Notas iniciais
Eu queria complementar outras coisas nesse capítulo mas se eu continuasse desse jeito eu nunca iria postar então resolvi dar uma revisada e postar logo.... até por que eu já estava enrolando demais.

Não importa a direção que eu olhe é tudo branco. Ouço aos poucos um barulho em minha cabeça, a cada segundo que se passa consigo escutar com mais nitidez uma garota em prantos, chamando meu nome acompanhado de lagrimas e soluços. Eu me pergunto o porquê dela estar chorando....

Abro os olhos lentamente e sinto uma leve dor em minha cabeça, Acho melhor não ficar pensando sobre esses sonhos.... Nunca descubro nada, esse provavelmente, não será diferente. Acho melhor eu me trocar logo senão chegarei atrasado, mesmo morando longe do colégio eu prefiro caminhar e sentir o ar fresco, o vento batendo no meu rosto, que para ser sincero acho tão gratificante quanto olhar as estrelas em uma noite sem nuvens, deitado em um lugar aberto longe da cidade onde tudo é mais calmo....

Depois de entrar na sala meus olhos se encontram fixados em um garota de cabelos longos e levemente cacheados, não muito bagunçado, mesmo vendo ela de costas percebo o quão bonita ela é. Como resultado durante as aulas não prestei atenção e acabei passando a maior parte do tempo apenas tentando desenhá-la em uma folha no final do caderno, mesmo assim nada que eu desenhava parecia ser o suficiente, com raiva de mim mesmo por conta do desenho eu me levantei em silencio, amassei o papel e joguei no lixo, no final da aula com o desenho em minha cabeça nem notei que alguém tinha pego o papel amassado do lixo e fui embora sem dar o mínimo de atenção.

Mesmo chegando em casa ainda sentia uma insatisfação por não ter terminado aquele desenho e também não conseguia tirar aquela menina da minha cabeça, algo nela me chamava a atenção, não por ser bonita ou qualquer coisa parecida, claro ela é muito bonita não posso negar mas tem alguma outra coisa.... Então meus pensamentos são interrompidos pelo toque do meu celular, era Raphael meu amigo de infância, talvez o único amigo em quem eu realmente confie.

— Eai Joe acho alguma menina bonitinha?

— Que pergunta aleatória, podia ter sido qualquer outra coisa mais útil não acha?

— Mais interessante que isso? Difícil pensar em algo assim....

— Já te falei que você é estranho?

— Várias vezes, mas falando sério agora.... Como estão indo as coisas? Andei meio ocupado esses dias por isso não entrei em contato antes.

— Como sempre nada muito interessante.... Só que...... – falo quase murmurando, só de pensar daquela garota eu sinto borboletas no estômago.

— Você disse algo no final? Não consegui ouvir a última parte, acho que sua voz cortou.

— Nada não, estava apenas pensando alto não se incomode.

— Beleza então, vou ter que sair agora, tenho coisas a fazer essa noite então boa sorte aí.

— Sei.... Aposto que vai levar outro fora.

Desligo o celular e vou até a varanda, ficar olhando as estrelas e ouvindo músicas sem pensar em nada, talvez organizar meus pensamentos em meio a escuridão da noite me faça pensar com mais clareza...... As vezes olhar as luzes das casas iluminando a noite escura e fria, um café até que cairia bem agora.... Seria bom ficar um pouco acordado durante a noite, como amanhã não tem aula vou aproveitar e começar a fazer os trabalhos pendentes para ter o resto do final de semana livre e talvez fazer algo interessante.

Mas acabo sendo tomado por meus pensamentos e fico apenas refletindo enquanto olho para o céu....... Já é quase duas horas da manhã vou tentar fazer pelo menos um dos trabalhos e irei dormir.

Novamente me encontro em um local totalmente branco, olho ao horizonte e não encontro nada, é tudo branco não importa onde eu olhe, ao piscar os olhos escuto risadas e vejo em minha frente a imagem de um parque, diversas crianças se divertindo e correndo em volta, porém uma garota prende a minha atenção.... Ela está sozinha sentada no banco mais afastado de cabeça baixa enquanto um grupo de meninas mais ao longe brincam sem se importar com nada e então vejo diversas lagrimas escorrendo de seu rosto, começo a sentir um aperto em meu coração, de repente todo aquele cenário que antes se encontrava na cor branca se torna preto e começo a correr em sua direção. No momento em que toco em seus cabelos vejo uma correnteza vir em minha direção e finalmente abro os olhos, com minha cama toda molhada e um imbecil com um balde na mão olhando em minha direção.

Olhando para a cara do sujeito pergunto – Raphael tu prefere que eu te jogue da janela ou te coloque num saco e mande escada abaixo?

— Não tem outra opção? Você é muito cruel.

— Seja grato não dei a opção de ser cozinhado.

— Sei que você cozinha bem, mesmo assim você passaria mal.

— E quem disse que eu comeria? Daria para os cachorros e ninguém perceberia sua falta – falo enquanto solto uma risada maléfica.

— Vamos com calma, eu limpo tua cama bebê.

— Claro, vai lá meu servo.

Sinceramente invadir o apartamento de uma pessoa e acorda-la com um balde de água, vou ensinar bons modos à ele, mas graças a alguém estou com minhas roupas molhadas e preciso tomar um banho para preparar o café da manhã, provavelmente o dobro, para um certo alguém.

— Antes de tudo, como entrou aqui?

— Ah isso? Bom não é meio difícil já que eu morava contigo, eu tenho uma cópia da chave

— Não diga de uma forma que possa ser interpretada de forma errada, isso me dá arrepios. Você não tinha um compromisso ontem de noite?

— Sim, algumas coisas... nada muito importante. Vim para ver como estão as coisas, você não me disse nada ontem.

— Não aconteceu nada, apenas.... Estava um tanto pensativo sobre algumas coisas, nada tão grande.

— Não parece ser apenas isso, digo você estava meio estranho ontem e hoje também não parece estar bem, aconteceu algo que eu deva saber?

— Acredito que não, só estava pensativo, não se preocupe com isso…. Tenho um trabalho importante para acabar hoje, então sinta-se livre para fazer qualquer coisa que queira.

Acho que não devia ter dito isso visto que alguém ligou o videogame e começou a gritar na sala, talvez eu deva apenas escutar música e me concentrar no trabalho, como eu sempre faço. Mesmo com os fones de ouvido acabo escutando a campainha tocar. Grito para o Raphael atender a porta, mas ele simplesmente não me ouve ou está tão concentrado em trocar a roupa da Bayonetta que está me ignorando, acho que eu mesmo vou atender a porta, mesmo que isso seja o normal já que essa casa é minha.... Abro a porta e vejo uma garota, a mesma que eu fiquei observando ontem na sala, logo de cara começo a observar seus olhos cor de mel, que me trazem uma tranquilidade, quanto percebo ela desviar o olhar e ficar envergonhada eu logo faço o mesmo, não tenho certeza se pareci estar corado mas vejo ela dar um pequeno sorriso, então peço para ela entrar. Observo ela olhar o interior da casa como se estivesse interessada em algo, eu deveria ficar desconfiado mesmo assim fico apenas curioso com o que ela poderia estaria pensando nesse momento.

— Vou preparar algo para tomarmos, gosta de café?

— Sim.... Puro por.... Favor.

Ela não parece ser tímida no entanto parece estar meio tensa, vou tentar acalma-la conversando um pouco. – Já trago, pode se sentar na sala... Tem um amigo meu aqui em casa e.... Se ele tentar alguma coisa você pode bater nele ou gritar que eu venho correndo, ele vai no máximo dar encima de você.... Peço desculpas antecipadamente por isso.

Eu simplesmente vejo ela fazendo que sim com a cabeça e vou para a cozinha preparar o café, só espero que Raphael não tente fazer nada, ela pode se sentir desconfortável perto dele e acabe indo embora ser falar nada.... E também tem algo nela que me chama a atenção, me traz uma sensação estranha, mas também não posso bombardeá-la de perguntas, talvez com o tempo eu acabe descobrindo algo. Com três xícaras de café volto para a sala e vejo logo de cara ela empurrando uma almofada no rosto do Raphael, eu quase derrubo o café no chão por dar risada, por um momento os dois me olham espantados e depois caem na risada. Acho que me preocupei à toa com ela

— Então é meio repentino, mas eu vim avisar que acabei a minha parte do trabalho, normalmente era só mandar para o seu e-mail, só que alguém acabou me ignorando no final da aula então eu tive que descobrir onde você morava.

Não vou nem me arriscar e perguntar como ela descobriu o lugar onde moro.... — Sério? Desculpa por isso, eu estava meio pensativo na aula, não sabia que era em dupla.

— Acho que é o normal, você parece não falar com ninguém, e hoje você parecia meio desligado.

Eu normalmente não me envolvo e tento não prestar atenção nas pessoas a minha volta então não sei o nome de quase ninguém com quem estudo. – Eu tento não me relacionar muito com o pessoal, to me focando mais nos estudos por agora.

Raphael começa a me fitar e levanta – Então... Eu lembrei que tenho coisas a fazer, foi um prazer te conhecer, outra hora a gente conversa.... Estou saindo.

Nós dois nos despedimos dele e ficamos quietos o que acabou formando um clima tenso, acho melhor falar sobre o trabalho é a única coisa que temos em comum que eu saiba.

Acho que funcionou de certo modo, acabei pegando seu contato para conversarmos depois. Conforme íamos conversando eu sentia cada vez mais aquele sentimento estranhamente confortável, mas acabei não comentando com ela, acho que a deixaria assustada então resolvi ficar quieto.

Notas finais
Gostaram da história? Seu comentário me ajuda muito a continuar essa história... recebo criticas numa boa desde que seja uma critica construtiva e não um simples "Não gostei"... saber o motivo me ajuda a melhorar como "escritor"
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.