Demorou mas chegou! Mais um capítulo! Notas no final, como sempre.

Boa leitura!

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21 de fevereiro — 06: 48 no HST (Hoshi Standart Time)

John caminhou pelos corredores da Academia, consultando o relógio de pulso. Rumava para a sua sala, com praticamente todo o corpo estudantil saindo do seu caminho; aparentente seus colegas não gostavam de irritá-lo. Alguma coisa na sua aparência os fazia ficar longe.

Ele seguiu em frente, confiante — não era do tipo que se importava excessivamente com o que os outros pensavam dele, levando em consideração apenas a opinião das pessoas de quem gostava. Devaneou durante todo o caminho para a sala, pensando no estágio; teria que se esforçar para se manter trabalhando esse ano também.

Não que ele não merecesse o serviço ou não se esforçasse. Fazia um bom trabalho, como Luna insitia em lembrar-lhe repedidamente, mas para continuar como estagiário, precisaria de uma boa carta de recomendação dos seus professores.

E algo lhe dizia que essa não seria uma coisa fácil de obter esse ano.

Assustou-se ao perceber que o sinal tocou enquanto ainda estava do lado de fora da porta da sua sala da 3ª gradação. Abriu-a e entrou rapidamente, apenas para dar de cara com o sorriso sarcástico do professor.

Professor Guilherme era, sem dúvidas, o seu algoz. Havia surgido uma antipatia mútua desde que se viram pela primeira vez. Havia tomado algumas aulas de suplemento com ele na 2ª gradação e tinha medo do que esse ser poderia vir a fazer com a sua carta de indicação desse ano.

— Ora, ora, se não é o Sr. Travolta. Está atrasado, mas honestamente, isso não é de se espantar.

John engoliu sua raiva. Tinha que pisar miudinho com Guilherme, principalmente agora — as suas chances não eram boas e ele não queria piorar a situação pro seu lado. Sentou-se na cadeira vazia ao lado de Sandy.

— É realmente impressionante que alguém chegue à 3ª gradação sem um pingo de responsabilidade. Muito me admira...

Ele suspirou e continuou a se segurar, permitindo-se apenas fazer uma cara feia enquanto era humilhado pelo professor. Seus colegas encolheram-se ao ver a expressão em seu rosto, com excessão de Sandy, que revirou os olhos, e Anita, que lhe lançou um olhar simpático. Era realmente uma pena, ele pensou naquele momento, que seus outros amigos já estivessem na Faculdade da Academia. Queria eles ali também.

— De qualquer forma, espero que o resto de vocês não se mire no exemplo do seu caro colega e leve a sério a sua vida escolar. Vocês estão prestes a ir para a Faculdade da Academia. Não serão mais apenas estudantes despreocupados. Terão que começar a lutar pelo seu futuro, quer ele esteja aqui, quer na Terra, tirando o máximo de proveito dos anos em que frequentaram o nosso sistema estudantil...

John suspirou e deixou sua mente vagar.

Aquelas duas aulas seriam muito, muito longas.

21 de fevereiro — 11: 52 no HST (Hoshi Standart Time)

Maxxy batucou com a caneta na carteira. Estava inquieto. Aquelas aulas tediosas o estavam torturando. Queria sair dali... Faltavam poucos minutos para o horário de almoço, mas eles pareciam arrastar-se e transformar-se em horas sem fim.

Olhou para a professora, que discorria monotonamente sobre aceleração e movimento.

Chato, chato, chato. Será que aquilo poderia ser mais chato? Ele estava com fome e não estava num bom dia. Batucou ainda mais rápido e o mais silenciosamente que podia com a caneta, tentando desesperadamente descontar a sua frustração.

A porta da sala abriu-se e uma garota de cabelos curtos acenou.

— Com licença, professora! Posso dar um aviso?

— Bom, Becky, eu não sei... Já estamos no final da aula e...

— Por favor, professora! É importante!

— Então muito bem, Becky, mas espero que seja breve.

Benção. A velha concedeu o tempo, ainda que de má vontade. A menina adiantou-se para frente, ajeitou os óculos e começou a falar.

— Bom dia a todos vocês! Meu nome é Becky e sou da 3ª gradação! Trabalho na Representação Estudantil e é um prazer ter todos vocês aqui na nossa Academia!

Estava aliviado pela interrupção da aula, mas continuava a se irritar gradativamente. A garota era sorridente demais. Aquilo estava dando nos nervos dele.

Maxxy realmente, realmente não estava em um bom dia.

