A sociedade secreta Sextante se revelou para o mundo como sendo a dominadora de todo o planeta. Uma de suas maiores metas é o controle da população mundial, e para isso uma série de criaturas bizarras foram criadas em laboratório, criaturas com a incrível capacidade de aniquilar pessoas e animais. Mas algo saiu fora do controle do laboratório e as criaturas se espalharam por toda uma cidade. Essa cidade, chamada de Laurásia, teve seus limites murados, para que as criaturas não fugissem para outras cidades. Um grupo de pessoas se uniram para encontrar, catalogar e exterminar cada criatura. Os caçadores de monstros estão espalhados por toda a Laurásia, mas o grupo de Ana Kelly chamou mais a atenção da sociedade Sextante.

Meu nome é Ana Kelly e desde que decidi me tornar uma caçadora de monstros minha família se preocupa comigo. As criaturas são chamadas de AGAPe. Parece até um nome fofo, mas é na realidade uma sigla para Anomalias Genéticas de Alta Periculosidade. Muitos cidadãos se unem para caçar os AGAPes, muitos deles motivados por algum desejo de vingança. Meu pai por exemplo foi assassinado por um AGAPe enquanto ia para o trabalho. Eu só tinha dez anos na época mas ainda lembro da criatura sem rosto perfurando suas entranhas enquanto eu via tudo pela janela.

Minha mãe não aceita o fato de eu me tornar uma caçadora de monstro. Estou neste cargo desde os dezessete anos (idade mínima para fazer parte do grupo). Hoje tenho vinte e três, e nesse período eu vivenciei as mortes mais insanas que um ser humano é capaz de suportar mas, acredite, ser um caçador de monstro aumenta sua expectativa de vida já que você tem o controle do seu corpo e da sua mente pra lidar com essas criaturas. É melhor que ficar em casa e esperar uma criatura invadi-la e mata-lo sem a mínima chance de defesa.

Estamos por nossa própria conta enquanto a sociedade Sextante, que atualmente governa nossa cidade, não nos manda nem suplementos. Isolaram-se em sua cidade anexa conhecida como Praça Sextante. É totalmente murada e possui alta segurança. Nenhum AGAPe vive ali. Aquele local é somente para os membros da sociedade e suas famílias.

Eles dizem que não sabem quantas criaturas ao certo fugiam do laboratório. Contabilizamos trezentos e noventa e dois, mas sabemos que há muito mais soltos por aí. Fazemos parte de várias equipes que vão se modificando de acordo com o número de mortes. Cheguei a ficar em uma equipe de doze pessoas onde só sobrarão eu e mais um homem que teve que ir para outra equipe (e cujo torso nunca fora encontrado).

Mas a última equipe me chamou mais a atenção. Por ter sobrevivido várias vezes me promoveram a líder desta equipe, porém nossa união foi além do trabalho. Tornamo-nos uma família, o que nos prejudicava já que cada vez que alguém morria ficávamos emocionalmente abalados, o que dificultava muito nossas ações.

Você conhecerá cada membro da nossa equipe. Tudo o que eu queria é que eles estivessem vivos para verem nossa vitória. Tudo o que passamos foi muito além de uma caçada. Cada AGAPe era extremamente bizarro, mas no final das contas destruímos todos e pude ficar em paz com a minha família que tanto eu quis proteger. Em memória deles eu vos contarei a história da Equipe 98 dos Caçadores de Monstros.

A Equipe 98 dos Caçadores de Monstros me chamou bastante a atenção. Cada uma apresentava uma personalidade própria que nos ajudava ou nos dificultava na hora de caçar uma fera por aí.

Kenji era mestre das artes marciais. Seu estilo (que muito me lembrava um mangá) combinava perfeitamente com seus golpes. Suas armas eram os sais, as estrelas ninja e sua espada a qual ele chamava de Ken) com a qual ele fatiou dezenas de AGAPes. Apesar disto ele tem apenas dezessete anos (idade mínima para se tornar membro da equipe), porém viu tantas coisas durante seus oito meses de trabalho.

