar atenção na teimosia fúnebre de Juliet e decidi dar uma volta. Mas ao passar em frente a uma equipe conversando, estranhei o assunto deles.

“Vocês souberam o que houve lá no Armarinho do Merlin? ”.

“O que? Só vi que fechou mais cedo do que todas as outras”

“O dono da barraca desapareceu, um tal de Tavares! Havia outro lá no lugar, mas ele despareceu também...”

“Hey” Eu disse “Eu fui lá mais cedo, esse cara que estava lá, disse que era amigo do Tavares! ”.

“Amigo? Tavares nunca colocou ninguém no seu lugar! ”.

Voltei correndo para meus amigos, e contei sobre o ocorrido. Era melhor ligar lá para o atelier e avisar que havia algo errado, mas o pior que não haveria como os 9 animatronics se esconderem... E eu os deixei trancados.

Que merda.