Promessas
3 3. Na era atual
As coisas continuavam como sempre. O templo estava no mesmo lugar. A casa estava no mesmo lugar. Os parentes fazendo as mesmas coisas. Mas as sensações eram totalmente diferentes. Sem youkais para se preocupar, sem Narak para temer. Agora apenas as provas. Era como se a vida tivesse voltado ao normal. Contudo, muito mais completa, muito mais alegre. Kagome sentia como se fosse novamente uma simples estudante, que havia achado o amor de sua vida em uma esquina perto de casa.
¬ Vamos Inu! Quero contar logo as novidades! ¬ A garota continuava a puxar o braço do hanyo.
¬ Kagome, espere um pouco. ¬ O tom da voz dele demonstrava que algo o preocupava.
¬ O que foi ? ¬ Estava muito ansiosa, precisava contar para sua família que tinha encontrado sua felicidade incorporada em um garoto que tinha o brilho do Sol nos olhos e o da lua nos cabelos.
¬ Kagome, e se... e se eles não me aceitarem como seu namorado? ¬ Seus olhos fitaram o chão.
¬ Porque não aceitariam Inu? ¬ Percebeu que ele estava realmente incomodado com a hipótese.
¬ Acho que você já se acostumou com o fato, mas deve se lembrar que eu não sou humano... sou meio demônio. Nem todo mundo aceita esse “detalhe”, se lembra disso?¬ A colegial percebeu pelo tom de voz magoado, ele se lembrou de épocas que sofria com o preconceito dos youkais completos e o medo dos humanos. Ela se aproximou do garoto e acariciou sua face com a mão direita.
¬ Meu Inu, não fique assim. Aqui em casa você já fazia parte da família sem nem se declarar meu namorado. Agora, você será membro integrante e essencial dessa família.
¬ Mas e se não me aceitarem, justamente, como seu namorado? Não é fácil aceitar que sua filha namore com um monstro feito eu... ¬ Seu olhos transbordavam tristeza.
¬ Inu... ¬ Não pode acreditar no que ouviu. Ele havia sofrido demais no passado. Abraçou a cintura dele com todas as suas forças. ¬ Você não é e nunca foi um monstro. Isso foi uma imagem inventada por todos que não te conheciam e o temiam. Você tinha todas as desculpas para se transformar em um ser odioso. Mas pelo contrário, nunca matou um humano inocente. Nunca matou nada inocente. ¬ Inu-Yasha apertou delicadamente a cintura dela. ¬ Minha família, assim como eu, não te vê como um meio demônio, mas sim como o Inu-Yasha, um garoto que veio da era feudal. Um garoto que eu amo. ¬ Nos braços dela, parecia que nunca tinha sofrido e que nunca poderia sofrer com absolutamente nada.
¬ Obrigada por existir Kagome, você me deu um novo motivo para viver. ¬ Ele encostou o queixo na cabeça dela e inspirou o cheiro que tanto gostava.
¬ Eu que tenho que agradecer. Descobri um mundo de sentimentos por sua causa. ¬ Os dois já estavam muito próximos. Pouco faltava para um beijo. Quando ...
¬ Aneue ! Inu-onii-chan! ¬ Souta, o irmão mais novo de Kagome, corria na direção do casal. ¬ Pelo que vejo, finalmente se acertaram em? ¬ O garoto tinha um imenso e debochado sorriso no rosto. Inu-Yasha e Kagome ruborizaram violentamente.
¬ Ãnh, Souta, onde está a mamãe e o vovô? ¬ A menina mudou logo de assunto.
¬ Vovô está no depósito, mamãe está na cozinha.
¬ Ok. Pode me fazer um favor?¬ O garotinho acenou positivamente com a cabeça. ¬ Vá avisar para o vovô que eu quero lhe contar uma coisa e que é para ele ir para a sala. ¬ Ao falar ela agachou um pouco para ficar na altura dos olhos do menino.
¬ Tá bom mana! ¬ Logo saiu correndo atrás do velho.
¬ Viu inu ? Não vai ter problema algum, agora vamos chamar minha mãe e contar para todos oficialmente a notícia. ¬ Olhava nos olhos dele.
¬ Estou aliviado agora. ¬ Suspirou.
¬ Então vamos! ¬ Voltou a puxar o hanyou pela manga do quimono.
Quando a família se reuniu, Kagome contou a todos a novidade e como esperado por ela, todos aceitaram com imensa felicidade a união do casal.
¬ Finalmente vocês se resolveram, isso merece uma comemoração !¬ Falou senhora Higurashi.
¬ Sim, sim vamos comemorar! Mas antes... ¬ O velho avô olhou diretamente para Inu-Yasha.¬ Quero lhe dizer menino, que minha neta não deve ter só um namorado a seu lado, mas sim um guardião. Que a proteja de qualquer tipo de mal.
¬ Vovô! Pare com isso! Está parecendo um pai chato ! ¬ A menina estava realmente brava com o velho.
¬ Não, Kagome! Ele está certo. ¬ O menino passou a se dirigir diretamente para o senhor.¬ Eu prometo que protegerei Kagome com a minha vida se for preciso. E com meu amor, nunca vou deixar que qualquer tristeza chegue perto do coração dela.
A garota estava impressionada com as palavras dele. Já seu avô ficou convencido pela convicção na fala do garoto.
¬ Ótimo, então vamos comemorar! ¬ o velho senhor foi pegar uma garrafa de saquê.