Shadow Blade dividia suas emoções entre ser louco e ser depressivo. Não era de se esperar menos, ninguém sabe quem é sua família, nem ele mesmo. Viveu lutando com AGAPes desde que se entende por gente e adquiriu grandes habilidades com armas, principalmente uma espada e uma pistola, e uma obsessão pelo símbolo do nó celta, que tem tatuado em seu pescoço, em suas costas e na sua barriga. Também tem dezessete anos e acaba de entrar à equipe.

Luis era o mais belo (na minha opinião) da equipe. Seu estilo militar escondia um passado triste. Sua família foi morta por AGAPes, porém seu irmão morreu durante A Revolta. Não sei exatamente como foi isso, mas parece que quando muraram a Praça Sextante tentaram invadi-la. Quem tentou foi brutalmente assassinado pelos sextantes. Apesar disso sua meta principal em seus vinte e três anos é aniquilar as criaturas.

Beruccia é uma garota simples, do campo. Aprendeu a colher frutas, o que nos auxilia muito já que os sextantes não nos fornece suplementos. Ela possui cabelos vermelhos e tem vinte anos.

Kowalsky é resumidamente um cara estranho. Só entrou na equipe para se exibir para Beruccia, tem um relacionamento estranho com a família, e às vezes se torna um peso morto para a equipe. Apesar disso é bom em arco e flecha, o que me fez ainda não atira-lo em um precipício. Tem vinte e um anos.

Caioviskhy é um verdadeiro exemplo de cara malvado do colegial. Só vive mal-humorado, estressado e arrumando briga com qualquer um que se opunha a ele, além de viver fazendo brincadeiras sem graça com o Kowalsky. Tem vinte e dois anos.

Suzana tem dezenove anos e tinha uma convivência boa com a família. Mas eles foram mortos. Por um AGAPe? Bem, era isso que imaginávamos. Suzana poderia ser chamada de melhor pessoa do mundo se não fosse por seu grave defeito que pode pôr em risco toda a equipe.

Gabriel de dezenove anos veio de uma separação familiar. Apesar disso é bastante inteligente e além de mexer com armas pequenas também trabalha com bioquímica. O problema (sempre tem o problema) é que ele não faz, manda os outros fazerem. Foi sobrevivente de uma equipe por mandar todo mundo usar sua fórmula para matar um AGAPe. Nenhum voltou.

Lua pode ser considerada também uma garota estranha já que veio de uma família conturbada. Apesar disso ela é capaz de descer até o inferno para ajudar aqueles que amam. Tem vinte anos.

Bruno Papa é o mais velho da equipe (quarenta e um anos) e também o mais humorado. De toda a sua experiência ele percebeu que o melhor seria rir das próprias desgraças (ou ele viu tanta coisa que pirou de vez mesmo). Anda sempre com sua arma, um bumerangue de aço, e vive fazendo piadas até nos momentos mais crueis.

Miranda é o tipo de garota que foi para a equipe só para desobedecer os pais. Rebelde, em seus dezenove anos, vive quebrando regras e desobedecendo ordens.

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— Esta é a sua nova equipe! — disse Henrique, o chefe das operações há duas semanas (o antigo morreu).

Adentrei-me à sala onde vi várias pessoas novas. Todos me olharam e, confesso, alguns ficaram perplexos.

— Não serei liderado por uma mulher! — gritou Cioviskhy.

O que me chamou a atenção foi Luis. Ele foi meu colega de escola (quando ainda era seguro estudar) e desde então me apaixonei por ele, mas ele nem percebia isso. Quando o vi, as blasfêmias de Caioviskhy se tornaram o som de uma brisa suave. Concentração. Não poderia deixar aquilo me distrair. Estava liderando uma equipe agora!

Peguei o diário, uma espécie de tablet onde catalogamos os AGAPes, e mostrei para a equipe onde o último AGAPe tinha sido visto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.