— Além de estar aqui para dar as boas-vindas a vocês em mais um ano de estudo, em especial para os nossos novatos, gostaria de repassar um aviso da Direção, que quer todos no auditório, depois das aulas, para uma palestra de introdução à vida escolar na Academia, que, vocês vão notar, pode ser um pouco diferente das escolas com as quais vocês estavam acostumados na Terra, e também para fornecer a vocês uma breve orientação profissional, com as principais carreiras que podem ser seguidas na Hoshi. Eu também estarei lá, então nos vemos depois das aulas!

Ela acenou e saiu, no exato momento em que o sinal dava início ao horário de almoço.

Com alívio, Maxxy saiu da sala, em meio ao ruído provocado por seus colegas de classe, para exasperação da professora, e seguiu em direção ao prédio do Refeitório.

21 de fevereiro — 12:10 no HST (Hoshi Standart Time)

Dan olhou em torno, com a bandeja em mãos. O Refeitório da Academia era grande, com uma parede de vidro que iluminava o ambiente, e todo decorado seguindo a tendência dos outros prédios da escola: branco e minimalista, com linhas limpas. Na parede de trás havia o balcão onde os estudantes podiam pegar a refeição, e várias mesas compidas de fórmica branca, estilo pique-nique, espalhavam-se, com os grupinhos se dividindo entre suas mesas favoritas.

Ele não sabia onde sentar. Não conhecia ninguém e continuou apenas a observar, perguntando-se onde poderia se acomodar. Não parecia haver sequer uma mesa desocupada. A mais vazia era a mesa onde estavam um menino e uma menina, conversando naturalmente. Dan sorriu consigo mesmo. Havia gostado dos dois, em especial da garota; o sorriso dela era franco e espontâneo. Aproximou-se.

— Oi. Gosto do seu sorriso. Posso sentar com vocês?

Os dois olharam para ele, levemente chocados. A sinceridade de Dan geralmente pegava as pessoas desprevenidas mesmo. Depois de alguns minutos, a garota sorriu e respondeu.

— Por favor, fique à vontade. Meu nome é Monica e este é o Júlio. Como você se chama?

— Sou o Dan. Prazer em conhecer vocês... — provou uma garfada da comida de sua bandeja — Nossa, essa comida da escola é boa! Não esperava que fosse gostosa.

Júlio e Mônica riram; a conversa continuou a fluir na mesa.

Felipe olhou de relance para a mesa relativamente distante da que ele estava almoçando com Helvinho, Emily e alguns outros colegas da sala deles. A mesa estava cheia e animada. Em especial porque aquela era a mesa em que Kelsi estava.

Sequer acreditou quando ela despediu-se deles na estrada do Refeitório e rumar para a mesa \"popular\" da 3ª gradação. Era injusto exigir que ela almoçasse com eles e não com os outros, mas ele não pode deixar de se chatear ao observar o grupo; ainda por cima, somando-se a isso, estava mesmo muito cansado da festa da noite anterior, mesmo que procurasse disfarçar.

— Cara, pelo menos tenta não deixar na cara que você tá chateado — murmurou Helvinho, entre uma garfada e outra — Tá pirado com a Kelsi porque ela não sentou com a gente ou é só ciúmes daquele cara que cantou ela?

— Nada a ver isso! — ele corou furiosamente — É que eu achava que nossa amizade valia mais pra ela do que a adulação de um bando de interesseiros, só isso.

— Deixa de marra, cara. Fique feliz por ela. Afinal, foi você que arrumou esse trampo pra Kel, não foi?

Sim, havia sido ele.

E, por mais injusto que aquilo fosse, Felipe pegou-se arrependido de ter ajudado a amiga.

Anita seguiu andando pelo longo correrdo junto com Francielli. As duas estavam meio desamparadas, já que este ano Anderson e Diego estavam na Faculdade, cujo horário de almoço era diferente do das gradações de colégio.

— Iih, Anny — suspirou Francielli — Estou perdendo as esperanças. Será que vamos ter que comer em pé?

— Não — Anita respondeu, soando aliviada e apontando — Olha, a mesa do John!

— Você realmente quer comprar essa briga com a dona, digo, a namorada dele, amiga?

— Eu não, mas também não quero comer em pé. Além do mais, não vamos estar fazendo nada de mais. Ele é meu colega de estágio, oras.

— Se você diz — Francielli revirou os olhos e seguiu atrás da amiga, que já rumava para a mesa.

— Oi, John — Anita sorriu — Podemos sentar aqui com vocês?

— Claro, Anita. Pode se acomodar.

— Na verdade, queridinha... Eu preferia que vocês não fizessem isso — ronronou Sandy, aproximando-se do namorado.