Todos estavam alegres com a notícia, sabiam o quanto a menina gostava daquele rapaz.
As coisas estavam muito boas no templo, entretanto Kagome sabia que o maior perigo viria de três meninas estudantes e muito curiosas. Ela sabia que fizera uma imagem equivocada de seu hanyo, mas a maioria das vezes que voltava para casa era porque tinha brigado com ele. A raiva era maior e o desabafo faria qualquer um pensar que Inu-Yasha era um ciumento, violento e grosso. De uma certa forma ele era tudo isso, mas não do jeito que elas pensavam. Seria uma longa conversa para convence-las. Só de pensar nisso estava começando a ficar cansada.
Quando olhou para o lado viu seu amor sentado no chão, chateando o gato. Todas suas preocupações sumiram. As vezes a inocência dele a comovia. Quem disse que cães e gatos não se davam bem? Riu com o próprio pensamento. A sua frente viu os livros de álgebra e geometria. Teria de estudar tudo de novo, lera muita coisa, mas não estava prestando atenção. Suas preocupações estavam voltando. Como passaria de ano? Como iria para um bom colégio? De repente, arrepiou-se por sentir a respiração dele tão próxima de seu pescoço.
¬ O que é isso que você tanto lê Kagome? ¬ Inu-Yasha apoiou o queixo no ombro direito dela e olhou o livro que ela segurava.
¬ Ah inu, é uma coisa muito complicada chamada geometria.
¬ Tem como eu te ajudar? ¬ Virou o rosto, sem tirar o queixo do ombro dela, para olhá-la nos olhos.
¬ Só se você for um professor de matemática, muito bom em explicar.
¬ Acho que não vou poder ajudar então. ¬ Se sentou na cama dela e passou a olhar a janela. Ela percebeu que o hanyo estava entediado, mas provavelmente estava com medo de atrapalhar e ser sentado pela kotodama.
¬ Inu, eu preciso te contar uma coisa, mas não queria que ficasse muito bravo. ¬ Falou a colegial se levantando e logo sentando na cama e apoiando a cabeça no ombro do menino.
¬ Quer dizer que eu posso ficar um pouco bravo ? ¬ Levantou uma sobrancelha.
¬ Bom, vou contar de uma vez. Depois você pode falar a vontade. ¬ Parou um instante para tomar fôlego. ¬ Quando a gente brigava e eu voltava para cá, eu acabava desabafando com umas amigas. Mas como elas não entenderiam e não acreditariam que eu atravesso o tempo por um poço... Elas só ficavam sabendo de uma parte da história Inu... Então até hoje elas acreditam que você é meu namorado delinquente, grosso, violento e ciumento.
¬ Porque você falava que eu era desse jeito? ¬ Estava indignado.
¬ É o seguinte, eu não podia falar do Kouga e o fato dele ser um youkai lobo então eu falava que você era ciumento, o que não deixa de ser verdade. Não podia falar que você era um hanyo e que lutava contra youkais, então dizia que era violento. Não podia explicar exatamente o porquê das suas brigas com o Sesshomaru, elas tiraram a conclusão que você era um delinquente. Diante do pouco que eu falava não poderia negar.
¬ E porque me chamava de grosso ?
¬ Inu, essa parte nem você pode negar, que você era muito grosso e mal-educado comigo, você era. Admita. ¬ Falou convictamente.
¬ Tudo bem, tudo bem essa eu admito. Mas ainda tem uma coisa. Já falava que eu era seu namorado ? ¬ Falou com um meio sorriso.
¬ Bom...¬ A menina começou a ficar rubra ¬ Nossa relação era muito próxima,eu não podia dizer que estava atrás da jóia de quatro almas. Como eu ia explicar o fato de ficar tanto tempo com você ? Na verdade eu nem disse isso, elas tiraram essa conclusão. No começo eu negava. Depois eu passei a aceitar sem dizer nada. No fim das contas eu me referia a você como meu namorado, assim elas entenderiam de quem eu estava falando. E... eu já tinha aceito o fato de te amar incondicionalmente. ¬ Beijou levemente e rapidamente a boca dele.
¬ Feh, só não fico bravo por causa dessa ultima parte. ¬ Fez uma cara de insatisfeito, mas abraçou carinhosamente a cintura dela.
¬ Ãhn, inu... ¬ Ficou receosa. ¬ O problema maior vem agora, na verdade. Eu vou te apresentar para elas... e pode ser que elas lhe pareçam estranhas e você pareça muito estranho para elas. Poderia tentar ser mais educado ? ¬ Fez uma feição angelical para convence-lo.
¬ Isso requer um trato. Eu serei educado com elas, mas quando a gente voltar e aquele lobo fedido aparecer, você vai dizer no focinho dele que esta namorando comigo e que é para ele te deixar em paz. ¬ Suas palavras soaram decididas e duras, mas continuava abraçando carinhosamente a garota.
¬ Tudo bem Inu! ¬ Um grande sorriso apareceu no rosto da colegial. ¬ Achei que seria mais difícil mas esse trato está bem razoável.
¬ Muawuaauwawuuaw! ¬ Uma risada maligna foi dada pelo hanyo. ¬ Mal espero ver o lobo fedido de novo.
¬ Inu, menos, BEM menos.¬ Ela revirou os olhos.
Notas finais
Inu-onii-chan = moço cachorro
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