— E a gente perguntou pra você? Achei que a Anny tinha falado com o John — retorquiu Francielli, já sentando-se de frente para os dois que já estavam ocupando a mesa.

— Fran! — sussurrou Anny, em alerta.

— Se diz respeito ao John, diz respeito a mim — retrucou Sandy, com a voz ácida — Então eu sugiro que você e a Anny dêem o fora o mais rápido possível, entendeu?

— Péra, Sandy — John interviu — Será que dava pra uma vez na vida não fazer confusão? Deixa as duas sentarem aqui, poxa. Qual é o problema?

— Qual é o problema? Qual é o problema? Vai deixar essas — essas duas atrapalharem a gente?

— Mas elas não vão atrapalhar, Sandy! Caramba, será que você tem que fazer tempestade em copo d\'água por tudo?

— Então está bem! — Sandy levantou-se, lívida de raiva — Fique aí com elas então, se não saem as duas, saio eu!

A garota foi devolver a bandeja pisando duro, deixando as duas amigas e John para trás.

Anita suspirou antes de sentar-se.

Será que alguém, algum dia, poderia explicar a ela o que havia feito para a namorada do colega odiá-la tanto assim?

21 de fevereiro — 13:32 no HST (Hoshi Standart Time)

Zé Luís suspirou e consultou o relógio de pulso antes de voltar-se para suas anotações. Estava sentando em uma das fofas poltronas cor de vinho da sala de espera da diretoria da Academia. Seu setor havia sido convidado pela diretora para falar sobre os serviços no comando da Hoshi na orientação vocacional, e como Xabéu e o Comandante tinham agendas muito mais apertadas que a dele, havia sido incumbido do serviço.

Não era muito bom em palestras, mas teria que se virar. Tinha meia hora para ensaiar mais ou menos o que iria dizer para os alunos e para se acalmar, se convencendo de que não faria um papelão na frente do corpo estudantil da Academia. Era melhor ocupar a mente com alguma coisa, e rápido, concluiu. Só ficaria mais nervoso se não tivesse o que fazer.

— \"Nosso trabalho consiste em traçar o curso da espaçonave, além de monitorar o funcionamento dos seus circuitos internos...\"

— Fascinante.

Aquela voz. Ele imediatamente irritou-se.

— Escuta aqui, senhorita. Você está me perseguindo, ou alguma coisa do gênero?

— E eu ganharia o que te perseguindo, Sr. Alferes? Também estou aqui a trabalho — Bianca retrucou, imediatamente, sentando-se na cadeira defronte à dele — Vim representar o RH na orientação vocacional. E, como vi o Sr. Alferes sentado aqui na sala de espera, achei que seria pertinente vir te dar um alô.

Ele cerrou os punhos, exasperado.

— Olha, posso te pedir pra me deixar em paz ou seria muito? Não procure falar comigo ou mesmo entrar em contato direto comigo de qualquer maneira, se for possível.

— Não posso fazer isso, Alferes.

Ele franziu a testa, confuso.

— Não pode? Por quê?

Ela sorriu o seu sorriso meio duro e cruel.

— Porque eu me divirto imensamente com você, Sr. Alferes. Aparenta sempre ser tão calmo e contido... Mas quando te vejo com raiva, me dou conta de que você é uma pessoa de sentimentos muito intensos. Você só faz questão de esconder isso do mundo; a troco de que, eu não sei.

Zé Luís corou. Mas quê...? Aquilo não fazia sentido. O sorriso alargou-se no rosto de Bianca, e ela levantou-se.

— Bom, preciso me encontrar com o resto da comissão do Rh antes da palestra. Espero te encontrar de novo, — ela fez uma leve pausa — Sr. Alferes.

Observando-a ir embora, Zé Luís podia sentir que seu rosto continuava quente. Detestava corar, mas não pôde evitar.

Quem era essa mulher e o que exatamente ela queria?

Fim do Capítulo 6

Notas finais
Então é isso, gente! Demorou mas chegou! Por favor, tenham paciência comigo. As atualizações vão começar a ser um pouco menos frequentes a partir de agora por causa das minhas faculdades.
Queria ter escrito mais nesse cap., mas como eu já tinha enrolado vocês demais, decidi postar assim mesmo e deixar o resto pro 7...
Então, pros novatos: eu, sem querer, acabei apagando um post importante no tópico da fic no orkut. Caso queriam entrar, POR FAVOR me mandem scrap me pedindo as regras e eu mando pra vocês, tá?
Beijos e comentem! (: